people in the USA sue each other for ridiculous reasons!
Estava a fazer o download de um software econométrico gratuito (EasyReg International), quando recebo o seguinte aviso:
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Estava a fazer o download de um software econométrico gratuito (EasyReg International), quando recebo o seguinte aviso:
(more…)João Pinto e Castro, com a honestidade intelectual que lhe é intrínseca, admite que está por demonstrar que as variações dos preços do petróleo se devam à “especulação”. Confesso que, para mim, é absolutamente claro que até ao momento ninguém apresentou um grama de evidência que confirme a ideia de que as subidas dos preços de petróleo são especulativas. Mas o que me chamou a atenção não foi isso. O que me chamou a atenção foi o João ter recorrido a Paul Krugman para um argumento de autoridade sobre este assunto.
(more…)Chego a Coimbra depois de uma semana em Lisboa. De Lisboa, confirmei aquilo de que me lembrava: uma bela cidade, desde que não estejamos empancados no trânsitos. Sempre que passei pela segunda circular, o trânsito seguia em bicha a pouco mais de 40km/h. Não consegui perceber a necessidade de lá haver radares a ameaçar os carros que excediam os 80. Só se voassem é que atingiriam tais velocidades.
(more…)A angústia do economista antes do penálti
Público, Sexta, 27 de Junho de 2008
Os modelos que os economistas usam são simplificações de realidades complicadas. Uma das simplificações mais criticadas é a da racionalidade dos agentes económicos. Levado ao extremo, este pressuposto implica que, perante a informação disponível, cada pessoa em cada momento faz escolhas óptimas. A ideia tem um sabor darwinístico: num mercado competitivo, quem não optimize os seus recursos será derrotado. Mas como saber se este pressuposto é razoável? A maioria das vezes as realidades humanas são demasiado complexas para se conseguir reunir provas concludentes que confirmem ou desmintam um dado modelo económico. Valha-nos o futebol, com regras tão simples que qualquer economista as consegue entender.
(more…)Ronaldo iniciou a jogada do primeiro golo de Portugal contra a Turquia e fez o passe para o Moutinho no segundo golo de Portugal. Contra a Republica Checa, marcámos três: o primeiro por Deco, que aproveitou um ressalto de uma boa jogada de Ronaldo, o segundo foi um excelente golo de Ronaldo e a assistência para o terceiro golo foi de Ronaldo.
(more…)Continuo com o meu périplo pela moderna Moscovo à procura de casa para que a família esteja cómoda pelo menos durante os próximos 3 anos. O mais interessante de tudo isto é descobrir algumas especificidades que nos soam bastante estranhas. (more…)
Dia 10 de Junho, o dia da Raça
A investigação da economia portuguesa II
A respeito da entrada anterior, diz a Daniela: A solução, porém, não será fácil, porque se prende com um problema fundamental que atravessa a sociedade portuguesa a todos os níveis, incluindo a universidade (indo muito para além dos departamentos de Economia): a intolerância, ou melhor, a aversão que muitas instituições, pessoas e respectivas práticas nutrem pelos princípios da democracia e pelo pensamento crítico e independente.
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Uma das surpresas quando se chega aos EUA pela primeira vez é o limite de velocidade. Em muitos Estados, ainda é de 55 milhas por hora. Menos de 90km hora. Auto-estradas de 5 faixas e os carros seguem em fila, raramente excedendo as 65 milhas (pouco mais de 100km/h). O que se passou na cabeça dos americanos, pátria do automóvel, para imporem um limite tão baixo?
Público, 23 de Maio 2008
Nos últimos anos, Portugal tem-se agarrado à cauda da União Europeia num esforço para não ficar (ainda) mais para trás. Se há uns anos tentávamos perceber as razões do milagre irlandês, hoje já nem se noticia quando Portugal é ultrapassado pelos países ex-comunistas de leste, como a República Checa, a Estónia, a Eslováquia, ou qualquer outro. Por que andamos neste passo tão lento? Encontro três motivos principais. Em primeiro lugar, fazemos parte da periferia política e geográfica europeia. Em segundo, estes países mais do que ex-comunistas são anticomunistas e libertaram-se das amarras de políticas estatais caducas. Basta ver como têm sistemas fiscais muito mais simples e leves do que o nosso. Finalmente, se é verdade que estes países saíram de ditaduras mais violentas do que a nossa, também é verdade que, ao contrário da nossa, eram ditaduras que investiam fortemente na educação.
