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	<title>A destreza das dúvidas</title>
	<link>http://aguiarconraria.blogsome.com</link>
	<description>blogue de Luís Aguiar-Conraria, de Fernando Alexandre e de Cristóvão de Aguiar</description>
	<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 09:51:23 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>

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		<title>Porque me parece que vem a propósito, recordo o que escrevi em tempos</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 09:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LA-C</dc:creator>
		
	<category>Luís Aguiar-Conraria</category>
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		<description><![CDATA[	Nos EUA, há 40 anos, era proibido o casamento entre negros e brancos em 16 estados. Verdade: Mildred Jeter (negra) e Richard Loving (branco) foram impedidos de se casar na Virgínia. Casaram-se em Washington e voltaram &agrave; Virgínia. Culpados de violar a lei que proibia o casamento inter-racial, foram condenados a um ano de pris&atilde;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Nos EUA, há 40 anos, era proibido o casamento entre negros e brancos em 16 estados. Verdade: Mildred Jeter (negra) e Richard Loving (branco) foram impedidos de se casar na Virgínia. Casaram-se em Washington e voltaram &agrave; Virgínia. Culpados de violar a lei que proibia o casamento inter-racial, foram condenados a um ano de pris&atilde;o e for&ccedil;ados a abandonar o Estado da Virgínia. Porqu&ecirc;? Cito o juiz: </p>
	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify">Almighty God created the races white, black, yellow, malay and red, and he placed them on separate continents. And but for the interference with his arrangement there would be no cause for such marriages. The fact that He separated the races shows that he did not intend for the races to mix.<br />Tradu&ccedil;&atilde;o: Deus todo-poderoso criou os brancos, negros, amarelos, malaios e vermelhos, e separou-os por continentes. Sem interfer&ecirc;ncias nestes arranjos, n&atilde;o haveria causa para tais casamentos. Se Ele quisesse misturas n&atilde;o teria separado as ra&ccedil;as.</p></blockquote>
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		<title>F escreve sobre &#8220;A Crise Financeira Internacional&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 18:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LA-C</dc:creator>
		
	<category>Luís Aguiar-Conraria</category>
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		<description><![CDATA[	Caro Fernando Alexandre,Eu quero enviar aos Autores d&#8217;A Crise Financeira Internacional o meu agradecimento pelo bom gosto que me trouxe a leitura destas 195 páginas.O Vosso entendimento central é que &laquo;na origem da crise financeira está o excesso de endividamento&raquo; [10]. É verdade. S&atilde;o ainda &laquo;as falhas do mercado (que) foram também falhas do Estado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Caro Fernando Alexandre,<br />Eu quero enviar aos Autores d&#8217;<em>A Crise Financeira Internacional</em> o meu agradecimento pelo bom gosto que me trouxe a leitura destas 195 páginas.<br />O Vosso entendimento central é que &laquo;na origem da crise financeira está o excesso de endividamento&raquo; [10]. É verdade. S&atilde;o ainda &laquo;as falhas do mercado (que) foram também falhas do Estado, pelo menos parcialmente&raquo;, ao contribuírem &laquo;para a acumula&ccedil;&atilde;o dos desequilíbrios que est&atilde;o na origem da crise financeira&raquo; [177]. Também é verdade.</p>
<a id="more-695"></a><br />
<p align="justify">Eu penso que quando referem o &laquo;excesso de endividamento&raquo; querem significar o excesso de uso de dívida pois como dizem tal &laquo;só foi possível porque outros (&#8230;) pouparam&raquo; [89]. Eu prefiro falar em excesso de capacidade da indústria financeira. Há finan&ccedil;a a mais. Tal como na indústria automóvel de hoje onde há carros a mais. O excesso de endividamento e o excesso de poupan&ccedil;a s&atilde;o assim o reflexo deste excesso de capacidade. Claro está que dizer que há excesso de capacidade obriga a dar mais um passo no exercício de persuas&atilde;o. Há que explicar o excesso de endividamento, e há que explicar o excesso de poupan&ccedil;a. </p>
	<p align="justify">As Vossas raz&otilde;es para o excesso de endividamento s&atilde;o várias: o desejo das Famílias do Primeiro Mundo de viver em casa própria e de consumir mais [10]; o &laquo;desenvolvimento dos mercados financeiros das últimas décadas&raquo; [10]; a ilus&atilde;o de modera&ccedil;&atilde;o eterna que trouxe &laquo;o baixo pre&ccedil;o das matérias-primas e a globaliza&ccedil;&atilde;o económica&raquo; [30]; e &laquo;o sentimento de se estar numa Nova Era&raquo; [37] possibilitada &laquo;pelas novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o&raquo; [31]; e, ainda, o convencimento das elites &laquo;na estabilidade das economias&raquo; e o seu optimismo &laquo;quanto &agrave; natureza benigna do seu ajustamento&raquo; [33]. O Senhor Professor Alfredo de Sousa explicava que a infla&ccedil;&atilde;o mais baixa e a menor variabilidade das taxas de crescimento duma economia contribuem para aumentar o &laquo;horizonte cultural&raquo; dos agentes. Passam a contratar mais e por prazos cada vez mais longos porque n&atilde;o lhes pressentem o aumento do risco. &laquo;O fim da folia&raquo; sobrevém quando a percep&ccedil;&atilde;o muda [44].</p>
	<p align="justify">Mas antes da percep&ccedil;&atilde;o vem o aumento real do risco. É deste modo que surge a Vossa chamada &laquo;actividade bancária oculta: (a) parte da actividade bancária (que) passou para entidades que formalmente n&atilde;o s&atilde;o bancos e por isso n&atilde;o est&atilde;o sujeitas &agrave; regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o bancárias&raquo; [57]. É verdade. A taxa de rentabilidade bruta das ac&ccedil;&otilde;es dos grandes bancos internacionais nos últimos vinte anos foi o dobro da taxa correspondente nos vinte anos precedentes. O pessoal da banca dizia que esta maior rentabilidade era obra do seu engenho (e que por isso mereciam t&atilde;o grandes compensa&ccedil;&otilde;es). O tempo veio mostrar que a maior rentabilidade foi quase só obra do maior risco com que operavam.</p>
	<p align="justify">Eu só n&atilde;o gosto da Vossa adjectiva&ccedil;&atilde;o. De chamarem &laquo;oculta&raquo; a esta parte da actividade bancária. Porque me dá a ideia que se n&atilde;o estivesse &laquo;oculta&raquo; e por tanto sujeita &agrave; supervis&atilde;o, tudo teria corrido melhor. Ora tal n&atilde;o é verdade. A supervis&atilde;o do Estado conhece muito bem toda esta actividade. Se n&atilde;o supervisionou foi porque n&atilde;o o entendeu por bem. É por isso que a esta parte da actividade bancária também lhe chamo &laquo;paralela&raquo;. Porque me faz recordar o frenesim do final do século XIX na constru&ccedil;&atilde;o de ramais &laquo;paralelos&raquo; de caminho-de-ferro no Nordeste dos EUA. Foi o ent&atilde;o excesso de capacidade de transporte justificado pela concorr&ecirc;ncia que se dizia &laquo;livre&raquo;.</p>
	<p align="justify">A Vossa explica&ccedil;&atilde;o para o aumento do risco financeiro inclui ainda a inova&ccedil;&atilde;o financeira que rodeou a &laquo;titulariza&ccedil;&atilde;o&raquo; do crédito hipotecário que fazia recurso ao chamado &laquo;financiamento estruturado&raquo; [58]. Deixem-me sugerir por que se chama &laquo;estruturado&raquo; a este tipo de financiamento: porque quando se diz que os títulos s&atilde;o &laquo;fatiados&raquo; [59] é t&atilde;o-só a &laquo;estrutura&raquo; do capital da sociedade que emite os títulos que é partida em &laquo;tranches&raquo; ou &laquo;fatias&raquo;.</p>
	<p align="justify">A titulariza&ccedil;&atilde;o pode aumentar o risco. Quando se aumenta a complexidade (das &laquo;fatias&raquo;) da estrutura do capital duma sociedade, cresce a &laquo;opacidade&raquo; das responsabilidades [116]. Eu penso que é importante compreenderem este meu uso da palavra &laquo;opacidade&raquo;. É diferente da Vossa &laquo;opacidade&raquo; que parece mais um nevoeiro &agrave; frente dos olhos dos reguladores. Para mim, a Finan&ccedil;a é obra de gente crescida que sabe muito bem o que anda a fazer e que quando diz que n&atilde;o v&ecirc; é porque n&atilde;o quer. Neste meu sentido, a maior &laquo;opacidade&raquo; contratual é a maior dificuldade em compreender juridicamente quem tem de avan&ccedil;ar com mais dinheiro sob a forma de capital quando surgem as dificuldades financeiras numa empresa. É por isso que o risco é maior também.</p>
	<p align="justify">Mas há outra consequ&ecirc;ncia. A multiplica&ccedil;&atilde;o da dispers&atilde;o do capital numa titulariza&ccedil;&atilde;o faz com que a &laquo;velocidade da propaga&ccedil;&atilde;o&raquo; do risco aumente também. Que n&atilde;o causa problema quando n&atilde;o há dificuldades. Mas agrava quando as dificuldades aparecem. É por isso também que foi tudo t&atilde;o rápido e chegou t&atilde;o longe.</p>
	<p align="justify">É este Vosso esfor&ccedil;o de trazer a conversa da Finan&ccedil;a para dentro das conversas da Macroeconomia que eu entendo ser o contributo mor d&rsquo; &laquo;A Crise Financeira Internacional&raquo;. Porque se é bem certo como dizem que as gentes da Finan&ccedil;a v&atilde;o precisar de aprender mais Macroeconomia, também é uma grande verdade que os economistas da Macro v&atilde;o ter que aprender muito mais de Finan&ccedil;a.</p>
	<p align="justify">Apreciei ainda terem recordado o trabalho de Ed Leamer [130], que é o Director dum dos melhores servi&ccedil;os de previs&atilde;o macroeconómica, a unidade da UCLA Andersen, e que foi desde muito cedo quem alertou para a constru&ccedil;&atilde;o das &laquo;bolhas&raquo; imobiliárias nos estados arenosos dos EUA.</p>
	<p align="justify">Uma nota final sobre o personagem mais presente no Vosso livro: Alan Greenspan. Penso que já aqui recordei ter sido a primeira pessoa que trouxe a Finan&ccedil;a para dentro das discuss&otilde;es da política monetária logo na primeira reuni&atilde;o que teve do FOMC (Federal Open Market Committee). Continua sendo para mim o mais brilhante dos praticantes da Macroeconomia Aplicada pela habilidade especial que sempre teve para buscar a informa&ccedil;&atilde;o relevante.</p>
	<p align="justify">Sei que foi acusado logo em Agosto de 2007 pela constru&ccedil;&atilde;o de milhares de habita&ccedil;&otilde;es novas entre 2001 e 2004 por causa das taxas baixas que o Professor John Taylor qualificou de injustificadas (com base numa forma reduzida duvidosa e artesanal) [84]. Mas por que a sugest&atilde;o de Alan foi Ben Bernanke, continuo sem perceber se o mesmo John Taylor diria o mesmo se hoje fosse o presidente da Reserva Federal&hellip;</p>
	<p align="justify">Por fim, queria recordar o único trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o formal que Alan Greenspan publicou durante a sua presen&ccedil;a na Reserva Federal. Com Jim Kennedy, o Director da Divis&atilde;o de &laquo;Flow-of-Funds&raquo;. (E que penso que irá sair numa das revistas inglesas, &laquo;Economica&raquo; ou &laquo;Economic Journal&raquo;) Foi com base neste trabalho que fez o seu discurso perante a American Bankers Association em Setembro de 2005 onde explicou pela primeira vez a origem do problema do &laquo;subprime&raquo;: metade das hipotecas era usada como alternativa fiscalmente eficaz ao crédito ao consumo. Valeu-lhe o despedimento pelo autor da mudan&ccedil;a da lei fiscal, George Bush. De quem Alan nunca se queixou.</p>
	<p align="justify">Muitas verdades económicas s&atilde;o politicamente incómodas. Tal como este livrinho que gostei tanto. Obrigado.</p>
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		<title>O primeiro nevão na montanha mágica da Ilha do Pico</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 10:19:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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			<content:encoded><![CDATA[	<p><img title="" height="358" alt="" src="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/nevao.jpg" width="332" border="0" />
</p>
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		<title>Ponto final e disse</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 08:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	No JL, de 3 de Novembro, Miguel Real, entre muitas outras coisas, escreve: &ldquo;Em Caim permanece o estilo tradicional de Saramago (já amiúde anali&shy;sado), tanto barroquizante (&hellip;) (uma floresta de palavras (subli&shy;nhado meu) ilustra&shy;dora de uma ideia) e anarquizante (uma espécie de every&shy;thing goes), isto é, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><strong><font><em>Much ado about nothing</em></font></strong> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>N</strong>o JL, de 3 de Novembro, Miguel Real, entre muitas outras coisas, escreve: &ldquo;Em Caim permanece o estilo tradicional de Saramago (já amiúde anali&shy;sado), tanto barroquizante (&hellip;) (<strong><em>uma</em></strong> <strong><em>floresta de palavras</em></strong> (subli&shy;nhado meu) ilustra&shy;dora de uma ideia) e anarquizante (uma espécie de <em>every&shy;thing goes</em>), isto é, a con&shy;flu&ecirc;ncia de um léxico antigo e ver&shy;nacular &ndash; <em>avonde</em> (pp.16 &ndash; com um voca&shy;bulá&shy;rio moderno, dese&shy;nhando <em>um melting pot</em> sem&acirc;ntico, aparente&shy;mente espont&acirc;&shy;neo, pelo qual a lógica do texto cria as suas pró&shy;prias hierarquias gra&shy;maticais e ideológicas (&#8230;)&quot;.</p>
