O Secretário-Geral do Partido Socialista considerou extraordinária a vitória de ontem nas eleições legislativas. As razões substantivas para esta avaliação foram duas: o ímpeto reformista do seu Governo, e a oposição que gerou, e a crise financeira e económica global que teve de enfrentar no último ano.


Eu diria que o principal efeito da crise internacional nos resultados desta eleição foi ter aumentado a tradicional opacidade na avaliação dos Governos de Portugal. Neste caso impediu mesmo a avaliação do ímpeto reformista do Governo PS. No entanto, depois de passar a onda que varreu a economia mundial vamos poder ver o estado em que se encontra a economia portuguesa e avaliar a qualidade das reformas realizadas. O próximo Governo vai receber os louros ou as críticas da acção do Governo anterior – não haverá espaço para a apropriação indevida de bons resultados ou para escamotear responsabilidades.

Ou seja, o que esta vitória tem de extraordinário é que por uma vez, em muito anos e depois das fugas de António Guterres e Durão Barroso que lançaram a confusão no país político, vai ser possível avaliar a Governação de Portugal. E é assim que se aprofunda a democracia e se encontram Governos melhores.

Claro que esta avaliação só será possível se não houver um Governo de bloco central.