Confesso que me emocionei com o discurso de António Barreto no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Não deixa de parecer paradoxal que alguém que apela a menos palavras e mais exemplo nos emocione com um discurso. As palavras dos nossos políticos, e das classes dirigentes em geral, têm de facto vindo a perder significado e são por isso cada vez menos ouvidas e lidas.

O significado das palavras advém da sua ligação ao real. Também os exemplos a que António Barreto apela só podem emergir do real. Mas se os exemplos existem, isto é, são reais, então as palavras, quando adequadamente escolhidas, têm um significado e podem ser importantes. 

António Barreto pede-nos que encontremos um caminho (como diria Vítor Bento) por contágio dos bons exemplos. O que a epidemiologia nos ensina é que a taxa de propagação acelera depois de atingido um certo nível do elemento de contágio*. É possível que estejamos próximos daquele nível crítico, mas não acredito que já o tenhamos atingido. Até lá talvez seja importante mantermos também alguma esperança na eficácia das palavras (ou, por outras palavras, na politica).

* Tecnicamente este processo pode ser representado por uma função logística.