O Professor Joaquim Romero de Magalhães da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra dissertou na sua oração de sapiência, que abriu o ano lectivo de 2009/2010, sobre tardio estabelecimento da história económica em Portugal. A censura do poder político e, sobretudo, da academia, os riscos de citar autores malditos como António Sérgio (fiquei a saber que na universidade só conseguiu ensinar em Santiago de Compostela) ou de pôr em causa o papel e relevância das virtudes atribuídas (como a castidade) ao Infante D. Henrique nos Descobrimentos portugueses, ilustram bem as dificuldades do estabelecimento da história económica portuguesa. Uma via mais segura para alcançar a promoção na vida académica parece ter sido a opção pelo estudo dos períodos mais antigos. Apenas recentemente, isto é, após o 25 de Abril, o estudo dos períodos históricos mais relevantes para perceber a economia portuguesa do presente foi iniciado e parece estar a tornar-se mais importante.

Como seu ex-aluno, foi para mim um prazer voltar a ler o Professor Romero de Magalhães.