Gaspar
A força da Economia não cessa de me impressionar. Fascinante. O sistema bancário da Nigéria, assim como muitos outros sistemas (energia, água, correios) é totalmente deficiente. Não há dependências bancárias (quanto mais ATM’s!) a servir as populações fora dos grandes centros e também não existem infra-estruturas de SI/TI que permitam às empresas fazer débitos directos.
Assim, 99% dos clientes das Telefónicas são pré-pagos. E como é que eles pré-pagam? Compram uns vouchers que são umas raspadinhas: o cliente paga, por exemplo, 20€ pela raspadinha, raspa e vê um código que depois envia por SMS para um certo número. A partir daí é automático: a sua conta é creditada com 20€ e ele pode realizar chamadas.
O engraçado é que este sistema, montado pelos operadores de telefones móveis, substitui o sistema bancário que não existe. Quando as pessoas querem transferir dinheiro para distâncias longínquas, o que fazem é comprar uma série destes vouchers. Raspam e enviam os códigos por SMS para a pessoa que há-de receber o dinheiro, nalgum sítio remoto. Esta pessoa, na posse dos códigos, dirige-se ao telefone público daquela povoação. Não se confundam: o telefone público, nestes casos, é um tipo, numa esquina, debaixo de um chapéu-de-sol, com três ou quatro telemóveis, que cobra um tanto por deixar fazer uma chamada (as pessoas, em geral, não têm capacidade para adquirir o seu próprio telemóvel).
Então o que sucede é que as pessoas, na posse dos códigos dos vouchers, vão ter com um fulano destes e vendem-lhes os códigos. O tipo compra códigos no valor de 200€ por apenas 180€, por exemplo, e toda a gente fica a ganhar. A transferência de dinheiro ocorre.

A economia hoje é que gere o mundo.
Comment by rui caetano — January 30, 2008 @ 8:06 pm