<a id="more-693"></a><br />
<p align="justify">O estilo enxuto, descarnado, nunca foi dom de Saramago. O escritor explica tudo até &agrave; exaust&atilde;o, o que n&atilde;o raro se torna enfa&shy;donho. Dir-se-ia que há uma inunda&ccedil;&atilde;o de palavras, grande parte delas inúteis, como se tivesse ocorrido uma séria avaria na canali&shy;za&ccedil;&atilde;o provinda da nas&shy;cente criadora. Por esta e outras raz&otilde;es, muita boa gente letrada costuma(va) afir&shy;mar, em surdina (o politica&shy;mente correcto vigora com for&ccedil;a), que se a certos livros de Saramago fos&shy;sem retiradas cem ou cento e cin&shy;quenta páginas, n&atilde;o perderiam nada: pelo contrário, fica&shy;riam mais claros, exac&shy;tos, sucin&shy;tos&hellip; <br />Quando assim acontece, alguma coisa está podre no reino da literatura. A arte de dizer muito em poucas palavras é difícil, dura, requer muito esfor&ccedil;o, muita lima, muita monda&hellip; Escrever é cortar! Veja-se Miguel Torga, um dos mais elevados expoentes de concis&atilde;o de escrita! Se lhe fosse reti&shy;rada uma só pala&shy;vra de uma frase ou de um verso, logo fica&shy;riam man&shy;cos&hellip; <br />N&atilde;o posso acreditar numa arte literária em que <em>palavra menos palavra vai tudo dar ao mesmo</em>&hellip; </p>
	<p align="justify">Os lugares-comuns sempre ocuparam uma posi&ccedil;&atilde;o de relevo na obra roma&shy;nesca de Sara&shy;mago. Só do romance <em>Caim</em> extraí uma caterva deles: <em>máqui&shy;nas de encher chou&shy;ri&ccedil;os; do pé para a m&atilde;o; dar tempo ao tempo; para aí virado; fazendo das tripas cora&ccedil;&atilde;o; carta branca; mal se podia ter nas pernas; dois coelhos de uma cajadada; a carne é </em>supi&shy;na&shy;mente<em> fraca</em> (genial, o acrescento do advérbio);<em> chorar o leite derra&shy;mado &nbsp;</em>(express&atilde;o traduzida, &agrave; letra, do ingl&ecirc;s: em portugu&ecirc;s de lei seria: depois de o mal feito, chorar n&atilde;o é proveito; mas, veja-se a frase completa, para aquila&shy;tarmos da genialidade de quem a engendrou: &ldquo;Cho&shy;rar o leite derramado n&atilde;o é t&atilde;o inútil quanto se diz, é de alguma maneira instrutivo porque nos mostra a verdadeira dimens&atilde;o da frivo&shy;lidade de certos procedimentos humanos, por&shy;quanto se o leite se der&shy;ramou, der&shy;ramado está e só há que limpá-lo, e se abel foi morto de morte mal&shy;vada é porque alguém lhe tirou a vida (&hellip;)&rdquo; (Lili Cane&ccedil;as&nbsp;n&atilde;o diria melhor!) &hellip; <br />E por aqui me quedo, que agora me n&atilde;o apetece fustigar mais. Uma nota ainda: durante a leitura do livro, ouvi deze&shy;nas de vezes, a matraquear-me no pensamento, o diálogo do Ambrósio com a Senhora, tantos s&atilde;o os <em>algos</em> que o escritor utiliza ao longo do livro: &ldquo;O que eu queria era <em>algo</em>, Ambrósio, <em>algo</em> de bom, entende, Ambrósio?!&rdquo; &ldquo;Entendo, sim, Mylady&rdquo;&#8230;&nbsp; </p>
	<p align="justify">Analise-se alguma da t&atilde;o autoproclamada ironia saramaguiana, asso&shy;ciada a um humor do mais fino recorte. Examinemo-los, contextualiza&shy;dos, em alguns passos de <em>Caim</em>: <br />&ldquo;Falaste como um livro aberto, disse o querubim, e ad&atilde;o ficou contente por ter falado como um livro aberto, ele que nunca&nbsp;havia feito estudos. (&hellip;)&rdquo;, pp. 30; <br />&ldquo;(&hellip;) Esta espada de fogo, para alguma coisa servirá finalmente, basta chegar-lhe a ponta em brasa aos cardos secos e &agrave; palha e tereis aí uma fogueira capaz de ser vista desde a lua (&hellip;) acabaria por pegar fogo ao jardim do éden, e eu ficaria sem emprego (&hellip;)&rdquo;, pp. 31; <br />&ldquo;O velho das ovelhas n&atilde;o estava ali, o senhor, se era ele, dava-lhe carta-branca (<em>hífen da minha respon&shy;sabilidade</em>), mas nem mapa de estradas, nem passa&shy;porte, nem recomenda&ccedil;&otilde;es de hotéis e restaurantes (&hellip;)&rdquo;, pp. 78; <br />&ldquo;Há que levar em consi&shy;dera&ccedil;&atilde;o o facto de caim estar mal infor&shy;mado sobre quest&otilde;es cartográficas (&hellip;)&rdquo;, pp. 80; <br />Acerca do jerico em que caim percorria o mundo através do espa&ccedil;o e do tempo: &ldquo;Pena n&atilde;o haver ali alguém que soubesse interpretar os movimentos das suas orelhas, essa espécie de telégrafo de ban&shy;deiras com que a natureza o dotara, sem pensar o afortu&shy;nado bicho que chega&shy;ria o dia <em>em que quereria expressar o inefável, e o inefá&shy;vel, como sabe&shy;mos, é precisamente o que está para lá de qualquer possibili&shy;dade de express&atilde;o</em> (&hellip;), pp.81 (uma das mais pro&shy;fundas defini&ccedil;&otilde;es de <em>inefável</em> jamais proferidas); <br />&ldquo;O anjo fez cara de contri&ccedil;&atilde;o, Sinto muito ter chegado atrasado, mas a culpa n&atilde;o foi minha, quando vinha para cá surgiu-me um problema mec&acirc;nico na asa direita, n&atilde;o sincronizava com a esquerda, o resultado foram contínuas mudan&shy;&ccedil;as de rumo que me desorientavam, na ver&shy;dade vi-me em papos-de-aranha (palpos-de-aranha?) para chegar aqui (&hellip;)&rdquo;, pp. 88&hellip;<strong> </strong>etc., etc.</p>
	<p align="justify">A conjuga&ccedil;&atilde;o verbal da segunda pessoa do plural é t&atilde;o vulgar no Norte do País e em Trás-os-Montes, que toda a gente a sabe utilizar de olhos fechados. Ao invés, no romance <em>Caim</em>, as misturadas s&atilde;o frequentes. Do mesmo modo, o descaso votado &agrave; dife&shy;rencia&ccedil;&atilde;o de tempos verbais n&atilde;o é despicienda. Apenas um exemplo dos muitos que poderiam ser dados &ldquo;[Eva] ia, como alguém dirá, decentezinha, embora n&atilde;o pudesse evitar que os seios, sol&shy;tos, sem amparo, se movessem ao ritmo dos passos. N&atilde;o podia impedi-los, nem em tal <strong><u><em>pensou</em></u></strong> (pensara, tinha ou havia pensado), pp. 26.No tocante &agrave; conjuga&ccedil;&atilde;o verbal da segunda pessoa do plural, analisemos ape&shy;nas algumas em que o autor se ensa&shy;rilha e ninguém dos seus acólitos lhe acu&shy;diu: &ldquo;(&hellip;) Depois é convosco, aí já n&atilde;o posso nada, <em>arranjem</em> (arranjai) maneira de <em>se juntarem</em> (vos juntardes) &agrave; caravana, <em>pe&ccedil;am</em> (pedi) que <em>os con&shy;tratem</em> (vos contratem) só pela comida, estou conven&shy;cido de que quatro bra&ccedil;os por um prato de lentilhas será bom negócio para todos, tanto para a parte con&shy;tratada, quando isso acontecer n&atilde;o <em>se esque&ccedil;am</em> (vos esque&ccedil;ais) de apagar a fogueira, assim saberei que já <em>se foram</em> (vos fostes) (&hellip;)&rdquo;, pp. 31. </p>
	<p align="justify">Poderia continuar o massacre, mas n&atilde;o vale a pena: a um Nobel todos os pecados lhe s&atilde;o per&shy;doados. Os estudiosos que o dissecam, como as beatas o Missal Romano, lá se encarregam de lhe transformar os erros em virtudes e em novas regras&hellip; Que&shy;rem continuar sentados ao redor da fogueira, soprando em sustenido as trom&shy;betas da louvaminhice, rindo &agrave;s gargalhadas quando o patrono conta ou escreve uma frase humorística, sem piada nenhuma, na espe&shy;ran&ccedil;a de conse&shy;guir, pela devo&ccedil;&atilde;o que lhe dedicam, a sua migalhinha de fama e prestígio, no universo globalizado da litera&shy;tura! É tempo de proclamar: <strong>O rei vai mesmo nu</strong>&hellip; Nuinho em folha!</p>
	<p align="justify">Outra das pechas que enxameiam o livro e a Língua Portuguesa: <em>n&atilde;o tenho a menor dúvida, a menor ideia</em>! Menor do que qu&ecirc;? Trata-se de um comparativo de inferioridade. Melhor seria escrever ou dizer n&atilde;o tenho a <em>mais pequena</em> dúvida ou a <em>mínima</em> ideia! </p>
	<p align="justify">Sobre o tempo dos verbos, no discurso indirecto, há também pouca seguran&ccedil;a ou mesmo ignor&acirc;ncia: em pano nobelizado também chovem nódoas negras&hellip; Que dizer desta frase de Eva, no Éden, em resposta a <em>Deus passeando pela brisa da tarde</em> (título do livro do mesmo nome, de Mário de Carvalho, retirado do Génesis: &ldquo;A serpente enganou-me e eu comi, Falsa, mentirosa, n&atilde;o há ser&shy;pentes no paraíso, Senhor, eu n&atilde;o disse que <strong><em>haja</em></strong> serpentes no paraíso (&hellip;)&rdquo;, pp.19. <br />Haja Deus! Nem um simples discurso indirecto Eva consegue encarrei&shy;rar&hellip; &ldquo;N&atilde;o disse que <u><em>haja</em></u>. N&atilde;o disse que <strong><em>havia</em>&rdquo;</strong>, assim é que está certo, D. Eva Sara&shy;mago del Rio! A mesma sábia que escreveu: &ldquo;Se Deus existisse, já tinha vindo falar com Voltaire e Saramago&rdquo;. Ó prosápia das prosá&shy;pias, tudo é pro&shy;sápia e vaidade!</p>
	<p align="justify">Tempo de fechar a tenda desta escrita. Vou já arrumar o livro na estante, junto dos irm&atilde;os cola&ccedil;os. Tenho a esperan&ccedil;a de que no futuro um dos meus trinetos ou tetranetos o tire da prateleira para o ler e possa, depois, atestar, com a segu&shy;ran&ccedil;a que o tempo costuma reiterar, ou retirar, &agrave;s grandiosidades fabricadas no presente, nessa altura já pretérito muito perfeito: &ldquo;Foi este o primeiro Nobel da Literatura de Portugal? De cer&shy;teza?&quot;</p>
	<p align="justify">Quanto a mim, n&atilde;o insisto: desisto. N&atilde;o sei se perdi ou ganhei tempo. Quando o embaixador de Espanha, Porras &amp; Porras, apresentou as credenciais ao Rei D. Carlos para encetar as suas fun&ccedil;&otilde;es diplomáticas no nosso País, El-Rei terá comentado com um dos ministros do reino: &ldquo;N&atilde;o é pelo nome, é pela insist&ecirc;ncia&rdquo;&hellip; Eu também n&atilde;o insisto mais. Nem que me caiam peda&ccedil;os de céu velho em cima da cabe&ccedil;a. Mais n&atilde;o ponho na carta, já vai mui longa.</p>
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		<title>Muito barulho por nada (V)</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/11/09/muito-barulho-por-nada-v/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 08:33:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	Nada há de novo debaixo da rosa do Sol! Nem t&atilde;o-pouco o tema de Jesus Cristo, que Saramago, no seu Evangelho, apesar de páginas sublimes, n&atilde;o consegue desmistificar o emaranhado que se teceu &agrave; volta da figura de Jesus e seus discípulos, sendo por vezes mais fácil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><strong><font><em>Much ado about nothing</em></font></strong> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>N</strong>ada há de novo debaixo da rosa do <em>Sol</em>! Nem t&atilde;o-pouco o tema de Jesus Cristo, que Saramago, no seu <em>Evangelho</em>, apesar de páginas sublimes, n&atilde;o consegue desmistificar o emaranhado que se teceu &agrave; volta da figura de Jesus e seus discípulos, sendo por vezes mais fácil acreditar no Novo Testamento do que na vers&atilde;o saramaguiana (coteje-se os dois textos sobre o milagre das Bodas de Caná, o da Bíblia e o do <em>Evangelho</em>), e ficar-se-á elucidado. Essa tarefa desmistificadora coube, porém, entre outros, a Renan, em <em>A Vida de Jesus</em>), a G&egrave;rard Messadié, em <em>Um Homem que se tornou Deus</em>, que o autor transformou em romance<em> </em>(edi&ccedil;&atilde;o esgotadíssima da Difus&atilde;o Cultural, que esteve ao lado do <em>Evangelho</em>, nas livrarias, <em>et pour cause</em>). <a id="more-692"></a>Trata-se de um estudo profundo sobre o primeiro século da nossa era, em que o autor é especialista. Lido, como foi o caso, na altura em que saiu, seis meses antes de o <em>Evangelho</em>, de Saramago, fez com que este me tivesse sido uma desilus&atilde;o, tanto pela celeuma que levantou por causa do ent&atilde;o secretário da cultura, que fez o jeito de o proibir de concorrer a um concurso internacional, como pelo consequente exílio dourado de Saramago, em Lanzarote, embezerrado com a pátria e os seus governantes&#8230;. Outros dois livros de uma teóloga alem&atilde;, Uta Ranke-Heinemann, professora de teologia católica na Universidade de Essen: <em>Eunuchs for the Kingdom of Heaven</em> (<em>Eunucos para o Reino dos Céus</em>) e, sobretudo, <em>Putting Away Childish Things </em>(<em>Deixando de Criancices</em>, tradu&ccedil;&atilde;o livre, minha) ed. HarperSanFrancisco, 1992, que lhe valeu a irradia&ccedil;&atilde;o da cadeira de Teologia, passando a leccionar História das Religi&otilde;es. Os assuntos doutrinais-chave de que trata e se desmistifica neste livro s&atilde;o: <em>The divinity of Christ</em>; <em>the Virgin Birth</em>; <em>the empty tomb</em> (o sepulcro vazio), e muitos outros, que a autora considera distorcerem a mensagem do Jesus aut&ecirc;ntico e genuíno&#8230; </p>
