The ease with which kids start saying "élitist" and "obscure" means their teachers have taught them this. Their idea of having to "identify" with things - "do I relate to it?" - means that they have been trained into the most singular form of arrogance to the arts; that "it has to do with me, otherwise the person’s élitist or remote", and so forth and so on. It is a development during the last five or ten years which is appalling to me. It’s a kind of fascism.
– Eric Mottram, in Peterjon Skelt, ed., Prospect Into Breath: Interviews with North and South Writers (Twickenham: North and South, 1991), p. 29.
Pergunto-me muitas vezes se esta estreiteza de vistas não estará, em grande medida, por detrás do que hoje se apelida de "eduquês" (embora deva dizer que não aprecio particularmente o uso excessivo do termo, que acaba por esvaziá-lo de sentido) e das suas múltiplas ramificações e consequências: a recusa em olhar para fora de si próprio, do seu quotidiano, do seu pequeno círculo de amigos e conhecidos, da sua paróquia, dos seus interesses, da sua especialidade / disciplina, do seu país, da sua cultura.

Cara Daniela,
Não me parece. Aliás, um dos defeitos do eduquês
é uma paranóia descontrolada com a “modernidade”, com o que se faz “lá fora”.
Nós Portugueses, por cultura e feitio, somos muito caseiros, muito bairristas, muito paroquiais. Não somos os piores (ver os americanos para o exagero da auto-fixação cultural) e temos bastante capacidade de adaptação.
O que a citação se refere (ou pelo menos como a interpreto) é à ideia que as coisas têm de ter relação com eles próprios, têm que ser “palpáveis” e têm de ser “divertidas de aprender”. Existe um certo desprezo pelo aprender de coisas mais “esotéricas” ou que são vistas sem interesse (ver o “post” abaixo do LA-C sobre a aprendizagem de Português/Matemática no 12º ano).
Suponho que, de certo modo, se caminha para uma maquinização excessiva do ensino, em que não se ensina matéria mas antes se desenvolvem competências. Acho este caminho redutor, empobrecedor e que, a médio prazo criará uma geração de analfabetos funcionais, incapazes de operar fora do seu “ramo”.
Comment by Carlos Duarte — May 26, 2008 @ 5:23 pm
«Não me parece. Aliás, um dos defeitos do eduquês
é uma paranóia descontrolada com a “modernidade”, com o que se faz “lá fora”(…)
O que a citação se refere (ou pelo menos como a interpreto) é à ideia que as coisas têm de ter relação com eles próprios, têm que ser “palpáveis” e têm de ser “divertidas de aprender”. Existe um certo desprezo pelo aprender de coisas mais “esotéricas” ou que são vistas sem interesse (…)
Suponho que, de certo modo, se caminha para uma maquinização excessiva do ensino, em que não se ensina matéria mas antes se desenvolvem competências. Acho este caminho redutor, empobrecedor e que, a médio prazo criará uma geração de analfabetos funcionais, incapazes de operar fora do seu “ramo”. »
Caro Carlos,
Mas, no fundo, esses dois pontos que refere não serão duas faces da mesma moeda? Ou melhor, duas manifestações, a diferente níveis, do mesmo fenómeno e das mesmas atitudes? Essa ênfase excessiva e deturpada no desenvolvimento de competências - e, acrescento eu, na “student-centredness” - que começa agora a penetrar a retórica do Ensino Superior não constituirá também «uma paranóia descontrolada com a “modernidade”, com o que se faz “lá fora”»? Trata-se de princípios que, quando aplicados reflectida e moderadamente, trazem decerto benefícios. O meu receio reside nos excessos e nos seguidismos irreflectidos - o tal deslumbramento pelo que se faz «lá fora» e que, infelizmente, em Portugal traz quase sempre resultados insatisfatórios e decepcionantes…
Comment by DK — May 26, 2008 @ 11:05 pm
Cara Daniela,
Certo. Concordo plenamente consigo. Só estava a tentar frisar que o “eduquês” não terá tanto a ver com estreiteza de vistas ou paroquialismo, mas antes com a típica saloíce portuguesa de achar que o que é “estrangeiro” e “moderno” é que é bom!
Comment by Carlos Duarte — May 27, 2008 @ 9:21 am
Carlos,
Espero que me perdoe a insistencia (e a falta de acentos!), mas, para mim, a estreiteza de vistas ou paroquialismo e “a típica saloíce portuguesa de achar que o que é “estrangeiro” e “moderno” é que é bom” sao duas faces da mesma moeda - e a antitese do pensamento critico.
Comment by DK — May 28, 2008 @ 1:34 am
Cara Daniela,
Desculpe voltar a discordar. Que é estreiteza de vistas, estamos de acordo. Agora, não é paroquialismo. Paroquialismo era dizer que o que nós fazemos é que está bem e que os outros fazem tudo mal!
Comment by Carlos Duarte — May 28, 2008 @ 11:17 am
“Paroquialismo era dizer que o que nós fazemos é que está bem e que os outros fazem tudo mal!”
O’ Carlos, mas o mais exasperante e’ que todas essas atitudes coexistem! Veja, por ex., a reto’rica do “melhor do mundo” nas entradas recentes sobre a ambic,ao. Como escrevi nessa altura, parece-me que os Portugueses conseguem conjugar um complexo de inferioridade com um complexo de superioridade, numa espe’cie de esquizofrenia colectiva.
Comment by DK — May 28, 2008 @ 11:24 am
Cara Daniela,
Aí concordo inteiramente. Nós somos não esquizofrénicos, mas maniaco-depressivos!!! “Oscilamos” entre a exultação e a depressão!
Comment by Carlos Duarte — May 28, 2008 @ 5:19 pm
“Nós somos não esquizofrénicos, mas maniaco-depressivos!!! “Oscilamos” entre a exultação e a depressão!”
Certo, tambe’m existe esse problema. Eu insisto, pore’m, na esquizofrenia, como perturbac,ao caracterizada por percepc,oes distorcidas e por sentimentos e acc,oes inapropriados, contradit’orios, incongruentes, conduzindo a um estado de fragmentac,ao mental e a uma fuga, a uma retirada da realidade em direcc,ao a um mundo de fantasia e ilusao.
A situac,ao e’, pois, grave, cro’nica e complexa, sem cura `a vista…
Comment by DK — May 29, 2008 @ 8:20 am