Impostos sobre os combustíveis
As economias actuais são de uma complexidade que desafia o senso comum. Qualquer produto que nos chegue às mãos resulta de inúmeras transacções. Imaginem algo tão trivial como um jornal. Foi necessário contratar jornalistas, que usam computadores, que tiveram de ser comprados. Cada computador é composto por inúmeras pequenas peças, que vão desde o pequeno chip ao botão de ‘on’ e ‘off’, desde o teclado ao plasma do ecrã, para não falar de todo o software instalado no disco duro. O jornal é impresso em papel, que teve de ser produzido em fábricas de pasta de papel. Árvores tiveram de ser plantadas e cortadas. As árvores foram cortadas com instrumentos de corte que necessitam de combustível e que são compostas por pequenas peças que têm de ser montadas. Simultaneamente, é preciso tinta para imprimir o jornal. São necessárias impressoras e, com certeza, imensas coisas mais com que nem sonhamos.
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Gostei da entrada anterior do Fernando. E gostei porque não é sobre futebol, algo que parece ter passado despercebido a alguns dos nossos comentadores e a quase todos os comentadores do Blasfémias. A entrada também podia ser sobre a pequena inveja que muitas vezes nos menoriza. Talvez concorde com a Daniela quando se queixa da ambiguidade de se falar do melhor do mundo. Provavelmente seria mais apropriado falar em excelência. Mas não estou particularmente preocupado com a terminologia.
O que me parece mais relevante na entrada do Fernando é a forma como o nosso provincianismo nos leva a exacerbar qualidades que não temos ao mesmo tempo que menorizamos aqueles que se elevam acima da mediania.
Sempre que trago a Portugal um dos meus antigos colegas de doutoramento, são bombardeados com um provincianismo galopante. Temos os melhores vinhos do mundo (mas ninguém gosta de Vinho do Porto), as melhores azeitonas do mundo, a melhor comida do mundo, o melhor café expresso/cimbalino/bica do mundo. Uma vez vi um amigo alegar que Portugal tinha o mais extraordinário sal do mundo. Simultaneamente, há uma dificuldade imensa em reconhecer a excelência onde ela existe.
Quem nos EUA nasça num berço de pau e se torne milionário é imensamente respeitado na sociedade. É o self-made man. Em Portugal, alguém com um percurso similar, é um bronco. Até temos um termo para tal gente: pato-bravo.
Nos EUA, quem parta do nada para chegar a presidente é alguém que cumpriu o sonho americano (o tal American dream). Em Portugal é um provinciano que deve apagar as suas raízes e que é desprezado nos nossos salões de chá onde dificilmente alguém o acompanhará num bolo-rei.
Em Portugal, José Saramago, viu um dos seus livros ser censurado por um secretário de estado da cultura. O Festival de Cinema de Cannes vai abrir com um filme baseado num dos seus livros. O filme é de Fernando Meireles, realizador da “Cidade de Deus”, e conta com Julianne Moore num dos papéis principais. Em Portugal quase não é notícia.
A verdade é que tratamos mal aqueles que mais do que sonhar têm a ambição de atingir patamares de excelência. Independentemente de sermos os melhores do mundo ou não, desde há pelo menos uma década que estamos em patamares de excelência no futebol mundial. Rui Costa, Figo, Baía, Ronaldo, Simão Sabrosa, Mourinho, Manuel José, Jorge Costa, Nani, Paulo Sousa e muitos outros são, ou foram, reconhecidamente excelentes. O G-14 engloba 14 dos mais importantes clubes de futebol da Europa. Entre eles está um clube de bairro, o FC Porto, que nos últimos 20 anos ganhou três finais e duas supertaças europeias e foi por duas vezes campeão mundial. O Sporting e o Benfica não têm o mesmo destaque internacional, mas regularmente conseguem derrotar algumas das melhores equipas europeias. Quer se queira quer não, se todos os nossos sectores económicos fossem tão pujantes e competitivos como o futebol, Portugal seria um dos países mais competitivos do mundo.
Não considero o futebol particularmente importante, nem o considero um bom indicador do desenvolvimento de uma sociedade, mas parece-me que em vez de se desvalorizar os feitos que vamos conseguindo nessa área, devíamos era ter a mesma ambição em outros sectores e trabalhar para isso.
