Em Portugal há uma disjunção entre opinião pública e opinião publicada. Sempre interpretei tal como um mero sintoma da falta de qualidade dos nossos opinion makers, que, quantas vezes, vivem no seu mundo paralelo. Mas confesso que não estava preparado para ler um artigo do Diário de Notícias, assinado por Fernanda Câncio, que diz que a maioria das pessoas da classe média portuguesa tem uma mulher-a-dias. Fernanda Câncio diz mesmo, no seu tom politicamente correcto, que ter uma/um empregada/o para “puxar as orelhas à casa” é talvez a definição de classe média em Portugal.
Não sei em que mundo vive Fernanda Câncio, nem sei muito bem que raio de definição de classe média é esta que propôs. Mais provavelmente, refere-se à média dos seus leitores (quer do blogue quer do jornal), à média dos seus amigos, ou a outra média qualquer. Mas ao trabalhador médio português não deve ser, com certeza. Fez-me lembrar um colega, professor catedrático no topo da carreira, com um rendimento mensal de cerca de €5500 por mês, que ficou surpreendido, quase chocado, quando eu lhe disse que para os padrões portugueses ele era muito bem pago.
Para tirar dúvidas, fui consultar uma base de dados, Quadros de Pessoal, que tem informações sobre grande parte dos trabalhadores por conta de outrem a trabalhar em Portugal. O que lá encontrei? Simples, metade dos trabalhadores a tempo inteiro com salário completo recebe menos do que €735 (e não estamos a falar de salários líquidos). Cerca de 70% dos trabalhadores recebe menos de €1000.
Não vejo como pode este trabalhador médio dar-se aos “luxos” descritos por Fernanda Câncio. Pelo contrário, se olharmos para as remunerações das mulheres-a-dias chegamos a uma conclusão engraçada. Aqui em Braga, o salário de mercado de uma mulher-a-dias é de €5 por hora. Imagino que no Porto e em Lisboa este salário seja mais alto (possivelmente €6). Admitindo um mês médio de trabalho de 20 a 22 dias, tal corresponderá a um salário mensal entre os €800 e os €1050. Ou seja, muitas mulheres-a-dias estarão entre o primeiro terço de trabalhadores mais bem pagos e, definitivamente, a grande maioria ganha mais do que a maioria dos trabalhadores portugueses por conta de outrem. Ou seja, não só a generalidade da classe média portuguesa não pode contratar uma mulher-a-dias como, pelo contrário, gostaria de ser tão bem pago como uma.
Confesso, no entanto, que ler este artigo foi bastante educativo. Havia algo que nunca tinha percebido e que, finalmente, passei a perceber. Fiquei a perceber porque erram tanto no alvo os nossos governantes quando dizem que governam para a classe média. Pura e simplesmente, não fazem a mais pálida ideia do país em que vivem.

Este texto demonstra mesmo má fé… É mais q obvio q FC se refere as empregadas q vão uma ou duas semanas limpar a casa. Ou seja, recebem 80 ou 100€ mês. E grande parte da classe media tem isso. E
Comment by Pedro Sousa — December 5, 2009 @ 7:17 pm
“Este texto demonstra mesmo má fé…”
Pedro, tenha juízo!
Comment by LA-C — December 5, 2009 @ 7:30 pm
Luís, só por curiosidade: como é que saltas da fernanda para os “nossos governantes”?
Comment by RCP — December 6, 2009 @ 3:00 am
Luíss Aguiar Conraria
Diga-me, por favor, que este post é uma brincadeira. Diga-me isso para eu não ficar com a ideia que pensa mesmo o que escreveu.
Comment by António Parente — December 6, 2009 @ 3:11 am
Os valores auferidos (raramente são salários, que implicam trabalho por conta de outrem) por uma ‘mulher-a-dias’ não podem ser comparado com os salários que refere, que implicam descontos e, consequentemente, direitos não contemplados nos primeiros. São coisas distintas, pelo que é errado apresentar os valores da forma como o faz.
Não vê como as pessoas se podem dar a certos luxos? Eu explico: prioridades. Um exemplo: uma amiga, professora num dos mais caros colégios privados do Porto, teve um aluno que desmaiou na aula porque não tinha comido o pequeno-almoço. Porquê? Segundo o miúdo, a mãe disse que não havia dinheiro. Repito: prioridades.