	<p align="justify">De resto, tem sido o PSD um grande adjuvante na promo&ccedil;&atilde;o da obra saramaguiana: no século passado, foi o secretário da cultura; neste, o inefável deputado europeu&#8230; A juntar &agrave;s declara&ccedil;&otilde;es explosivas de Saramago, em Penafiel, que tanta balbúrdia tem causado, fica o ramalhete publicitário bem florido e rematado. Saramago n&atilde;o acredita, mas tem anjos da guarda a zelar pelo &ecirc;xito comercial de algumas das suas obras mais polémicas&#8230; O autor do romance <em>Caim</em> deve ser dos homens mais tementes a Deus em todo o&nbsp;planeta&#8230;&nbsp; <br />(<strong>continua</strong>)</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Destruição de emprego em Portugal e a adesão ao euro</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/11/04/destruicao-de-emprego-em-portugal-e-a-adesao-ao-euro/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 13:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	Por Fernando Alexandre, Pedro Ba&ccedil;&atilde;o, Jo&atilde;o Cerejeira e Miguel Portela
	A economia portuguesa n&atilde;o escapou ao processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o que desde o início dos anos 80 afectou a maioria dos países desenvolvidos: de acordo com a OCDE, entre 1988 e 2006 a percentagem da popula&ccedil;&atilde;o activa a trabalhar na indústria em Portugal diminuiu de cerca de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Por Fernando Alexandre, Pedro Ba&ccedil;&atilde;o, Jo&atilde;o Cerejeira e Miguel Portela</p>
	<p align="justify"><img width="394" height="279" align="left" style="width: 394px; height: 279px" src="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/Fig1.jpg" border="0" />A economia portuguesa n&atilde;o escapou ao processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o que desde o início dos anos 80 afectou a maioria dos países desenvolvidos: de acordo com a OCDE, entre 1988 e 2006 a percentagem da popula&ccedil;&atilde;o activa a trabalhar na indústria em Portugal diminuiu de cerca de 25% para 18%. Na figura 1, que apresenta a evolu&ccedil;&atilde;o naquele período do peso das manufacturas, por nível de tecnologia, no emprego total por conta de outrem, podemos ver que a desindustrializa&ccedil;&atilde;o em Portugal incidiu exclusivamente nas indústrias de baixa e média-baixa tecnologia. As manufacturas perderam cerca de 150 mil empregos entre 1988 e 2006, o que no essencial corresponde aos empregos perdidos no sector do t&ecirc;xtil e cal&ccedil;ado. No entanto, apesar destas perdas de emprego, deve salientar-se que, em 2006, os sectores de baixa e média-baixa tecnologia ainda representavam mais de 80% do emprego total por conta de outrem nas manufacturas. </p>
<a id="more-691"></a><br />
<p align="justify">As inova&ccedil;&otilde;es tecnológicas e a globaliza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido apontadas como as principais causas da desindustrializa&ccedil;&atilde;o dos países desenvolvidos nas últimas décadas. No entanto, nenhuma mudan&ccedil;a estrutural na economia portuguesa, como a da tend&ecirc;ncia decrescente observada no emprego dos sectores industriais de baixa tecnologia acima descrita, poderá ser explicada sem se tomar em considera&ccedil;&atilde;o os efeitos directos e indirectos da integra&ccedil;&atilde;o de Portugal na Comunidade Económica Europeia em 1986, a ades&atilde;o ao Sistema Monetário Europeu (SME) em 1992 e a participa&ccedil;&atilde;o no euro em 1999. Um dos efeitos directos da ades&atilde;o ao SME e ao euro foi a restri&ccedil;&atilde;o imposta aos movimentos da taxa de c&acirc;mbio nominal.</p>
<a href="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/Fig2.jpg"></a><br />
<p align="justify"><img width="394" height="230" align="left" style="width: 394px; height: 230px" src="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/Fig2.jpg" border="0" />Entre 1988 e 1992, com a prepara&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o ao SME e o consequente abandono do regime de desvaloriza&ccedil;&otilde;es competitivas que vigorava na economia portuguesa desde finais dos anos 1970, registou-se uma aprecia&ccedil;&atilde;o real da moeda portuguesa superior a 20% (ver figura 2). O período que se seguiu &agrave; crise do SME, em 1992 e 1993, e &agrave; decis&atilde;o de ades&atilde;o ao euro, caracterizou-se por pequenas varia&ccedil;&otilde;es na taxa de c&acirc;mbio real efectiva. Entre 1999, ano da ades&atilde;o ao Euro, e 2006, a taxa de c&acirc;mbio real efectiva apreciou-se cerca de 7%.</p>
	<p align="justify">A teoria económica sugere que se investigue a coincid&ecirc;ncia entre a diminui&ccedil;&atilde;o do emprego nas manufacturas e a aprecia&ccedil;&atilde;o da taxa de c&acirc;mbio real efectiva. A taxa de c&acirc;mbio real reflecte altera&ccedil;&otilde;es nos pre&ccedil;os dos bens nacionais relativamente aos pre&ccedil;os dos bens estrangeiros, que afectam a competitividade internacional das empresas. Vários estudos mostraram que aprecia&ccedil;&otilde;es fortes e prolongadas da taxa de c&acirc;mbio real, isto é, um aumento dos pre&ccedil;os dos bens nacionais relativamente aos bens estrangeiros concorrentes, podem resultar numa destrui&ccedil;&atilde;o significativa de postos de trabalho: por exemplo, dois economistas americanos (William Branson e James Love) estimaram que a aprecia&ccedil;&atilde;o do dólar em cerca de 30% na primeira metade da década de 1980 terá provocado a perda de um milh&atilde;o de postos de trabalho. </p>
	<p align="justify">Na avalia&ccedil;&atilde;o do impacto das varia&ccedil;&otilde;es cambiais, a teoria tradicional do comércio internacional enfatiza o grau de exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia internacional. As conclus&otilde;es desses estudos mostram que os sectores mais dependentes dos mercados externos, quer para a exporta&ccedil;&atilde;o de produtos, quer para a importa&ccedil;&atilde;o de matérias-primas, s&atilde;o os mais afectados pelas varia&ccedil;&otilde;es da taxa de c&acirc;mbio. No entanto, os novos modelos de comércio internacional concluem que a reac&ccedil;&atilde;o &agrave; abertura ao comércio internacional e a choques externos dependem também das características das empresas. Neste contexto, um artigo recente concluiu que a reac&ccedil;&atilde;o das empresas a varia&ccedil;&otilde;es cambiais depende da sua produtividade: as empresas de baixa produtividade face a uma aprecia&ccedil;&atilde;o da moeda reduzem as quantidades exportadas, enquanto as empresas de elevada produtividade optam por fazer o ajustamento nas margens de lucro. Fazendo uma extens&atilde;o dos resultados daquele modelo para o mercado de trabalho, os autores deste artigo concluíram que o emprego nos sectores mais expostos &agrave; concorr&ecirc;ncia internacional e com menor produtividade é o mais afectado pelas varia&ccedil;&otilde;es da taxa de c&acirc;mbio.*</p>
	<p align="justify">Sendo a economia portuguesa muito aberta &agrave; concorr&ecirc;ncia internacional e predominando na sua estrutura produtiva as empresas de baixa tecnologia, aqueles resultados sugerem que a aprecia&ccedil;&atilde;o da taxa de c&acirc;mbio real poderá ter sido um importante factor na destrui&ccedil;&atilde;o de emprego nas manufacturas no período 1988-2006. Esta hipótese é corroborada pelos testes empíricos, que sugerem que os sectores da economia portuguesa mais afectados pela aprecia&ccedil;&atilde;o da taxa de c&acirc;mbio real foram os sectores com menor conteúdo tecnológico, a que corresponde uma menor produtividade, e dentro destes, os que est&atilde;o mais expostos &agrave; concorr&ecirc;ncia internacional. Entre estes sectores encontra-se o sector do t&ecirc;xtil e cal&ccedil;ado, que, como foi referido, registou uma destrui&ccedil;&atilde;o líquida de empregos correspondente, aproximadamente, ao total de empregos perdidos nas manufacturas naquele período.</p>
	<p align="justify">* <a href="http://ftp.iza.org/dp4191.pdf" target="_blank">F. Alexandre, P. Ba&ccedil;&atilde;o, J. Cerejeira, M. Portela, 2009. &quot;Employment and Exchange Rates: The Role of Openness and Technology,&quot; IZA Discussion Papers 4191, Institute for the Study of Labor (IZA)</a>, Bonn.</p>
	<p align="justify">PS Artigo <a href="http://e.conomia.info/forum/1285/destruicao-de-emprego-em-portugal-e-a-adesao-ao-euro" target="_blank">também publicado aqui</a>.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>A Crise Financeira Internacional</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/11/02/a-crise-financeira-internacional/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 14:57:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	Por estes dias chegará &agrave;s livrarias o livro A Crise Financeira Internacional, que pode também ser adquirido no sítio da Imprensa da Universidade de Coimbra. Para ficarem com uma ideia do que nele vai escrito deixo aqui a Introdu&ccedil;&atilde;o:
	Na origem da crise financeira está o excesso de endividamento. Nos últimos anos do século XX e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><a href="http://www.uc.pt/imprensa_uc/catalogo/estadodaarte/crise" target="_blank"><img width="278" height="429" align="left" style="width: 278px; height: 429px" src="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/Capa_Crise_financeira2.jpg" border="2" /></a>Por estes dias chegará &agrave;s livrarias o livro A Crise Financeira Internacional, que pode também ser adquirido no <a href="http://www.uc.pt/imprensa_uc/catalogo/estadodaarte/crise" target="_blank">sítio da Imprensa da Universidade de Coimbra</a>. Para ficarem com uma ideia do que nele vai escrito deixo aqui a Introdu&ccedil;&atilde;o:</p>
	<p align="justify">Na origem da crise financeira está o excesso de endividamento. Nos últimos anos do século XX e nos primeiros do século XXI, países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Irlanda, a Isl&acirc;ndia, a Espanha ou Portugal aumentaram de forma extraordinária os seus níveis de endividamento, acumulado essencialmente pelas famílias para a aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o e consumo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, o endividamento ultrapassou em mais de duas vezes o rendimento gerado anualmente. Assim, para percebermos as causas da crise financeira temos de identificar os factores que estiveram por detrás do extraordinário aumento do endividamento, em particular, o papel desempenhado pelo desenvolvimento dos mercados financeiros nas últimas décadas e a forma como o Estado se posicionou em rela&ccedil;&atilde;o a estes desenvolvimentos.</p>
<a id="more-690"></a><br />
<p align="justify"><strong><font>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </font></strong></p>
	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify"><em>Ele tinha assimilado o credo da sua época: Safety first; era-lhe mais importante possuir um empreendimento sólido com capital próprio, do que dar-lhe dimens&otilde;es gigantescas, recorrendo a créditos bancários ou hipotecas. O seu único orgulho na vida era nunca ninguém lhe ter visto o nome num título de dívida ou numa letra de c&acirc;mbio e de ter sido sempre credor do seu banco (&hellip;). Tinha avers&atilde;o a qualquer lucro que implicasse nem que fosse a mais leve sombra de risco (&hellip;). </em><br />Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: Recorda&ccedil;&otilde;es de um Europeu, 1942, pág. 19.</p></blockquote>
	<p align="justify">Na origem da crise financeira está o excesso de endividamento. Nos últimos anos do século XX e nos primeiros do século XXI, países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Irlanda, a Isl&acirc;ndia, a Espanha ou Portugal aumentaram de forma extraordinária os seus níveis de endividamento, acumulado essencialmente pelas famílias para a aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o e consumo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, o endividamento ultrapassou em mais de duas vezes o rendimento gerado anualmente. Assim, para percebermos as causas da crise financeira temos de identificar os factores que estiveram por detrás do extraordinário aumento do endividamento, em particular, o papel desempenhado pelo desenvolvimento dos mercados financeiros nas últimas décadas e a forma como o Estado se posicionou em rela&ccedil;&atilde;o a estes desenvolvimentos.</p>
	<p align="justify">É nos mercados financeiros que os empreendedores encontram o financiamento que lhes permite transformar ideias em negócios, possibilitando o investimento na inova&ccedil;&atilde;o tecnológica, ponto de partida para a &ldquo;destrui&ccedil;&atilde;o criadora&rdquo; que caracteriza o funcionamento do sistema capitalista. O notável empreendimento dos descobrimentos dos séculos XV e XVI, levado a cabo pelos monarcas e navegadores portugueses e espanhóis, que estiveram na origem da primeira globaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o teria sido possível sem o acesso a um mercado obrigacionista e &agrave;s primeiras formas de seguros, que permitiram a protec&ccedil;&atilde;o dos investidores contra o risco das viagens nos desconhecidos e muitas vezes tenebrosos mares e oceanos.</p>