José Pacheco Pereira, Público 3 de Maio
(…) Eu, que sou portuense, sabia que poucas coisas se abatem mais rapidamente do que as grandes fábricas. No Porto, tudo o que era amplo espaço urbanizável nas décadas de setenta e oitenta estava no lugar vazio de uma grande fábrica, quase sempre têxtil, e as novas urbanizações para a classe média alta tinham o nome das fábricas como a William Graham na Avenida da Boavista. Desaparecidas as fábricas têxteis de Salgueiros, da Torrinha, das Sedas, para além das fábricas de fósforos e de cerveja, a cidade substituía as imensas construções fabris por apartamentos. Num artigo do Expresso, um dos primeiros escritos em Portugal sobre a salvaguarda do património industrial, ainda tentei que se preservasse alguma coisa da Fábrica de Salgueiros, um exemplar típico da arquitectura industrial então em ruínas, mas o efeito do artigo foi que o que sobrava foi deitado abaixo logo a seguir, não fosse haver alguém que se lembrasse de prestar a atenção à nova (por cá) concepção de arqueologia industrial e dificultasse o caminho aos bulldozers.
Esta semana, com o despedimento de centenas de trabalhadores da Yasaki Saltano de Gaia, recordei-me de outra grande fábrica desaparecida, a Clark"s de Castelo de Paiva, uma daquelas onde estive "à saída da fábrica". Por muito boa vontade que se tivesse em fazer política, distribuir uns papéis, falar com pessoas, na "saída das fábricas", a Clark"s era um sítio péssimo para o fazer. A saída era espectacular, mas muito, muito, rápida. Nos breves momentos que durava, um mar de raparigas, mulheres jovens e na meia-idade, o maior número de gaspeadeiras que alguma vez vi na vida, saía como um mola das portas interiores e corria, literalmente corria, para os portões e desaparecia pelas ruas e caminhos, em motocicletas, algumas em carros. Dez minutos depois, não havia ninguém e os papéis dados à pressa no meio daquelas almas fugidias desapareciam com elas tão depressa como a noite se punha.
A corrida tinha uma razão de ser, iam para casa o mais cedo possível cuidar dos filhos e do marido, cuidar da casa, não tinham tempo a perder com políticas. Como na Yasaki Saltano, a maioria dos trabalhadores são trabalhadoras, mulheres, muitas bastante jovens, muitas com poucas qualificações e que abandonaram a escola antes do tempo, a face visível do "insucesso" e do "abandono escolar", para irem trabalhar e constituir família numa idade em que os mais abastados ainda se arrastam pelo 12.º ano ou pelos primeiros anos da universidade e vivem em casa dos pais. A atracção do emprego e da família, da "sua" família, marido e filhos, não é apenas motivada pela necessidade económica, mas sim pela procura de autonomia, de uma vida própria na teia demasiado densa das famílias ainda próximas da ruralidade. Castelo de Paiva não é propriamente o centro do mundo urbano e Gaia ainda tem muitas aldeias.
O desemprego é devastador para todos, mas é-o mais para estas mulheres jovens e de meia-idade. Não é apenas a sua condição económica, a sua condição de vida que é afectada, é também a sua autonomia como mulheres, a sua capacidade de terem no salário e no emprego uma vida e uma dignidade próprias como mulheres, num mundo em que esta afirmação ainda é crucial. Recebida a notificação do desemprego, passado o período da agitação, as notícias e contranotícias de que pode haver um plano de integração na fábrica ao lado, ou a cinquenta quilómetros dali, que pode haver um supermercado que as aceite prioritariamente, que a câmara vai cuidar delas, que os sindicatos vão obter uma melhor indemnização, etc., etc., chega uma altura em que acabou. Acabou mesmo, está desempregada.
Nesse momento, em que o dinheiro que se levava para casa começa a faltar, a mulher começa a fazer contas e a cortar nas despesas. E não corta no pão, no infantário, na luz, na casa, no telemóvel - há-de vir a cortar - corta nas suas despesas, nas despesas consigo. Vai menos vezes ao cabeleireiro, arranja-se menos, compra menos roupa, tudo coisas que parecem fúteis para quem tem tudo, mas que representam um caminho para uma menor auto-estima, um desleixo que pode vir a crescer com os anos, se passar definitivamente de operária a dona de casa. É um caminho invisível, um passo atrás em que ninguém repara a não ser as próprias.
