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	<title>Comments on: Ingenuidades (1)</title>
	<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/</link>
	<description>blogue de Luís Aguiar-Conraria, de Daniela Kato e de Fernando Alexandre</description>
	<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 18:37:21 +0000</pubDate>
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		<title>by: DK</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/#comment-3273</link>
		<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 03:54:01 +0100</pubDate>
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					<description>&quot;É, pois, contra esta desonestidade intelectual que a minha ironia se dirige&quot;...

Contra esta desonestidade intelectual E oportunismo, acrescento.</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>&#8220;É, pois, contra esta desonestidade intelectual que a minha ironia se dirige&#8221;&#8230;</p>
	<p>Contra esta desonestidade intelectual E oportunismo, acrescento.
</p>
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		<title>by: DK</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/#comment-3272</link>
		<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 02:51:41 +0100</pubDate>
		<guid>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/#comment-3272</guid>
					<description>Caro F,

Antes de mais, agradeço o seu comentário, que muito prezo. Noto, porém, desde logo uma grande diferença entre as nossas perspectivas: o F vê as Humanidades em abstracto e a sua perspectiva é, de certo modo, atemporal; da minha parte, não consigo deixar de encarar as Humanidades de uma forma situada, pragmática e condicionada pelas - ou melhor, responsiva às - grandes mudanças que a nossa sociedade atravessa. E é por isso que, relendo agora o meu texto, entendo que não coloquei bem a questão essencial. A principal divisão não é entre os que defendem o fim do financiamento público e os que defendem a sua continuação para as formações de Humanidades. O que divide, de facto, as opiniões, é se o ensino das Humanidades deve permancer inalterado - nomeadamente com base em aulas expositivas de estilo magistral e abordagens humanistas dos textos literários -, ou se deve mudar, em resposta às transformações e novas exigências sociais e económicas. Como espero dedicar a próxima entrada a esta questão, não adiantarei para já muito mais. Apenas relatarei um episódio recente que explica a ironia irritada que aparentemente dirijo aos &quot;ociosos que vivem de rendimentos&quot; e às &quot;donas de casa e reformados com pretensões intelectuais&quot;, e de que o F tomou nota.

Numa das últimas vezes que me desloquei à biblioteca da minha ex-Faculdade de Letras, havia numa das salas contíguas uma algazarra ensurdecedora, que tornava impossível a concentração na leitura. À saída, e perante o meu protesto, um funcionário informa-me de que se trata de uma das iniciativas da &quot;Universidade Júnior&quot;, que ministra cursos de inglês para adolescentes em férias. Pelos vistos, os ditos cursos são dados em registo eufórico e condescendente, com base em canções entoadas aos berros, lanchinhos de chá e scones, etc. 
De outro lado, constato que os &quot;novos&quot; cursos de doutoramento em Letras são cada vez mais - eu arriscaria mesmo a dizer quase exclusivamente...- frequentados por senhoras de meia idade já na reforma (ou perto dela), que procuram legitimamente ocupar os seus tempos livres e ampliar os seus horizontes culturais, sem grandes preocupações com performances e avaliações. Na verdade, a maior parte, economicamente abastada, demorará muito mais do que o tempo regulamentar para concluir a tese (e alguns não chegarão sequer a entregá-la...). A Faculdade, é claro, sedenta do dinheiro das propinas (que na FLUP ronda os 2.500 Euros por ano), trata estes alunos séniores com alguma condescendência e não lhes coloca grandes entraves ou exigências.

