Mais um muro que cai: Elinor Ostrom, a primeira mulher a ganhar o prémio Nobel da Economia.
(more…)What is the principle of wisdom, if not to abstain from all that is odious to God? — Papa Bento XVI, num discurso proferido 4 dias antes de um referendo em Itália sobre fertilização in vitro.
Estamos muito preocupados com a (in)governabilidade de Portugal nos próximos anos. Há um segredo que os políticos procuram guardar, mas que a história recente já se encarregou de destapar. Nós não precisamos de um governo para nos governar. Ainda há 2 anos a Bélgica esteve meio ano sem governo, e tudo continuou a funcionar. Nos anos 80, tinha acontecido um caso semelhante também na Bélgica e nos anos 70 na Holanda.
Rescaldo das previsões eleitorais

Os cientistas sociais estão habituados a explicar por que motivo erraram nas suas previsões. Quando, antes do Verão de 2008, eu e o Pedro Magalhães nos propusemos a prever os resultados das eleições legislativas de 2009, estávamos, naturalmente, preparados para que tal viesse novamente a acontecer. Esse trabalho, publicado na Ipris Verbis, teve destaque de primeira página no semanário Sol.
Uns tempos depois de escrito e publicado, as condições que nos permitiram fazer as previsões alteraram-se com a crise financeira internacional. As nossas previsões baseavam-se em dados do pós 25 de Abril e nos nossos dados nada havia de comparável a esta crise. Estávamos preparados para justificar eventuais erros nas nossas previsões com base nisso. A crise financeira internacional, que atirou o mundo para uma recessão apenas comparável à dos anos 30 do século passado, tornou estas eleições num perfeito outlier. Qualquer tiro na água seria facilmente explicado.
Mas a realidade trocou-nos as voltas. A nossa previsão resumia-se a dois números: 38% para o PS e 27% para o PSD. Valores notavelmente próximos do resultado final. Assim, em vez de explicarmos por que motivo falharam as nossas previsões, vemo-nos na peculiar contingência de ter de explicar por que motivo acertámos, apesar da radical mudança de cenário.
É um assunto que iremos explorar em trabalhos futuros, mas, à primeira vista, há duas hipóteses óbvias. A primeira hipótese, e como não podia deixar de ser, é a de que o nosso modelo de muito pouco vale e se acertámos quase em cheio tal aconteceu por mero acaso. Ou seja, a sorte explica o sucesso da previsão. Uma segunda hipótese é mais simpática. Com a crise internacional, os eleitores ficaram com dificuldades em responsabilizar os governos pelas más performances da Economia que ocorreram no último ano. Assim, quando chamados a votar, fizeram a avaliação do governo com base nos dados que havia disponíveis antes da crise. Se esta segunda hipótese estiver correcta, então não é de admirar que o nosso modelo se tenha portado tão bem, dado que usámos os dados económicos que estavam disponíveis até pouco antes da crise internacional se alastrar para Portugal.
Neste momento, e com honestidade intelectual, teremos de reconhecer que não sabemos qual das duas hipóteses estará correcta. Quando estudarmos a questão, e como acontece tantas vezes, é até provável que surja uma terceira explicação que de momento não descortinamos.
Publicado em paralelo nas Margens de Erro.
Muito se tem falado sobre como a crise internacional tem atingido Portugal. Muitos argumentam que Portugal tem resistido bem à crise. Dizem que que a taxa de crescimento do PIB real, cerca de 3,7% negativos, não foi tão grave como noutros países, como por exemplo a Irlanda, que terá uma queda de 9%.
(more…)
Greg Mankiw publicou no seu blogue este gráfico que temos à esquerda. De seguida, escreve:
This graph is a good example of omitted variable bias, a statistical issue discussed in Chapter 2 of my favorite textbook. The key omitted variable here is parents’ IQ. Smart parents make more money and pass those good genes on to their offspring.
A explicação parecia-me tão óbvia que não mereceria qualquer comentário.
Acabou a recessão!, que bom, que bom
Saíram os números para o 2º trimestre de 2009. O primeiro-ministro agarra-se aos 0.3% de crescimento do PIB e a oposição agarra-se ao aumento da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais. Cada um encontrou a sua bóia de salvação. Aconselha-se cautela: ambas as bóias estão furadas.