Para as pessoas que, como diz, gostariam de ganhar o que ganha uma ‘mulher-a-dias’, tenho uma sugestão: apostem nisso. Não implica um grande investimento em qualificação profissional, pelo que é só iniciar uma nova carreira profissional noutra actividade.
Comment by Carlos Azevedo — December 6, 2009 @ 5:12 am
Eu tenho uma pensão de 710 euros mensais e porque vivo sozinho, tenho uma senhora, vulgo mulher a dias que vem a minha casa duas vezes por mês, durante 4 horas por cada vez, para limpá-la melhor…
Penso que demonstro, na prática, toda a má fé deste texto, em relação à afirmação da Fernanda.
Comment by João Carlos Roque — December 6, 2009 @ 7:00 am
parabéns. Há 5 minutos nem sabia que existias, Luís. Agora, não só sei que existes, como desejo que assim não fosse.
Comment by pedro — December 6, 2009 @ 10:16 am
“Não vê como as pessoas se podem dar a certos luxos?”
Certos luxos não são a generalidade da classe média. Que é o que está em causa.
“toda a má fé deste texto,”
Má-fé? Tenha juízo, vocês sabem o que é má fé?
“3.Luís, só por curiosidade: como é que saltas da fernanda para os “nossos governantes”? ”
RCP, qual é o problema? Podias ter perguntado como é que passei da Fernanda para um determinado professor catedrático, não? Ao menos seria no mesmo parágrafo. Qual é exactamente o problema de depois de dizer que os ‘opinion makers’ vivem desligados da realidade dizer que o mesmo se passa com os ‘policy makers’? Leste aquele editorial do Público a dizer que se empresas encerrassem por causa do aumento do salário mínimo que era bom, porque estaríamos a falar de empreses que não merecem existir? Em que país pensam os editorialistas que vivem? No Luxemburgo?
Comment by LA-C — December 6, 2009 @ 10:44 am
“Diga-me, por favor, que este post é uma brincadeira”
Porquê? Qual é exactamente o ponto com que não concorda? Pensa mesmo que ter uma mulher-a-dias é a definição de ser da classe média?
Comment by LA-C — December 6, 2009 @ 10:47 am
“Não vejo como pode este trabalhador médio dar-se aos “luxos” descritos por Fernanda Câncio.”
Há que distinguir entre mulher-a-dias e empregada doméstica a tempo inteiro. Esta última só tem quem está acima do que é considerado classe média em Portugal. Ganham em média o salário mínimo ou pouco mais (nos grandes centros serão mais bem pagas). A classe média tem mulher-a-dias, uma senhora que vai lá a casa uma vez por semana e trabalha 2 a 3 horas. Algumas vão apenas 1 hora (passar a roupa a ferro) e há as que vão de 15 em 15 dias.
Admitindo que trabalha 3 horas, são 15 euros por semana, 60 euros por mês. Não é uma despesa que esteja longe do alcance da dita classe média.
Os problemas na crónica da Fernanda são outros mas os leitores do Jugular já lhos apontaram.
Comment by Tareja — December 6, 2009 @ 12:09 pm
Na zona da Grande Lisboa as mulheres-a-dias cobram 12 euros por hora (as caboverdianas e ucranianas um pouco menos, entre 9 e 10). Classe média são advogados, médicos, gestores, apresentadores de TV, profs universitários e quadros superiores da FP, mais alguns jornalistas. Trabalhadores na casa dos 1500 euros mensais são “classe-média BAIXA”. A maioria das pessoas com mulheres-a-dias, tem “contrato” para uma vez por semana (3-4 horas).
Comment by Edmundo Bettencourt — December 6, 2009 @ 12:16 pm
O problema no seu raciocínio, como vários comentadores já apontaram, está em assumir que as mulheres a dias trabalham, enquanto tal, oito horas por dia e cinco dias por semana. Regra geral, as mulheres a dias a tempo inteiro são uma raridade. As mulheres que fazem esse trabalho fazem-nos algumas horas por semana em complemento a outro trabalho mais formal - como trabalhar numa cantina ou em limpezas em empresas e instituições. É por isso que a estimativa daquilo que ganha efectivamente uma «mulher a dias» acaba por ser irrealista.
Comment by Ricardo Alves — December 6, 2009 @ 1:42 pm
Embora a discussão me pareça desinteressante, julgo que ter factos correctos é importante.
