Mais uma vez, o oásis era uma miragem
O Governo português reviu as previsões para o crescimento do PIB, em 2008, para 1.5%. A previsão anterior datava de Novembro, da altura da apresentação do Orçamento de Estado, e era de 2.2%. O Banco de Portugal, em Janeiro, previu que o crescimento da economia portuguesa seria apenas 2%. Entretanto o FMI previu que aquele valor será 1.3%. A Comissão Europeia prevê que será 1.5%. O Banco de Portugal lembrou por diversas ocasiões que não se podem estar a fazer previsões a toda a hora e que a próxima será apresentada, como previsto, em Junho. Prevejo que a previsão do Banco de Portugal para o crescimento do PIB português, em 2008, será de 1.4%. A qualidade das previsões feitas pelas instituições portuguesas é um problema sério para a nossa economia.
Errar nas previsões económicas é expectável - Nassim Taleb diz-nos que as únicas previsões que surgem na imprensa em que podemos confiar são as dos cinemas e programas televisivos. No caso dos Governos portugueses é o erro que é cada vez mais previsível. É pena, porque é menos um instrumento de política (as expectativas) que deixa de ter à sua disposição.
Há menos de um mês, aqui em Braga, o Ministro da Economia falava de uma nova economia e da competitividade e da capacidade de inovação das nossas empresas.* Na semana passada, o Ministro das Finanças começou a preparar os portugueses, colocando em entrevistas ao FT e ao DE algumas dúvidas na sua fé na capacidade da economia portuguesa para enfrentar a difícil conjuntura económica internacional. Hoje foi o dia em que o Ministro anunciou o que toda a gente já sabia.
Não estamos no deserto, mas a economia portuguesa não é um oásis.
* Cortesia da Rádio Clube

“Hoje foi o dia em que o Ministro anunciou o que toda a gente já sabia.”
Leio esta a sua afirmação, incontestável e confundível.
Incontestável, porque inteiramente verídica: Havia já, como diz, informação de previsões mais que suficiente e suficientemente divulgada para escapar à atenção de quem nela pudesse estar interessado para a usar.
Confundível - Porque a revisão do governo, se pode acusar-se de tardia, não tendo apanhado ninguém de surpresa não foi, seguramente, factor impeditivo de decisão de qualquer acção privada. Quem entendeu rectificar posições ou tomar iniciativas não esperou certamente pelo discurso do governo.
Confundível ainda, porque parece intuir que do atraso na declaração oficial resultaram prejuízos para a economia nacional decorrentes de subsequentes atrasos em medidas de ajustamento governamentais.
Ora, ao mesmo tempo que reviu em baixa as previsões de crescimento económico e em alta as taxas de inflação, o governo declarou ontem na AR, pela voz do ministro dos assuntos parlamentares, que não vai aumentar os salários da função pública nem as pensões. E que o défice se mantém.
Poderemos discordar desta opção por várias razões mas não podemos negar coerência financeira às opções anunciadas.
Que outras medidas críticas foram adiadas em consequência do atraso do governo na revisão das previsões?
Grato pela atenção e antecipadamente pelo favor da sua resposta.
Comment by rui fonseca — May 17, 2008 @ 10:38 am