No dia das provas de aferição de matemática dos 4º e 6º anos um cartoon eloquente sobre a mudança de atitude dos pais em relação à educação (eu próprio como director da licenciatura em Economia da UM já recebi emails e telefonemas de pais perguntando se não estaríamos a ser demasiado exigentes com os alunos). A adaptação ao caso português obrigaria a colocar a Sra. Ministra da Educação do lado dos pais.
Fernando AlexandreMay 20, 2009 10:00 am
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“já recebi emails e telefonemas de pais perguntando se não estaríamos a ser demasiado exigentes com os alunos”
De facto (mas não de fato), isso deve ser do mais ridiculo que existe… Os pais dos alunos do ensino secundario estão muito mais exigentes hoje do que em 1969. Nessa altura, por exemplo em Espanha, a maior parte dos rapazes e raparigas ia trabalhar para a recem-criado milagre industrial de C. Blanco que precisava de trabalho barato, sem olhar a ensino. Pagava bem, pensavan os pais desse tempo, sendo barato comparado com o resto da EFTA, claro.
Hoje julgo que pode ter elementos bons esse exagero dos pais: demonstra que pelo menos existe empenho em que os filhos vivam melhor, mesmo que apenas olhem a notas, sem entender, sem perceber, que o que deveria contar deve ser aprender, não passar.
Mas na Universidade, fiquei surpreso com a tua estoria. Um amigo do mestrado do ISCTE, que deu aulas na Universidade do Algarve, disse-me que a pressão dos alunos (talvez mesmo dos pais como dizes) para passar era algo de absolutamente inaceitavel. Talvez nas universidades de Lisboa esses casos tenham menor expressão dada a maior urbanidade dos estudantes e dos pais destes. Mas não sou pessimista, Fernando: com pessoal formado nos EUA e nas melhores Universdades da Europa como o que a Universidade de Minho tem, numa vintena de anos vai ser possivel re-educar, re-converter os espiritos mais tacanhos e regionalistas ao que de facto uma universidade deve ser. E pessoas como tu, que diriges uma licenciatura nesses moldes podem dizer o que muitos professores em Lisboa nunca podem: podem dizer que educaram alguem, que venceram uma batalha nesta guerra de ideias!
Comment by Lardozo — May 20, 2009 @ 1:47 pm
Estou a ver onde queres chegar, Lordozo mas andas enganado. Em LX e Porto é que estão as verdadeiras pressões sobre docentes universitários! E olha que elas vêm de cima: filhos de profs, filhos de gajos influentes… Devem ser mais as cunhas lá do que em Braga, aposto! E é bem mais grave um ministro tentar meter a filha na universidade por cunha, ou um filho de um prof receber notas que não merece, do que um gajo qualquer, com a quarta classe mal tirada, julgar que pode ligar para o director de um departamento de Economia e pedinchar notas para o filho. Mas concordo com o Fernando: isto está feio…
Comment by João Campos — May 20, 2009 @ 2:37 pm
Penso que aqui no nosso curso de Economia, as queixas não são tanto em relação às notas, mas sim em relação à quantidade de trabalho que é exigida dos alunos.
Comment by LA-C — May 20, 2009 @ 2:48 pm
Nunca ninguém fez comigo o que o João Campos refere; os pais que me contactaram só referiram o excesso de trabalho (algo que é certamente corroborado pela maioria dos professores em universidades onde as novas formas de avaliação e de ensino implementadas no seguimento de Bolonha).
Comment by Anonymous — May 20, 2009 @ 5:52 pm
Claro, Fernando! Eu deixo claro que não é em Braga que essa sujeira se passa. Porto, Lisboa e Coimbra. Mas coragem, pá não te deixes desmoralizar…
Comment by João Campos — May 21, 2009 @ 7:35 pm
Aqui na Madeira não telefonam. Vão para os jornais. Locais, claro está.
Comment by V. — May 23, 2009 @ 1:03 am
Indo ao site do GAVE,é de estranhar que os pais tenham motivos para ficarem preocupados com as provas de aferição do 4º ano…
Comment by sardanisca — May 24, 2009 @ 12:55 pm