Numa primeira reacção ao meu artigo, Vital Moreira escreve que a minha argumentação parte de um pressuposto fundamental: a de que todos gastam a mesma proporção do rendimento.
Eu respondi a esta crítica argumentando essencialmente três coisas: (1) que o pressuposto não era essencial (ou seja, que não considerando este pressuposto as conclusões se mantinham), (2) que, ao contrário do que se possa pensar, o pressuposto não é assim tão absurdo e (3) que a poupança actual é, essencialmente, consumo futuro pelo que, quando essas poupanças forem gastas, elas acabarão por pagar imposto. Vital Moreira responde contestando os meus pontos (2) e (3).
Escreve Vital Moreira, respondendo a (2): Ela contraria toda a evidência empírica. Seguramente que os milhões aplicados em fundos de poupança e de investimento ou nos mercados financeiros não provêm propriamente das pessoas com rendimento mínimo.
O que Vital Moreira diz implica que a poupança dos mais ricos seja de facto maior, mas não implica, e era isso que estava em questão, que a taxa de poupança seja maior. Além disso, é falso que o que eu disse contraria toda a evidência empírica. Há muitos artigos publicados que concluem precisamente que o consumo é, essencialmente, proporcional ao rendimento (de longo prazo). Fica aqui, como mero exemplo, o link para um paper recente, com dados do Canadá.
Parece-me que Vital Moreira fala no rendimento de um dado ano. Eu estou treinado para pensar em termos inter-temporais. Refiro-me ao rendimento ao longo da vida. O que Vital Moreira diz é verdade quando se considera o rendimento corrente. Quando falamos de rendimentos de longo prazo, a evidência empírica apoia em grande parte o que eu disse. Na minha opinião, devemos pensar em termos inter-temporais e dinâmicos e não de uma forma estática. Não faço disto um cavalo de batalha, até porque é um assunto ainda bastante discutido empiricamente.
Vital Moreira responde ainda ao argumento (3) dizendo que a acumulação de riqueza não se transforma necessariamente em despesa futura.
Discordamos. Talvez não discordemos totalmente, mas seguramente discordamos sobre a sua relevância. As pessoas poupam para gastar no futuro. É verdade que muitas vezes morrem deixando heranças. Mas tal vai-se traduzir em maior consumo por parte dos herdeiros. Regra geral, não há fortunas que durem para sempre. As pouquíssimas excepções que possam ser encontradas não são suficientes para pôr em causa o sistema.
Já agora, se o problema é o facto de haver uma parte da poupança que nunca é consumida, tal poderia ser resolvido havendo um imposto sobre sucessões e doações. (Note-se que não estou a dizer que defendo tal imposto, estou apenas a referir uma solução que anularia a objecção de Vital Moreira).
Aproveito para esclarecer um mal entendido. Escreve Vital Moreira: É verdade que, como diz o autor [LA-C], os rendimentos das poupanças também estão sujeitos a impostos (pelos vistos, estes impostos sobre o rendimento subsistiriam…). — Houve alguma confusão, não acho que tenha dito isto.
Chamou-me a atenção o que disse Vital Moreira a seguir, as taxas sobre os rendimentos das aplicações financeiras são muito mais baixas, e não podem deixar de sê-lo, sob pena de fuga generalizada para outras paragens.
Interessante. Esta fuga só acontece com as aplicações financeiras? O que pensa Vital Moreira que acontece aos outros rendimentos? Quantas pessoas e empresas não têm sede em paraísos fiscais precisamente para pagar menos impostos sobre os seus diversos rendimentos? A verdade é que são muito poucos os detentores desses grandes rendimentos que pagam o nosso IRS (à taxa de 42%). Os impostos que cá deixam são precisamente o que pagam em IVA.
Quanto à questão que Vital Moreira levanta no seu último parágrafo, sobre o valor do IVA ser ou não suficiente, cito o que escreveu o meu colega Artur Rodrigues, num dos comentários: “Os impostos (directos e indirectos) representaram, em 2006, 28% do consumo (privado e público). Se fosse concedido um subsídio de 100 euros/pessoa/mês, a taxa do imposto único deveria ser de 38%, assumindo inexistência de fraude fiscal.
