Daniel Oliveira pede que lhe indiquem estudos científicos sérios que estimem, para Portugal, o impacto que o salário mínimo tem no desemprego.
Vou-lhe indicar dois artigos publicados nas melhores revistas de ciência económica da Europa:
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Sonia Pereira (2003), The impact of minimum wages on youth employment in Portugal, European Economic Review, Vol. 47 (2), 229-244.
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Pedro Portugal e Ana Rute Cardoso (2006), Disentangling the Minimum Wage Puzzle: An Analysis of Worker Accessions and Separations, Journal of the European Economic Association, Vol. 4 (5), 988-1013.
Antes que esgrimam argumentos ideológicos a favor ou contra os resultados destes artigos, gostaria de referir algumas coisas. Primeiro, os estudos são essencialmente econométricos/estatísticos, ou seja limitam-se a analisar os dados disponíveis. Segundo, Ana Rute Cardoso e Pedro Portugal são dos melhores economistas portugueses e especialistas na área de Economia do Trabalho. Terceiro, o trabalho da Sónia Pereira recebeu um prémio, atribuído pela European Economic Association, pela sua elevada qualidade. Quarto, acreditar que aumentos do salário mínimo têm efeitos perversos do desemprego não é, de modo algum, sinónimo de se ser contra o salário mínimo. Pode-se ser a favor do mesmo por outros motivos.
PS Já agora, dado que neste debate os bloggers nacionais gostam de esgrimir prémios Nobel, chamo a atenção para uma entrada que escrevi sobre as ideias de Edmund Phelps – outro prémio Nobel.
PPS Poderei fornecer os artigos a quem estiver interessado. Basta dar-me o seu e-mail.

Olá. Eu gostaria de ter acesso a esses estudos. Obrigado. ED
Comment by Emanuel Delgado — December 20, 2007 @ 12:42 am
«Poderei fornecer os artigos a quem estiver interessado. Basta dar-me o seu e-mail.»
Se faz favor. vasco [ponto] figueira [arroba] gmail [ponto] com
Grato.
Comment by Vasco Figueira — December 20, 2007 @ 3:45 am
Gostaria de ter acesso aos estudos referidos. Obrigado. David_moliveira@hotmail.com
Comment by David Oliveira — December 20, 2007 @ 2:45 pm
Um autêntico serviço público. Blogues equilibrados como acho que é o seu fazem falta. Parabéns!
Venham lá esses artigos.
Comment by Tarzan — December 20, 2007 @ 3:48 pm
Tarzan, qual o seu e-mail?
Comment by LA-C — December 20, 2007 @ 4:08 pm
Peço desculpa. Pensei que já tivesse escrito no cabeçalho. Agora já deve estar.
Comment by Tarzan — December 20, 2007 @ 7:00 pm
Comentei no arrastao referindo-me ao que o paulino teixeira tem escrito e esqueci-me do obvio! Imperdoavel!
Comment by Vasco Gabriel — December 20, 2007 @ 7:24 pm
Luis, a ultima frase do seu primeiro paragrafo e’ certamente um optimo mote para mais uma entrada acerca do tema. Nao quer desenvolver?
Comment by Leonardo Ruilhe — December 21, 2007 @ 3:00 am
Leonardo, queria, queria desenvolvê-lo. Queria desenvolver duas ideias. Uma é essa, outra é que na linha de Phelps se podem pensar em métodos melhores para garantir salários decentes Às pessoas.
A verdade, porém, é que não tenho tempo. Por muito frustrante que seja, neste momento não disponho de duas horas para me sentar ao computador para escrever um texto com pés e cabeça.
Confesso também que, não tendo tempo, a paciência ainda fica mais pequena quando tenho de aturar reacções como esta do João Rodrigues ( https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4018985866499281301&postID=8699656037258271475 — comentário 3). Sinceramente, há paciência para entrar num debate, onde os processos de intenção são de tal forma que eu sou imediatamente catalogado como liberal adepto do “imperialismo económico”? Não está em causa a liberdade dele dizer as palermices que lhe apetece, obviamente, mas a minha paciência para andar a debater palermices destas é diminuta. Repara que esta reacção vem na sequência de eu referir estudos empíricos que vão ao encontro do que defende João Rodrigues e que ele próprio usa para defender os seus argumentos!, mas que interessa isso, quando naquela mente já está uma etiqueta colada a tudo o que se escreva? Debater com pessoas que se limitam a reacções pavlovianas não é debater, é perder tempo.
Comment by LA-C — December 21, 2007 @ 8:36 am
Caro LA-C,
Veja a minha resposta. Limito-me a ler o que escreve e a interpretar. E estou sempre pronto a ser corrigido.