Elas sabem o que é não ter emprego, ou ter que mudar para outro emprego menos qualificado, mais solitário, mais dependente, socialmente menos reconhecido. Elas sabem que podem fazer menos coisas sozinhas, com o seu dinheiro, sem prestar contas a ninguém. Elas sabem o que significa ficar mais dependente do marido ou dos pais, ter menos esperança para os filhos, desistir de coisas que achava até então possíveis (…)
Luís Aguiar-Conraria, Público, Sexta, 25 de Abril de 2008
De acordo com o New York Times, entre doentes em estado terminal, houve mais 50 por cento de mortes na primeira semana de 2000 do que na última semana de 1999. O desejo de ver a madrugada do novo milénio levava os doentes terminais, num último fôlego, a adiarem o último suspiro. Este fenómeno alertou alguns economistas. Pelos vistos, o momento da morte era, parcialmente, uma decisão individual. Daí a questionarem-se se essa decisão respondia a incentivos económicos foi um passo. Na verdade, de certa forma, a questão nem sequer era original. Em 1999, já se tinha estabelecido que a data de nascimento dos bebés era fortemente influenciada por questões fiscais.
Wojciech Kopczuk e Joel Slemrod quiseram saber se alterações aos impostos sobre heranças influenciavam o momento da morte. A ideia é simples. Se num determinado dia vai entrar em vigor uma descida de impostos sobre sucessões, é possível que o futuro finado, num último esforço, sobreviva até essa data para beneficiar os herdeiros. Alternativamente, é também possível que os herdeiros dêem ordens aos médicos para prolongar a vida do doente. Finalmente, se não for possível manipular o dia da morte, há sempre a possibilidade de falsificar a certidão de óbito. Enfim, podemos encontrar mil e uma razões, mas a verdade é que os dois economistas concluíram, usando dados para a economia americana, que os impostos influenciavam o dia do óbito. E não se pense que é uma idiossincrasia americana, Joshua Gans e Andrew Leigh, professores em Melbourne, chegaram a conclusões similares para a Austrália.
Se o leitor não consegue olhar para o dia da morte como uma decisão individual, ou familiar, considere então o caso extremo do suicídio. Daniel Hamermesh e Neal Soss foram, provavelmente, os primeiros a aplicar a teoria económica para analisar o suicídio. Num artigo publicado em 1974, fugiram às explicações sociológicas tradicionais, grandemente baseadas nos trabalhos de Émile Durkheim desenvolvidos no fim do século XIX. Por exemplo, mostraram que há uma relação entre os ciclos económicos e o suicídio e que pessoas com menores rendimentos têm maior propensão para se suicidarem. Outros trabalhos mais recentes vieram confirmar e generalizar estas conclusões.
Como imagina o leitor, conhecendo eu esta literatura, já poucas análises económicas me surpreendem. Por mais esotérico que seja o assunto, espero sempre que algum economista o vá analisar. Apesar de tudo, tenho de confessar o meu imenso espanto quando li um artigo de Dave Marcotte, professor na Universidade de Maryland, sobre o suicídio, ou melhor, sobre as tentativas de suicídio. Na verdade, a maioria dos suicidas não são bem-sucedidos. Ao contrário dos trabalhos que referi no parágrafo anterior, Marcotte, ao aplicar a teoria económica, tem em conta que há uma grande probabilidade de a tentativa de suicídio fracassar. Assim, a típica análise de custo-benefício, que os economistas tanto gostam de fazer, tem de ter em conta o que acontece ao indivíduo a seguir a uma fracassada tentativa de suicídio.
Marcotte conclui que um suicídio, desde que fracassado, pode ser um bom investimento. O autor relata que o felizardo que sobrevive ao seu suicídio tentado vê o seu rendimento subir consideravelmente. Mas atenção: a tentativa de suicídio tem de ser credível. Aqueles que tomam meia dúzia de comprimidos e telefonam a um amigo a dizer que se vão suicidar, não obtêm grandes benefícios. Já os que por pura sorte escapam ilesos, como os que se atiram de uma ponte, vêem o seu rendimento aumentar em cerca de 40 por cento.
Lamento informar que estou indisponível para concorrer à presidência do PSD.
David Cass, um dos melhores economistas da sua geração, morreu ontem. David Cass foi aluno de Kenneth Arrow, o melhor economista do século XX.
