Aí em baixo, nos comentários à entrada sobre o Nobel de 2006, falou-se na globalização e no salário mínimo. O que pensa Phelps, enquanto economista e discípulo de Rawls, sobre estes assuntos?

Lembremo-nos do princípio que norteia o pensamento de Phelps. O Rawlsiano humanista quer uma sociedade que proteja o mais desprotegido dos seus cidadãos. O economista quer fazê-lo da forma mais eficiente possível, desviando-se dos efeitos perversos das políticas baseadas em boas intenções.

Poucas pessoas discordarão das boas intenções que norteiam quem defende a existência de salário mínimo. Mas quais são exactamente os efeitos do salário mínimo? Tornam o trabalho não qualificado mais caro, beneficiando os trabalhadores que o recebem. Mas se há trabalhadores que recebem o salário mínimo, tal quer dizer que há trabalhadores que não conseguem emprego devido à existência desse mesmo salário mínimo. Trabalhadores que se enfrentassem um mercado de trabalho mais flexível encontrariam emprego com uma remuneração inferior.

Se aceitarmos o raciocínio descrito, concluímos que a existência de um salário mínimo viola o princípio de Rawls, pois em vez de proteger todos trabalhadores mais mal pagos, atira parte deles para o desemprego. Não espanta assim que Phelps seja contra o salário mínimo, mas que proponha, em seu lugar, um subsídio aos trabalhadores mais mal pagos. Esse subsídio defenderia estes trabalhadores garantindo, simultaneamente, que tal era pago por toda a sociedade e não à custa dos desafortunados que são atirados para o desemprego com as políticas de altos salários mínimos.