	<p align="justify">No entanto, até ao início do século XX a poupan&ccedil;a e um modo de vida austero, descrito na passagem acima das memórias do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), caracterizavam o modo de vida das famílias e das empresas, sendo vistas como virtudes que favoreciam o desenvolvimento da economia. O crédito ao consumo é uma inova&ccedil;&atilde;o do século XX que esteve na base da cria&ccedil;&atilde;o do consumo de massas e da classe média. O aperfei&ccedil;oamento dos instrumentos financeiros e das formas de protec&ccedil;&atilde;o contra o risco permitiu alargar o acesso ao crédito a um número cada vez maior de famílias. A renit&ecirc;ncia das famílias em recorrerem ao crédito foi ultrapassada pelas campanhas de marketing dos bancos americanos: estes, nos anos vinte, come&ccedil;aram a vender o crédito como uma prova de confian&ccedil;a nas famílias que a ele recorriam. Ter crédito passou a ser uma qualidade digna de admira&ccedil;&atilde;o.</p>
	<p align="justify">No entanto, a actividade de concess&atilde;o de crédito, porque assenta em avalia&ccedil;&otilde;es dos rendimentos esperados, isto é, rendimentos n&atilde;o conhecidos na altura em que se estabelece o contrato entre o credor e o devedor, acarreta riscos. Talvez por isso, durante muitos anos, a melhor defini&ccedil;&atilde;o de banco fosse a de uma institui&ccedil;&atilde;o que empresta um chapéu-de-chuva quando está sol para o pedir de volta logo que come&ccedil;a a chover. A universaliza&ccedil;&atilde;o do crédito que se verificou, mais depressa nuns países do que noutros, veio lan&ccedil;ar dúvidas sobre a justeza daquela defini&ccedil;&atilde;o. De facto, no caso do mercado subprime, que esteve na origem da crise financeira internacional, os bancos, negando a defini&ccedil;&atilde;o acima, emprestaram dinheiro a quem estava &agrave; chuva e sem que houvesse previs&otilde;es de melhorias climatéricas.</p>
	<p align="justify">Do ponto de vista social, esta mudan&ccedil;a era, pelo menos na apar&ecirc;ncia, positiva, dado que permitia &agrave;s famílias com rendimentos muito baixos adquirir, por exemplo, habita&ccedil;&atilde;o própria. Os benefícios sociais resultantes do acesso ao crédito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o pelas famílias de baixos rendimentos constitui certamente umas das explica&ccedil;&otilde;es para a omiss&atilde;o e complac&ecirc;ncia dos Estados na regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o das novas criaturas que invadiram os mercados financeiros nas últimas décadas. Em poucas circunst&acirc;ncias este sentimento se terá revelado de forma mais aut&ecirc;ntica do que nas memórias do ex-presidente da Reserva Federal americana, Alan Greenspan, publicadas em Setembro de 2007, quando os sinais da crise financeira se adensavam:</p>
	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify"><em>Os ganhos foram especialmente significativos entre os hisp&acirc;nicos e os negros, gra&ccedil;as &agrave; crescente aflu&ecirc;ncia e aos incentivos do Governo para o acesso ao mercado hipotecário subprime, que permitiram a muitos membros de grupos minoritários tornarem-se proprietários pela primeira vez. Esta expans&atilde;o da propriedade permitia a mais pessoas terem um lugar no futuro do nosso país e era um bom augúrio para a coes&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o, pensava eu.</em> (pág. 230)</p></blockquote>
	<p align="justify">A universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso ao crédito funcionava como um instrumento de redistribui&ccedil;&atilde;o do rendimento, permitindo &agrave;s famílias de rendimentos mais baixos beneficiar no presente dos rendimentos mais elevados que o sonho americano lhes prometia para o futuro. Este sentimento foi partilhado por famílias e empresas de muitos outros países, incluindo Portugal. A longa expans&atilde;o que caracterizou o comportamento da economia americana e dos países industrializados desde meados dos anos oitenta contribuiu para refor&ccedil;ar a confian&ccedil;a na realiza&ccedil;&atilde;o daquelas expectativas. No entanto, a crise financeira veio mais uma vez mostrar que a redistribui&ccedil;&atilde;o de rendimento entre o futuro e o presente tem limites: o consumo no presente dos rendimentos futuros só é sustentável quando estes se materializam. Quando isso n&atilde;o acontece para uma parte importante dos devedores, os contratos estabelecidos com os credores deixam de ser cumpridos, a confian&ccedil;a desvanece-se, os mercados financeiros deixam de funcionar e a actividade económica definha. A crise financeira de 2007 é o exemplo mais recente, e um dos mais notáveis da história do capitalismo, desta din&acirc;mica de expans&atilde;o e contrac&ccedil;&atilde;o das economias motivada pelo crescimento excessivo do endividamento.</p>
	<p align="justify">Embora alguns acontecimentos anteriores a Agosto de 2007, descritos na cronologia da crise incluída na parte final deste livro, prenunciassem a crise financeira internacional, s&atilde;o os problemas nos mercados de crédito e as interven&ccedil;&otilde;es dos bancos centrais naquele m&ecirc;s que marcam o início da crise. As bolhas especulativas nas empresas de novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (conhecidas como dotcoms) na década de noventa, a bolha da habita&ccedil;&atilde;o nos primeiros anos do século XXI, o desequilíbrio externo da economia americana e os excedentes das economias emergentes sugeriam aos economistas e decisores de política económica a inevitabilidade de uma recess&atilde;o ou crise da economia mundial.</p>
	<p align="justify">De facto, apesar da impossibilidade de prever o futuro que caracteriza as ci&ecirc;ncias sociais, há muito tempo demonstrada por Karl Popper (1902-1994) e muito referida a propósito desta crise, a inevitabilidade de uma crise mundial era um dos principais temas em confer&ecirc;ncias e noutros encontros académicos. Foi num desses eventos que, num fim de tarde do Ver&atilde;o de 2006, junto ao Mediterr&acirc;neo, um dos autores deste livro assistiu a uma animada discuss&atilde;o entre dois distintos economistas, de duas das mais importantes institui&ccedil;&otilde;es económicas e financeiras internacionais, sobre a forma que tomaria a correc&ccedil;&atilde;o dos desequilíbrios da economia mundial. Embora existisse consenso entre os dois economistas relativamente &agrave; inevitabilidade de uma crise, discordavam quanto &agrave; forma e &agrave;s consequ&ecirc;ncias que resultariam da correc&ccedil;&atilde;o daqueles desequilíbrios. De um lado estava a vis&atilde;o optimista que defendia que o ajustamento tomaria uma forma benigna, ou seja, &agrave; semelhan&ccedil;a das crises mais recentes, a um curto período de desacelera&ccedil;&atilde;o do crescimento sucederia um novo período de expans&atilde;o económica. Do outro lado estava a vis&atilde;o pessimista, que argumentava que, dada a magnitude dos desequilíbrios existentes, o ajustamento poderia gerar uma crise económica com propor&ccedil;&otilde;es e consequ&ecirc;ncias imprevisíveis. A contenda entre aqueles dois economistas ilustra um dos mais antigos pontos de discord&acirc;ncia entre economistas: o da estabilidade ou instabilidade das economias de mercado e da sua capacidade para auto-corrigir os desequilíbrios que se formam durante os períodos de expans&atilde;o.</p>
	<p align="justify">Embora ainda seja cedo para uma avalia&ccedil;&atilde;o definitiva, os custos desta crise financeira, em termos de rendimento perdido para as sociedades, tornam-na a mais grave desde a Grande Depress&atilde;o dos anos trinta. Ou seja, naquela discuss&atilde;o, o desenrolar da crise veio dar raz&atilde;o ao economista pessimista. No entanto, a vis&atilde;o da benignidade do ajustamento do economista optimista foi a que prevaleceu junto dos decisores políticos, em parte pelas raz&otilde;es que referimos acima. Isto é, o optimismo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade auto-reguladora dos mercados, fortalecido durante a &ldquo;longa expans&atilde;o&rdquo; que antecedeu a crise financeira, impediu os decisores de política económica de tomarem algumas medidas que a crise veio mostrar serem essenciais. Entre estas encontram-se a necessidade de uma melhor, e talvez maior, regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o dos mercados financeiros, que limite o crescimento do endividamento para níveis insustentáveis, isto é, geradores de crises.</p>
	<p align="justify">Pelo que já dissemos fica claro que consideramos que a acumula&ccedil;&atilde;o de desequilíbrios no período que antecedeu a crise se deveu ao excesso de confian&ccedil;a no futuro, quer das famílias, quer dos decisores de política. Assim, os próximos dois capítulos descrevem o período que antecedeu a crise iniciada em 2007: uma análise geral do desempenho das economias no período entre 1984 e 2006, que ficou conhecido como a &ldquo;Grande Modera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, no capítulo 3, e uma análise do comportamento dos mercados financeiros, com &ecirc;nfase nos comportamentos que originaram bolhas especulativas durante esse período, no capítulo 4. &Agrave; primeira vista, estes capítulos poder&atilde;o parecer um desvio do tema do livro, mas é preciso conhecer a história para compreender a economia. Perceber o período da Grande Modera&ccedil;&atilde;o e o comportamento dos mercados financeiros nessa altura é fundamental para compreender as escolhas, de ac&ccedil;&atilde;o e de omiss&atilde;o, feitas em matéria de política económica e as circunst&acirc;ncias que, em conjunto com essas escolhas, conduziram &agrave; crise de 2007. Esses capítulos far&atilde;o, portanto, várias refer&ecirc;ncias aos capítulos restantes do livro, nos quais ser&atilde;o detalhados os desenvolvimentos económicos que favoreceram o eclodir da crise em 2007, e será examinada a crise económica daí resultante, bem como a import&acirc;ncia das economias emergentes.</p>
	<p align="justify">Cada capítulo é encabe&ccedil;ado por cita&ccedil;&otilde;es, sendo pelo menos uma de Alan Greenspan. O objectivo das cita&ccedil;&otilde;es é ilustrar, na primeira pessoa, o pensamento dos economistas, nem sempre concordantes, sobre os temas dos capítulos. A proemin&ecirc;ncia dada a Greenspan resulta da import&acirc;ncia inegável e decisiva que este teve, enquanto líder do banco central norte-americano, na história económica dos últimos anos do século XX e dos primeiros anos do século XXI. A crise de 2007 marca, n&atilde;o só o fim da Grande Modera&ccedil;&atilde;o, mas também a queda de Greenspan do pedestal no qual tinha sido colocado, quando se retirou em 2006, em resultado do desempenho notável da economia norte-americana durante o período em que dirigiu a Reserva Federal.</p>
	<p align="justify">A crise financeira come&ccedil;ou nos Estados Unidos, cuja economia representa cerca de 25% da produ&ccedil;&atilde;o mundial, e alastrou-se rapidamente ao resto do mundo. Por isso, a economia americana estará no centro da nossa discuss&atilde;o das origens da crise financeira e das suas consequ&ecirc;ncias para a actividade económica. A excep&ccedil;&atilde;o é o capítulo 9, dedicado ao papel das economias emergentes no desenrolar da crise. Sempre que se justifique ser&atilde;o feitas refer&ecirc;ncias &agrave;s consequ&ecirc;ncias da crise financeira para a economia portuguesa.</p>
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		<title>Muito barulho por nada (IV)</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/11/01/muito-barulho-por-nada-iv/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 19:55:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	Saramago analisa o texto bíblico ao pé da letra. Atente-se nesta invectiva do Nobel a um teólogo, numa entrevista televisiva: &ldquo;Que autoridade t&ecirc;m os senhores para p&ocirc;r na Bíblia o que lá n&atilde;o está escrito?&rdquo; Que me desculpe o escritor, mas parece que a sua interpreta&ccedil;&atilde;o bíblica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><em><strong><font>Much ado about nothing</font></strong></em> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>S</strong>aramago analisa o texto bíblico ao pé da letra. Atente-se nesta invectiva do Nobel a um teólogo, numa entrevista televisiva: <br />&ldquo;Que autoridade t&ecirc;m os senhores para p&ocirc;r na Bíblia o que lá n&atilde;o está escrito?&rdquo; Que me desculpe o escritor, mas parece que a sua interpreta&ccedil;&atilde;o bíblica pede me&ccedil;as &agrave; das Testemunhas de Jeová e &agrave; dos Adventistas do Sétimo Dia, que esperam Cristo desde 22 de Outubro de 1844, pelas contas feitas, e bem feitas, pelo seu fundador, William Miller, antes pertencente &agrave; igreja Baptista e depois fundador do Adventismo por ter interpretado a Bíblia de modo diferente do dos baptistas. Nas suas contas baseou-se nas profecias de Daniel. <em>Está escrito! E o que está escrito é a palavra de Deus&#8230; e a ela n&atilde;o se pode mudar um til!</em> Deu no que deu: em 22 de Outubro de 1844,&nbsp; toda a gente, de olho no céu, &agrave; espera e Jesus n&atilde;o desceu&#8230; Grande foi a desilus&atilde;o: ficou para a história como o <em>Dia do Grande Desapontamento</em>. Houve debandada quase geral dos fiéis. Sentiram-se defraudados: foram enfileirar-se noutros credos, fundando outros&#8230; Mas, e há sempre uma interpreta&ccedil;&atilde;o &agrave; letra que nos pode sair ao caminho: Os poucos que restaram fiéis &agrave; igreja, agora dirigida por Helen White, a profetisa dos adventistas, escreveu: Cristo realmente principiou a viagem, mas ficou a meio, em quarentena, num lugar entre o céu e a terra, esperando por melhor ocasi&atilde;o para aterrar no nosso planeta&#8230;</p>
