Pensava que no século passado tinha ficado provada a impossibilidade da previsão nas ciências sociais. A argumentação é simples: o avanço das sociedades depende dos avanços do conhecimento e estes, por definição, não são previsíveis (para uma prova ver The Logic of Scientific Discovery de Karl Popper).

Em relação à actual crise, vários economistas, pelo menos desde 1999 (ver textos de Sephen Cecchetti, que foi vice-governador da Reserva Federal de Nova Iorque, e co-autores), chamaram a atenção para os riscos de uma crise financeira (é uma forma de previsão, mas não no sentido que tem sido referido fora da profissão) e acções a tomar por parte dos reguladores.  

Um trecho retirado do livro de 2005 daquele autor Money, Banking and Financial Markets (pp. 344-346)

“In a sense, Fannie Mae and Freddie Mac are victims of their own success. Managers took the government’s guarantees, borrowed cheaply, and created an enormous mortgage market that has encouraged home ownership. In other words, they achieved Crongress’s goal. The question we need to ask today is whether these corporations have grown so large that they threaten the stability of the financial system. Many people have argued that these government-chartered institutions should be required to hold capital in the same proportion as a commercial bank and that the US government should explicitly distance itself from them. Whether either of these recommendations is implemented will depend more on politics than on economics.”

O desacordo em relação à crise esteve essencialmente na sua gravidade e duração. Como já referi em postes anteriores, a resiliência que a economia americana mostrou noutras crises financeiras, e em relação ao 11 de Setembro, contribuiu para que vencessem os que acreditavam num ajustamento benigno das economias.