(more…)Pacheco Pereira, no seu blogue Abrupto, escreve um post sobre a ERC. Mais tarde, acrescenta uma adenda ao próprio post mandando-nos ler um texto de Helena Matos no Blasfémias. Uma pessoa vai ler o texto de Helena Matos, no Blasfémias, e descobre que o texto tem dois parágrafos. No primeiro, diz umas coisas. O segundo é uma citação do próprio post de Pacheco Pereira; o tal post ao qual Pacheco Pereira acrescentou a tal adenda para nos mandar ler o tal texto de Helena Matos. Aliás, fazendo uma contagem de palavras, descobrimos que metade do texto de Helena Matos que Pacheco Pereira tanto admira são palavras de Pacheco Pereira. Não espanta que Pacheco Pereira goste do texto. Estou mesmo convencido que Pacheco Pereira, quando leu Helena Matos, terá pensado: “Bolas, esta senhora é mesmo muito inteligente, metade do que ela diz neste post é brilhante!”
Adenda: Sobre o mesmo assunto, leiam este fantástico post.
e aproveitando a internet sem fios do aeroporto da Portela. O Carlos sumariza aqui as nossas divergências. Eu sumarizo as divergências de uma forma ligeiramente diferente, mas deixo isso para o fim.
(more…)Agora é que é mesmo para concluir
Volto a pegar na pena de escrever, porque, mais uma vez, o Carlos escreveu um texto que merece ser lido. Penso que com este conjunto de textos ficam claras de onde vêm as nossas divergências.
(more…)O Carlos, qual Lucky Luke mais rápido do que a própria sombra, já me respondeu. Vale a pena ler a resposta porque se percebe a dificuldade de se chegar a consenso. Percebe-se também por que é estéril este debate blogosférico.
(more…)Muitas vezes fico com a sensação de que grande parte das críticas que heterodoxos, quer de esquerda quer de direita, fazem ao paradigma da Economia Neoclássica se deve, essencialmente, a uma supina falta de conhecimento do que criticam. Fico com a sensação de que estudaram o paradigma neoclássico por sebentas escritas à máquina. Este texto do Carlos Santos é disso um excelente exemplo. Ele divide o seu texto em 5 pontos. Os 5 pontos estão, na minha opinião, errados.
(more…)Unidades de Investigação em Ciências Económicas e Empresariais
Na segunda-feira, foram publicadas as classificações das unidades de Investigação em Economia e Gestão que existem neste país. Como em anos anteriores, o painel de avaliação que a FCT patrocinou integrou professores e investigadores internacionais de reputação imaculada, que analisaram a produção científica de cada núcleo desde 2003. Aliás, tal como aconteceu com outras áreas científicas, só assim se consegue compreender os resultados obtidos.
Na área de Economia e Gestão, submeteram-se a avaliação 28 unidades de investigação. 5 obtiveram a classificação de Excelente, 6 de Muito Bom e 7 de Bom. Todas as outras obtiveram Suficiente ou Fraco, o que as impede de obter financiamento directo por parte da FCT.
Fica aqui a lista das unidades que obtiveram melhores classificações (perdoar-me-ão a imodéstia do destaque que dou ao NIPE, unidade de investigação que me acolhe).
Não consigo imaginar o que quererá o Público dizer quando diz que um dos resultados mais previsíveis na noite eleitoral será um empate técnico. Penso que quer Vital quer Rangel disseram que a vitória era ter mais um voto do que o oponente. Pelo que, provavelmente, o Público quererá mesmo dizer que os dois terminarão com o mesmo número de votos. Nem sei bem como calcular a probabilidade de que ambos acabem com o mesmo número de votos, mas vou fazer um esforço por quantificar tais quantidades. (em stereo com as margens de erro)
(more…)As minhas “previsões” para a noite eleitoral (2)
E, seguindo a metodologia explicada no post anterior, aqui ficam as minhas previsões:

Ainda o empate entre o PS e o PSD
Novamente em stereo com as Margens de Erro.
(more…)Intervalos de confiança (só para nerds)
Comecei hoje a minha participação no "Margens de Erro". Publico aqui o post em stereo. Se tiverem comentários, deixem-nos lá e não aqui. É só para evitar a dispersão de comentários.
(more…)E se vivêssemos num país a sério? Um excelente artigo, publicado no Público de segunda-feira, de Pedro Magalhães que transcrevo na íntegra.
(more…)As probabilidades de se encontrar um dador de medula compatível fora da família mais próxima são tão pequenas que muitas vezes olhei com desconfiança para os bancos de dadores, apesar de eu próprio constar da base de dados. Ontem, fiquei a saber que o bebé de 10 meses de uma amiga, que precisa de fazer um transplante, encontrou um dador compatível na Alemanha.