<a id="more-689"></a><br />
<p align="justify">N&atilde;o abona muito em favor de um romancista da envergadura de Saramago ser t&atilde;o estrito na interpreta&ccedil;&atilde;o de um livro polissémico. E tanto assim é que há centenas e centenas de igrejas crist&atilde;s, todas elas baseadas no mesmo livro, a Bíblia, cujos textos, pelo visto, podem ser interpretados de milhentas maneiras, ao gosto da imagina&ccedil;&atilde;o de cada qual. Cada uma religi&atilde;o crist&atilde; <em>de per si</em> (e todos os dias nasce uma nova agremia&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o, segundo os seus pastores e teólogos, as únicas verdadeiras, as que melhor interpretam a palavra inspirada de Deus&#8230; Vamos agora fazer um exercício com dois romances de José Saramago: <em>Jangada de Pedra</em> e <em>No Ano da Morte de Ricardo Reis</em>. Se os interpretarmos como Saramago o faz em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Bíblia, temos que, na <em>Jangada de Pedra</em>, a Península Ibérica se desarreiga do resto da Europa e vai pelos mares afora em forma de jangada&#8230; Assim está escrito, assim se deve interpretar, caso contrário ainda podemos ter Saramago de dedo em riste a amea&ccedil;ar: &ldquo;Com que autoridade p&otilde;es nos meus livros o que lá n&atilde;o está?&rdquo; O mesmo em rela&ccedil;&atilde;o ao outro romance, em que o seu autor traz Ricardo Reis (heterónimo de Pessoa) do Brasil, onde se encontrava homiziado, para Lisboa, via marítima, ressuscita-o, fá-lo viver na capital durante algum tempo, morrendo-o mais tarde e enterrando-o no cemitério do Alto de S&atilde;o Jo&atilde;o. Quem poderá acreditar nisso, se tomado &agrave; letra? Duas ricas metáforas ser&atilde;o, que como tal devem ser interpretadas, mas Saramago n&atilde;o consente&#8230; A avaliar pela sua exegese bíblica, tem a raz&atilde;o do seu lado, como sempre&#8230; Até quando discursou, em Lisboa, nas comemora&ccedil;&otilde;es do 25.&ordm; aniversário da Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril: Se n&atilde;o tivesse havido revolu&ccedil;&atilde;o, o país estava como está!</p>
	<p align="justify">Só de um Nobel, na altura ainda a cheirar a novo, poderia sair tal pesporr&ecirc;ncia. P&ocirc;s aquele ovo na sess&atilde;o comemorativa e logo abandonou a sala, para ir dizer missa em outra freguesia, que a ocasi&atilde;o era de discursatas&#8230; Ninguém objectou. Temor reverencial!<br />(<strong>continua</strong>)</p>
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		<item>
		<title>Muito barulho por nada (III)</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/30/muito-barulho-por-nada-iii/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 16:23:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	Em continua&ccedil;&atilde;o do santo Evangelho segundo José Saramago, é bom n&atilde;o esquecer que o tema do pecado de Caim, o primeiro assassino da humanidade, a tomar como verídicas as palavras do Génesis, n&atilde;o foi uma novidade trazida pelo nosso Nobel &agrave; Literatura. Já antes dele, Byron, Baudelaire, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><em><strong><font>Much ado about nothing</font></strong></em> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>E</strong>m continua&ccedil;&atilde;o do santo Evangelho segundo José Saramago, é bom n&atilde;o esquecer que o tema do pecado de Caim, o primeiro assassino da humanidade, a tomar como verídicas as palavras do Génesis, n&atilde;o foi uma novidade trazida pelo nosso Nobel &agrave; Literatura. Já antes dele, Byron, Baudelaire, Victor Hugo e Tournier trataram do assunto com outra eleva&ccedil;&atilde;o, adiante-se já a bem da verdade. O que irrita em Saramago, neste seu último romance, é a leviandade e a pobreza de ideias e falta de argúcia interpretativa com que trata os textos bíblicos, n&atilde;o raro lan&ccedil;ando m&atilde;o de uma linguagem escabrosa, que pouco dignifica quem a utiliza.</p>
<a id="more-688"></a><br />
<p align="justify">Exemplifique-se: &ldquo;O lógico, o natural, o simplesmente humano, seria que abra&atilde;o tivesse mandado o senhor &agrave; merda, mas n&atilde;o foi assim&#8230;&rdquo;; ou, na mesma página: &ldquo;Quer dizer, além de t&atilde;o filho da puta como o senhor, abra&atilde;o era um refinado mentiroso&#8230;&rdquo;; mais adiante, na página 106, escreve o Nobel: &ldquo;Lúcifer sabia o que fazia quando se rebelou contra deus, há quem diga que o fez por inveja e n&atilde;o é certo, o que ele conhecia era a maligna natureza do sujeito&rdquo;&#8230; Linguinha de prata, como se diz na Ilha! Saramago já veio pedir desculpa por ter chamado filho da puta ao senhor. Mas, como bom teólogo que está provando ser, logo acrescentou: &ldquo;Ele n&atilde;o é filho da puta, porque n&atilde;o tem pai nem m&atilde;e!&rdquo;</p>
	<p align="justify">Nada disto me choca no sentido religioso, mas convenhamos que o vazio de ideias e a escrita paupérrima, esses sim, escandalizam quem quer que seja, crente, ateu ou agnóstico, sobretudo quem ama a boa escrita e detesta mentes distorcidas!<br />(<strong>continua</strong>)</p>
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		<title>Muito barulho por nada (II)</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/29/muito-barulho-por-nada-ii/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 22:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	Sabendo-se pouco, isto é, sem a profundidade necessária, sobre o que se quer destruir, distorcer ou criticar, pode entrar-se num jaco&shy;binismo sem consequ&ecirc;ncia, apenas para chocar o burgu&ecirc;s, ou num anticleri&shy;calismo primário, como aconteceu durante o século XIX. Nesse tempo, o Deus do Velho Testamento era já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><em><strong><font>Much ado about nothing</font></strong></em> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>S</strong>abendo-se pouco, isto é, sem a profundidade necessária, sobre o que se quer destruir, distorcer ou criticar, pode entrar-se num jaco&shy;binismo sem consequ&ecirc;ncia, apenas para chocar o burgu&ecirc;s, ou num anticleri&shy;calismo primário, como aconteceu durante o século XIX. Nesse tempo, o Deus do Velho Testamento era já considerado cruel, sangrento, bruto, tudo quanto dele diz agora, em segunda m&atilde;o, o nosso Nobel da Literatura. Nada de novo, portanto! Dou como exemplo o poeta Guerra Junqueiro e o seu livro <em>A Velhice do Padre Eterno</em>. Quem o l&ecirc; hoje? Quem se incomoda com as suas dia&shy;tribes? Ou&ccedil;amos Guerra Junqueiro: </p>
<a id="more-687"></a><br />
<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr">
<p align="justify">As crian&ccedil;as t&ecirc;m medo &agrave; noite, &agrave;s horas mortas,<br />Do pap&atilde;o que as espera, hediondo, atrás das portas [&hellip;].<br />N&atilde;o te rias da inf&acirc;n&shy;cia, ó velha humani&shy;dade,<br />Que tu também tens medo do bárbaro pap&atilde;o,<br />Que ruge pela boca enorme de um trov&atilde;o,<br />Que aben&shy;&ccedil;oa os punhais san&shy;grentos dos tiranos,<br />Um pap&atilde;o que n&atilde;o faz a barba há seis mil anos,<br />E que mora, segundo os bon&shy;zos t&ecirc;m escrito,<br />Lá em cima, detrás da porta do infinito!</p></blockquote>
	<p align="justify">Tudo isto é fogo-de-artifício, bem escrito, mas que nada adianta, porque n&atilde;o desce aos infernos da dúvida&hellip; É tempo de citar o <em>Eclesiastes</em>: </p>
	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify">N&atilde;o há nada de novo neste mundo. Aparece qualquer coisa e alguém diz: &lsquo;Olha, isto é novo!&rsquo; Mas tudo aquilo já existiu noutros tempos, muito antes de nós. Já ninguém se lembra das coisas passadas e o mesmo acontecerá com as do futuro; n&atilde;o se recordar&atilde;o delas os que vierem mais tarde&rdquo; [&hellip;]. </p></blockquote>
	<p align="justify">É muito difícil ser original. E Sara&shy;mago n&atilde;o o é. Pelo menos neste seu último romance, <em>Caim</em>, que se situa no Velho Testamento, nem muito menos no <em>Evangelho Segundo Jesus Cristo</em>, que tem como campo de confronto o Novo Testamento.</p>
	<p align="justify">Escrevi acima que este livro n&atilde;o merecia o alarido que dele está sendo feito. Por duas raz&otilde;es: Primeira, porque o barulho n&atilde;o se deve &agrave; leitura do livro; segunda, porque n&atilde;o se trata de uma obra maior do escritor. Foram sopradas as trombetas de Jericó, n&atilde;o cuido nem interessa se intencionalmente, e derrubaram-se os muros da nossa cidade ou paróquia provinciana, que mostrou &agrave; saciedade que milhares dos seus habitantes ainda n&atilde;o saíram da idade da pedra no tocante &agrave; literatura, mas correram &agrave;s livra&shy;rias para se abastecerem do romance e grande parte deles tam&shy;bém da Bíblia. Afinal, Sara&shy;mago está a ser colaborante ou ent&atilde;o o aviso grave que fez sobre a perigosidade da Bíblia deu efeito contrário. N&atilde;o conseguiu apear o mito!</p>
	<p align="justify">José Saramago, quanto a mim, atingiu o apogeu em <em>No Ano</em><em> da Morte de Ricardo Reis</em>, embora os dois primeiros romances, <em>Levantado do Ch&atilde;o</em> e <em>Memorial do Convento</em>, sejam duas obras de grande valor. É humano e natural que um escritor tenha cur&shy;vas ascendentes e descendentes. Quando se alcan&ccedil;a o cume, o que se segue é a descida. O que é preciso é saber sair a tempo, sem dramas, a fim de se n&atilde;o estragar o bom que para trás ficou. Saramago, com <em>Caim</em>, continua em linha descendente. Há por lá muitos lugares-comuns e express&otilde;es infelizes, impróprios de um escritor da sua envergadura. Escrever um livro em quatro/ cinco meses, como con&shy;fessou numa entrevista televisiva, se bem que o assunto lhe esti&shy;vesse a latejar há muitos anos, n&atilde;o será bem avisado. Aquando da publica&ccedil;&atilde;o de <em>A Viagem do Ele&shy;fante</em>, título que poderá ser interpre&shy;tado tanto no sentido literal como no figurado, sendo que este, no meu entender (a inter&shy;preta&ccedil;&atilde;o é livre), significaria o percurso de um grande escritor (o elefante) que, com&nbsp;aquele livro, iria p&ocirc;r um ponto final na sua&nbsp;carreira literária. Com certeza que alguns dos críti&shy;cos maldi&shy;zentes da sua obra anterior o intuíram, porque logo se apressa&shy;ram ao beija-m&atilde;o ou ao panegírico fúnebre: &ldquo;Trata-se de um hino &agrave; Língua Portuguesa&rdquo;, cantaram em coro&hellip; A nossa língua deve ser um volumoso hinário de que já nin&shy;guém se lembra nem das músicas nem das letras. Excita&ccedil;&otilde;es&hellip; Do romance <em>Caim</em> foi escrito: litera&shy;tura pura&hellip; Quem há-de gabar o noivo sen&atilde;o&hellip;? <br />(<em><strong>continua</strong></em>)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Muito barulho por nada</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/28/muito-barulho-por-nada/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 21:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristóvão de Aguiar</dc:creator>
		
	<category>Cristóvão de Aguiar</category>
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		<description><![CDATA[	Much ado about nothing ou a Bíblia segundo Saramago
	Tomei de empréstimo a Shakespeare o título de uma das suas mais hilariantes comédias. Penso que retrata bem a situa&ccedil;&atilde;o criada &agrave; volta da última obra de José Saramago, Caim. O muito barulho continua a furar-nos os tímpanos, e há-de continuar até &agrave; náusea, tanto na imprensa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><em><strong><font>Much ado about nothing</font></strong></em> <br />ou a Bíblia segundo Saramago</p>
	<p align="justify"><strong>T</strong>omei de empréstimo a Shakespeare o título de uma das suas mais hilariantes comédias. Penso que retrata bem a situa&ccedil;&atilde;o criada &agrave; volta da última obra de José Saramago, <em>Caim</em>. O <em>muito barulho</em> continua a furar-nos os tímpanos, e há-de continuar até &agrave; náusea, tanto na imprensa escrita como na difundida: artigos, entrevistas, opini&otilde;es públicas na rádio e televis&atilde;o, em que ouvintes e telespec&shy;tadores opinam sobre o que sabem e n&atilde;o sabem, maneira muito portuguesa de ser mestre em toda a arte, ou burro em qualquer parte, enfim, tudo o que ima&shy;ginar se possa: até teólogos, politólogos e outros pedagogos de alto coturno&hellip; A origem de tal alvoro&ccedil;o na capoeira da paróquia reside nas declara&ccedil;&otilde;es, estratégicas ou n&atilde;o, do autor do livro, no dia do seu lan&ccedil;amento, em Penafiel. O <em>nada </em>de toda esta lagari&ccedil;a será o romance que, na minha modestís&shy;sima opi&shy;ni&atilde;o, está longe de merecer tamanho alarido.</p>
