Ver quais as 5 escolas cujos alunos tiveram, em média, melhores notas e concluir que as escolas privadas  e religiosas são melhores do que as restantes é absurdo. Igualmente absurda é a conclusão de que a educação baseada em valores favorece o desempenho escolar. Não digo que as opiniões sejam absurdas, o que digo é que não se pode, com honestidade intelectual, concluir isto a partir da informação dada. O Tiago fez uma excelente caricatura deste raciocínio: encontrou um denominador comum às "melhores" escolas e foi concluiu que ambientes homoeróticos favorecem o desempenho escolar.

Os exames nacionais avaliam alunos e não escolas. É uma verdade de La Palice que parece esquecida.  E as performances dos alunos dos alunos são explicadas por diversos factores, como pelo nível sócio-económico e cultural dos pais ou pelos critérios de admissão da escola.

Não será por acaso que a escola pública com melhores resultados foi uma de Coimbra, a Escola Secundária de Dona Maria, que fica num bairro onde os apartamentos novos são vendidos por preços perto dos 100 mil contos (e quando digo perto, não digo abaixo). E todos sabemos que há muitas escolas privadas que procuram ter apenas bons alunos, dispensando os maus. Naturalmente que estas escolas terão melhores resultados e isto sem se poder concluir que o Ensino é de qualidade.

Basta ver as propinas das 5 escolas com melhores notas para imediatamente perceber duas coisas: (1) apenas adolescentes das classes média-alta e alta a frequentam e (2) os pais são pessoas que se preocupam com a educação dos filhos. Se a isto acrescentarmos que três das escolas citadas estão ligadas ao Opus Dei, que é conhecida por recrutar os melhores quadros na sociedade, percebe-se facilmente que a competição estava viciada à partida.

Há um aspecto perverso, que é discutível, mas que pode ser importante. A partir do momento em que estes rankings passaram a ser publicados, algumas escolas passaram a trabalhar os alunos para os exames. Ora fazer exames, se bem que essencial, não é tudo. Eu, enquanto estudante, sabia bem a diferença entre estudar para compreender e estudar para tirar boas notas.

A informação dada por estas notícias é útil, importante e deve ser publicada. São peças de informação relevante. Para além de todos os factores que já referi, é evidente que uma escola que funcione bem, que seja bem organizada e que tenha professores competentes a ensinar potencia as capacidades dos alunos.

Para se fazer um ranking decente tem de se controlar todos estes factores: o nível sócio-económico dos alunos, critérios de admissão da escola, quais os exames feitos pelos alunos (notas de matemática tendem a ser inferiores), a quantidade de alunos (uma escola onde se fazem 20 exames não tem a mesma relevância estatística que uma escola onde são feitos 300 exames), e etc, etc. Depois de se controlar para todos estes factores, então sim, tem-se um ranking das escolas.

P.S. Tiago, em Coimbra, a Escola Dona Maria era conhecida como a principal fornecedora de namoradas. Costumava-se dizer que todos os rapazes de Coimbra já tinham namorado com uma aluna da Dona Maria. Sendo esta escola a melhor das públicas, rejeita-se a tua hipótese do homoerotismo potenciar as capacidades escolares.

P.P.S. O André esclarece melhor a entrada que eu cito.