Continuo com o meu périplo pela moderna Moscovo à procura de casa para que a família esteja cómoda pelo menos durante os próximos 3 anos. O mais interessante de tudo isto é descobrir algumas especificidades que nos soam bastante estranhas.

Existem dois tipos de edifícios no centro de Moscovo, os da era pré-revolucionária (com mais de 100 anos, portanto) e os da era estalinista (quase todos construídos no pós-guerra, fundamentalmente construídos nos anos 50). A principal diferença entre os dois, para além da arquitectura específica de cada um, reside no facto dos primeiros serem, normalmente apartamentos maiores e mais amplos, por oposição aos da era comunista, mais pensados para albergar gente em pouco espaço e da mesma maneira (quem vê um apartamento destes vê todos, porque são todos iguais).

Ambos têm aquecimento central e este “central” não é o mesmo a que estamos habituados. “Central” significa que está ligado a uma rede pública de aquecimento que está permanentemente ligada de Outubro até Abril, não existem termóstatos nem outro tipo de reguladores. Esta mesma água é a que é utilizada como água quente (para o banho por exemplo), pelo que muita gente, de Maio a Setembro, pura e simplesmente não tem água quente. Felizmente que existe essa maravilha da tecnologia ocidental chamada esquentador (se calhar produzido ali perto de Aveiro) e que alguns já descobriram para suprir essa falta, pelo menos para os banhos e para cozinhar.

Outra característica peculiar tem a ver com o facto de a água ser paga em regime de fee fixo, não há cá metros nem bandeiradas, o valor é fixo por casa e pronto. Só a electricidade é paga ao “kilovátio”. Escusado será dizer que não há garagens em nenhum dos edifícios referidos, pelo que é uma espécie de salve-se quem puder quanto a estacionamento.

Nuno Pinto