O desporto e a formação integral dos indivíduos
Os benefícios do desporto para a saúde são os mais comummente referidos, mas não são menores os que resultam para o espírito. Os meus filhos desde muito novos praticaram desporto (natação, ténis, judo e voleibol) – apesar da minha crónica falta de tempo, ir levá-los e buscá-los aos treinos e jogos teve sempre prioridade na minha agenda.
Sempre acreditei que a prática de desportos colectivos, sobretudo os amadores, é essencial para o desenvolvimento integral dos indivíduos. Em primeiro lugar, a competição por um lugar na equipa e pela vitória no confronto com a equipa adversária pode promover o respeito pelos colegas de equipa e pelos adversários, bem como a valorização do mérito. A consciência de que conquistar um lugar na equipa, aperfeiçoar os movimentos técnicos e tácticos e vencer o adversário só são possíveis com perseverança e muita capacidade de sacrifício são outras duas qualidades que podem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas com a prática do desporto.
Finalmente, aprender a ser competitivo é outra importante qualidade que o desporto pode ajudar a desenvolver. Nas crianças que já têm uma vontade inata de vencer, o desporto pode ensiná-las a tornar essa característica numa imensa qualidade. Nos desportos colectivos aprende-se que as vitórias são de uma equipa. E em todos os desportos, mais tarde ou mais cedo, a derrota acontece e daí pode resultar um novo significado para a vitória. Para os menos ambiciosos a disciplina do treino e o confronto regular com um adversário pode fazer crescer o desejo de vitória e daí pode surgir um novo sentido para o esforço de aperfeiçoamento individual (a maior das ambições). Por todas estas razões a prática de desportos amadores pode contribuir para tornar os seus praticantes mais habilitados a reagir com todas as suas capacidades quando expostos a situações de pressão (a melhor definição que eu encontro para o que é ser competitivo).
Todas estas qualidades (e outras mais básicas como a disciplina e o cumprimento de horários) são desenvolvidas nas equipas de voleibol da EB 2 3 de Lamaçães e do S. C. Braga pela professora Guilhermina Rodrigues e pelo professor Carlos Dias – as equipas por eles dirigidas são exemplos de grande profissionalismo (e de generosidade para as atletas). O voleibol é o desporto mais colectivo dos desportos colectivos. No voleibol, ao contrário do que pode acontecer noutros desportos, os jogos não podem ser resolvidos por um jogador: a atacante não faz ponto se a passadora não colocar bem a bola e a qualidade do passe depende de uma boa recepção. O voleibol ajuda a compreender um princípio muito importante para o sucesso (uma palavra que muitos portugueses bem instalados não apreciam): ser competitivo, sabendo trabalhar em grupo. Como diz a minha filha Mariana, mais uma vez campeã nacional pelo S. C. de Braga, “o voleibol é um jogo colectivo em que só se pode ganhar se cada uma das jogadoras der o seu máximo”.
No Domingo passado, na Trofa, num pavilhão completamente cheio e mais de 35 graus de temperatura, assisti à fase final do campeonato nacional de voleibol na categoria de juvenis femininos e senti mais uma vez que este país tem futuro.

Curioso, uma das questões de preparação para um exame que realizei este sábado fazia a pergunta em termos que me levaram a responder exactamente com os mesmo argumentos.
Quero apenas discordar com o epíteto de “desporto mais colectivo dos desportos colectivos”. Um jogador de voleibol pode fazer tanto a diferença sozinha num bloqueio bem feito na rede, como um jogador de andebol pode fazer numa jogada em que corre o campo todo com a bola, i.e são situações pontuais, sendo que o resto do jogo, tanto num desporto como no outro, depende da circulação de bola, do trabalho de equipa. O andebol tem a agravante de ter períodos significativos de tempo em que a equipa poderá jogar em inferioridade numérica, aumentando indespensavelmente o grau de espírito de entreajuda e a capacidade de sacrifício de todos em função do colectivo. Mas isto era só para puxar a brasa à minha sardinha.
O que queria realmente dizer que em ambos os campos, estamos perante desportos com uma presença significativa na cidade de Braga, com grande sucesso, especialmente nas camadas jovens (mesmo na área de desporto-escolar), e que ainda assim às vezes carecem do apoio, divulgação e carinho que outros desportos (leia-se futebol) têm, mesmo que nunca apresentado resultados tão positivos.
PS - Para os que não me conhecem eu faltei a uma aula extremamente importante na última semana para ver a final da champions. Só para não pensarem que isto é um comment de um terinho (gosto desta tradução de geek) qualquer com aversão a futebol.
Comment by Kordny — June 3, 2009 @ 12:46 pm
O meu argumento para o voleibol ser o mais colectivo de todos os desportos colectivos é que no volei um jogador não pode agarrar sozinho na bola e fazer ponto como no futebol, no basket ou no andebol (mas aceito que o bloco e o serviço podem ser excepções); o desempenho de um jogador depende mais dos outros.
