A ‘asfixia democrática’ é um dos temas fortes do PSD nesta campanha eleitoral. Os defensores da tese das dificuldades de respiração na sociedade portuguesa têm apontado a comunicação social (de facto, só a falta de oxigénio poderá ajudar a explicar o delírio que invadiu as páginas dos dois principais jornais diários nos últimos tempos) e o sector público (por exemplo, na educação e na saúde) como as zonas do país com o ar mais rarefeito. O diagnóstico parece-me acertado. No entanto, como referiu Henrique Raposo na sua crónica do Expresso, as causas da asfixia e das necessárias medidas de ventilação não têm sido devidamente discutidas.


A causa da asfixia é o medo, que, como se sabe, pode dificultar o processo respiratório e uma adequada oxigenação do cérebro. A causa primacial do medo é a estagnação em que a economia portuguesa se encontra no início do século XXI e a ausência de esperança na sua recuperação futura. Com a economia estagnada as oportunidades e as alternativas de emprego diminuem: por exemplo, em 2000, cerca de 25% dos trabalhadores por conta de outrem mudaram de emprego (um valor máximo em muitos anos), contra apenas 9% em 2004. A ausência de alternativas fragiliza a posição dos trabalhadores. Outro factor que acentua a dependência dos trabalhadores é a ausência de concorrência em muitos sectores da economia portuguesa: o Governo avançou com uma maior flexibilização do mercado de trabalho, mas esta não foi acompanhada por uma maior liberalização do mercado do produto, que poderia aumentar as possibilidades de mudança de emprego e, assim, mais liberdade. Finalmente, o Estado continua muito omnipresente na economia portuguesa, seja através de encomendas, subsídios, participações em empresas, como acontece com a ‘golden share’ na PT (como menciona Henrique Raposo) ou ainda com as participações da CGD em empresas fora da ordem da racionalidade económica.

Concluindo, tenho pena que o PSD não fale mais sobre o que vai fazer em relação a estas questões. Porque o medo tolhe e não faz crescer. E de voltar a crescer é o que precisamos. Ou seja, tenho medo que estejamos a entrar num ciclo vicioso de menos crescimento, mais medo, menos crescimento, mais medo…

O problema do PS é que nem sequer quer reconhecer que o medo habita a sociedade portuguesa.