No fim dos anos 60, discutia-se na Califórnia uma lei que permitia o divórcio unilateral. De acordo com essa lei, aprovada em 1969, bastava um dos cônjuges querer o divórcio para este ser concedido. Era Ronald Reagan o Governador da Califórnia. Nos anos 70 e 80 outros Estados adoptaram leis similares, permitindo o divórcio a pedido.

O movimento neo-conservador reagiu nos anos 90 e tem vindo a contestar estas leis liberais que facilitam o divórcio e destroem famílias. Lá, como cá, em vez de se discutir a lei, discute-se o divórcio. Quem defende a lei é acusado de defender o divórcio e dos maiores atentados à família.

Além de destruir os lares, que outros efeitos pode ter uma lei que facilita o divórcio? Só não vê quem não quer, não é verdade?

Mas, levantando o véu jurídico, o que observamos? Quais os efeitos desta lei? Betsey Stevenson e Justin Wolfers, professores na Universidade de Pensilvânia, procuraram responder, num artigo publicado em Fevereiro de 2006 no prestigiado Quarterly Journal of Economics.

Conclusões? A violência doméstica desceu um terço nos Estados que liberalizaram o divórcio. O número de esposas assassinadas pelos maridos diminuiu 10%. O número de suicídios femininos também decresceu.

E quais os efeitos sobre as taxas de divórcio? O mesmo Justin Wolfers responde num trabalho publicado na American Economic Review, em Dezembro de 2006. A resposta não podia ser mais desoladora para os que se opõem à lei. A seguir à facilitação do divórcio, as taxas de divórcio tendem a aumentar, mas ao fim de alguns anos tal efeito diminui substancialmente. A longo prazo não é possível determinar qual o efeito, sendo até possível que o número de divórcios diminua em consequência da lei.

Como se explicam estes resultados? Não é muito complicado. Leis que facilitam o divórcio alteram os termos do casamento, dando às mulheres um poder de ameaça que antes não tinham. Permitem-lhes terminar mais facilmente más relações, mas, mais importante, o poder da ameaça de divórcio é suficiente para impedir a degradação do casamento. Mantêm os homens na linha.

Referências

Betsey Stevenson e Justin Wolfers (2006), ‘Bargaining in the Shadow of the Law: Divorce Laws and Family Distress’, Quarterly Journal of Economics, 121(1).
Justin Wolfers (2006), ‘Did Unilateral Divorce Raise Divorce Rates? A Reconciliation and New Results’, American Economic Review, 96(5).

P.S. Retirado daqui.