Se a isto acrescentarmos os efeitos sobre a Economia de um sistema fiscal que não introduz distorções na Economia real (estimativas para os EUA apontam que seja de cerca 10 a 15% — e em Portugal o efeito deverá ser maior) será legítimo concluir que os 35% não é uma percentagem disparatada. De qualquer forma, é evidente que teria de haver muito cuidado na escolha do valor da taxa. O impacto sobre os preços dos produtos nacionais seria mínimo, dado que os preços actuais já incorporam os custos com os impostos. Os produtos importados ficariam mais caros, naturalmente.
Finalmente, concordo com Vital Moreira quanto à necessidade de coordenação com os restantes países da União Europeia.

Segundo o tal paper do Canadá, parece que o primeiro quantil (que me dá a impressão serem os mais pobres) tem taxas de poupança inferiores aos outros (se assim for – uma baixa poupança para os pobres e uma taxa de poupança estável daí para cima – até é parecido com aquele exemplo que eu dei lá abaixo).
Já agora, nesses estudos sobre a poupança, se eu tiver aplicações financeiras no valor de 1000 euros e elas valorizarem para 1.100, considera-se que eu tive um rendimento de 100 euros e que poupei esses 100 euros, ou esse valor é ignorado?
“Se a isto acrescentarmos os efeitos sobre a Economia de um sistema fiscal que não introduz distorções na Economia real”
“não introduz distorções”, como quem diz… - pelo menos, a leitura dos textos da Isabel Correia deu-me a impressão que, se estivéssemos no principio do mundo, os efeitos distorcionários de um imposto sobre o consumo seriam os mesmos que de um imposto sobre o consumo, e que a vantagem do imposto sobre o consumo é que permite taxar também a poupança realizada no passado. Por taxar também a poupança passada, esse imposto será menos distorcionário (mas não “não distorcionário”) que o imposto sobre o rendimento, mas, à primeira vista, dá-me a impressão que essa vantagem tenderá a desaparecer com o tempo, não? Afinal, se esse imposto fosse implementado agora, será que seria muito diferente termos, em 2107, um imposto que apanha as poupanças realizadas antes de 2007?
Comment by Miguel Madeira — May 30, 2007 @ 10:39 pm
aonde se lê “pelo menos, a leitura dos textos da Isabel Correia deu-me a impressão que, se estivéssemos no principio do mundo, os efeitos distorcionários de um imposto sobre o consumo seriam os mesmos que de um imposto sobre o consumo, ”
é para se ler
“pelo menos, a leitura dos textos da Isabel Correia deu-me a impressão que, se estivéssemos no principio do mundo, os efeitos distorcionários de um imposto sobre o consumo seriam os mesmos que de um imposto sobre o rendimento,”
Comment by Miguel Madeira — May 30, 2007 @ 10:55 pm
Já agora, um a questão - nesse modelo, a compra de casa passaria a ser sujeita a IVA?
Comment by Miguel Madeira — May 30, 2007 @ 10:59 pm
Mas, Luis, defendes IVA sobre a compra de bens imobiliarios?
E’ que me parece que defendes apenas um imposto sobre o consumo, nao necessariamente sobre certas formas de poupanca, como sejam a aquisicao de propriedade. Se nao defendes isso, sou levado a discordar de que a tua hipotese sobre a proporcao de consumo em familias mais ricas e mais pobres nao e’ relevante.
Se defenderes um imposto sobre a poupanca, igual ao IVA, entao sou levado a concluir que o que defendes na pratica e’ uma taxa linear de imposto sobre o rendimento, que so’ nao e’ exactamente igual a uma taxa plana sobre o IRS com isencao fiscal se (1) a isencao fiscal for inferior ao salario minimo *ou* se o subsidio que tu das ‘as pessoas for superior ao salario minimo (2) houver uma diferenca significativa na fuga e evasao fiscais. Tu nao referes nem (1) nem (2) no teu artigo (apesar do espaco, diga-se) e nota que a questao da uniformidade dentro da UE (que eu tinha referido, ja’ agora) e’ crucial para o sucesso de um unico imposto. Tu falas de beneficios enormes, mas sem sequer referires isso (que admites agora, fair enough) a coisa nao resultaria. Acresce que, mesmo considerando o seio da UE, e’ possivel que tivesse de haver algo mais, dada a globalizacao em que vivemos. E isto porque a taxa teria de ser bastante mais elevada (30-35%, por ai) que hoje em dia.