Na região de Lisboa, uma empregada doméstica paga “á hora” custa cerca de €6/hora. Esse numero que estava ai de €12/hora é ridiculo. Talvez se aplique quando se contrata uma empresa de limpezas…bem diferente.
Uma empregada a tempo inteiro custa cerca entre €550-€650 + descontos para SS. Neste intervalo encontra-se de tudo, mas principalmente estrangeiras, muitas vezes, ilegais.
No meu caso contratei uma senhora Portuguesa e que me pareceu muito boa por €750/mês + SS.
Sou de classe elevada?
naaa..erro de quem conhece pevas da realidade, mas avalia os outros.
Tenho um bbébé de 5 meses e nos primeiros dois anos, fica mais barato ter uma empregada a tempo inteiro do que pagar infantário + 3/4 horas de limpeza semanal. E ainda faz as refeições…
A realidade é sempre mais complicada do que parece.
Miguel
Comment by Miguel — December 6, 2009 @ 2:43 pm
Estou certo de que percebeu o que eu quis dizer com ‘certos luxos’; aplique ‘mutatis mutandis’ às ‘mulheres-a-dias’. E, sabe, a ‘generalidade da classe média’ é muita gente.
Quanto ao resto do que escrevi, como nada diz, presumo que concorda comigo
Comment by Carlos Azevedo — December 6, 2009 @ 2:58 pm
No Porto 5euros hora. o LAC devia explicitar o conceito de classe média em portugal: quanto ganha o agregado, e por aí a fora. de outro modo é chover no molhado. e é evidente que o “seu” profcatedrático está “noutra”.
sem relação em conreto com a fcâncio, a opnião publicada e comentada na tv é em portugal uma miséria! é má. falta de rigor é maior critica. pq essa opinião escolhe um de dois caminhos: ou procura agradar e defende tudo o que é politica: ou entre na versão apocaliptica e o “portugal” acaba amanha.
Comment by Luis Castro — December 6, 2009 @ 3:27 pm
Luís Aguiar Conraria
A sua definição de classe média não faz sentido. Antes de tudo, é uma classificação sociológica definida por uma série de comportamentos e depois é que se pode tentar encontrar o nível económico que a suporte. De memória lembro-me de ter lido que classe média é quem ganha acima de 1500 euros mês, outros colocam a fasquia nos 2 mil.
Em relação ao mercado de trabalho das empregadas domésticas, é óbvio que o desconhece totalmente. Uma empregada doméstica a tempo inteiro ganha actualmente o salário mínimo ou pouco mais. Com o aumento de desemprego, a oferta de empregas domésticas aumentou e a procura diminuiu. Mesmo em relação às que trabalham à hora há uma pressão no sentido da baixa do salário/hora. Sei disso, por utilizo os serviços de uma empregada a tempo inteiro e faço regularmente pesquisas de mercado para saber se aquilo que lhe pago é justo.
Em relação à Fernanda Câncio a forma como se refere a ela é de muito mau gosto. Então o último parágrafo é lamentável.
Comment by Anonymous — December 6, 2009 @ 3:56 pm
O Luis mete-se com a madame: logo salta o mastim!
Comment by luis pinto — December 6, 2009 @ 3:58 pm
Há um bocado na televisão:
“O socialismo é para os ricos, o capitalismo é para os pobres”
(Avô do) Joe Biden
Comment by Laranjada Ovarense — December 6, 2009 @ 4:02 pm
post excelente.
o Pedro Adão e Silva já tinha alertado para a distorção entre aquilo que se diz ser classe média e aquilo que é classe média.
dizer que uma família com 2 filhos em que pai e mãe ganham 1500€ cada um é classe média, das duas uma: ou é de quem não vive em Portugal ou é de uma pessoa que percebe tanto disto como a Fernanda Câncio.
continuação de excelentes posts e não se deixa incomodar por gente do jugular, que devem ser dos tais que olham para a classe alta que é um bocado mais baixa do que a deles e pensam logo na classe média.
Comment by Tiago — December 6, 2009 @ 4:09 pm
só mais um pormenor.
o senhor Pedro Sousa no primeiro comentário diz que é mais que óbvio que a F.C. se refere a empregadas que vão uma ou duas vezes por semana (limpar, suponho) e ganham 80/100€ por mês.
a classe média que eu conheço mal tem dinheiro para cumprir com todas as suas obrigações básicas (propinas para a faculdade dos filhos; comer, luz, água, etc).
para o Pedro Sousa ainda têm 100€ para empregadas domésticas.
já agora, em que país vive, Pedro Sousa?
