As economias actuais são de uma complexidade que desafia o senso comum. Qualquer produto que nos chegue às mãos resulta de inúmeras transacções. Imaginem algo tão trivial como um jornal. Foi necessário contratar jornalistas, que usam computadores, que tiveram de ser comprados. Cada computador é composto por inúmeras pequenas peças, que vão desde o pequeno chip ao botão de ‘on’ e ‘off’, desde o teclado ao plasma do ecrã, para não falar de todo o software instalado no disco duro. O jornal é impresso em papel, que teve de ser produzido em fábricas de pasta de papel. Árvores tiveram de ser plantadas e cortadas. As árvores foram cortadas com instrumentos de corte que necessitam de combustível e que são compostas por pequenas peças que têm de ser montadas. Simultaneamente, é preciso tinta para imprimir o jornal. São necessárias impressoras e, com certeza, imensas coisas mais com que nem sonhamos.


Quando se imagina o número de transacções que ocorrem para que o mais simples produto nos chegue às mãos, percebemos por que razão é impossível que um regime de planeamento central funcione bem. O planeamento e a coordenação de tantas tarefas estão, pura e simplesmente, para além das capacidades humanas. A surpresa não foi a queda dos regimes comunistas. O espanto, a haver, foi como conseguiram aqueles regimes aguentar-se tanto tempo.

Num sistema capitalista, esta coordenação é desnecessária porque cada um de nós apenas tem de olhar à sua volta e reagir às variações dos preços. O indicador que resume a informação disponível sobre um dado bem é o seu preço. Quando um preço aumenta tal indica que esse produto se está a tornar relativamente mais escasso. A nossa reacção é a de consumir menos desse produto, o que é a resposta correcta. Em vez do planeador central, o grande coordenador de todas as nossas acções são os preços. Manipular as variações dos preços é a melhor forma de garantir que as pessoas vão tomar decisões erradas, economicamente perniciosas e potencialmente desastrosas.

Se os impostos sobre os combustíveis estavam correctos há 2 anos, não é porque o petróleo duplicou de preço nos últimos anos que os impostos passaram a estar errados. Se o preço do petróleo aumentou, seja porque a China está mais rica, seja porque Putin e Chavez são loucos, seja por causa da instabilidade no Médio Oriente, a verdade é que os preços dos produtos que contêm petróleo devem aumentar também. É a forma de nós, consumidores, termos em conta que o petróleo está mais escasso e tomar consicência de que devemos consumir produtos alternativos: comprar carros híbridos, ir de bicicleta para o trabalho, partilhar boleias, comprar carros de baixo consumo ou conduzir mais devagar.

Em 1973 também houve uma grande crise petrolífera. No espaço de poucas semanas, o petróleo chegou a triplicar de preço. Nos EUA, o governo tentou controlar os preços. Os resultados foram os esperados: racionamento, bombas de gasolina sem gasolina e a maior crise económica desde a segunda guerra mundial.