Tudo isto para dizer que, em princípio, não tenho nada contra a presença crescente de alunos júniores e séniores nas FLs. O que me preocupa, sim, é a condescendência com que estes são tratados e que levará, IMHO, a uma descida gradual dos padrões de exigência do ensino e da investigação. 
Parece-me que o problema reside na forma acrítica e precipitada como estes novos públicos estão a ser integrados nas FLs. Do mesmo modo como, durante décadas, as FLs exploraram ávida e irreflectidamente o filão &quot;formação de professores&quot;, preparam-se agora para deitar a gadanha ao novo filão, convencidas de que é aí que reside a sua sobrevivência futura. Os sinais de discussão crítica, de auto-reflexão serena e honesta continuam, como sempre, NULOS.
É, pois, contra esta desonestidade intelectual que a minha ironia se dirige, e não contra os tais novos públicos júniores e séniores. Mas a este tema voltarei em breve.
Muito obrigada, mais uma vez.</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>Caro F,</p>
	<p>Antes de mais, agradeço o seu comentário, que muito prezo. Noto, porém, desde logo uma grande diferença entre as nossas perspectivas: o F vê as Humanidades em abstracto e a sua perspectiva é, de certo modo, atemporal; da minha parte, não consigo deixar de encarar as Humanidades de uma forma situada, pragmática e condicionada pelas - ou melhor, responsiva às - grandes mudanças que a nossa sociedade atravessa. E é por isso que, relendo agora o meu texto, entendo que não coloquei bem a questão essencial. A principal divisão não é entre os que defendem o fim do financiamento público e os que defendem a sua continuação para as formações de Humanidades. O que divide, de facto, as opiniões, é se o ensino das Humanidades deve permancer inalterado - nomeadamente com base em aulas expositivas de estilo magistral e abordagens humanistas dos textos literários -, ou se deve mudar, em resposta às transformações e novas exigências sociais e económicas. Como espero dedicar a próxima entrada a esta questão, não adiantarei para já muito mais. Apenas relatarei um episódio recente que explica a ironia irritada que aparentemente dirijo aos &#8220;ociosos que vivem de rendimentos&#8221; e às &#8220;donas de casa e reformados com pretensões intelectuais&#8221;, e de que o F tomou nota.</p>
	<p>Numa das últimas vezes que me desloquei à biblioteca da minha ex-Faculdade de Letras, havia numa das salas contíguas uma algazarra ensurdecedora, que tornava impossível a concentração na leitura. À saída, e perante o meu protesto, um funcionário informa-me de que se trata de uma das iniciativas da &#8220;Universidade Júnior&#8221;, que ministra cursos de inglês para adolescentes em férias. Pelos vistos, os ditos cursos são dados em registo eufórico e condescendente, com base em canções entoadas aos berros, lanchinhos de chá e scones, etc.<br />
De outro lado, constato que os &#8220;novos&#8221; cursos de doutoramento em Letras são cada vez mais - eu arriscaria mesmo a dizer quase exclusivamente&#8230;- frequentados por senhoras de meia idade já na reforma (ou perto dela), que procuram legitimamente ocupar os seus tempos livres e ampliar os seus horizontes culturais, sem grandes preocupações com performances e avaliações. Na verdade, a maior parte, economicamente abastada, demorará muito mais do que o tempo regulamentar para concluir a tese (e alguns não chegarão sequer a entregá-la&#8230;). A Faculdade, é claro, sedenta do dinheiro das propinas (que na FLUP ronda os 2.500 Euros por ano), trata estes alunos séniores com alguma condescendência e não lhes coloca grandes entraves ou exigências.</p>
	<p>Tudo isto para dizer que, em princípio, não tenho nada contra a presença crescente de alunos júniores e séniores nas FLs. O que me preocupa, sim, é a condescendência com que estes são tratados e que levará, IMHO, a uma descida gradual dos padrões de exigência do ensino e da investigação.<br />
Parece-me que o problema reside na forma acrítica e precipitada como estes novos públicos estão a ser integrados nas FLs. Do mesmo modo como, durante décadas, as FLs exploraram ávida e irreflectidamente o filão &#8220;formação de professores&#8221;, preparam-se agora para deitar a gadanha ao novo filão, convencidas de que é aí que reside a sua sobrevivência futura. Os sinais de discussão crítica, de auto-reflexão serena e honesta continuam, como sempre, NULOS.<br />
É, pois, contra esta desonestidade intelectual que a minha ironia se dirige, e não contra os tais novos públicos júniores e séniores. Mas a este tema voltarei em breve.<br />
Muito obrigada, mais uma vez.
</p>
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	<item>
		<title>by: F</title>
		<link>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/#comment-3269</link>
		<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 00:00:23 +0100</pubDate>
		<guid>http://aguiarconraria.blogsome.com/2008/04/10/409/#comment-3269</guid>
					<description>Cara Daniela Kato,

O muito longo comentário que dediquei ao Fernando Alexandre sobre um assunto tão economicista como a crise financeira actual não tem esperança de persuadir. Mas por que o tema que a Daniela Kato escolheu é tanto mais difícil, hesitei antes de escrever. 

