A destreza das dúvidas

Letras económicas
Cristóvão de AguiarNovember 17, 2009 11:19 am

Cristóvão de AguiarNovember 10, 2009 9:49 am

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

No JL, de 3 de Novembro, Miguel Real, entre muitas outras coisas, escreve: “Em Caim permanece o estilo tradicional de Saramago (já amiúde anali­sado), tanto barroquizante (…) (uma floresta de palavras (subli­nhado meu) ilustra­dora de uma ideia) e anarquizante (uma espécie de every­thing goes), isto é, a con­fluência de um léxico antigo e ver­nacular – avonde (pp.16 – com um voca­bulá­rio moderno, dese­nhando um melting pot semântico, aparente­mente espontâ­neo, pelo qual a lógica do texto cria as suas pró­prias hierarquias gra­maticais e ideológicas (…)".

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Cristóvão de AguiarNovember 9, 2009 9:33 am

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Nada há de novo debaixo da rosa do Sol! Nem tão-pouco o tema de Jesus Cristo, que Saramago, no seu Evangelho, apesar de páginas sublimes, não consegue desmistificar o emaranhado que se teceu à volta da figura de Jesus e seus discípulos, sendo por vezes mais fácil acreditar no Novo Testamento do que na versão saramaguiana (coteje-se os dois textos sobre o milagre das Bodas de Caná, o da Bíblia e o do Evangelho), e ficar-se-á elucidado. Essa tarefa desmistificadora coube, porém, entre outros, a Renan, em A Vida de Jesus), a Gèrard Messadié, em Um Homem que se tornou Deus, que o autor transformou em romance (edição esgotadíssima da Difusão Cultural, que esteve ao lado do Evangelho, nas livrarias, et pour cause). (more…)

Cristóvão de AguiarNovember 1, 2009 8:55 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Saramago analisa o texto bíblico ao pé da letra. Atente-se nesta invectiva do Nobel a um teólogo, numa entrevista televisiva:
“Que autoridade têm os senhores para pôr na Bíblia o que lá não está escrito?” Que me desculpe o escritor, mas parece que a sua interpretação bíblica pede meças à das Testemunhas de Jeová e à dos Adventistas do Sétimo Dia, que esperam Cristo desde 22 de Outubro de 1844, pelas contas feitas, e bem feitas, pelo seu fundador, William Miller, antes pertencente à igreja Baptista e depois fundador do Adventismo por ter interpretado a Bíblia de modo diferente do dos baptistas. Nas suas contas baseou-se nas profecias de Daniel. Está escrito! E o que está escrito é a palavra de Deus… e a ela não se pode mudar um til! Deu no que deu: em 22 de Outubro de 1844,  toda a gente, de olho no céu, à espera e Jesus não desceu… Grande foi a desilusão: ficou para a história como o Dia do Grande Desapontamento. Houve debandada quase geral dos fiéis. Sentiram-se defraudados: foram enfileirar-se noutros credos, fundando outros… Mas, e há sempre uma interpretação à letra que nos pode sair ao caminho: Os poucos que restaram fiéis à igreja, agora dirigida por Helen White, a profetisa dos adventistas, escreveu: Cristo realmente principiou a viagem, mas ficou a meio, em quarentena, num lugar entre o céu e a terra, esperando por melhor ocasião para aterrar no nosso planeta…

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Cristóvão de AguiarOctober 30, 2009 5:23 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Em continuação do santo Evangelho segundo José Saramago, é bom não esquecer que o tema do pecado de Caim, o primeiro assassino da humanidade, a tomar como verídicas as palavras do Génesis, não foi uma novidade trazida pelo nosso Nobel à Literatura. Já antes dele, Byron, Baudelaire, Victor Hugo e Tournier trataram do assunto com outra elevação, adiante-se já a bem da verdade. O que irrita em Saramago, neste seu último romance, é a leviandade e a pobreza de ideias e falta de argúcia interpretativa com que trata os textos bíblicos, não raro lançando mão de uma linguagem escabrosa, que pouco dignifica quem a utiliza.

