Brutal desvalorização do dólar?
Fonte dos dados: Federal Reserve Bank of St. Louis
Tem-se falado muito nas desvalorizações recordes do dólar. Quando se olha para o gráfico com as flutuações ao longo de uma década fica-se com outra perspectiva, não?
P.S. Neste gráfico, os valores do Marco alemão (até ao fim de 1998) foram convertidos para euros à taxa oficial de 1 Euro = 1,9558 marcos.
P.P.S. Subidas das taxas de câmbio representam desvalorizações do dólar.

Hugo Chavez disse noutro dia: “nós vendemos-lhes (aos ianques) o nosso petróleo e eles pagam com uns papelitos sem valor”. Mas pelo gráfico vemos que a moeda ianque até se tem portado bem! Mais uma verdade fabricada neste mundo globalizado sem rei nem roque, neste capitalismo de casino onde reina a batota, onde uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade.
Comment by "Palma Inácio" — November 22, 2007 @ 2:03 am
Como fica se olhares para os dados desde 77?
Comment by Tiago Mendes — November 22, 2007 @ 2:15 pm
Tiago, imagino que o Dolar contra o Marco alemao tenha tido uma tendencia permanente de desvalorizacao. Nao tenho aqui os dados, mas prometo que da proxima vez que for ao Fed buscar dados para os meus trabalhos, trarei tambem esses.
Comment by LA-C — November 22, 2007 @ 2:21 pm
Vejamos se eu entendi, o gráfico representa uma relação dólar por euro, ou seja quando no gráfico lemos 1.2, lemos 1.2 dólares por 1 euro de taxa cambial?
Se assim for, então apesar de tudo verifica-se uma tendência generalizada, mas não absoluta, para a desvalorização do dólar desde 2002/2003. Então podemos afirmar que desde a adesão ao Euro, houve uma desvalorização do dólar face à moeda europeia?
Agora, aquilo que se pretende refutar no post é o simples facto de esta taxa cambial não ser recorde? Mas assim sendo, não será que as notícias veiculadas de desvalorização recorde do Dólar não se refiram somente à fase pós moeda comum? Sendo que antes da moeda comum se usou como termo de comparação o Marco, que salvo erro seria uma das moedas europeias mais fortes. E não será usar uma das moedas mas fortes da Europa, numa fase em que não havia moeda comum uma perspectiva um pouco distorcida para avaliar a evolução do Euro num período de 12 anos?
P.S. Repare-se que são perguntas sinceras e não perguntas com carácter coercivo.
Comment by João Dias — November 22, 2007 @ 4:19 pm
Vejamos se eu entendi, o gráfico representa uma relação dólar por euro, ou seja quando no gráfico lemos 1.2, lemos 1.2 dólares por 1 euro de taxa cambial?
Se assim for, então apesar de tudo verifica-se uma tendência generalizada, mas não absoluta, para a desvalorização do dólar desde 2002/2003. Então podemos afirmar que desde a adesão ao Euro, houve uma desvalorização do dólar face à moeda europeia?
Agora, aquilo que se pretende refutar no post é o simples facto de esta taxa cambial não ser recorde? Mas assim sendo, não será que as notícias veiculadas de desvalorização recorde do Dólar não se refiram somente à fase pós moeda comum? Sendo que antes da moeda comum se usou como termo de comparação o Marco, que salvo erro seria uma das moedas europeias mais fortes. E não será usar uma das moedas mas fortes da Europa, numa fase em que não havia moeda comum uma perspectiva um pouco distorcida para avaliar a evolução do Euro num período de 12 anos?
P.S. Repare-se que são perguntas sinceras e não perguntas com carácter coercivo.
Comment by João Dias — November 22, 2007 @ 4:20 pm
“Vejamos se eu entendi, o gráfico representa uma relação dólar por euro, ou seja quando no gráfico lemos 1.2, lemos 1.2 dólares por 1 euro de taxa cambial?”
Certo.
“não será que as notícias veiculadas de desvalorização recorde do Dólar não se refiram somente à fase pós moeda comum?
Claro que sim, mas esse período de análise é demasiado curto.
“Se assim for, então apesar de tudo verifica-se uma tendência generalizada, mas não absoluta, para a desvalorização do dólar desde 2002/2003. ”
Correcto e ainda mais se se conisderar desde os anos 70, como pediu o Tiago. Não me parece é que seja razão para andar aos gritos a dizer que o Dólar anda pelas ruas da armagura! Se há economia que já deu provas de fazer ajustamentos rápidos é a americana. Digamos que o dólar está no fim do consulado Bush filho mais ou menos na mesma como estava no fim do consulado bush pai. E se antes foi necessário um Clinton homem para o reavivar, estará talvez na altura de os americanos apostarem numa Clinton mulher.