Comment by Tiago — December 6, 2009 @ 4:16 pm
Muito mau post LA-C. A varios niveis:
- Desfasado da realidade que pretende descrever;
- Baralhando conceitos e terminologia de forma grosseira;
- Analise descontextualizada;
- Desonesto intelectualmente, mesmo que que a analise de um ponto de vista tecnico estivesse correcta (e manifstamente nao esta), ao querer falaciosamente criar uma caricatura nao representativa da posicao que pretende contra-argumentar.
Muito mau.
Comment by Lowlander — December 6, 2009 @ 5:45 pm
#16 “A sua definição de classe média não faz sentido. Antes de tudo, é uma classificação sociológica definida por uma série de comportamentos e depois é que se pode tentar encontrar o nível económico que a suporte. De memória lembro-me de ter lido que classe média é quem ganha acima de 1500 euros mês, outros colocam a fasquia nos 2 mil.”
Fantástico! Agora quem define o que é a classe média é a sociologia, e não a estatística! O conceito de “média” passou a ser sociológico. A influência do Prof. Boaventura vai muito para além do Bloco e do Centro de Estudos Sociais de Coimbra. Quando defendo a Matemática obrigatória até ao 12º ano é para não ter que ler bojardas destas.
#21 “Baralhando conceitos e terminologia de forma grosseira”
Quem baralha conceitos e terminologia de forma grosseira é quem conclui que a definição de classe média é quem tem empregada doméstica.
“mesmo que que a analise de um ponto de vista tecnico estivesse correcta (e manifstamente nao esta)”
Queira explicar, por favor, as “manifestas incorrecções” da análise do Luís.
Comment by Filipe Moura — December 6, 2009 @ 9:26 pm
O post nao e’ bom, a resposta da f. e’ debil e sem sentido. Isto e’ uma tempestade num copo de agua. Passem adiante.
Comment by Miguel — December 6, 2009 @ 10:11 pm
Caro Filipe Moura
1) O conceito de “classe média” não é estatístico, é sociológico. As primeiras referências à classe média foram feitas no final do século XIX, se quiser fazer o favor de investigar. Não tem nada a ver com estatística e agora que leio aquilo que escreve estou aqui completamente embasbacado. A bojarda foi sua e revela uma lamentável falta daquilo que se designa por “cultura geral”.
P.S. - O Anónimo 16 era eu, António Parente.
Comment by António Parente — December 7, 2009 @ 12:44 am
Caro Filipe Moura
Já agora, fica aqui um link que lhe mostra como do ponto de vista sociológico se pode definir a classe média:
http://en.wikipedia.org/wiki/American_middle_class
Quero admitir uma falha minha: se eu tivesse percebido que “classe média” para o autor do post era simplesmente um conceito estatístico nem me tinha dado ao trabalho de comentar nem envolvido nesta discussão. Mea culpa, não volta a acontecer.
Comment by António Parente — December 7, 2009 @ 1:02 am
“Fantástico! Agora quem define o que é a classe média é a sociologia, e não a estatística! O conceito de “média” passou a ser sociológico. A influência do Prof. Boaventura vai muito para além do Bloco e do Centro de Estudos Sociais de Coimbra. Quando defendo a Matemática obrigatória até ao 12º ano é para não ter que ler bojardas destas.”
É possível que V. saiba muito de matemática mas convinha saber também alguma coisa de história. Dizer que a “classe média” é definida pela estatística é simplesmente uma anedota.
Comment by catarina — December 7, 2009 @ 2:00 am
No Porto, uma mulher a dias recebe 5 a 6 euros por hora. No Algarve Litoral, 6 a 8 euros por hora. Fica a informação.
