A génese da história económica em Portugal
O Professor Joaquim Romero de Magalhães da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra dissertou na sua oração de sapiência, que abriu o ano lectivo de 2009/2010, sobre tardio estabelecimento da história económica em Portugal. A censura do poder político e, sobretudo, da academia, os riscos de citar autores malditos como António Sérgio (fiquei a saber que na universidade só conseguiu ensinar em Santiago de Compostela) ou de pôr em causa o papel e relevância das virtudes atribuídas (como a castidade) ao Infante D. Henrique nos Descobrimentos portugueses, ilustram bem as dificuldades do estabelecimento da história económica portuguesa. Uma via mais segura para alcançar a promoção na vida académica parece ter sido a opção pelo estudo dos períodos mais antigos. Apenas recentemente, isto é, após o 25 de Abril, o estudo dos períodos históricos mais relevantes para perceber a economia portuguesa do presente foi iniciado e parece estar a tornar-se mais importante.
Como seu ex-aluno, foi para mim um prazer voltar a ler o Professor Romero de Magalhães.

Diria que a história económica portuguesa é inseparável da história da cultura e da arte e do modo de ser e estar português ao longo dos séculos. O português retratado por Eça ou por Carlos Malheiro Dias, por exemplo, pouco difere do actual.
Comment by Propranolol — September 18, 2009 @ 2:31 pm
“António Sérgio (fiquei a saber que na universidade só conseguiu ensinar em Santiago de Compostela) ”
Pois bem, parece que aqui Franco foi menos tacanho que Salazar. Ou tavez a censura viesse mais da academia que do poder do ditador…
Comment by Lardozo — September 18, 2009 @ 3:57 pm
Sem dúvida Lardozo: mais conservadora que a academia só mesmo a igreja católica.
Comment by Falex — September 19, 2009 @ 11:22 am