Cass foi pioneiro quando desenvolveu, rigorosamente, o modelo de crescimento neoclássico, que acabou por ficar conhecido como o modelo de Cass-Koopmans, ou de Ramsey-Cass Koopmans. Com Karl Shell desenvolveu o conceito de Sunspot equilibrium.
David Cass, juntamente com Neil Wallace, Karl Shell, Jean-Michel Grandmont, Thomas Sargent, Robert Lucas, Yves Balasko, Edward Prescott e alguns outros, desbravou os caminhos da Macroeconomia moderna.
Espero, logo que tenha tempo, dedicar-lhe uma entrada.
Descobri agora que Pedro Lains, investigador no ICS e historiador/economista, criou um blogue de Economia e História Económica.
Se o blogue tiver a qualidade do trabalho de Lains, será, de certeza, um excelente blogue. Daqueles que são imprescindíveis. Fica o anúncio feito.
Sindicatos e Ministério da Educação chegaram a acordo
Depois de mais de sete horas de negociações, o Ministério da Educação e os sindicatos chegaram a acordo. Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou a "aproximação" e a plataforma sindical fala em "grande vitória dos professores". Este ano lectivo, a avaliação de desempenho terá apenas em conta quatro parâmetros, aplicados de igual forma em todas as escolas.
De acordo com um documento distribuído no final da reunião, a ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua, quando obrigatória, serão os únicos critérios a ter em conta.
No fim dos anos 60, discutia-se na Califórnia uma lei que permitia o divórcio unilateral. De acordo com essa lei, aprovada em 1969, bastava um dos cônjuges querer o divórcio para este ser concedido. Era Ronald Reagan o Governador da Califórnia. Nos anos 70 e 80 outros Estados adoptaram leis similares, permitindo o divórcio a pedido.
O movimento neo-conservador reagiu nos anos 90 e tem vindo a contestar estas leis liberais que facilitam o divórcio e destroem famílias. Lá, como cá, em vez de se discutir a lei, discute-se o divórcio. Quem defende a lei é acusado de defender o divórcio e dos maiores atentados à família.
Além de destruir os lares, que outros efeitos pode ter uma lei que facilita o divórcio? Só não vê quem não quer, não é verdade?
Mas, levantando o véu jurídico, o que observamos? Quais os efeitos desta lei? Betsey Stevenson e Justin Wolfers, professores na Universidade de Pensilvânia, procuraram responder, num artigo publicado em Fevereiro de 2006 no prestigiado Quarterly Journal of Economics.
Conclusões? A violência doméstica desceu um terço nos Estados que liberalizaram o divórcio. O número de esposas assassinadas pelos maridos diminuiu 10%. O número de suicídios femininos também decresceu.
E quais os efeitos sobre as taxas de divórcio? O mesmo Justin Wolfers responde num trabalho publicado na American Economic Review, em Dezembro de 2006. A resposta não podia ser mais desoladora para os que se opõem à lei. A seguir à facilitação do divórcio, as taxas de divórcio tendem a aumentar, mas ao fim de alguns anos tal efeito diminui substancialmente. A longo prazo não é possível determinar qual o efeito, sendo até possível que o número de divórcios diminua em consequência da lei.
Como se explicam estes resultados? Não é muito complicado. Leis que facilitam o divórcio alteram os termos do casamento, dando às mulheres um poder de ameaça que antes não tinham. Permitem-lhes terminar mais facilmente más relações, mas, mais importante, o poder da ameaça de divórcio é suficiente para impedir a degradação do casamento. Mantêm os homens na linha.
Referências
Betsey Stevenson e Justin Wolfers (2006), ‘Bargaining in the Shadow of the Law: Divorce Laws and Family Distress’, Quarterly Journal of Economics, 121(1).
Justin Wolfers (2006), ‘Did Unilateral Divorce Raise Divorce Rates? A Reconciliation and New Results’, American Economic Review, 96(5).
P.S. Retirado daqui.
À atenção do CDS-PP de Paulo Portas
Imagine-se que A tem o valor 0 e que B toma o valor 100. A média (aritmética simples) de A com B dá 50. Agora suponha-se que há uma inspecção que penaliza B se tiver um valor acima da média. Terá de ter o valor 50. Mas nesse caso a média é 25. Assim B não pode exceder 25. Mas nesse caso a média é de 12,5. Pelo que B terá de ser, no máximo, 12,5. Mas, assim sendo, a média é de apenas 6.25, pelo que B não pode exceder 6.25 e a média será de 3,125…
Caro Paulo Portas, continue este exercício. Para seu espanto, verá que não pára enquanto não chegar ao zero (o que não quer dizer que lá chegue…).