Apesar dos casos de sucesso no voleibol e no andebol também acho que dada a quantidade de jovens que vivem nesta cidade e à volta, braga podia ter mais campeões. Talvez os responsáveis da cidade e dos outros desportos devessem olhar mais para os exemplos de sucesso.
Comment by Falex — June 3, 2009 @ 4:10 pm
Parabéns à campeã e ao pai babado.
Comment by LA-C — June 3, 2009 @ 8:11 pm
E, em relação ao post propriamente dito, além das vantagens que o Fernando e o kordny apontaram, há que não esquecer que praticando desporto um tipo fica menos gordo e balofo. Vou ver se começo a praticar desporto com regularidade.
Comment by LA-C — June 4, 2009 @ 8:48 am
Grande Mariana!
Comment by vasco gabriel — June 4, 2009 @ 9:18 am
Obrigado Vasco (estou em falta contigo, mas logo que haja notícias da EL voltamos a falar; por agora ando muito ocupado com outros projectos ).
Comment by Falex — June 4, 2009 @ 10:07 am
O desporto de equipe, como o voleibol, representa o triunfo do colectivo que tem que ir alem e vencer os instintos individuais. Parabéns, Mariana e Fernando!
Comment by Lardozo — June 4, 2009 @ 1:35 pm
Obrigado Lardoso.
Comment by Falex — June 4, 2009 @ 2:31 pm
Hoje já fiz exercício: fui a correr para as aulas que estava ligeiramente atrasado.
Comment by LA-C — June 4, 2009 @ 2:34 pm
PEDITORIO URGENTE PARA CAVACO SILVA
EXMOS CIDADAOS PORTUGUESES
VENHO AQUI PROMOVER UM PEDITORIO URGENTE PARA SALVAR DA BANCA-ROTA NOSSO MAIS ILUSTRE REPRESENTANTE.
SEGUNDO O PROPRIO ( PRESIDENTE CAVACO SILVA ), ELE ESTA COM GRAVES PROBLEMAS FINANCEIROS, DEVIDO AS APLICACOES FINANCEIRAS QUE TEM EM BANCOS PRIVADOS QUE FORAM MUITO DESVALORIZADAS.
TEM PERDIDO MUITO DINHEIRO ” COITADINHO “. FIQUEI REALMENTE SENSIBILIZADO COM SUA SITUACAO FINANCEIRA, E TAMBEM SEU ESTADO DE SAUDE.
“ SO PARA LEMBRAR “, O SR. SILVA TEM TRES REFORMAS CHORUDAS PAGAS PELOS OTARIOS DOS CONTRIBUINTES PORTUGUESES.
PORTANTO ACHO MAIS QUE JUSTO, PEDIR E ORGANIZAR, UM PEDITORIO PARA O SR. SILVA, QUE E VITIMA DOS MALVADOS BANQUEIROS.
MINHA CONTRIBUICAO SERA DE 1 CENTIMO, VALOR MAIS QUE SUFICIENTE PARA LHE COMPRAR SUPOSITORIOS, E ENFIA-LOS NO DEVIDO LUGAR DE SUA EXCELENCIA, O SR. PRESIDENTE DA REPUBLICA PORTUGUESA. SE PRECISAR DE AJUDA PARA COLOCA-LOS TEREI MUITO PRAZER EM COLABORAR, APESAR DE MINHA ABSOLUTA FALTA DE EXPERIENCIA NA UTILIZACAO DE SUPOSITORIOS E OUTRAS COISAS.
SOMENTE QUERO O BEM ESTAR DE SUA EXCELENCIA ……………..RSRSRSRSRS
MAS PODEMOS COMPRAR SUPOSITORIOS DAS CALDAS DA RAINHA, PORQUE DEVEM FAZER EFEITO MAIS RAPIDAMENTE, APESAR DE PODER CAUSAR AO DIGNISSIMO PRESIDENTE CAVACO SILVA ALGUM INCOMODO…………….. RSRSRSRSRS
PORTANTO CAROS PORTUGUESES…………….. CONTRIBUAM — MANDEM CHEQUES DE 1 CENTIMO PARA O PALACIO DE BELEM EM LISBOA, PARA AJUDAR O DIGNISSIMO PRESIDENTE DA REPUBLICA PORTUGUESA A SAIR DA GRAVE SITUACAO FINANCEIRA QUE SE ENCONTRA, E TER DINHEIRO PARA COMPRAR SUPOSITORIOS, DEVEMOS TODOS AJUDA-LO…………….. E UM DEVER CIVICO E PATRIOTICO
HA, JA ME ESQUECIA…..
ABSTENCAO EM FORCA NAS ELEICOES EUROPEIAS / LEGISLATIVAS /AUTARQUICAS.
UM ABRACO DEMOCRATICO.
RAMIRO LOPES ANDRADE
ramirolopesandrade.blogspot.com
Comment by RAMIRO LOPES ANDRADE — June 4, 2009 @ 5:23 pm
Eu tambem dou 1 centimo para este peditorio… Boa Ramiro!
Comment by Lardozo — June 4, 2009 @ 7:50 pm
Numa pequena vila em que nada de especial acontece, a crise sente-se. Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dividas.