<a id="more-686"></a><br />
<p align="justify">Segundo o primeiro prémio Nobel portugu&ecirc;s da Literatura, a Bíblia mais n&atilde;o será do que um &ldquo;manual de maus costumes&rdquo; e que &ldquo;é pre&shy;ciso ter muito cuidado quando se l&ecirc; a Bíblia&rdquo;&hellip; Esta última afirma&shy;&ccedil;&atilde;o fez-me viajar através do tempo, como a per&shy;sonagem Caim do romance do mesmo nome, e ouvir de novo, quietinho para n&atilde;o levar um belisc&atilde;o da catequista, o padre da minha freguesia, aí por volta de 1949, na altura em que lá che&shy;garam pastores de credos evangéli&shy;cos, que iam tentar a sorte com o sentido de pescar algumas almas para o seu seio. A lei&shy;tura da Bíblia constituía o seu principal argu&shy;mento, uma vez que o catolicismo pouco ou nada ligava ao Livro: quem n&atilde;o lia a Bíblia, sustentavam os pastores, n&atilde;o poderia com&shy;preender a palavra de Deus nem a doutrina de Jesus, nem muito menos as inova&ccedil;&otilde;es e falsidades do Romanismo&hellip;</p>
	<p align="justify">No Domingo seguinte, o padre, na homilia: &ldquo;A Bíblia é de facto o livro sagrado dos crist&atilde;os, mas, caríssimos irm&atilde;os em Cristo, n&atilde;o deveis l&ecirc;-lo, porque, além de difícil, n&atilde;o tendes luzes nem letras para compreender o verdadeiro alcance das palavras lá escritas quase sempre em parábolas; contentai-vos, irm&atilde;os, com as explica&shy;&ccedil;&otilde;es das homilias dominicais, e n&atilde;o aceiteis a oferta desse livro, que sei que andam a dá-lo a quem quiser, pois, e caso aceitar&shy;des, entrará em vossas casas um livro do diabo&hellip;&rdquo; Saramago n&atilde;o é católico, muito menos sacerdote, mas, as pala&shy;vras por ele proferidas, numa entrevista ao Jornal de Notícias, de 19 de Outubro, deram-me, por instantes, a sensa&ccedil;&atilde;o de estar ouvindo o pároco da minha freguesia, nos meados do século passado&hellip; As palavras pouco se diferen&ccedil;am, e os argumentos s&atilde;o <em>mesmo</em> os mesmos&hellip; N&atilde;o sei se isto abona ou n&atilde;o a favor do escritor que tem procurado, sem &ecirc;xito, destruir alguns mitos do Velho e do Novo Testa&shy;mento&hellip;</p>
	<p align="justify">O escritor pode e deve destruir mitos. Mas, para derrubá-los, é mester saber em profundidade o que quer destruir. Lembro James Joyce que, com o seu romance <em>Ulysses</em>, destruiu a cul&shy;tura clássica porque era um grande conhecedor e especialista nessa matéria. O próprio José Saramago afirma que &ldquo;Nunca fui um leitor assíduo da Bíblia, mas penso que a conhe&ccedil;o bastante bem&rdquo;&hellip; Será que basta? Será assim t&atilde;o fácil destruir um con&shy;junto de livros de estilos e géne&shy;ros literários diferentes que ser&shy;viram de base e inspira&ccedil;&atilde;o &agrave; Litera&shy;tura e Cultura Ocidental: poesia, teatro, narrativa, música e até ao cinema? Na Faculdade de Letras que frequentei, um dos professores de Literatura avisava logo no início do ano: Quem n&atilde;o leu a Bíblia n&atilde;o pode compreender a Literatura Alem&atilde;, Inglesa, Portuguesa, Americana&hellip; Portanto, quem ainda o n&atilde;o fez, trate de colmatar essa grave lacuna&hellip; T&atilde;o ateu como Saramago seria esse professor, o que dá que pensar, sobretudo porque o Nobel Portugu&ecirc;s afirma com a seguran&ccedil;a de quem acaba de inventar a roda que a Bíblia devia estar escondida, em casa, fora do alcance das crian&ccedil;as, como se de medi&shy;camento perigoso se tratasse&hellip;<br /><em><strong>(continua)</strong></em></p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A “Quinta-feira negra” e os paralelismos históricos</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/27/p685/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 19:21:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	Escrito com Pedro Ba&ccedil;&atilde;o, Professor da Universidade de CoimbraPublicado no Semanário Económico, em 25 de Outubro
	Oitenta anos depois da &ldquo;Quinta-feira negra&rdquo;, o primeiro de uma sequ&ecirc;ncia de dias em que o p&acirc;nico tomou conta de Wall Street e que marca para muitos economistas o início da Grande Depress&atilde;o dos anos trinta, discute-se o fim da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Escrito com Pedro Ba&ccedil;&atilde;o, Professor da Universidade de Coimbra<br /><a href="http://economico.sapo.pt/noticias/quintafeira-negra-e-os-paralelismos-historicos_72657.html" target="_self">Publicado no Semanário Económico</a>, em 25 de Outubro</p>
	<p align="justify">Oitenta anos depois da &ldquo;Quinta-feira negra&rdquo;, o primeiro de uma sequ&ecirc;ncia de dias em que o p&acirc;nico tomou conta de Wall Street e que marca para muitos economistas o início da Grande Depress&atilde;o dos anos trinta, discute-se o fim da crise financeira internacional iniciada em 2007. Embora a história n&atilde;o se repita, a incerteza relativamente &agrave; robustez dos sinais de recupera&ccedil;&atilde;o alimenta o interesse por episódios semelhantes na esperan&ccedil;a de neles se encontrarem as respostas que nos faltam. A Grande Depress&atilde;o é para todas as crises financeiras a grande refer&ecirc;ncia histórica. Vale a pena, por isso, recuperar essa história neste dia.</p>
<a id="more-685"></a><br />
<p align="justify">Apesar de conhecido como a &ldquo;Quinta-feira negra&rdquo;, o dia 24/10/1929 nem foi dos dias em que a bolsa mais desceu, nem foi o primeiro dia em que tal aconteceu em 1929. Com efeito, nesse dia o índice bolsista Dow Jones acabou por cair 2%, bastante menos do que tinha caído no dia anterior (6%). Por outro lado, a tend&ecirc;ncia de queda vinha já desde o início de Setembro, altura em que o Dow Jones atingiu o pico. Porqu&ecirc;, ent&atilde;o recordar este dia? Porque de facto se viveram momentos de p&acirc;nico durante a manh&atilde; de 24/10/1929, que resultaram numa oscila&ccedil;&atilde;o de quase 13% do Dow Jones. O p&acirc;nico foi contido pela notícia de que um grupo de banqueiros teria chegado a acordo para dar ao mercado um &ldquo;apoio organizado&rdquo;, ou seja, estariam dispostos a comprar ac&ccedil;&otilde;es para evitar a descida das cota&ccedil;&otilde;es. &Agrave; &ldquo;Quinta-feira negra&rdquo; seguir-se-iam outros dias de queda das cota&ccedil;&otilde;es: a &ldquo;Segunda-feira negra&rdquo; de 28 de Outubro, com uma perda de 12%, e a &ldquo;Ter&ccedil;a-feira negra&rdquo; de 29 de Outubro, com uma queda de 9%. A Quarta-feira, 30 de Outubro, já n&atilde;o foi negra, pelo contrário, registou uma subida notável de 12%. Porém, as quedas retomariam na Segunda-feira seguinte e, entre altos e baixos, a tend&ecirc;ncia de queda prolongar-se-ia até meados de 1932, isto é, por quase mais tr&ecirc;s anos, tendo o Dow Jones perdido cerca de 90% do seu valor. Entretanto a produ&ccedil;&atilde;o nos EUA cairia em mais de um quarto e o desemprego ultrapassaria os 20%, dando uma dimens&atilde;o dramática aos custos sociais da crise, só verdadeiramente ultrapassada com as despesas públicas que financiaram a Segunda Guerra Mundial.</p>
	<p align="justify">As flutua&ccedil;&otilde;es do Dow Jones referidas acima ilustram a dificuldade que há em distinguir os movimentos transitórios da tend&ecirc;ncia de fundo. Este é o risco que corre quem v&ecirc; na tend&ecirc;ncia de recupera&ccedil;&atilde;o que as bolsas t&ecirc;m apresentado nos últimos tempos o sinal do fim da crise actual. É possível que assim seja, mas a história ensina-nos a ser cuidadosos. </p>
	<p align="justify">O paralelismo entre a actual crise e a Grande Depress&atilde;o (e outras crises financeiras) está no mecanismo essencial que lhe deu origem: um aumento do endividamento (alavancagem), para comprar bens (como habita&ccedil;&otilde;es) ou títulos (como ac&ccedil;&otilde;es) que se espera que se valorizem de modo a gerar o rendimento necessário para pagar a dívida contraída, mas que se torna incomportável quando o activo comprado deixa de se valorizar da forma esperada. </p>
	<p align="justify">Em 1929, o aumento do endividamento serviu para comprar ac&ccedil;&otilde;es na bolsa. Com o fim da tend&ecirc;ncia de subida das cota&ccedil;&otilde;es, quem se havia endividado para as comprar passou a precisar de as vender depressa para evitar perdas maiores. Esta press&atilde;o para a venda precipitou quedas ainda maiores. A queda do pre&ccedil;o das ac&ccedil;&otilde;es e o incumprimento por parte dos devedores colocaram os bancos em dificuldades. No final de 1930 iniciou-se uma crise bancária que levaria &agrave; fal&ecirc;ncia de centenas de bancos. Para muitos economistas, foi aí que verdadeiramente come&ccedil;ou a Grande Depress&atilde;o.</p>
	<p align="justify">No caso da crise iniciada em 2007, o papel do endividamento foi mais complexo. Por um lado, houve um aumento do endividamento para financiar a aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es por parte das famílias. Por outro lado, o aparecimento de inova&ccedil;&otilde;es financeiras (ABS, etc.), associado ao desenvolvimento de entidades especiais para financiar os investimentos, permitiu aos bancos aumentar o seu endividamento e financiar um volume maior de crédito (em especial, &agrave; habita&ccedil;&atilde;o). Tal como nos anos trinta, o sector financeiro esteve no olho do furac&atilde;o. Porém, desta vez as autoridades intervieram fortemente para evitar o colapso do sistema.</p>
	<p align="justify">No seguimento do paralelo estabelecido por Paul Krugman (Nobel em 2008) e outros economistas, os historiadores económicos Barry Eichengreen e Kevin O&rsquo;Rourke escreveram um artigo em que discutem as semelhan&ccedil;as entre a evolu&ccedil;&atilde;o da economia nos anos trinta e nos últimos tempos. Da análise dos dados relativos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o industrial, para a economia mundial, concluíram que a varia&ccedil;&atilde;o negativa foi muito semelhante durante os primeiros nove meses das duas crises (tomando como datas de início os meses de Junho de 1929 e Abril de 2008). A mesma conclus&atilde;o é retirada da análise da baixa dos pre&ccedil;os nos mercados accionistas e da redu&ccedil;&atilde;o dos fluxos comerciais. No entanto, nos últimos meses, a produ&ccedil;&atilde;o industrial parece dar sinais de recupera&ccedil;&atilde;o e tanto os índices bolsistas como as exporta&ccedil;&otilde;es parecem ter interrompido a queda livre, ou mesmo iniciado a recupera&ccedil;&atilde;o &ndash; o que também reflectirá as medidas de estímulo adoptadas agora, ao contrário dos anos trinta. Porém, a amplitude das varia&ccedil;&otilde;es observadas nestas últimas variáveis continua a ser maior que a verificada nos anos trinta.</p>
	<p align="justify">Em particular, a redu&ccedil;&atilde;o dos fluxos comerciais tem sido muito forte. Com o objectivo de evitar a repeti&ccedil;&atilde;o de políticas vistas como tendo contribuído de forma decisiva para o aprofundamento da Grande Depress&atilde;o, os governos t&ecirc;m fugido &agrave; adop&ccedil;&atilde;o de políticas proteccionistas. Mas, inevitavelmente, os mercados cambiais t&ecirc;m sentido os efeitos da turbul&ecirc;ncia, e aqui podemos estabelecer mais um paralelo entre a crise de 1929 e a crise actual. A crise de 1929 é, para muitos economistas, o reflexo da crise do sistema financeiro internacional da altura: o padr&atilde;o-ouro ligava a emiss&atilde;o monetária, e o valor da moeda de cada país, &agrave;s reservas de ouro, que flutuavam com os saldos comerciais externos. Por seu turno, a crise actual deve muito aos desequilíbrios que se foram acumulando na economia mundial, com défices externos crescentes em países como os EUA, financiados por excedentes extraordinários em países como a China. Neste caso em particular, &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o verificada n&atilde;o será alheio o controlo que a China tem exercido sobre a sua moeda: enquanto o euro atinge máximos históricos, a cota&ccedil;&atilde;o do renminbi em dólares, depois de alguma aprecia&ccedil;&atilde;o no início da crise, quase n&atilde;o se tem alterado. </p>
	<p align="justify">Nos próximos tempos, as autoridades de política económica ter&atilde;o muitos e graves problemas para resolver, da amea&ccedil;a de defla&ccedil;&atilde;o ao desemprego, passando pelos défices or&ccedil;amentais e o enorme aumento da dívida pública. Parece-nos, porém, que o grande desafio será a reforma do sistema financeiro internacional, dada a aus&ecirc;ncia de uma alternativa ao dólar, e o estabelecimento de um novo equilíbrio entre os países ocidentais e as economias emergentes.</p>