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Cristóvão de AguiarOctober 29, 2009 11:09 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Sabendo-se pouco, isto é, sem a profundidade necessária, sobre o que se quer destruir, distorcer ou criticar, pode entrar-se num jaco­binismo sem consequência, apenas para chocar o burguês, ou num anticleri­calismo primário, como aconteceu durante o século XIX. Nesse tempo, o Deus do Velho Testamento era já considerado cruel, sangrento, bruto, tudo quanto dele diz agora, em segunda mão, o nosso Nobel da Literatura. Nada de novo, portanto! Dou como exemplo o poeta Guerra Junqueiro e o seu livro A Velhice do Padre Eterno. Quem o lê hoje? Quem se incomoda com as suas dia­tribes? Ouçamos Guerra Junqueiro:

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Cristóvão de AguiarOctober 28, 2009 10:33 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Tomei de empréstimo a Shakespeare o título de uma das suas mais hilariantes comédias. Penso que retrata bem a situação criada à volta da última obra de José Saramago, Caim. O muito barulho continua a furar-nos os tímpanos, e há-de continuar até à náusea, tanto na imprensa escrita como na difundida: artigos, entrevistas, opiniões públicas na rádio e televisão, em que ouvintes e telespec­tadores opinam sobre o que sabem e não sabem, maneira muito portuguesa de ser mestre em toda a arte, ou burro em qualquer parte, enfim, tudo o que ima­ginar se possa: até teólogos, politólogos e outros pedagogos de alto coturno… A origem de tal alvoroço na capoeira da paróquia reside nas declarações, estratégicas ou não, do autor do livro, no dia do seu lançamento, em Penafiel. O nada de toda esta lagariça será o romance que, na minha modestís­sima opi­nião, está longe de merecer tamanho alarido.

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Cristóvão de AguiarJuly 17, 2009 12:22 am

Minha Querida Ana Laura,

Justo há um ano, meu amor! Teu choro primigénio transpôs o portal do mundo e nele entraste coroada de entidade. Mesmo na longitude onde me recolhia, ouvi-o e agasalhei-o no abrigo que construí dentro em mim – era o primeiro tim­bre da tua voz, e eu quis guardá-lo. Tem-me servido de pão com que sus­tento a saudade e me adoça as agruras de tantas solidões que me açoi­tam o peito e escurecem o crepúsculo para onde viajo.

Desse nítido dia vertical, relampeja-me na lembrança o brasido da ter­nura que me invadiu nesse instante. E perdurará, até o tempo deixar de conjugar-me. Sinto-me apto a palmilhar todos os longos segundos que demoraste na jornada entre o teu ainda quase não ser e o teu ser em sua explodida inteireza. O teu des­tino é amanhecer devagar.

O Vovô ainda se encontra sobre mesmo penedo, no meio do mar imenso. Sinto-o e vejo-o e contemplo-o da janela do sótão. Por mais um triz, batia-me à porta, e eu deixava-o entrar para fra­ternizarmos os dois. Somos velhos amigos de infância e de jor­nada. É bom companheiro e conta-me histó­rias de ador­mecer. Do tempo em que o Vovô mergulhava no sono e no sonho emba­lado pela mansuetude do seu sussurro ou pela braveza do seu ribombar contra as falésias.

Nesse tempo, o mar pernoitava ao lado do berço do teu Vovô, ainda menino como tu. Muito mais de um carro de anos se escoaram, e o mar, apesar da sua constância, decidiu entornar-se para dentro da caixa-de-ressonância de um búzio… Imita a sua voz e faz-me companhia nas marés vazas… O berço, porém, ainda está aí, dando teste­munho, em sua rija madeira de casta­nho, de uma remota presença, já delida pela usura do tempo. Mas sinto que ele, tal como eu, sente saudades do mar antigo e das embaladas noites de vento e chuva ou bêbedas de lua.

Um dia, minha querida neta, hei-de contar-te um caso. Um caso, conto ou história, tanto faz, sobre minha vida comprida, não sei se cumprida, os sangues que te precederam e de que teu Vovô se originou e de alguns deles coetâneo… Nesse dia – tenho a certeza –, virás enroscar-te no meu colo, derra­marás os teus tranquilos olhos da cor do mar nos meus, sobre ti des­cerá uma capa de silêncio, porque queres sorver o licor da palavra conversada. Tenho esperança de que o tempo me não vai atraiçoar. Ele e o destino pelam-se por jogar xadrez num tabuleiro de casas imprevisíveis…

Sou um garajau. Ave marinha de arribação, espe­ra o Outono para tomar o rumo do vento e seguir a rota da migração. Depois, regressa ao seu penedo. Regressa sempre. Vem do reino do Sol, e logo que ele arrefece, retorna à origem. Se emigrasse, talvez não voltasse. O Vovô há-de um dia emigrar. Para que reino, não sei… Talvez do Sol, talvez da Noite!

Ao escrever-te esta carta fico com a sensação de que estou a endereçar-me ao futuro. A ti. O Vovô já o teve fechado na mão. Escapou-se-lhe num dia cansado. Sei que para ti o tempo não existe, é redondo. Um destes dias, ao meu colo, reclinaste a tua cabecinha no meu peito. Olhaste-me e sorriste. Decorei ambos, o olhar e o sorriso. Depois, tombaste no sono, serena na tua inocência. Nesse ins­tante, senti que o universo se havia enroscado no meu colo para adormecer contigo… Por muitos anos, meu amor. Vive-os em plenitude.

