In illo tempore, quando eu era ainda estudante, chamava-se absoluto simples ao absoluto sintético, o que não traz nenhum mal à gramática, porque, no fundo, ambos significam o mesmo. Assim ou assado, isto é, tanto um como o outro, terminam da mesma forma: -íssimo, -imo, -rimo: inteligentíssimo, facílimo, libérrimo, consoante o adjectivo: o João é um aluno inteligentíssimo; o exame de Matemática foi facílimo, sorte de maná caído do céu, que beneficiou os alunos e nutriu as estatísticas do Ministério da Educação; é uma rapariga libérrima e acérrima defensora do amor livre (acérrimo: muito acre, fortíssimo, pertinaz, obstinado)! O adjectivo sintético diz-nos logo o motivo por que se chama superlativo sintético – é reduzido a uma palavra, no caso um adjectivo elevado ao seu mais alto grau. Em relação ao superlativo absoluto analítico, ao invés, necessita de um advérbio intensificador (muito, bas­tante, bem, assaz, imensamente – daí o ser analítico) – advérbio que permanece invariável (atenção a esta regra). O aluno é muito (muitíssimo) inteligente, os alunos são muito (muitíssimo) inteligentes. A professora chegou à sala de aula e disse para os alunos: trago-vos os exercícios corrigidos; há muito boas notas, poderia dizer também: há notas muito boas! Nunca muitas boas notas. Obrigado pela atenção.