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4018985866499281301&postID=8699656037258271475
Comment by João Rodrigues — December 21, 2007 @ 12:30 pm
Caro Luís, penso que quem o lê saberá bem que não perfilha desse suposto imperialismo económico (um matemático que conta batatas e usa números para representar pessoas é um imperialista matemático?). Penso que a audiência do blogue não terá problemas em esperar até que os afazeres académicos lhe concedam as duas horas. Pensando bem, até pode repartir a ideia por vários posts, cortados em partes. Vaça lá a vontade aos leitores.
Comment by Leonardo Ruilhe — December 21, 2007 @ 5:31 pm
O que você está a dizer é que tudo tem o seu preço, não é? A mim também me parece. ser a favor ou contra o salário mínimo, ou qualquer outro instrumento de política económico e social, é um pouco como tomar partido entre as pontes suspensas e as pontes apoiadas.
Comment by José Luiz Sarmento — December 21, 2007 @ 6:47 pm
Leonardo, acho que vou aceitar o seu repto.
José Luiz, sinceramente, talvez devido aos meus fracos conhecimentos de engenharia, não percebo a analogia.
Comment by LA-C — December 21, 2007 @ 7:24 pm
Caro Luís,
Seria útil discutir a questão do salário mínimo com rigor mas em termos compreensíveis por todos, para além dos ditos economistas. A sugestão feita pelo Leonardo de repartir a análise por várias entradas é acima de tudo pedagógica.
Aqui vão então algumas sugestões para _ entradas.
1
Quem está hoje abrangido pela determinação sobre o salário mínimo nacional? Quantos são? Homens e mulheres? Com que idades (menos de 25 anos, entre 25 e 34, entre 34 e 65, e, mais de 65? Em que actividades trabalham?
2
Como é que deve ser visto o salário mínimo em Portugal? É um salário para trabalho precário? É um salário para quem quer entrar no mercado de trabalho sem qualificações? É um salário que marca o início duma carreira? No mercado de trabalho público? Ou, no privado?
3
Quais são as conclusões que já há hoje sobre os aumentos do salário mínimo em Portugal, sobre os salários em geral? Quais foram os efeitos dos aumentos do salário mínimo sobre a estrutura geral dos salários, sobre o nível do salário de quem ganha mais do que o salário mínimo? As conclusões de David Card e Alan Krueger, e o sumário crítico de John Kennan (de 1995), são úteis para o caso dos EUA. O contexto institucional de Portugal é diferente.
4
Quais são as conclusões que já há hoje sobre os aumentos do salário mínimo em Portugal, sobre o volume do emprego? Quais foram os efeitos dos aumentos do salário mínimo sobre o número de empregados em determinadas indústrias, e.g. retalho e serviços? E, nas restantes indústrias? Volto a insistir: o contexto institucional de Portugal é diferente.
5
Quais foram as consequências sociais dos aumentos do salário mínimo em Portugal? Houve alguma relação entre os aumentos do salário mínimo e as medidas usuais de pobreza em Portugal? Deve-se entender os aumentos do salário mínimo em Portugal como instrumento de regulação do mercado de trabalho, ou como instrumento de combate à pobreza?
6
Quais foram as consequências dos aumentos do salário mínimo em Portugal em termos de custos sociais? Houve diminuição de pagamentos de benefícios sociais como resultado dos aumentos do salário mínimo em Portugal? Quais?
Por fim. 7
As questões morais e filosóficas. Um filho da pobreza que está em condições de idade de entrar no mercado de trabalho, preferiria ser pago sob a forma dum benefício social ou dum salário mínimo? E uma mulher de 30 anos, cuja fábrica têxtil acaba de ser encerrada? E um homem de 55 anos, cuja metalomecânica acaba de ser encerrada? E um magrebino de 20 anos, que acaba de dar à costa jurando nunca ter querido vir para Portugal? (Qual Pedro Álvares Cabral, ao contactar com a guarda costeira dos índios brasileiros há 507 anos.) Porque na sociedade livre em que penso, a escolha deveria caber a estas pessoas. Ao Estado, jamais.
Obrigado.
Comment by F — December 22, 2007 @ 3:23 pm
LA-C
Sem querer abusar da tua disponibilidade, que motivos é que podem nos fazer ser a favor do SMN apesar dos “eventuais” efeitos negativos no desemprego?
Julgo que os mesmos terão a ver com a dignidade da pessoa humana, no entanto, ela também é posta em cheque com o desemprego.
Comment by rb — December 24, 2007 @ 11:27 am
“Julgo que os mesmos terão a ver com a dignidade da pessoa humana,”
e tambem com a dignidade no trabalho. Ricardo, tentarei voltar a este assunto em Janeiro.
Comment by LA-C — December 24, 2007 @ 3:46 pm