Não foi a quebra do seu juramento que me motivou. Nem foi a sua frontalidade ao tratar-me justamente como um “ocioso que vive dos rendimentos” e “um reformado com aspirações intelectuais”. Foi a chamada para a leitura do escrito de A.C. Grayling. De quem já li algo e que me deixa sempre o desejo de voltar. Há pouco tempo foi a biografia fascinante sobre “Descartes”. Agora, leio “Towards the Light: The story of the struggles for Liberty &amp;amp; Rights that made the Modern West” que só posso recomendar vivamente como indispensável.

Só entende o valor das Humanidades no mundo de hoje quem conseguir entender a razão economicista da Vida Moderna. Pode então depois justificar o curriculum humanista como ganho em eficiência social. 

Há anos, o senador Daniel Patrick Moynihan de Nova Iorque justificava o financiamento público do ensino da música em razão da total ineficiência da música enquanto actividade. Pois mais de 200 anos depois da sua composição inicial, os quartetos de Haydn ou Mozart continuam a ser tocados por dois violinos, uma viola e um violoncelo, sem qualquer melhoria na velocidade do “tempo”. Sempre os mesmos 12 a 15 minutos. (Só quebrados pela velocidade sempre excitante de Thomas Zehetmair que consegue cobrir a peça de memória e em pouco mais de 10 minutos.) 

A Sociedade Moderna na sua suprema inteligência e com o seu instinto de sobrevivência vai por isso continuar a destinar os dinheiros públicos necessários para o estudo das Humanidades. O dilema do gestor de hoje em embarcar numa nova linha de produção não se resolve com o seu conhecimento da taxa de rentabilidade ESPERADA. Porque é um dilema igual ao que Íon enfrentou entre o futuro prometedor na “polis” de Palas com a Mãe re-encontrada, Creúsa, ou continuar a limpar os degraus do templo de Apolo com a vassoura feita de galhos de loureiro.

Perdi a força para persuadir mais. Mas não reconheço a “imprestabilidade” das Humanidades em termos profissionais. 

Muito obrigado.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>Cara Daniela Kato,</p>
	<p>O muito longo comentário que dediquei ao Fernando Alexandre sobre um assunto tão economicista como a crise financeira actual não tem esperança de persuadir. Mas por que o tema que a Daniela Kato escolheu é tanto mais difícil, hesitei antes de escrever. </p>
	<p>Não foi a quebra do seu juramento que me motivou. Nem foi a sua frontalidade ao tratar-me justamente como um “ocioso que vive dos rendimentos” e “um reformado com aspirações intelectuais”. Foi a chamada para a leitura do escrito de A.C. Grayling. De quem já li algo e que me deixa sempre o desejo de voltar. Há pouco tempo foi a biografia fascinante sobre “Descartes”. Agora, leio “Towards the Light: The story of the struggles for Liberty &amp; Rights that made the Modern West” que só posso recomendar vivamente como indispensável.</p>
	<p>Só entende o valor das Humanidades no mundo de hoje quem conseguir entender a razão economicista da Vida Moderna. Pode então depois justificar o curriculum humanista como ganho em eficiência social. </p>
	<p>Há anos, o senador Daniel Patrick Moynihan de Nova Iorque justificava o financiamento público do ensino da música em razão da total ineficiência da música enquanto actividade. Pois mais de 200 anos depois da sua composição inicial, os quartetos de Haydn ou Mozart continuam a ser tocados por dois violinos, uma viola e um violoncelo, sem qualquer melhoria na velocidade do “tempo”. Sempre os mesmos 12 a 15 minutos. (Só quebrados pela velocidade sempre excitante de Thomas Zehetmair que consegue cobrir a peça de memória e em pouco mais de 10 minutos.) </p>
	<p>A Sociedade Moderna na sua suprema inteligência e com o seu instinto de sobrevivência vai por isso continuar a destinar os dinheiros públicos necessários para o estudo das Humanidades. O dilema do gestor de hoje em embarcar numa nova linha de produção não se resolve com o seu conhecimento da taxa de rentabilidade ESPERADA. Porque é um dilema igual ao que Íon enfrentou entre o futuro prometedor na “polis” de Palas com a Mãe re-encontrada, Creúsa, ou continuar a limpar os degraus do templo de Apolo com a vassoura feita de galhos de loureiro.</p>
	<p>Perdi a força para persuadir mais. Mas não reconheço a “imprestabilidade” das Humanidades em termos profissionais. </p>
	<p>Muito obrigado.
</p>
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