Teu Avô paterno.

!7 de Julho de 2009

Cristóvão de AguiarJuly 13, 2009 2:26 pm

e a mim próprio remetida

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Cristóvão de AguiarJuly 6, 2009 2:27 pm

Todos os nossos mestres, pensávamos, eram homens de bem, não se metiam em política, temiam a Deus, eram profundamente religiosos… Mas, por outro lado, o mais grado deles era Chefe dos barrigudos da Legião Portuguesa, outros eram Integra­listas e consideravam Salazar como o novo Messias anunciado, outros eram, enfim, nem vale a pena continuar, caso contrário, não have­ria tempo que chegasse.

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Cristóvão de AguiarJuly 1, 2009 9:38 am

Não tenho a mínima dúvida de que esse professor feriu gera­ções de almas jovens, incutindo-lhes valores cediços e boloren­tos, racistas e retró­grados, fornecendo-lhes visões da sociedade e da vida e da relação entre os homens tão aviltantes, que só podiam ser possíveis num regime fascizante e injusto, embora a pomposa voz de Hermano Saraiva, televisivo divulgador de histó­rias, que não da História, viesse há tempos proclamar que Salazar era profundamente antifascista… Por quem Deus nos manda os avisos!

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Cristóvão de AguiarJune 22, 2009 10:25 am

Foi na chamada Ilha do Arcanjo que me fui conscientizando das inqualificáveis desigualdades que, na altura, como no tempo de Arruda Fur­tado, lá imperavam. E ainda se fazem sentir, ape­sar dos esforços em sentido contrário. Nesse tempo de tomada de consciência de tais injustiças que vi de perto e senti na pele, tornei-me revoltado. Um revoltado ainda sem consciência revolu­cionária: era ainda uma nebulosa que dentro em mim pairava, ainda sem contornos definidos…

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Cristóvão de AguiarJune 15, 2009 4:36 pm

Os ilhéus já não podem mais consentir o que em 1884 escre­veu sobre o nosso Povo Arruda Furtado, um naturalista e cien­tista micaelense radi­cado em Lisboa: “Estamos em face de um povo sem instru­ção, com os sentimentos mais grosseiros, ser­vindo nos seus quatro séculos de existência a uma completa exploração. Encontrando facilmente na cultura rotineira do solo os recursos de que carecem e uma emigração fácil no caso con­trário, nada os obriga a desenvolver a sua inteligência curta, e são, para o encobrir, excessivamente manhosos, condição que acusam no falar ronceiro, masti­gado, e respondendo sempre vagamente ao que se lhes pergunta. Sem dúvida, como por toda a parte, encontra-se inteligências notáveis nos nossos cavadores, mas é extremamente raro o camponês micaelense, e o camponês micaelense é es­sencialmente cabeçudo”.

Não sou político naquele sentido militante de que são exem­plos, dignos, ou indignos, muitos dos que nos governam ou se governam, que ainda acredito não ser o mesmo. É uma actividade que considero das mais nobres, quando exercida com o signifi­cado de intervenção na polis. Mas o facto de dizer que não sou político, estou já a sê-lo, na profundidade do eu.

Militante, sou-o, não como desejava, da escrita… E um escri­tor não pode nem sequer tem o direito de se alhear do mundo, sob pena de a sua escrita ser mentirosa. E nada pior para um escritor do que ser acusado de mentir ou de bajular na escrita. Não me refiro, obviamente, à mentira da ficção, que, pela sua plausibilidade, é ainda mais verdadeira do que a realidade, à qual vai o artista de qualquer quadrante retirar a maté­ria-prima de trabalho, transfigurando-a.

Cristóvão de AguiarJune 1, 2009 8:36 pm

São Miguel já não é a mesma Ilha onde fui nado e criado e vivi até à arrogância dos vinte anos. Pude verificá-lo, há pouco, durante o 4.º Encontro Açoriano da Lusofonia, em que, para regozijo meu, não encontrei os costumeiros intelectuais de paco­tilha, que sabem tudo quanto no Universo se passa, com retrato de pose na galeria dos imortais há muito mumificados…

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Cristóvão de AguiarMay 20, 2009 10:35 am

A Internet tem sido ao longo destes últimos anos um local infeto no tocante a certa publicidade enganosa, a alarmismos infundados, a ameaças de quebrar correntes de solidariedade lamecha, e muito outro lixo do mesmo jaez. Apenas um exemplo: a Coca-Cola seria de uma malignidade tamanha, que se pusesse um pedaço de carne, num copo cheio dessa água suja do imperialismo, o bife desfazer-se-ia enquanto o dialho esfregava um olho e coçava o cu pelado de muito inferno sofrido… (more…)