Finalmente, e como referi no post que escrevi sobre isto (http://www.atlantico-online.net/blogue/2007/05/27/reforma-fiscal/), haveria que considerar os custos de eficiencia de diferentes tipos de tributacao - sobre o consumo, poupanca e rendimento. Os conhecidos (por nos, economistas) “triangulos de ineficiencia”. Tu nao referes nada disso.
Acho que o ponto principal, contudo, e’ que hoje em dia as pessoas acumulam bastante propriedade, que passam de pais para filhos, etc. Tu, no artigo, nao referes nada disto, falas apenas de consumo, nem sequer de poupanca e aquisicao de casas, ou de imposto sucessorio. Sei o sao limitacoes de espaco, mas, honestamente, acho que nao referir nada disso limita bastante a analise (e de forma que julgo errada) e, referindo isso, tornas a tua proposta bastante semelhante ‘a que apresentei.
Para acabar, os comentarios de Nuno Guedes sao para passar ao lado. Abraco,
Comment by Tiago Mendes — May 31, 2007 @ 1:23 am
Mas, Luis, defendes IVA sobre a compra de bens imobiliarios?
E’ que me parece que defendes apenas um imposto sobre o consumo, nao necessariamente sobre certas formas de poupanca, como sejam a aquisicao de propriedade. Se nao defendes isso, sou levado a discordar de que a tua hipotese sobre a proporcao de consumo em familias mais ricas e mais pobres nao e’ relevante.
Se defenderes um imposto sobre a poupanca, igual ao IVA, entao sou levado a concluir que o que defendes na pratica e’ uma taxa linear de imposto sobre o rendimento, que so’ nao e’ exactamente igual a uma taxa plana sobre o IRS com isencao fiscal se (1) a isencao fiscal for inferior ao salario minimo *ou* se o subsidio que tu das ‘as pessoas for superior ao salario minimo (2) houver uma diferenca significativa na fuga e evasao fiscais. Tu nao referes nem (1) nem (2) no teu artigo (apesar do espaco, diga-se) e nota que a questao da uniformidade dentro da UE (que eu tinha referido, ja’ agora) e’ crucial para o sucesso de um unico imposto. Tu falas de beneficios enormes, mas sem sequer referires isso (que admites agora, fair enough) a coisa nao resultaria. Acresce que, mesmo considerando o seio da UE, e’ possivel que tivesse de haver algo mais, dada a globalizacao em que vivemos. E isto porque a taxa teria de ser bastante mais elevada (30-35%, por ai) que hoje em dia.
Finalmente, e como referi no post que escrevi sobre isto (http://www.atlantico-online.net/blogue/2007/05/27/reforma-fiscal/), haveria que considerar os custos de eficiencia de diferentes tipos de tributacao - sobre o consumo, poupanca e rendimento. Os conhecidos (por nos, economistas) “triangulos de ineficiencia”. Tu nao referes nada disso.
Acho que o ponto principal, contudo, e’ que hoje em dia as pessoas acumulam bastante propriedade, que passam de pais para filhos, etc. Tu, no artigo, nao referes nada disto, falas apenas de consumo, nem sequer de poupanca e aquisicao de casas, ou de imposto sucessorio. Sei o sao limitacoes de espaco, mas, honestamente, acho que nao referir nada disso limita bastante a analise (e de forma que julgo errada) e, referindo isso, tornas a tua proposta bastante semelhante ‘a que apresentei.
Para acabar, os comentarios de Nuno Guedes sao para passar ao lado. Abraco,
Comment by Tiago Mendes — May 31, 2007 @ 1:24 am
Amigos
o ano lectivo está acabar, a época de exames e as conferências de Verão, a primeira é dentro de 15 dias, estão quase a começar. O tempo falta.
Tentarei responder por atacado aos comentários mais relevantes daqui a uns dias. Não fiquem ofendidos por passar a responder com uma frequência menor nos próximos tempos, até porque já estamos a discutir isto há uma semana e os argumentos começam a ser repetitivos (aliás este post é um bom exemplo disso).
Comment by LA-C — May 31, 2007 @ 8:58 am
Resposta à pergunta directa do Tiago:
“Mas, Luis, defendes IVA sobre a compra de bens imobiliarios?”
Sim, tal como escrevi no artigo do Público: “A única receita do estado [seria] o IVA, aplicado a todos os bens (…)”.
Aliás a venda de imóveis paga IMT, e esteve em cima da mesa a possibilidade de pagar IVA em vez de IMT.
