De um leitor atento recebi o seguinte e-mail:

Um problema desta teoria das sanitas é que,  há muitos homens que se sentam para urinar, como eu. A briga familiar sobre este assunto está directamente relacionada com a quantidade de salpicos que não se consegue evitar quando se urina de pé. Isto tem a ver com perícia, algum talento e habilidade natural de cada um, mas tem fundamentalmente a ver com a estatura do sujeito. Porque é uma das injustiças da vida que o tamanho das pilas não varie em proporção directa com a estatura do homem (existe até a crença de que há uma relação inversa).

Tomando a tua figura como modelo, por exemplo, eu devia ter uma pila com o dobro do tamanho para que de pé, em frente à sanita, estivéssemos em condições iguais. Eu cresci com uma mãe, duas irmãs e apenas 2 casas de banho. Não há qualquer mistério na minha opção.

Urinar sentado traz ainda 3 vantagens, pelo menos. Primeiro, descansa-se. Segundo, estimula o alívio do abdómen aerofágico, o que alimenta sempre o ego. E em terceiro, é um acto que não raras vezes, muitas delas perfeitamente inesperadas, é complementado obrando. A sensação de bem-estar é bestial e o ego sai ainda mais reforçado.

Isto leva-me ao segundo grande problema que identifico nesta teoria. É que o modelo está simplificado em demasia, e as suas conclusões teriam de ser revistas, se não no sentido (a estratégia antipática pode continuar a ser economicamente mais eficiente), pelo menos na magnitude (à falta de melhor palavra).

Precisamente, a 1ª grande falha é não tomar em consideração que a sanita não serve apenas para urinar mas também para defecar e, a não serem as pessoas realmente obesas, para este último propósito toda a gente, homens e mulheres, quer o aro em baixo. Releva para aqui o conceito da economia de gama, ou de âmbito. Olhando para a deslocação do aro como um custo de produção, é inegável que se trata de um custo partilhado entre dois produtos: urina e fezes. Por esta via, a estratégia antipática mantém-se a economicamente mais eficiente mas já não tanto como o artigo deixa perceber.

A 2ª grande falha é restringir os custos à deslocação do aro. Francamente, as mulheres não se põem aos berros só por terem o aro levantado mas também por terem a sanita salpicada. Os homens quando baixam o aro fazem-no, muitas das vezes, para esconder os salpicos de urina e se o fazem é porque consideram que isso é mais barato do que limpar a sanita. Releva para aqui um outro conceito económico: há objectivamente uma externalidade negativa associada ao urinar de pé e baixar o aro é como esconder a poluição. Por isso, em rigor, a análise devia ser revista e talvez a estratégia simpática se venha a revelar a mais eficiente, no fim de contas.

E viva o Benfica!

Gaspar