Luís Aguiar-ConrariaJune 10, 2008 11:32 am
Dia 10 de Junho, o dia da Raça
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Quero saudar o Presidente da República, Cavaco Silva, por ter declarado que 10 de Junho era o dia da raça. Raça Lusitana, presume-se. Muito bem!, só quem nada percebe de cavalos pode contestar esta excelente iniciativa presidencial. Esta ideia de Cavaco é particularmente feliz num ano em que um cavaleiro luso vai montar uma égua puro sangue lusitana pela primeira vez nuns Jogos Olímpicos.
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Hoje no Público, Octávio dos Santos contesta o dia 10 de Junho como dia nacional. Argumenta que 10 de Junho de 1580 tem o estigma de ser o ano em que Portugal perdeu a independência para Espanha. Depois acusa os republicanos de serem iberistas e de não darem a devida importância à nossa independência. E eu que sempre tinha pensado que foram os fortíssimos laços familiares entre as monarquias de Espanha e de Portugal que legitimaram a pretensão ao torno por parte de Filipe de Espanha. Afinal são os republicanos que se esforçam por unir a Ibéria.

Aqui de acordo!
Em Goa 1954 ainda me lembro de ir redublar o passporte ao consul de Portugal: cantava-se o hino e cospia-se 3 vezes na direccion de Espanha, o nosso inimigo figadal. Depois vinha um soldato e diparava a mauser igualmente na direccion dos Espanhois enquanto os outros montavan a bandera no pau. Em Mocambique era pior porque a cerrimmonie tinha menos glamour. Parabens pelo exelente blog que em France è lido por toda comunidade lusa (tem rason que raca è para cavalos e esse Cavaco deve ser pior que Salazar (esse livrou Goa da droga por ex;))!
Comment by Zamaleke Kulbar — June 10, 2008 @ 5:26 pm
No meu imaginário pessoal, sempre associei o 10 de Junho aos desfiles militares. Quando eu era miúdo achava que o 10 de Junho era o “dia da raça”, como sinónimo de garra ou energia bélica e não “raça” no sentido étnico. Acredito que era este “espírito de garra e atitude” a que o Presidente estava a apelar, sobretudo no contexto em que o discurso foi feito.
A interpretação da esquerda retrógrada é pura demagogia. Cabe na cabeça de alguém que Cavaco Silva seja racista??? Pelo amor de Deus… Haja paciência!
Comment by Fernando — June 10, 2008 @ 10:39 pm
Hoje (ontem) celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ao afirmar que o dia de hoje é o dia da raça, leia-se raça portuguesa, é insultar todos os outros povos que fizeram e fazem parte “de nós”, tal como se fazia no tempo do fascismo.
No entanto, penso que a reacção da esquerda foi ridícula. É fazer uma tempestade num copo de água. Foi uma gafe do Presidente, é certo, mas não passa disso. Sou de esquerda mas não me revejo neste tipo de (má) politica.
Comment by Pedro Fonseca — June 11, 2008 @ 12:40 am
Amigos, trata-se de uma questão equestre.
Comment by LA-C — June 11, 2008 @ 7:01 am
Um lapso freudiano que diz sem dúvida muito sobre o Portugal de hoje e sobre as cavalgaduras medíocres e salazarentas (sem ofensa para os cavalos genuínos!) que dizem representar-nos “democraticamente”.
Comment by DK — June 11, 2008 @ 9:10 am
Senhor Fernando: lembra_se quando cavaco exclamou na Assembleia Nacional ” isto ainda non è o Uganda” . Que pode ser isto, sim, que pode ser isto, senon racismo latente em cada “lapso feudiano”?
Comment by Zamaleke Kulbar — June 11, 2008 @ 10:13 am
DK, nao exageres. Foi um lapso de lingua e parece-me que fazer muitas inferencias alem disto e’ exagerado.
Zamaleke, lamento ter-lhe apagado um comentario, mas o seu comentario insultuoso (apagado) atravessou a linha de fronteira da decencia.
Comment by LA-C — June 11, 2008 @ 10:19 am
Caríssimo,
Só quem não se interessa por ou não percebe nada de Psicanálise é que pode desvalorizar um lapsus linguae destes… Uma verdadeira preciosidade! “;o)))
Mas talvez o meu “exagero” e spleen advenham do facto de ainda estar a recuperar da náusea provocada pela propaganda, quer dizer (ups, lapso freudiano! “;o))), pelos discursos oficiais - do PR e do Sec. de Estado das Comunidades - que me acabam de chegar em versão fotocopiada pelo correio, via Embaixada de Portugal. Pelos vistos, nem aqui estou a salvo do pesadelo da raça, ups, quer dizer, da pátria!… Damn!