Já agora, se mandares fazer uma casa, todas as facturas que o empreiteiro te passe têm IVA, que não consegues recuperar do Estado (pelo que pagas IVA)
Tentarei voltar no Sábado e responder aos comentários relevantes (passados ou futuros) que ficaram por responder.
Comment by LA-C — May 31, 2007 @ 10:02 am
Mas as empresas continuariam a poder deduzir IVA, correcto?
Comment by Rui Cabral — May 31, 2007 @ 11:20 am
“E isto porque a taxa teria de ser bastante mais elevada (30-35%, por ai) que hoje em dia.”
Se a ideia é uma taxa efectiva da ordem dos 35%, a taxa nominal de IVA teria de subir de 21 para 53%.
Comment by Miguel Madeira — May 31, 2007 @ 12:26 pm
“que so’ nao e’ exactamente igual a uma taxa plana sobre o IRS com isencao fiscal se (1) a isencao fiscal for inferior ao salario minimo *ou* se o subsidio que tu das ‘as pessoas for superior ao salario minimo”
há uma diferença importante entre esta taxa e a taxa plana tal como foi defendida pelo Tiago Mendes - mesmo que o limiar esteja no salário mínimo, há muita gente que ganha menos que o salário mínimo (desempregados, trabalhadores em part-time, famílias em que só um conjugue trabalha, trabalhadores independentes, etc.) e que, neste sistema, irão ser beneficiários liquidos, enquanto no istema do TM iriam ser apenas não-contribuintes.
Comment by Miguel Madeira — May 31, 2007 @ 12:32 pm
Uma pergunta apenas: o trabalho de I.C. constitui um artigo de que o Prof. LA-C figura como co-autor? Pelo seu artigo no Publico e pelo (incorrecto) protesto de Vital Moreira fico com ideia de que sim, mas as entradas no blogue parecem nega-lo. A ideia de revolucionar estas taxas todas radica na UM ou deve ser partilhada com outras escolas de economia em Portugal?
Miguel
PS: A Vital Moreira responde a UM em unisono: “mate-se e esfole-se”, em termos dos impostos melhores mais justos propostos pelo Prof. LA-C.
PS: Andamos em sobressalto com todas estas ideias da economia nacional donde evite por favor ser demasiado “duro” com os exames… Que tal a ideia de substituir todos os exames parcelares por um exame “em grande” no final do curso? Acabava-se com o laxismo de alguns professores e com o excesso de rigor de outros, nivelando tudo pela mesma bitola. Assim sim, aplicam-se as ideias de I.C. e LA-C ao campo microeconomicista dos exames.
Comment by Miguel (UM) — May 31, 2007 @ 3:56 pm
“Segundo o tal paper do Canadá, parece que o primeiro quantil (que me dá a impressão serem os mais pobres) tem taxas de poupança inferiores aos outros (se assim for – uma baixa poupança para os pobres e uma taxa de poupança estável daí para cima – até é parecido com aquele exemplo que eu dei lá abaixo).” — Miguel
Certo. Pelo que o que é necessário é garantir um nível mínimo de rendimento a essa franja, que a partir daí o consumo é proporcional ao rendimento. De qualquer forma, vou parar de falar nisso porque não considero esse assunto muito relevante.
““não introduz distorções”, como quem diz… - pelo menos, a leitura dos textos da Isabel Correia deu-me a impressão que, se estivéssemos no principio do mundo, os efeitos distorcionários de um imposto sobre o consumo seriam os mesmos que de um imposto sobre o consumo, e que a vantagem do imposto sobre o consumo é que permite taxar também a poupança realizada no passado.” — Miguel
Estás a interpretar riqueza inicial como poupança passada, correecto? Sim estou de acordo contigo
“Por taxar também a poupança passada, esse imposto será menos distorcionário (mas não “não distorcionário”) que o imposto sobre o rendimento” — Miguel
De acordo.
” mas, à primeira vista, dá-me a impressão que essa vantagem tenderá a desaparecer com o tempo, não? ” — Miguel
Aqui não tenho a certeza. Apostaria que não, desde que exista poupança.
“Se defenderes um imposto sobre a poupanca, igual ao IVA, entao sou levado a concluir que o que defendes na pratica e’ uma taxa linear de imposto sobre o rendimento, que so’ nao e’ exactamente igual a uma taxa plana sobre o IRS” — Tiago
Não defendo tal imposto. Isso seria dupla tributação. Mas, ao contrário do que pensas, não é preciso isso para que os regimes tenham quase os mesmos efeitos (ver o comentário do Miguel).
