Muito se tem falado sobre como a crise internacional tem atingido Portugal. Muitos argumentam que Portugal tem resistido bem à crise. Dizem que que a taxa de crescimento do PIB real, cerca de 3,7% negativos, não foi tão grave como noutros países, como por exemplo a Irlanda, que terá uma queda de 9%.
Estes números são relevantes, claro, e é bom saber que Portugal tem revelado alguma capacidade para resistir à crise. Mas também me parece que estes números não dizem tudo. Não basta ver quanto caiu o PIB no último ano, é também necessário saber quanto cresceu nos anteriores. Afinal de contas, se um país tem crescido a uma taxa anual média de 10%, uma queda de 10% traduz-se num recuo de apenas um ano, já se um país tem crescido à taxa média de 1% ao ano, uma queda de 5% no PIB representa quase 5 anos de atraso. Mais concretamente, se é verdade que Portugal caiu menos do que a Roménia (3,7 contra 4% negativos), também é verdade que a Roménia teve em 2008 um crescimento de 7%. Ou seja A Roménia recuou pouco mais de meia dúzia de meses.
Assim, lembrei-me de calcular um outro indicador. Usando os dados disponíveis para o PIB real, vejo quando foi a primeira vez que cada país teve um PIB trimestral igual ou superior ao do último trimestre. Isto dá-nos uma medida de quantos anos recuou cada país. Usando os dados da OCDE para alguns países obtemos o gráfico exposto. Como se vê, neste Índice Caranguejo, a Itália lidera, mas Portugal não está bem colocado.

Gostei dessa do caranguejo, Luís: é esta a careca do governo PS, careca essa a que ninguém tira o capachinho! Como economista MF Leite desse ser fraquita, pprque nunca a oiço dizer coisas como esta que têm um impacto que todos somos capazes de entender. Mesmo Louçã, pá, é difícil de entender por um leigo como eu, estás a ver? Índice carangueijo, a ganchola que levanta o capachinho de Sócrates deixando uma carecada de problemas a céu aberto!
Comment by João Campos — September 24, 2009 @ 3:24 pm
Está na sua mão: Não vote centrão.
Comment by José Duarte — September 24, 2009 @ 6:11 pm
Está excelente, mas gostava de colocar uma pequena hipótese de alargamento da análise.
Seria possível converter estes valores para PIB per capita introduzindo a inflação para assim termos uma noção do recuo real do poder de compra?
Mas de facto está muito bom e o título não podia ser mais adequado
Comment by André Melo — September 24, 2009 @ 6:37 pm
Uma questão não menos importante, e relacionada com o texto do Luís, é a de saber como vai ser a recuperação nestes países: será que as trajectórias dos últimos anos vão ser retomadas? Se for assim, também não vamos ficar muito bem na figura.
Comment by Falex — September 25, 2009 @ 10:36 am
André, não me parece que a conversão para valores per capita vá alterar grandemente as concusões. Afinal de contas as flutuações na população não são assim tão extraordinárias (além de que me parece difícil de medir o tamanho da população trimestralmente).
Quanto a ter o PIB nominal e a inflação, não me parece que isso tenha grande interesse. Para a taxa de crescimento do PIB nominal ter significado tem de se descontar a inflação, mas para fazer isso, usa-se a taxa de crescimento do PIB real.
Fernando, pois…
Comment by LA-C — September 25, 2009 @ 12:36 pm
Se bem percebi o post,em Portugal o Produto de 2008 foi semelhante ao de 2004. Não é grave. Em 2004 já se vivia bastante bem.
Comment by Waldek — September 25, 2009 @ 4:03 pm
Excelente
Comment by Tarzan — September 25, 2009 @ 4:14 pm
Isto é, e se percebi bem: apesar da crise mundial, este governo conseguiu manter as coisas tal como foram deixadas pelo anterior governo, estou correcto?
Comment by Marco — September 25, 2009 @ 4:35 pm
Exactamento Marco, este governo é um espectáculo. Os outros países têm azar por não terem um governo tão espectacular.
Comment by LA-C — September 25, 2009 @ 4:38 pm
Eu não disse isso, nem nisso acredito (aliás, tenho para mim que em democracia não “governos espectaculares”, apenas uns menos maus que outros).
O sarcasmo era dispensável, pensei que a minha dúvida fosse válida. Se calhar não, mas o que sei eu…
Comment by Marco — September 25, 2009 @ 4:52 pm
Sarcasmo, qual sarcasmo? José Sócrates é fantástico. Sorte a nossa que ele tenha tempo para nos liderar e segurar o leme nestas alturas de tempestade.
Comment by LA-C — September 25, 2009 @ 5:02 pm
«Uma questão não menos importante, e relacionada com o texto do Luís, é a de saber como vai ser a recuperação nestes países: será que as trajectórias dos últimos anos vão ser retomadas?»
A OCDE publicou há alguns meses projecções de longo prazo (2017) que colocavam Portugal a crescer uma taxa média anual de 1,5%. O FMI também tem valores semelhantes.
Apesar de as projecções a esta distância valerem o que valem, há um traço comum em todas: Portugal fica sempre na cauda da Europa.
Comment by pedro romano — September 25, 2009 @ 8:58 pm
e se fizermos a mesma analise para o emprego ainda e melhor… e como diz e bem o Luis:
“José Sócrates é fantástico. Sorte a nossa que ele tenha tempo para nos liderar e segurar o leme nestas alturas de tempestade. ”
Deus o guarde! Mas longe!
Comment by Ricardo — September 26, 2009 @ 5:26 am
“A OCDE publicou há alguns meses projecções de longo prazo (2017) que colocavam Portugal a crescer uma taxa média anual de 1,5%.”
Confesso que sou extremamente céptico quanto às capacidades preditivas de longo prazo quer de modelos económicos quer de econométricos. Nem nas previsões dos meus modelos acredito, quanto mais nas previsões de uns tipos quaisquer da OCDE que não conheço de lado nenhum.
Comment by LA-C — September 26, 2009 @ 10:56 am
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Deviamos por ocarnguejo na bandeira, o simbolo deste pais desgracado que somos! E concordo igualmente que previsoes de bola de cristal que nos fazem levantar cabeca nunca se devem levar a serio: Ganhem juizo, gajos da OCE
Comment by Albano Duarte Albernaz (Belfast) — October 3, 2009 @ 3:08 pm