Cristóvão de AguiarMay 11, 2009 7:20 am

O meu “conflito” inicial com o novo acordo ortográfico devia-se tão-só a uma mera estranheza afetiva. Estava longe de trajar-me de mosqueteiro e terçar armas pelo sim ou pelo não. Ao princípio, ver grafado ótimo sem p; ação sem c, veem sem circunflexo no primeiro e; para (sem acento agudo, terceira pessoa de parar e também preposição); pelo sem circunflexo para designar cabelo, pode confundir-se, mas também temos molho, que significa duas coisas: (môlho e mólho), tendo o plural duas pronúncias môlhos, da culinária, e mólhos, feixes de lenha; espetáculo, e algumas outras palavras do mesmo jaez, como seleção das quinas, arquiteto, teto da casa, atual situação do protecionismo estatal, etc., deixam-nos, ao princípio, um pouco perplexos, e a nossa reação traduz-se numa quase orfandade consonântica, que passa com um luto bem feito. No entanto, quando a consoante muda se articula, como em faccioso, ficcional, perfeccionista, bactéria, ela mantém-se no seu posto. (more…)

Cristóvão de AguiarMay 6, 2009 10:01 am

Quando me ponho a pensar no mérito ou demérito destas charlas sobre a Língua Portuguesa, chego pelo menos a duas conclusões dis­tintas, con­soante os dias, isto é, conforme o humor (catadura, ourela, como se diz na Ilha: acordou de má ourela!) com que o sol me nasce: umas vezes julgo que estou a prestar um serviço útil à Humani­dade (não o faço por menos…), outras, arrenego das patacoadas que me não canso de escrevi­nhar. (more…)

Cristóvão de AguiarApril 25, 2009 11:17 am

Era Abril, de madrugada,
Alguém gemeu no escuro:
Uma mulher revoltada
Dava à luz o Futuro.

António Simões

Cristóvão de AguiarApril 23, 2009 11:14 pm

Coisas do arco-da-velha: o hífen, esse bico-de-obra diacrítico, vai afundar-se num banho-maria até à sua parcial ab-rogação logo que entre em vigor o Acordo Ortográ­fico, também ele em letárgico stand-by (more…)

Cristóvão de AguiarApril 8, 2009 12:11 pm

Coisas do arco-da-velha: o hífen, esse bico-de-obra diacrítico, vai afundar-se num banho-maria até à sua parcial ab-rogação logo que entre em vigor o Acordo Ortográ­fico, também ele em letárgico stand-by (more…)

Cristóvão de AguiarMarch 31, 2009 9:06 pm

El Pedo Geomètrico…

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Cristóvão de AguiarMarch 30, 2009 11:19 am

O Peido Mestre

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Cristóvão de AguiarMarch 27, 2009 12:46 pm

The Royal Fart

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Cristóvão de AguiarMarch 16, 2009 4:39 pm

In illo tempore, quando eu era ainda estudante, chamava-se absoluto simples ao absoluto sintético, o que não traz nenhum mal à gramática, porque, no fundo, ambos significam o mesmo. Assim ou assado, isto é, tanto um como o outro, terminam da mesma forma: -íssimo, -imo, -rimo: inteligentíssimo, facílimo, libérrimo, consoante o adjectivo: o João é um aluno inteligentíssimo; o exame de Matemática foi facílimo, sorte de maná caído do céu, que beneficiou os alunos e nutriu as estatísticas do Ministério da Educação; é uma rapariga libérrima e acérrima defensora do amor livre (acérrimo: muito acre, fortíssimo, pertinaz, obstinado)! O adjectivo sintético diz-nos logo o motivo por que se chama superlativo sintético – é reduzido a uma palavra, no caso um adjectivo elevado ao seu mais alto grau. Em relação ao superlativo absoluto analítico, ao invés, necessita de um advérbio intensificador (muito, bas­tante, bem, assaz, imensamente – daí o ser analítico) – advérbio que permanece invariável (atenção a esta regra). O aluno é muito (muitíssimo) inteligente, os alunos são muito (muitíssimo) inteligentes. A professora chegou à sala de aula e disse para os alunos: trago-vos os exercícios corrigidos; há muito boas notas, poderia dizer também: há notas muito boas! Nunca muitas boas notas. Obrigado pela atenção.

Cristóvão de Aguiar 12:01 pm

Quanto à pergunta formulada, tens toda a razão (não se deve dizer colocada; não se colocam perguntas, muito menos questões: fazem-se ou formulam-se perguntas). Quanto à tua dúvida, deve ser salvo e não salve. (more…)