Tal como já disse em algum comentário anterior (e aqui respondo também ao Miguel), a principal distinção entre o que tu defendes e o que eu defendi não tem a ver com o se tributar o consumo ou o rendimento (como aliás é referido pelo Ricardo Rreis). Não há uma grande diferença entre o imposto plano sobre o rendimento ou sobre o consumo. Um imposto sobre o rendimento diminui, directamente, o salário líquido. Sobre o consumo, afecta, directamente, o salário real (e a poupança actual será taxada quando consumida, pelo que também afecta a riqueza). Se não estivesses em fase de denial com a teoria económica, já o terias percebido há muito, em vez de fazeres deste ponto um cavalo de batalha
(E agora pondo de parte a questão de ser o consumo ou o rendimento que é tributado.) Quanto às nossas propostas serem iguais. Não são. Tu propões uma taxa de isenção para o rendimento. Isso faz com que a taxa marginal de imposto para uns seja 0 e que para outros seja maior do que zero (25% por exemplo). Quem está no escalão zero tem uma contribuição fiscal líquida igual a zero. Com o que eu proponho, a taxa marginal de imposto é sempre a mesma (evitando assim a distorção que causas) e, e este é o ponto principal (pelo menos para mim), as pessoas com rendimentos baixos são beneficiários líquidos, enquanto que para ti seriam apenas não contribuintes líquidos.
Outro ponto que distingue as nossas propostas, é que o que tu não propões nenhuma alteração fundamental ao nosso sistema fiscal. O que tu propões resume-se à redução do número de escalões do IRS de 5 ou 6 para 2 escalões. E tu, ainda por cima, defendes mais um escalão para o IVA, ou seja, simplificas por um lado, mas acrescentas distorções e complicações por outro.
Aquilo de que falo é uma autêntica revolução, com o fim da maioria dos impostos. Com a minha proposta, nem sequer era necessário fazer as declarações de IRS, que todos os anos tantos recursos consomem. Não me parece que as propostas sejam comparáveis. Penso que a minha é mais radical (e portanto com maiores ganhos de eficiência e com um melhor esquema de redistribuição do rendimento)
“Mas as empresas continuariam a poder deduzir IVA, correcto?” — Rui
O IVA é sempre pago pelo comprador final.
Comment by LA-C — June 2, 2007 @ 11:53 am
Então qualquer agente com um riqueza inicial face a um que não tem, pode criar uma empresa e ganhar beneficios com isso.
Em Portugal as pequenas e médias empresas não dão lucro, não porque paguem quantias elevadas a consultoras fiscais ou porque os accionistas gostem de queimar dinheiro em vez de o terem a render num banco, mas porque são utilizadas para comprar bens para usufruto pessoal dos accionistas.
Significa portanto que, por exemplo, na compra do automóvel (admitindo que toda a UE tem a mesma política fiscal) o agente que detem uma empresa gasta menos 50% sobre um agente que não tem empresa.
Esta situação agravaria as desigualdades entre aqueles que partem com uma riqueza inicial face aos restantes.
Comment by Rui Cabral — June 2, 2007 @ 8:09 pm
Rui, o que eu disse foi: “O IVA é sempre pago pelo comprador final.”
Mas olha, fica com a bicicleta (apesar de teres dados um exemplo com um carro).
Comment by LA-C — June 2, 2007 @ 8:52 pm
“Tu propões uma taxa de isenção para o rendimento. Isso faz com que a taxa marginal de imposto para uns seja 0 e que para outros seja maior do que zero (25% por exemplo). Quem está no escalão zero tem uma contribuição fiscal líquida igual a zero. Com o que eu proponho, a taxa marginal de imposto é sempre a mesma (evitando assim a distorção que causas)”
Acho que as 2 taxas marginais do Tiago são menos distorcedoras que a taxa marginal única do LAC. Assumindo que a taxa marginal e o nível de rendimento em que a contribuição liquido é zero são os mesmos, a proposta do LAC e do TM são igualmente distorcedoras para quem esteja acima desse nível; para quem esteja abaixo, a proposta do TM é menos distorcedora, porque a taxa marginal é menor (zero).
Comment by Miguel Madeira — June 4, 2007 @ 1:00 am