O Secretário-Geral do Partido Socialista considerou extraordinária a vitória de ontem nas eleições legislativas. As razões substantivas para esta avaliação foram duas: o ímpeto reformista do seu Governo, e a oposição que gerou, e a crise financeira e económica global que teve de enfrentar no último ano.
Eu diria que o principal efeito da crise internacional nos resultados desta eleição foi ter aumentado a tradicional opacidade na avaliação dos Governos de Portugal. Neste caso impediu mesmo a avaliação do ímpeto reformista do Governo PS. No entanto, depois de passar a onda que varreu a economia mundial vamos poder ver o estado em que se encontra a economia portuguesa e avaliar a qualidade das reformas realizadas. O próximo Governo vai receber os louros ou as críticas da acção do Governo anterior – não haverá espaço para a apropriação indevida de bons resultados ou para escamotear responsabilidades.
Ou seja, o que esta vitória tem de extraordinário é que por uma vez, em muito anos e depois das fugas de António Guterres e Durão Barroso que lançaram a confusão no país político, vai ser possível avaliar a Governação de Portugal. E é assim que se aprofunda a democracia e se encontram Governos melhores.
Claro que esta avaliação só será possível se não houver um Governo de bloco central.

“Claro que esta avaliação só será possível se não houver um Governo de bloco central.”
Caro Luís,
Não pretendendo contrapor de que a solução “bloco central” seria aquela com que melhor poderiam ser ultrapassadas as dificuldades que se colocam ao país, não entendo, contudo, como é que qualquer outra solução, que terá sempre de passar por acordos pontuais com algum ou alguns dos outros partidos, não distorcerá igualmente a leitura efeitos das políticas adoptadas pelo governo PS, apoiado pela mioria parlamentar que agora terminou.
Pode haver boas razões para rejeitar liminarmente o “bloco central”. Não vejo, no entanto,que a clareza da leitura futura dos resultados possa ser invocada como uma delas.
Comment by rui fonseca — September 28, 2009 @ 5:18 pm
“Caro Luís,”
esta entrada é da resopnsabilidade do Fernando Alexandre
Comment by LA-C — September 28, 2009 @ 5:34 pm
As minhas desculpas a ambos.
Comment by rui fonseca — September 28, 2009 @ 6:32 pm
Então não passa o PS a queixar-se da herança do PSD e vice-versa?
Comment by Falex — September 28, 2009 @ 6:35 pm
“Então não passa o PS a queixar-se da herança do PSD e vice-versa?”
Queixar-se-á o PSD da herança PS-CDS, ou PS-BE, ou PS-PCP ou PS-BE-PCP ou PS-CDS-BE-PCP.
Vivemos num país de queixinhas.
Comment by rui fonseca — September 28, 2009 @ 9:28 pm
Rui, não percebo onde quer chegar. Não lhe parece que depois de o PS ter governado durante mais de 10 anos dos últimos 13, sendo os últimos 4 anos e meio em maioria absoluta, soará um pouco ridículo se continuar a queixar-se da pesada herança que recebeu?
Comment by LA-C — September 28, 2009 @ 10:25 pm
“soará um pouco ridículo se continuar a queixar-se da pesada herança que recebeu?”
Soará muito.
Mas não foi esse o ponto que quis contrapor.
O FAlexandre, se bem entendi, defende que um governo PS-PSD tiraria clareza à análise dos resultados das políticas do (ainda) actual governo.
E o que a mim me parece é que, não sendo agora possível um Governo PS sem o apoio de qualquer dos outros partidos, a clareza dos resultados ficará, pela perspectiva de FAlexandre, identicamente prejudicada. Dito de outro modo, não vejo que o apoio parlamentar ou a coligação tornem mais ou menos claras as leituras consoante os “consortes” escolhidos pelo Governo.
Imaginem que o PS faz uma coligação com o CDS. Teríamos um governo PS-CDS (tão improvável neste momento com um PS-PSD).
Não seria igualmente legítimo escrever “… E é assim que se aprofunda a democracia e se encontram Governos melhores.
Claro que esta avaliação só será possível se não houver um Governo PS-CDS)”?
Comment by rui fonseca — September 29, 2009 @ 8:49 am
Não acredito que o CDS aceitasse participar numa coligação governamental com o PS. Qualquer acordo entre o PS e o PSD só vai fazer crescer o CDS e o BE.
Comment by Falex — September 29, 2009 @ 11:40 am
“Não acredito que o CDS aceitasse participar numa coligação governamental com o PS. Qualquer acordo entre o PS e o PSD só vai fazer crescer o CDS e o BE.”
Mas se uma coligação entre o PS e o CDS é inacreditável e um acordo entre o PS e o PSD só favoreceria os extremos, que solução resta para viabilizar uma via governativa para o país?
PS-BE-PCP?
Entrou a democracia num impasse?
Comment by rui fonseca — September 29, 2009 @ 11:52 am
«Qualquer acordo entre o PS e o PSD só vai fazer crescer o CDS e o BE.»
Presumo que o Fernando Alexandre está a usar os excelentes modelos de previsão política do Luís para tirar esta conclusão…
Obrigado.
Comment by F — September 29, 2009 @ 11:56 am
Estou mesmo a cingir-me ao bom senso na elaboração das minhas considerações. Mas não faltam razões para excluir uma coligação do bloco central. para mim, a que apresentei no meu textinho é só mais uma.
Comment by Falex — September 29, 2009 @ 2:49 pm
Fernando, obrigado por nos explicar as falas de José Sócrates!
Comment by Alex — October 5, 2009 @ 7:25 pm