Um aspecto interessante deste debate sobre os arredondamentos, é que quem considera que o clausulado sobre os arredondamentos é demasiado obscuro para o português médio o entender, defendendo assim a intervenção governamental, implicitamente considera que o português médio sabe o que é um spread e, mais interessante, presume que o cliente médio dos bancos sabe o que é a Euribor, a principal componente da taxa de juro acordada com os bancos.

Ou seja, espera-se que o cliente médio (o tal que é burlado porque não sabe o que é um arredondamento) saiba a distinção entre Euribor a 1 mês, 3 meses, 4 meses, 6 meses, e por aí fora; que conheça as teorias da estrutura de prazo das taxas de juro (para perceber quais destes indexantes levarão a taxas de juro mais baixas, e quais são as mais voláteis); que saiba como funciona o mercado interbancário europeu; que outras taxas podem servir como indexantes; e por aí fora.