Uma das surpresas quando se chega aos EUA pela primeira vez é o limite de velocidade. Em muitos Estados, ainda é de 55 milhas por hora. Menos de 90km hora. Auto-estradas de 5 faixas e os carros seguem em fila, raramente excedendo as 65 milhas (pouco mais de 100km/h). O que se passou na cabeça dos americanos, pátria do automóvel, para imporem um limite tão baixo?
A explicação é simples. Entre 1973 e 1974, quando o preço do petróleo triplicou em poucas semanas, o governo americano reagiu de diversas formas. Uma das medidas que tomou foi a de impor um limite de velocidade de 55 milhas por hora a nível nacional (medida inédita, até então cada Estado fixava o seu limite de velocidade). O objectivo era o poupar gasolina. Carros mais lentos consomem substancialmente menos.
Mas carros mais lentos também se envolvem em menos acidentes. Como consequência, nesse ano a taxa de sinistralidade rodoviária nos EUA caiu significativamente. A maior queda desde a Segunda Guerra Mundial. Assim, quando em meados dos anos 80, o governo federal deixou de impor os 55 como limite nacional, muitos Estados optaram por manter o limite inalterado.

Se não estou enganado, o estado mais liberal é o Nevada, com um limite de 75 milhas para aquelas auto-estradas que atravessam o deserto.
De há algum tempo para cá tenho reparado que aqueles casos absurdos de excesso de velocidade nas auto-estradas em Portugal são cada vez mais raros. É frequente ir ao Porto e não ser ultrapassado por nenhum carro a mais de 150/160. Tempos houve em que os 200/220 eram o limite para muita gente.
Comment by Fernando — May 29, 2008 @ 8:05 pm
é a crise, é a crise….
Comment by açores — May 29, 2008 @ 9:54 pm
Caro LA-C,
Na Alemanha, nas famosas Autobahn, apenas em um local existe um limite de velocidade (120 km/h), sendo que no resto pode-se andar à velocidade que se quiser… e o nível de acidentes é consideravelmente baixo.
Não sabia dessa dos 55 mph (sabia do limite, pois já andei a “passear de carro” na Califórnia), mas, convenhamos, é uma resposta um bocada… errr… estranha. Como sabes, o problema do elevado consumo de gasolina nos EUA devia-se à falta de eficiência dos motores e dos própios carros. Aliás, os EUA são “famosos” (no mau sentido) pela péssima eficiência energética da maior parte dos seus produtos de consumo geral (frigoríficos, aspiradores, máquinas de laver, etc).
Comment by Carlos Duarte — May 29, 2008 @ 10:41 pm
Caro Luís,
Penso que o limite nacional de 55mph foi imposto só nas “Inter-State Highways”. Porque são as únicas estradas sobre as quais o governo federal tem jurisdição nacional. Mais pròpriamente o Departamento da Defesa, a que pertencem. Pois podem em caso de guerra ser requisitadas para o seu uso exclusivo.
Mas confesso que o limite que mais me custou aceitar foi o de 20mph na pequena mas bela povoação de Ho-Ho-Kus (New Jersey). No fim-de-semana, claro está. Porque durante a semana o trabalho era em Nova Iorque.
E hoje em Portugal resigno-me a pensar quando vejo o retrovisor. “Boy, you always have a great following…”
Obrigado.
Comment by F — May 29, 2008 @ 11:26 pm
Caro Fernando, eu próprio, que uso o “cruise control” do automóvel, baixei em 10kms a velocidade a que programo o automóvel para andar na Austo-estrada.
Carlos, foi também depois da crise de 1973 que os carros japoneses ganharam quotas de mercado consideráveis nos EUA. Precisamente por tinham consumos mais baixos. Mas esse ajustamento demora mais tempo. Tal como agora, não tenho dúvidas, os carros híbridos vão-se tornar mais populares (adimitindo que o preço da gasolina continua tão alto), mas esse efeito demora anos a fazer-se sentir.
F, tanto quanto sei, em 1973 o limite foi imposto em todas as auto-estradas. Todas. Foi uma imposição federal e fez parte to pacote de medidas para combater a escassez de petróleo. Em 1986, essa medida foi revogada. Imagino que o governo federal manteve, e mantém, jurisdição sobre as “Inter-State Highways”.
Comment by LA-C — May 30, 2008 @ 7:28 am
Vou com frequência aos EUA e posso confirmar que não é só nas auto estradas que existe limitação baixa de velocidade automóvel contrariamente ao que refere um comentador anteriormente. A medida tomada pela administração Carter há mais de 30 tem uma incidência significativa na redução dos consumos. Essa é uma das saídas para o aumento dos combustíveis: reduzir a velocidade de 120 para 100 equivale a uma redução que é variável consoante a viatura mas é sempre muito significativa.
Deve acrescentar-se, ainda a propósito das discussões actuais sobre o tema, que os consumos dos carros nos EUA continuam a ser, apesar da velocidade média mais reduzida, mais elevados que na Europa. Como os impostos são mais baixos os americanos nunca foram incentivados a adquirir carros com melhores performances de consumo. A questão está na ordem do dia e há muita gente que defende o aumento drástico dos impostos com o objectivo de forçar à alteração dos hábitos incutidos pela baixa carga fiscal.