Comment by Luís — December 7, 2009 @ 2:03 am
Já respondi no post “Socialistas de gabinete com janela para o Tejo”. Só repito aqui o link para um blogue de um doutorado em sociologia e colaborador do Simplex:
http://veu-da-ignorancia.blogspot.com/2006/08/as-classes-mdias-no-alente_115479198396989137.html
Comment by Filipe Moura — December 7, 2009 @ 3:24 am
Já respondi no post acima. Fica aqui só um link para um blogue de um doutorado em sociologia, colaborador do Simplex:
http://veu-da-ignorancia.blogspot.com/2006/08/as-classes-mdias-no-alente_115479198396989137.html
Comment by Filipe Moura — December 7, 2009 @ 3:28 am
Caro Filipe Moura
Eu percebi, tardiamente, que o conceito de “classe média” utilizado pelo Luís Aguiar-Conraria diz respeito à média matemática. Não é assim que se define classe média como uma das categorias das classes sociais. Essa definição é feita com base num conjunto de factores que incluem para além do rendimento, o nível de instrução, a ocupação profissional, etc. As empresas de estudo de mercado dividem as classes sociais em “A, “B”, “C”, “D”, para definirem conjuntos homogéneos de consumidores e em relação à classe média costumam dividi-la em classe média baixa e classe média alta.
Já que puxou de argumentos de autoridade com os links que indicou (tal como eu o fiz, aliás), deixe-me dizer-lhe que não tenho apenas o ensino básico como nível de instrução. Tenho uma licenciatura em Economia, uma pós-graduação e 25 anos de actividade profissional como economista e embora possa errar tenho como regra fundamental nunca comentar sobre assuntos onde não tenha conhecimentos mínimos para o fazer. Nunca me verá a discutir Biologia com um biólogo, Física com um físico ou Química com um químico.
Comment by António Parente — December 7, 2009 @ 10:02 am
“Quem baralha conceitos e terminologia de forma grosseira é quem conclui que a definição de classe média é quem tem empregada doméstica.”
“Queira explicar, por favor, as “manifestas incorrecções” da análise do Luís.”
Filipe:
Nao tenho tempo.
Como esboco de resposta as suas invectivas aponto-lhe algumas pistas: os comentarios do Antonio Parente sao um excelente ponto de inicio, tambem e frutuoso ver o que o Ricardo Alves e o Tareja escrevem.
De resto tem as respostas que a propria Fernanda lhe deu no seu post.
Em resumo e repetindo-me: muito mau post.
Comment by Lowlander — December 7, 2009 @ 10:36 am
Estranho, parece que se eu tiver um Ferrari e não tiver mulher a dia já sou da classe baixa…
e se o nórdico pagou uma Câmara Digital da nova geração que custou 5000 Euros mas não tem mulher a dias…
Comment by lucklucky — December 7, 2009 @ 2:35 pm
A impressão que tenho é que muita gente (explicita ou implicitamente) define “classe média” não tanto como “pessoas com rendimentos médios” mas sim como “pessoas com rendimentos relativamente altos mas sem riqueza ou rendimentos do capital suficientes para poderem deixar de trabalhar se quiserem”.
Por essa linha, “classe baixa” será o assalariado típico (o que é mais claro na expressão inglesa “working class”), “classe média” será o estrato superior das pessoas que vivem dos rendimentos do trabalho e “classe alta” as pessoas que vivem (ou podem viver se quiserem) dos rendimentos do capital.
Se adoptarmos essa definição, a FC é capaz de ter razão - a fronteira entre a “classe baixa” (=trabalhador típico) e a “classe média” é capaz de andar perto do “rendimento suficiente para pagar a uma mulher a dias”.
Claro, se adoptarmos essa definição também deveremos deixar de falar da “classe média” por tudo e por nada como se fosse a referência geral, quanto se trata de um grupo talvez demograficamente insignificante.
Comment by Miguel Madeira — December 8, 2009 @ 2:30 pm
A impressão que tenho é que muita gente (explicita ou implicitamente) define “classe média” não tanto como “pessoas com rendimentos médios” mas sim como “pessoas com rendimentos relativamente altos mas sem riqueza ou rendimentos do capital suficientes para poderem deixar de trabalhar se quiserem”.
Por essa linha, “classe baixa” será o assalariado típico (o que é mais claro na expressão inglesa “working class”), “classe média” será o estrato superior das pessoas que vivem dos rendimentos do trabalho e “classe alta” as pessoas que vivem (ou podem viver se quiserem) dos rendimentos do capital.
Se adoptarmos essa definição, a FC é capaz de ter razão - a fronteira entre a “classe baixa” (=trabalhador típico) e a “classe média” é capaz de andar perto do “rendimento suficiente para pagar a uma mulher a dias”.
Claro, se adoptarmos essa definição também deveremos deixar de falar da “classe média” por tudo e por nada como se fosse a referência geral, quanto se trata de um grupo talvez demograficamente insignificante.
Comment by Miguel Madeira — December 8, 2009 @ 2:31 pm