Subitamente, um rico turista entra num pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de 100€ sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se não lhe agradar.
O dono do hotel pega na nota de 100€ e corre ao fornecedor de carne a quem deve 100€.
O talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões para pagar os 100€ que lhe devia há algum tempo. Este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne que por sua vez corre para entregar is 100€ a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito.
Esta recebe os 100€ e corre ao hotel a quem devia 100€ pela utilização casual de quartos à hora para atender os clientes.
Neste momento o turista desce a recepção e iforma o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, predende desistir e pede a devolução do dinheiro. Recebe e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido. Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e agora a população desta vila já encara o futuro com optimismo.
Será assim tão dificil resolver esta crise?
Comment by j_ — June 4, 2009 @ 8:56 pm
«(…) para entregar is 100€ a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os 100€ e corre ao hotel a quem devia 100€ pela utilização casual de quartos à hora para atender os clientes.»
Se a prostituta recebe 100€ pelo serviço e paga os mesmos 100€ pelo aluguer do quarto, não lucra com a actividade. Provavelmente até tem prejuízo, já que tem outros custos (maquilhagem, etc.). A história não faz sentido.
A não ser, claro, que seja apenas uma fábula engraçada para mostrar como a eventual subsidiação da prostituição poderia ser mais eficiente na estabilização do sistema financeiro do que as acções do BCE…
Comment by pedro romano — June 5, 2009 @ 12:19 pm
Em resposta ao Falex:
Eu não estava a defender que se priviligiassem uns desportos em detrimento de outros, até porque a escolhas das escolas, no que toca ao desporto escolar, depende muito dos professores que têm disponíveis. O Paulo Faria, actual treinador da equipa senior de andebol do Sporting, 3º classificado da Liga de Andebol este ano, foi meu treinador na Carlos Amarante há uns anos atrás. Não faria sentido pedir-lhe que começasse uma equipa de outro desporto escolar.
Mas em qualquer dos casos, existem casos muito interessantes no desporto escolar em Braga, com seguimento para o desporto de alta competição, desde o andebol da Carlos Amarante, Alberto Sampaio e Maximinos, ao voleibol em Lamaçães, passando pelo basket na André Soares. É pena estes miúdos, quando deixarem de o ser, não terem instituições que os possam ajudar a tornar-se campeões em parte, por falta de apoios.
PS: Existem também resultados muito interessantes de atletas bracarenses na área das artes-marciais.
Comment by Kordny — June 8, 2009 @ 12:02 am
Se num fosse o desporto acho que Ronaldo nunca chegava a ser Ronaldo! E pode ser essa a saida para este Portugal corrupto e endividado! Concordo com este blog cada vez mais!
Comment by Albano Duarte Albernaz (Belfast) — June 14, 2009 @ 12:44 pm
Mas parece-me que as equipas de voleibol feminino portuguesas já têm bem pouco lugar para as portuguesas, dado que estão a comprar maciçamente jogadoras brasileiras de muito boa qualidade.
Aqui o Instituto Superior Técnico tinha uma equipa de voleibol feminino que desceu de escalão porque não conseguia competir com equipas madeirenses e do Norte de Portugal, que estavam cheias de brasileiras e outras estrangeiras pagas para virem jogar para Portugal. O Técnico não tem dinheiro (isto é: não tem uma autarquia ou um governo regional por detrás) para andar a pagar jogadoras profissionais.
Pergunto como podem as portuguesas chegar longe no desporto se as equipas preferem, para ganhar o campeonato, comprar jogadoras estrangeiras.
Comment by Luís Lavoura — June 15, 2009 @ 6:01 pm
Luís,
é verdade o que diz, mas também há efeitos benéficos de termos jogadoras estrangeiras mais competitivas e tecnicamente superiores. Para além da externalidade para as outras jogadoras, há o efeito para a popularidade da modalidade.
O Trofa que seguiu a estratégia de contratar brasileiras está neste momento a apostar na formacão.
Comment by Falex — June 15, 2009 @ 7:17 pm
Falex,
esses efeitos benéficos existem, mas são contrabalançados por efeitos maléficos.
Por exemplo, a popularidade da modalidade aqui no Instituto Superior Técnico decresceu quando a equipa desceu de escalão por efeito de não ter jogadoras profissionais.
O facto de se poder importar jogadoras brasileiras implica que não seja dada atenção à progressão das jogadoras portuguesas. Em vez de termos um sistema em que se premeia e se promove as melhores, temos um sistema em que apenas se importa jogadoras.
Eu diria que, nem 8 nem 80. E eu vi jogar aqui no Técnico equipas de voleibol feminino, vindas como eu disse da Madeira ou do Norte, em que mais de metade das jogadoras eram estrangeiras e estavam a um nível muito acima das de cá. Assim, a margem de progressão das nacionais fica esmagada.
Comment by Luís Lavoura — June 16, 2009 @ 5:21 pm
Concordo.
Comment by Falex — June 17, 2009 @ 1:33 pm