Comment by DK — June 11, 2008 @ 10:35 am
DK, recebeste o discurso completo? Fantástico.
Comment by LA-C — June 11, 2008 @ 10:56 am
Não, Luís, com grande pena minha recebi a versão editada - e já expurgada do lapso racial. “;o)
O mais curioso é que os ditos cujos discursos chegaram já depois do 10 de Junho, o que só vem comprovar que mesmo do outro lado do mundo a celebrada eficiência portuguesa continua imparável! “;o)))
Comment by DK — June 11, 2008 @ 11:09 am
O lapso racial saiu quando os jornalistas queriam que o presidente comentasse a greve das empresas de camionagem. Se quiseres ver, com certeza que no site da SIC ou da TVI devem la’ ter as declaracoes.
Olha que neste momento sao 11 e 20 da manha do dia 11 de Junho. Se ja’ tens os discursos, nao te podes queixar da eficiencia
Comment by LA-C — June 11, 2008 @ 11:19 am
Sim, mas aqui já estamos na noite de 11 de Junho! ;o)))
Agora a sério: é evidente que eu não esperaria encontrar lapsos freudianos em discursos pré-preparados (provavelmente por assessores…) desta natureza. O mais trágico é que estes políticos têm uma dificuldade enorme em ser espontâneos - ou seja, mal se desviam do guião foge-lhes logo a boca para a verdade (a deles, claro)… Por isso é que me parece que estes lapsos não são, de todo, de desvalorizar, do ponto de vista simbólico.
Comment by DK — June 11, 2008 @ 11:29 am
Eu percebo o que dizes, mas quando se arriscam a ver os seus lapsos de língua serem explorados até à exaustão é normal que tenham receio em ser espontâneos.
Comment by LA-C — June 11, 2008 @ 11:33 am
Não acham a vossa raça portuguesa digna de celebração? Eu acho. Somos uma mescla ibérica, nórdica, árabe, africana e sabe-se lá mais o quê. Eu próprio sou meio-isto meio-aquilo e só lamento não ter um pouco mais de sangue sub-saariano, por causa dos escaldões. E por isso considero que tenho tanto direito a celebrar a minha raça de Rafeiro Português quanto têm Índios Americanos, Bantus ou Esquimós. A esses a maioria branca ocidental não costuma criticar as manifestações étnicas, porque me hão-de criticar a mim? O que não tenho é complexos raciais da treta.
Comment by AJM — June 12, 2008 @ 10:06 pm
O problema, AJM, é que essa “celebração da raça” no Ocidente - e, já agora, no Oriente (veja-se o caso do Japão) - teve consequências trágicas ao longo dos séculos XIX e XX. E certas memórias históricas nem com lixívia se apagam e agarram-se inevitavelmente a certas palavras, que jamais poderão voltar a ser pronunciadas de forma inocente e espontânea - especialmente por quem tem responsabilidades políticas. Uma questão de ética, em suma.
Comment by DK — June 12, 2008 @ 11:02 pm
De facto assim é, DK. A expressão “celebração da raça” está marcada à partida pelo tom da minha pele. Não pelo tom da minha voz, nem pelo contexto do meu discurso, mas pela culpa histórica que a minha pele branca carrega. Uma culpa que só prova que ainda somos uma sociedade racista, porque se o não fossemos realmente já não nos sentiríamos comprometidos pela história. É lamentável, mas verdade.
Comment by AJM — June 13, 2008 @ 12:27 am
Se bem entendi o seu comentário, só posso discordar consigo - e, em particular, com a sua conclusão no final. Não me parece assim tão lamentável que as pessoas tenham consciência da carga histórica trágica que expressões como “celebração da raça” carregam. Isso significa que a História não foi esquecida e que se retiraram dela as devidas lições para o futuro. Preocupam-me muitíssimo mais as tentativas de branqueamento dessa mesma História que agora pululam por aí, esp. por parte de uma certa direita rançosa e muito pouco inocente.
Comment by DK — June 13, 2008 @ 12:42 am
Concordo com a DK. A palavra tem um significado e esse significado tem o peso da historia e nao o peso que cada um lhe pretende atribuir.
Comment by LA-C — June 13, 2008 @ 7:03 am
Pessoalmente penso que Cavaco, à boa maneira portuguesa, salgou a carne do seu discurso ideológico durante a campanha presidencial durante a campanha, para os pendurar nas traves tecto nublado da cultura política portuguesa, alias, já há muito tempo démodé
Comment by Pedro Serpa — June 20, 2008 @ 12:38 am
Concordo plenamente, com LA-C e DK.
A linguagem de fumeiro do Pedro serpa mostra-se mais dificil de compreender (ou de curar…), mas desde que seja para recriminar o PR concordo tambem com ele.
Comment by Chico Bentes — June 22, 2008 @ 3:18 pm