Um estudo dirigido por Alfredo Bruto da Costa concluiu que cerca de 50% dos portugueses viveram, entre 1995 e 2000, situações de grande vulnerabilidade e de exposição à pobreza (notícia do jornal Público de 23 de Maio). Este estudo concluiu também que uma percentagem significativa de entre aqueles portugueses tem rendimentos do trabalho. Concluiu ainda que, entre os portugueses que caíram na pobreza, 9 em cada 10 não tinham mais do que o 9º ano. Ou seja, a pobreza, os baixos salários e a baixa produtividade da economia portuguesa parecem partilhar um mesmo problema: os baixos níveis educacionais da população portuguesa.


Somos assim levados a concluir que para reduzirmos o problema da pobreza em Portugal temos de encontrar formas de aumentar a produtividade da nossa economia. E voltamos assim à questão da educação – o tema do último poste do Luís A-C.

Temos tido em Portugal grandes investimentos na educação. É por isso necessário perceber por que é que o retorno desse investimento teima em não aparecer nas estatísticas da produtividade. Destaco duas razões para o mau desempenho do nosso sistema de ensino.

Em primeiro lugar, o acesso à educação em Portugal é muito desigual: continuamos a ter taxas de abandono e de reprovação absolutamente escandalosas. Os que mais reprovam e abandonam a escola mais cedo são evidentemente os alunos das famílias de mais baixos rendimentos e com níveis de educação também mais baixos. Este é um problema cultural e tem de ser combatido com uma maior sensibilização das famílias para a importância da educação e do sucesso escolar. A este propósito, uma professora americana, escandalizada com os resultados do nosso sistema educativo, perguntava-me por que é que os nossos políticos não punham cartazes na rua a dizer: MANTER O SEU FILHO NA ESCOLA É A GARANTIA PARA UM FUTURO MELHOR

Em segundo lugar, em Portugal tem havido muita preocupação com a quantidade, mas muito pouca com a qualidade. A preocupação com a qualidade implica avaliar e identificar as escolas que funcionam bem e cujas práticas devem ser copiadas e identificar as escolas más, que devem ser obrigadas a rever os seus processos educativos. Ou seja, a construção de rankings de escolas são essenciais para podermos ter verdadeiros programas de qualidade. Estes rankings devem ser construídos por profissionais e devem evidentemente ter em conta, entre outros factores, o nível de rendimento e educacional dos pais dos alunos para podermos aferir o ‘valor acrescentado’ introduzido pela escola. No entanto, em Portugal existe entre algumas elites uma mania da igualdade que só contribui para nos tornar o país mais desigual da União Europeia, como mostrou mais uma vez um Relatório da Comissão Europeia.   

Finalmente, é necessário que as autarquias se envolvam nas questões da educação. As autarquias estão sempre prontas a pedir mais uma estrada, mais um polidesportivo ou mesmo um estádio de futebol; aqui em Braga, mais um túnel. Infelizmente, não me lembro de ouvir reivindicações por melhores escolas junto do Ministério da Educação. As autarquias deviam analisar os resultados das escolas dos seus concelhos nos exames nacionais e compará-los com a média nacional. Nas escolas em que fossem identificados problemas deveriam ser exigidos programas especiais junto do Ministério da Educação (dado que este centraliza a gestão do ensino, deve também ser responsabilizado pelos resultados). Enquanto os Presidentes de Câmara não perceberem a importância dos resultados nos exames nacionais de matemática e português os seus concelhos vão continuar a empobrecer. E o país como um todo também.