Comment by LA-C — November 22, 2007 @ 4:25 pm
Também concordo que seja um período curto, mas talvez se perceba isso porque a realidade da moeda comum tem uma curta história. Ao passo que o exercício de avaliar a des/valorização do Dólar face ao Euro num período em que o Euro ainda não existia seja um exercício difícil e bastante profícuo a desajustes. A mim parece-me que a tentar fazer esta comparação, se devia ter em conta todas as moedas europeias que agora aderiram à moeda comum e não tomar apenas como referência o Marco, que apesar de tudo seria a “moeda referência” da Europa.
Comment by João Dias — November 22, 2007 @ 4:42 pm
“Ao passo que o exercício de avaliar a des/valorização do Dólar face ao Euro num período em que o Euro ainda não existia seja um exercício difícil e bastante profícuo a desajustes. A mim parece-me que a tentar fazer esta comparação, se devia ter em conta todas as moedas europeias que agora aderiram à moeda comum e não tomar apenas como referência o Marco, que apesar de tudo seria a “moeda referência” da Europa. ”
Tens toda a razao. Eu e’ que nao tive paciencia para fazer isso que diz, mas estou totalmente de acordo contigo.
Nesse caso, aposto que a tendencia de desvalorizacao que eu referi que vem desde os anos 70, nao se observaria. Mas claro, para ter a certeza teria de ver os dados e nao estou com paciencia para tal (ate’ porque mesmo fazendo isso haveria demasiados engulhos na analise, para poder ser levada muito a serio).
O ponto do post e’ so’ um: tanto histerismo a’ volta do dolar e’ desnecessario. Para marcar este ponto, penso que o grafico que fiz e’ suficientemente elucidativo (ate’ porque abrange um periodo em que as restantes moedas europeias andavam razoavelmente ancoradas ao Marco).
Comment by LA-C — November 22, 2007 @ 4:57 pm
Tambem se poderia usar o ECU! Lembram-se dessa bela moeda?
Comment by LA-C — November 22, 2007 @ 4:59 pm
Claro, longe de mim pensar que era obrigação do caro LA-C executar essa árdua tarefa. Apenas quis lembrar precisamente isso, que era um exercício complicado.
Nem sequer sei se a desvalorização do dólar será tão má assim, há quem defenda que isso impulsiona as exportações comerciais dos EUA e prejudique as Europeias, visto que a nossa moeda se torna para o exterior mais “inacessível”.
Comment by João Dias — November 22, 2007 @ 5:14 pm
“há quem defenda que isso impulsiona as exportações comerciais dos EUA e prejudique as Europeias, visto que a nossa moeda se torna para o exterior mais “inacessível”. ”
Obviamente que este efeito existe. E existe especialmente porque as taxas de inflacao nos EUA continuam baixas, ou seja nao se tem repercutido num aumento de custos para o consumidor final.
Comment by LA-C — November 22, 2007 @ 5:18 pm
Caro Luís,
Gosto muito deste gráfico. Porque é o gráfico que a rapaziada das salas de mercados costuma construir quando quer analisar o passado do euro. Não usa o falecido “ECU” para estudar o passado do euro. Por razões de pura arbitragem económico-financeira. Estamos portanto a chegar perto dos mínimos do dólar que são à volta de DM 2.8500, ou (não esquecer) de 300$00.
Por que o Tiago Mendes gostaria de olhar mais para trás, aproveito para vos recordar duas notas. Que durante o período do padrão-dólar a seguir à Guerra Mundial e até 1973, cada onça de ouro valia $35.00, e hoje estamos a $804.00. E que em 1973, quando o tal padrão-ouro rebentou, o dólar valia à volta de DM 2.7500 ou € 1.4100.
Este gráfico é também mais uma confirmação da força da economia real. Que no longo prazo, faz com que a razão de troca dos preços dos dois numerários regresse sempre ao valor da razão dos custos de vida respectivos. E que quando conjunturalmente dele se desvia, a ele volta num prazo que o meu amigo Niso Abuaf (hoje estou numa de “name dropping”) mostrou andar à volta de 5 anos. Este trabalho do jovem Abuaf, um turco descendente de “marranos”, foi publicado com o seu amigo e colega francês Philippe Jorion, de Irvine, no JF há uns 20 anos. Parece manter-se actual.
Obrigado.
Comment by F — November 22, 2007 @ 7:02 pm
Bem me parecia que tinha marcos no bolso. O Manelito pensa que o marco acabou em 1999 e o Xico em 2002 mas o gráfico mostra que não.
Acho que o F queria dizer 160$00.
Comment by Tonito — December 20, 2007 @ 4:02 pm