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		<title>Saramago e José sobre Deus</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/21/saramago-e-jose-sobre-deus/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 22:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	N&atilde;o leio José Saramago desde o Ensaio sobre a Cegueira: por causa dos elogios de colegas estrangeiros que andavam com o livro debaixo do bra&ccedil;o fiz várias tentativas. N&atilde;o consegui nunca passar além da página cinquenta. Soava-me a um padre rezing&atilde;o a pregar do seu púlpito. Já antes disso as entrevistas de Saramago me provocavam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">N&atilde;o leio José Saramago desde o <em>Ensaio sobre a Cegueira</em>: por causa dos elogios de colegas estrangeiros que andavam com o livro debaixo do bra&ccedil;o fiz várias tentativas. N&atilde;o consegui nunca passar além da página cinquenta. Soava-me a um padre rezing&atilde;o a pregar do seu púlpito. Já antes disso as entrevistas de Saramago me provocavam irrita&ccedil;&atilde;o pelas mesmas raz&otilde;es. O último livro que li e gostei foi <em>A História do Cerco de Lisboa</em>. A propósito do seu último livro, José Saramago disse que o Deus do Antigo Testamento é um deus cruel. O meu filho José, quando lhe lia a Biblia numa vers&atilde;o para crian&ccedil;as, disse-me algo parecido a propósito do sacrifício de Isaac: &ldquo;Pai, este Deus é mesmo mau&rdquo;. N&atilde;o lhe voltei a ler a Biblia. Na altura lia muito a Biblia para perceber os quadros da National Gallery. E ainda hoje leio. E se calhar vou voltar a ler Saramago.</p>
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		<title>Crise financeira, incerteza e a recuperação</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 09:31:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	When people want to understand apparently inexplicable events, they look to a historical parallel.Harol James, The Creation and Destruction of Value (2009, pp. 36)
	Desde o seu início que o paralelo histórico para a crise financeira internacional de 2007/08/09/&hellip; é a Grande Depress&atilde;o dos anos trinta. No seu novo livro, The Creation and Destruction of Value [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p><em>When people want to understand apparently inexplicable events, they look to a historical parallel</em>.<br />Harol James, <em>The Creation and Destruction of Value</em> (2009, pp. 36)</p></blockquote>
	<p align="justify">Desde o seu início que o paralelo histórico para a crise financeira internacional de 2007/08/09/&hellip; é a Grande Depress&atilde;o dos anos trinta. No seu novo livro, <em>The Creation and Destruction of Value &ndash; The Globalization Cycle</em>, Harold James, professor da Universidade de Princeton, analisa a crise financeira internacional e as suas possíveis consequ&ecirc;ncias para a globaliza&ccedil;&atilde;o &agrave; luz dos acontecimentos dos anos trinta &ndash; como o autor refere em vários pontos do livro, o paralelo histórico deve ser estabelecido com a crise bancária iniciada em 1931 na Europa e n&atilde;o com o <em>crash</em> da bolsa americana de 1929. </p>
<a id="more-682"></a><br />
<p align="justify">Na crise de 1931, como na crise de 2007/08/09&hellip;, a confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es e na capacidade auto-reguladora dos mercados foi fortemente abalada e as trocas internacionais recuaram de forma dramática. A compara&ccedil;&atilde;o entre aquelas duas crises sugere que o aumento da incerteza na sequ&ecirc;ncia da crise financeira internacional em rela&ccedil;&atilde;o ao valor dos activos poderá vir a tornar mais difícil a recupera&ccedil;&atilde;o económica. A incerteza relativamente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de c&acirc;mbio e &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os (infla&ccedil;&atilde;o ou defla&ccedil;&atilde;o?) s&atilde;o os dois mais importantes sinais das dificuldades que poder&atilde;o surgir. </p>
	<p align="justify">Reflexo (e causa?) daquela incerteza ter&atilde;o sido as flutua&ccedil;&otilde;es do dólar nos anos que precederam a crise (a significativa desvaloriza&ccedil;&atilde;o face aos principais parceiros comerciais desde 2002), ou a valoriza&ccedil;&atilde;o nos meses que se seguiram &agrave; fal&ecirc;ncia em Setembro de 2008 do banco de investimento Lehman Brothers (com o dólar a servir de porto seguro num contexto de grande falta de confian&ccedil;a), ou ainda, a desvaloriza&ccedil;&atilde;o recente do dólar, que parece ser o retomar da estratégia de correc&ccedil;&atilde;o dos desequilíbrios externos da economia americana adoptada desde 2002. Neste contexto, surgem mais uma vez as dúvidas em rela&ccedil;&atilde;o ao valor fundamental do dólar: quanto vale o dólar? Qual a alternativa ao dólar? Qual poderá ser o papel da China, cujo sistema financeiro é dominado por quatro grandes bancos estatais que decidem o destino a dar &agrave;s colossais poupan&ccedil;as das famílias chinesas? </p>
	<p align="justify">Como Harold James refere, o valor do dólar dependerá do crescimento futuro da economia americana e da evolu&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o dos agentes económicos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a (incluindo a que resulta da estabilidade política) dos investimentos em activos americanos. A incerteza em rela&ccedil;&atilde;o ao valor da moeda americana é uma fonte de instabilidade para a economia mundial. A aus&ecirc;ncia de alternativa para o lugar que o dólar tem ocupado no sistema monetário internacional é a maior fonte de incerteza da economia mundial e o maior obstáculo &agrave; sua recupera&ccedil;&atilde;o. E n&atilde;o sem consequ&ecirc;ncias para a amea&ccedil;a de defla&ccedil;&atilde;o.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Elinor Ostrom</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/12/elinor-ostrom/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 11:59:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LA-C</dc:creator>
		
	<category>Luís Aguiar-Conraria</category>
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		<description><![CDATA[	Mais um muro que cai: Elinor Ostrom, a primeira mulher a ganhar o prémio Nobel da Economia.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Mais um muro que cai: <a href="http://www.cogs.indiana.edu/people/homepages/ostrom.html" target="_blank">Elinor Ostrom</a>, a primeira mulher a ganhar o prémio Nobel da Economia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Parabéns</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/10/10/680/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 16:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LA-C</dc:creator>
		
	<category>Luís Aguiar-Conraria</category>
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		<description><![CDATA[	What is the principle of wisdom, if not to abstain from all that is odious to God? &#8212; Papa Bento XVI, num discurso proferido 4 dias antes de um referendo em Itália sobre fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro.


Há cerca de dois anos eu e o Pedro Magalh&atilde;es come&ccedil;ámos a trabalhar juntos. Antes disso, apenas nos conhecíamos dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify"><em><strong>What is the principle of wisdom, if not to abstain from all that is odious to God?</strong></em> &#8212; Papa Bento XVI, num discurso proferido 4 dias antes de um referendo em Itália sobre fertiliza&ccedil;&atilde;o <em>in vitro</em>.</p>
</blockquote>
<a id="more-680"></a><br />
<p align="justify">Há cerca de dois anos eu e o <a href="http://margensdeerro.blogspot.com/" target="_blank">Pedro Magalh&atilde;es</a> come&ccedil;ámos a trabalhar juntos. Antes disso, apenas nos conhecíamos dos blogues e da imprensa. Foi na sequ&ecirc;ncia do referendo sobre a despenaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. &Agrave; época, <a href="http://outrasmargens.blogspot.com/2007/01/disfunes-do-referendo-em-portugal.html" target="_blank">o Pedro escreveu um artigo</a> sobre as disfun&ccedil;&otilde;es do referendo em Portugal. Em Portugal, para que um referendo seja vinculativo é necessário que pelo menos metade do eleitorado participe na vota&ccedil;&atilde;o. Esta regra é uma perfeita parvoíce e, tal como o Pedro,&nbsp;também <a href="http://aguiarconraria.blogsome.com/2007/03/30/quanto-vale-uma-abstencao/" target="_blank">eu o denunciei em jornal</a>. Ao ler o artigo do Pedro apercebi-me de que, apesar de estarmos de acordo na crítica ao quórum, havia uma ligeira nuance. O Pedro criticava n&atilde;o só o quórum de participa&ccedil;&atilde;o (o que existe em Portugal) como também o quórum de maioria. Ora eu, no meu texto, defendia precisamente p quórum de mario. De acordo com esse esquema, a escolha da maioria em referendo só é vinculativa se essa maioria representar uma determinada&nbsp;frac&ccedil;&atilde;o do eleitorado (tipicamente 25 ou 33%). O meu argumento era simples, enquanto a exist&ecirc;ncia de um quórum de participa&ccedil;&atilde;o incentivava os apoiantes do &#8216;N&atilde;o? a absterem-se, de forma a que o quórum n&atilde;o fosse atingido, com um quórum de maioria tal efeito perverso n&atilde;o existia.</p>
	<p align="justify">Como disse, n&atilde;o conhecia o Pedro, mas mandei-lhe um <em>email</em> a perguntar se n&atilde;o queria trabalhar comigo para ver quem tinha raz&atilde;o. Para surpresa nossa, quer em Economia quer em Ci&ecirc;ncia Política, havia pouco trabalho rigoroso sobre o assunto. Em termos teóricos, havia duas refer&ecirc;ncias de base. Um artigo de <a href="http://aguiarconraria.blogsome.com/wp-admin/Herrera%20e%20de%20Mattozi" target="_blank">Herrera e de Mattozzi</a> (que vai ser publicado no <em>Journal of the European Economic Association</em>) e um outro de dois economistas portugueses, <a href="http://www.springerlink.com/content/mg322umcqcf7e2gg/" target="_blank">Paulo C&ocirc;rte-Real e Paulo Trigo Pereira</a>, já publicado na revista <em>Social Choice and Welfare</em>. De acordo com o primeiro artigo, era o Pedro que tinha raz&atilde;o. De acordo com o segundo, parecia ser eu. Em termos empíricos, nada havia feito.</p>
	<p align="justify">Dado que já outros académicos tinham feito trabalho teórico por nós, restava-nos reunir dados e trabalhá-los estatisticamente. Depois de longas discuss&otilde;es sobre qual o método estatístico adequado para trabalhar dados sobre participa&ccedil;&atilde;o eleitoral, lá escrevemos uma primeira vers&atilde;o do nosso artigo. Apresentámos o nosso trabalho em vários sítios. As nossas conclus&otilde;es diziam que o C&ocirc;rte-Real e o Trigo Pereira tinham raz&atilde;o. No entanto, numa demonstra&ccedil;&atilde;o de seriedade intelectual, esses autores avisaram-nos que estávamos a interpretar mal o modelo deles. Por muito lisonjeiro que fosse ter o nosso artigo a confirmar empiricamente as implica&ccedil;&otilde;es teóricas do seu artigo, na verdade n&atilde;o podíamos retirar tais implica&ccedil;&otilde;es.</p>
	<p align="justify">Na sua vers&atilde;o original, o nosso artigo era quase como que uma corrida de cavalos para ver quem tinha raz&atilde;o, se Herrera e Mattozzi ou C&ocirc;rte-Real e Pereira. Tivemos de dar um passo atrás e reescrever o artigo. Desenvolvemos um pequeno modelo do qual conseguíssemos retirar implica&ccedil;&otilde;es que pudessem ser testadas. Desse modelo nasceram implica&ccedil;&otilde;es novas e que foram confirmadas de forma quase comovedora pelos testes empíricos.</p>
	<p align="justify">Depois de bastante trabalho e muitas revis&otilde;es, <a href="http://www.springerlink.com/content/4024q0340tv2728j/" target="_blank">o artigo foi finalmente aceite na Public Choice</a>, uma revista científica que cruza a minha área (Economia) com a do Pedro (Ci&ecirc;ncia Política). Apesar de ainda n&atilde;o publicado em papel, já se encontra disponível online. Este artigo marcou o início de uma das co-autorias mais frutuosas que tive e que mantenho. Depois deste artigo, já <a href="http://dx.doi.org/10.1016/j.electstud.2009.03.004" target="_blank">escrevemos outro</a> (que até foi publicado antes do primeiro), <a href="http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/2009/NIPE_WP_17_2009.pdf" target="_blank">e outro</a>, que estamos a rever para futura publica&ccedil;&atilde;o, <a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1450048" target="_blank">e ainda outro</a>, que necessita de ser melhorado antes de ser submetido para aprecia&ccedil;&atilde;o numa revista séria, para n&atilde;o falar de mais uns quantos projectos que precisam de tempo para se concretizarem. Confesso que nunca me deu tanto gozo trabalhar como nestes trabalhos que mantenho com o Pedro.</p>
	<p align="justify">Antes de terminar, imagino, o leitor estará curioso para saber quem tinha raz&atilde;o, se eu ou o Pedro. O nosso artigo mostrou que era eu que tinha raz&atilde;o. Mas depois, escrevemos outro. E esse outro diz que o Pedro tinha raz&atilde;o. Para já estamos empatados. Entre os nossos projectos futuros, está um que desempatará a contenda.</p>
	<p align="justify">PS Pedro, isto tudo a propósito do <a href="http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1254929225A7sLW2iw5Hm45MP9.pdf" target="_blank">prémio que recebeste</a>. N&atilde;o li os outros artigos, mas n&atilde;o tenho dúvidas de que foi merecido. Muitos parabéns.</p>