PS Caro Paulo Portas, só para o caso de não ter entendido o exercício que lhe proponho, informo-o de que a inflação é uma média. Média ponderada, é certo, mas não vale a pena complicar. Vai ver que se conseguir entender para uma média simples, também consegue entender para uma média ponderada.
Salário Mínimo, que alternativas?
A taxa de pobreza em Portugal ronda os 20%. Na União Europeia, o mesmo índice queda-se pelos 16%. Os dados foram apresentados por Carlos Farinha Rodrigues que nos disse mais. Disse-nos que, antes de distribuídos os apoios sociais, a taxa de pobreza portuguesa é similar à europeia (pouco mais de 40 por cento). A conclusão é óbvia, as políticas de redistribuição em Portugal são pouco eficazes.
A definição do salário mínimo representa um dos aspectos fulcrais nas políticas de combate à pobreza e de redistribuição do rendimento. Quando se impõe um salário mínimo, suficientemente alto para que um número relevante de trabalhadores dele beneficiem, os custos salariais das empresas aumentam, os lucros diminuem e os efeitos redistributivos são imediatos.
Infelizmente, a existência de um salário mínimo tem custos. O aumento dos salários torna as empresas menos competitivas nos mercados internacionais e é um estímulo a que se desloquem para o estrangeiro em busca de menores salários. É assim possível que o salário mínimo prejudique quem mais devia beneficiar dele: os trabalhadores desqualificados, indiferenciados e sem poder negocial, que se podem ver atirados para o desemprego.
Há ainda outro problema. Sendo o salário mínimo uma política de combate à pobreza, os encargos a ele associados são totalmente suportados por uma minoria. Imagine-se uma empresa onde trabalham 100 pessoas que recebem o salário mínimo. Um aumento do salário mínimo de apenas 20 euros traduz-se num aumento dos custos de 34 650 euros anuais. Do ponto de vista desta empresa, a situação é equivalente a um aumento de impostos de quase 35 mil euros. Ao se aumentar o salário mínimo penalizam-se empresas e empresários que exercem uma acção social muito importante que é a de empregar trabalhadores pouco qualificados, muitas vezes envelhecidos e sem hipóteses de requalificação profissional. Negar esta evidência é negar a realidade do nosso país.
Economistas de diversas ideologias (desde o liberal Milton Friedman ao social democrata Edmund Phelps) propõem uma alternativa mais eficiente. Que não haja um salário mínimo, mas que os trabalhadores com salários mais baixos vejam os seus rendimentos complementados com um subsídio. Este subsídio pode tomar diversas formas, desde abonos de família a taxas de imposto negativas para os escalões mais baixos de IRS. Do ponto de vista do trabalhador é equivalente à existência de um salário mínimo, mas esta política de redistribuição de rendimento é paga por todos nós e não por cada empresa individualmente. Desta forma, a protecção social não é conseguida à custa da competitividade das empresas e não causa uma maior rigidez no mercado de trabalho. Pelo contrário, uma política deste tipo facilita o emprego dos trabalhadores não qualificados. Reforça a coesão nacional, aumentando as transferências das regiões mais ricas para as mais deprimidas.
O defeito desta proposta é que se corre o risco de se subsidiar empresas especializadas em mão-de-obra barata. Uma solução equilibrada passaria pela existência de um salário mínimo bastante moderado contrabalançado com um subsídio aos salários mais baixos, minimizando-se os efeitos perversos associados a cada uma das soluções.
Com as eleições que se aproximam e os défices orçamentais em queda, cada vez é mais provável que o governo baixe os impostos. Discute-se se a descida dos impostos deve incidir sobre o IVA ou sobre o IRS. Tanto uma hipótese como a outra passam ao lado dos dois milhões de pobres que nos deviam envergonhar. Um subsídio aos salários mais baixos ou, em alternativa, a criação de um escalão de IRS com taxas de imposto negativas seria socialmente mais equitativo e economicamente mais eficaz.
Público, Sexta, 28 de Março de 2008
P.S. Apesar de publicado depois, este artigo foi, obviamente escrito antes do anúncio da descida do IVA. Para manter a sua actualidade onde está "Discute-se se a descida dos impostos (…)" deveria estar "Discute-se se futuras descidas de impostos devem (…)"