Allan Greenspan (liberal, discípulo de Ayn Rand e Milton Friedman ) um homem que, como todos os liberais abomina os impostos, escreve em “The Age of Turbulence”: “I trust that at the end of the day we will akkow markets to guide our preferences in reducing petroleum comsumption. Our experience with oil rationing (…) ha beeen poor. Another way to curb consumption would be a gasoline tax of, say, $3 or more per gallon, phased in over five or ten years with the resulting revenue used to lower income or other taxes”.
Comment by rui fonseca — May 30, 2008 @ 8:42 am
Rui, ja’ nao me lembrava dessa passagem do Greenspan. Bem lembrado.
Comment by LA-C — May 30, 2008 @ 10:55 am
Mais do que o baixo limite de velocidade, aquilo que me impressionou nas auto-estradas americanas foi o seu caráter “democrático” e “igualitário”. Todos os automobilistas conduzem à mesma velocidade, pode-se andar em qualquer faixa e ultrapassar pela esquerda ou pela direita, mas, de facto, há poucas ultrapassagens porque as velocidades são extemamente uniformes.
Em Portugal guiar em auto-estrada é um stress porque as velocidades a que as pessoas conduzem são muito díspares. Um indivíduo que guie no limite (a 120 km/h) nunca pode, sequer, permanecer na faixa da esquerda, porque há montes de indivíduos que consideram que têm o DIREITO de conduzir acima do limite e que fazem pressão para que a faixa da esquerda seja só para eles. Na prática, em Portugal as duas faixas das auto-estradas são: uma para os 30% de automobilistas que andam muito acima do limite, a outra para os 70% de automobilistas que andam no limite ou abaixo dele.
Conduzir nas auto-estradas americanas é muitíssimo menos stressante e mais sossegado.
Comment by Luís Lavoura — May 30, 2008 @ 12:25 pm
Aproveito para esclarecer uma dúvida… sei de antemão que isto vai suar a ingenuidade…mas se em 95% dos países do mundo é proibido conduzir em qualquer estrada acima dos 120km/h (ou uma velocidade semelhante), porque raio se autoriza a comercialização de veículos que atinjam mais de 200km/h??
(Já para não levantar as consequentes questões ambientais.)
Além dos interesses económicos instalados dos grandes constructores, existe mais alguma razão lógica? Ou é só mais um daqueles casos em que a assumpção de que os agentes económicos são racionais simplesmente não faz sentido (lendo-se agentes económicos os governos/entidades reguladoras).
Comment by Kordny — May 31, 2008 @ 3:14 pm
Boa pergunta. Talvez não seja viável porque diferentes países têm diferentes limites. Por exemplo, Não te esqueças que na Alemanha há auto-estradas sem limite. O interessante é que os carros alemães, com excepção da Porsche, estão legalmente obrigados a sair de fábrica sem andar a mais de 250km.
Comment by LA-C — May 31, 2008 @ 4:37 pm
Suponho que acima de tudo por comodidade. Um limite de velocidade num veículo seria sempre por via de um limitador mecânico ou electrónico de velocidade. Não é concebível que apenas se “permita” carros que, pelas suas características, apenas antinjam 120 km/h (andavamos todos em “calhambeques” de 40 CV ou coisa do género), pois existem outros factores que podem ser razão de compra (aceleração, força motriz) que implicam que o veículo consiga atingir mais que 120 km/h.
Caso se partisse para uma limitação de velocidade, iria apenas contribuir para o aparecimento de um “mercado negro” de modificação ilegal do limitador de velocidade.
Mais ainda, é prudente prevenir situações em que é permitido ultrapassar limites de velocidade, como marchas de urgência.
No fundo, a responsabilidade deve ser do condutor e, caso infrinja, arrisca-se a ser punido (como aliás é aceite pacificamente por todos!).
Um factor “engraçado” (que não tem piada nenhuma!) é que a grande maioria dos acidentes e das vítimas se dão por excesso de velocidade nas vias secundárias (50-60 km/h) e não nas auto-estradas ou vias rápidas.
Comment by Carlos Duarte — May 31, 2008 @ 11:34 pm
A questão dos diferentes limites não me parece justificável, até porque, sendo um limitador, seria possível altera-lo conforme os países (não percebo nada de mecânica mas não me parece algo assim tão difícil).
Acaba por ser como proibir como as armas: só compra armas quem tem licença de porte/uso.
Isto é quem tivesse licença de piloto de competição, e por hipótese os veículos do INEM e outros que possam necessitar por bons motivos de ultrapassar os limites pontualmente, poderiam ver o limitador alterado/desligado, os outros não.
Mas eu nem digo limitiar aos 120. Mas digamos limitar aos 160. Já seria uma redução drástica.
Em todo o caso deixem-me aproveitar para esclarecer que sou da opinião que o que causa os acidentes nas nossas estradas é a falta de civismo/consciência dos nossos condutores e não os carros. Mas já acreditei que era possível mudar as pessoas. Depois cresci.
Comment by Kordny — May 31, 2008 @ 11:57 pm