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		<title>China: 60 anos de socialismo, 30 anos de abertura ao mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 12:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	A República Popular da China completa este m&ecirc;s 60 anos. Nos primeiros 30 anos, sob a direc&ccedil;&atilde;o de Mao Tsé-Tung, a China ambicionou tornar-se uma pot&ecirc;ncia tendo como principal refer&ecirc;ncia o modelo Soviético. Neste período, a Uni&atilde;o Soviética era também o principal e quase único parceiro comercial. No final dos anos 1950 e no início [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">A República Popular da China completa este m&ecirc;s 60 anos. Nos primeiros 30 anos, sob a direc&ccedil;&atilde;o de Mao Tsé-Tung, a China ambicionou tornar-se uma pot&ecirc;ncia tendo como principal refer&ecirc;ncia o modelo Soviético. Neste período, a Uni&atilde;o Soviética era também o principal e quase único parceiro comercial. No final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, come&ccedil;aram a surgir as diverg&ecirc;ncias com a Uni&atilde;o Soviética e Mao, o grande timoneiro, procurou uma via própria para o socialismo com o Grande Salto em Frente e a Revolu&ccedil;&atilde;o Cultural. Os resultados trágicos daquelas duas experi&ecirc;ncias representaram uma grande desilus&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s possibilidades do modelo socialista poder tornar a China num país rico e poderoso. No final dos anos 1970, aquele fracasso contrastava claramente com o sucesso das estratégias de abertura ao exterior, e baseadas na iniciativa privada, de Hong-Kong e Taiwan.</p>
<a id="more-679"></a><br />
<p align="justify">Com a morte de Mao e a subida ao poder de Deng Xiaoping, em 1976, iniciou-se um processo de abertura ao exterior que viria a transformar um dos estados socialistas mais isolados do mundo &ndash; no início dos anos 1970 a soma da exporta&ccedil;&otilde;es e da importa&ccedil;&otilde;es representavam cerca de 5% do PIB chin&ecirc;s &ndash; na economia (de um grande país) mais aberta do mundo &ndash; em 2005, o comércio total com o exterior representava 64% do PIB (nos EUA, Índia, Brasil e Jap&atilde;o aquele valor rondava os 20%). A abertura ao comércio internacional da China, que culminaria com a entrada em Dezembro de 2001 na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Comércio, é indissociável do extraordinário crescimento da economia chinesa nos últimos 30 anos. O crescimento do investimento directo estrangeiro nos anos 1990, concentrado nas indústrias exportadoras e predominantemente oriundo dos países do Leste asiático, teve um papel essencial na estratégia de abertura ao exterior e de crescimento económico: nos primeiros anos do século XXI, a China captava cerca de um ter&ccedil;o do total do investimento directo estrangeiro dos países em vias de desenvolvimento.</p>
	<p align="justify">O sucesso alcan&ccedil;ado com a abertura ao exterior nos últimos 30 anos ter&atilde;o já feito esquecer a experi&ecirc;ncia traumática do contacto com o Ocidente no século XIX, iniciada em 1839 com a Guerra do Ópio e que se estendeu até aos anos 1930 e 1940 com a invas&atilde;o dos japoneses. Hoje, a China n&atilde;o esconde a ambi&ccedil;&atilde;o de se tornar a curto prazo uma grande pot&ecirc;ncia global e de partilhar o poder com os Estados Unidos. Os insustentáveis desequilíbrios que persistem na economia mundial, e que estiveram na origem da crise financeira internacional, n&atilde;o podem ser dissociados desta ambi&ccedil;&atilde;o e da estratégia de crescimento económico seguida. A China n&atilde;o cabia na ordem económica mundial que acabou com a crise financeira iniciada em 2007. Enquanto a China n&atilde;o encontrar o seu lugar na nova ordem mundial pós-crise os desequilíbrios ir&atilde;o persistir.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A crise financeira internacional: publicação de livro</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2009/09/30/a-crise-financeira-internacional-publicacao-de-livro/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 07:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	No final m&ecirc;s de Outubro, será publicado em Portugal pela &quot;Imprensa da Universidade de Coimbra&quot; e no Brasil pela pela &quot;Lex editora&quot; o livro A crise financeira internacional de Fernando Alexandre (UMinho), Ives Gandra Martins (UMackenzie), Jo&atilde;o Sousa Andrade (UCoimbra), Paulo Rabello de Castro (SR Rating) e Pedro Ba&ccedil;&atilde;o (UCoimbra) &ndash; ver biografia breve dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><img width="278" height="429" align="left" style="width: 278px; height: 429px" src="http://aguiarconraria.blogsome.com/images/Capa_Crise_financeira2.jpg" border="0" />No final m&ecirc;s de Outubro, será publicado em Portugal pela &quot;Imprensa da Universidade de Coimbra&quot; e no Brasil pela pela &quot;Lex editora&quot; o livro <strong><u>A crise financeira internacional</u></strong> de Fernando Alexandre (UMinho), Ives Gandra Martins (UMackenzie), Jo&atilde;o Sousa Andrade (UCoimbra), Paulo Rabello de Castro (SR Rating) e Pedro Ba&ccedil;&atilde;o (UCoimbra) &ndash; ver biografia breve dos autores abaixo. Deixo aqui ficar a Nota Préviaque abre o livro.</p>
	<p align="justify"><strong>Nota prévia</strong></p>
	<p align="justify">Os livros sobre a crise financeira de 2007 inundam os escaparates das livrarias e doutros espa&ccedil;os comerciais. A propósito da abund&acirc;ncia de livros sobre a crise financeira, a revista The Economist, em Junho de 2009, definia assim as condi&ccedil;&otilde;es a cumprir pelo livro ideal:</p>
	<blockquote style="margin-right: 0px" dir="ltr"><p align="justify">O livro ideal sobre a crise n&atilde;o diria aos leitores apenas o que aconteceu e porqu&ecirc;. Olharia também para como o sistema irá mudar. E seria acessível, mesmo a leitores que n&atilde;o passaram anos a estudar detalhadamente os mercados financeiros.</p></blockquote>
	<p align="justify">Na altura em que escrevíamos este livro, a crise iniciada em 2007 já era a mais grave crise económica e financeira desde a Grande Depress&atilde;o. Os avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia económica desde a crise dos anos trinta contribuíram para um longo período de estabilidade, intercalado por crises económicas todas elas breves e suaves quando comparadas com a de 2007. Mas, entretanto, o mundo foi-se tornando mais interligado e complexo com o aprofundamento da globaliza&ccedil;&atilde;o comercial e financeira. É possível que em termos relativos o conhecimento que temos hoje do funcionamento das economias seja menor do que nos anos trinta. Tudo isto torna mais difícil a tarefa de escrever um livro ideal, nos termos acima definidos, sobre a crise financeira internacional. Vale a pena lembrar que o livro clássico de John Kenneth Galbraith (1908-2006) sobre a Grande Depress&atilde;o dos anos trinta foi escrito já nos anos cinquenta, e ainda hoje a Grande Depress&atilde;o continua a ser um importante tema de discuss&atilde;o e de controvérsia.</p>
	<p align="justify">O facto de este livro ter sido escrito a cinco m&atilde;os, duas brasileiras e tr&ecirc;s portuguesas, combinando os contributos de quatro académicos e de um profissional na avalia&ccedil;&atilde;o do risco dos mercados financeiros, também com um passado académico, separados pelo Atl&acirc;ntico mas aproximados pelas novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o, tornou-nos ainda mais conscientes das dificuldades deste projecto. Procurámos descrever de forma acessível as origens da crise financeira internacional de 2007, bem como os seus efeitos mais imediatos sobre as economias, seguindo as indica&ccedil;&otilde;es da Imprensa da Universidade de Coimbra. Esperamos ter cumprido o nosso contrato.</p>
	<p align="justify"><strong>Breves notas sobre os autores</strong></p>
	<p align="justify"><strong>Fernando Alexandre </strong>&ndash; Professor da Universidade do Minho, doutorado em Economia pela Universidade de Londres, publicou vários artigos em revistas científicas internacionais, é co-autor do blogue &ldquo;A Destreza das Dúvidas&rdquo; e colabora regularmente com os media.</p>
	<p align="justify"><strong>Ives Gandra Martins</strong> &ndash; Professor Emérito de Direito Constitucional e Económico na Universidade Mackenzie, autor de mais de trezentos livros e artigos académicos, coordenador do programa &ldquo;Caminhos do Direito e da Economia&rdquo; da Academia Internacional de Direito e Economia, veiculado pela Rede Vida de Televis&atilde;o.</p>
	<p align="justify"><strong>Jo&atilde;o Sousa Andrade </strong>&ndash; Professor Catedrático e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, doctorat d&rsquo;Etat pela Universidade de Poitiers, autor de vários livros e artigos académicos e Membro da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa.</p>
	<p align="justify"><strong>Paulo Rabello de Castro</strong> &ndash; Presidente da SR Rating, doutorado em economia pela Universidade de Chicago, leccionou na Funda&ccedil;&atilde;o Getúlio Vargas, é colunista da Folha de S&atilde;o Paulo e colabora regularmente em programas de televis&atilde;o e rádio.</p>
	<p align="justify"><strong>Pedro Ba&ccedil;&atilde;o </strong>&ndash; Professor da Universidade de Coimbra, doutorado em Economia pela Universidade de Londres, publicou vários artigos em revistas científicas internacionais e na imprensa nacional (Diário Económico, Jornal de Negócios e Público).</p>
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		<title>Um segredo mal guardado</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 14:53:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LA-C</dc:creator>
		
	<category>Luís Aguiar-Conraria</category>
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		<description><![CDATA[	Estamos muito preocupados com a (in)governabilidade de Portugal nos próximos anos. Há um segredo que os políticos procuram guardar, mas que a história recente já se encarregou de destapar. Nós n&atilde;o precisamos de um governo para nos governar. Ainda há 2 anos a Bélgica esteve meio ano sem governo, e tudo continuou a funcionar. Nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Estamos muito preocupados com a (in)governabilidade de Portugal nos próximos anos. Há um segredo que os políticos procuram guardar, mas que a história recente já se encarregou de destapar. Nós n&atilde;o precisamos de um governo para nos governar. Ainda há 2 anos a Bélgica esteve meio ano sem governo, e tudo continuou a funcionar. Nos anos 80, tinha acontecido um caso semelhante também na Bélgica e nos anos 70 na Holanda. </p>
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		<title>Uma vitória extraordinária?</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 13:17:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Falex</dc:creator>
		
	<category>Fernando Alexandre</category>
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		<description><![CDATA[	O Secretário-Geral do Partido Socialista considerou extraordinária a vitória de ontem nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas. As raz&otilde;es substantivas para esta avalia&ccedil;&atilde;o foram duas: o ímpeto reformista do seu Governo, e a oposi&ccedil;&atilde;o que gerou, e a crise financeira e económica global que teve de enfrentar no último ano.

Eu diria que o principal efeito da crise internacional [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">O Secretário-Geral do Partido Socialista considerou extraordinária a vitória de ontem nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas. As raz&otilde;es substantivas para esta avalia&ccedil;&atilde;o foram duas: o ímpeto reformista do seu Governo, e a oposi&ccedil;&atilde;o que gerou, e a crise financeira e económica global que teve de enfrentar no último ano.</p>
<a id="more-676"></a><br />
<p align="justify">Eu diria que o principal efeito da crise internacional nos resultados desta elei&ccedil;&atilde;o foi ter aumentado a tradicional opacidade na avalia&ccedil;&atilde;o dos Governos de Portugal. Neste caso impediu mesmo a avalia&ccedil;&atilde;o do ímpeto reformista do Governo PS. No entanto, depois de passar a onda que varreu a economia mundial vamos poder ver o estado em que se encontra a economia portuguesa e avaliar a qualidade das reformas realizadas. O próximo Governo vai receber os louros ou as críticas da ac&ccedil;&atilde;o do Governo anterior &ndash; n&atilde;o haverá espa&ccedil;o para a apropria&ccedil;&atilde;o indevida de bons resultados ou para escamotear responsabilidades.</p>
	<p align="justify">Ou seja, o que esta vitória tem de extraordinário é que por uma vez, em muito anos e depois das fugas de António Guterres e Dur&atilde;o Barroso que lan&ccedil;aram a confus&atilde;o no país político, vai ser possível avaliar a Governa&ccedil;&atilde;o de Portugal. E é assim que se aprofunda a democracia e se encontram Governos melhores.</p>
	<p align="justify">Claro que esta avalia&ccedil;&atilde;o só será possível se n&atilde;o houver um Governo de bloco central.</p>
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