Nos EUA dos anos 50 havia uma preocupação crescente com o crescimento económico galopante da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Crescimento conseguido graças a altíssimas taxas de poupança forçada. Debatia-se se o governo americano deveria assumir políticas activas de estímulo à poupança. Em 1960, Edmund Phelps derivou a ‘golden rule’, regra de ouro, para a poupança. A prescrição era simples, se a longo prazo queríamos maximizar o bem-estar das famílias, a taxa de poupança deveria ser igual ao peso do capital na repartição nacional do rendimento. A tal correspondia uma taxa de poupança de 33%, mais ou menos a que de facto se verificava nos EUA.

Hoje em dia, a mesma regra aplicada a Portugal, implicaria que a taxa de poupança óptima se situaria nos 35%; na realidade a taxa de poupança actual situa-se abaixo dos 10%.

Em 1958, Phillips, usando dados históricos de quase 100 anos, descortinou uma relação estatística entre taxa de desemprego e inflação. Períodos de maior inflação associavam-se a períodos de menor desemprego. Esta relação, conhecida por Curva de Phillips, foi verificada para diversos países. Economistas e políticos logo encontraram o que seria uma simples fórmula de Política Económica: para combater o desemprego bastaria adoptar políticas inflacionistas.

Mas, tudo o que é sólido dissolve-se no ar. A Curva de Phillips descrevia uma relação estatística, que não estava bem fundamentada em nenhuma teoria microeconómica. Edmund Phelps procurou fundamentar microeconomicamente uma relação macroeconómica. E o que encontrou? Encontrou uma relação inexistente. Segundo Phelps, a inflação dependia não só da taxa de desemprego mas também das expectativas das empresas e dos trabalhadores relativamente à inflação. Assim, no curto prazo, uma política inflacionista poderia reduzir o desemprego, mas logo que as empresas e os trabalhadores se apercebessem da nova taxa de inflação, o desemprego voltaria aos seus valores anteriores. Estes efeitos inter-temporais das políticas de estabilização tinham até então passado despercebidos.

 Os ensinamentos de Phelps (e também de Milton Friedman) foram premonitórios. Logo que os políticos tentaram combater o desemprego com políticas inflacionistas, a relação estatística desvaneceu-se e períodos de grande inflação conviveram com altas taxas de desemprego.

Phelps foi também um dos pioneiros no uso da teoria dos jogos em Macroeconomia. Foi num jogo intergeracional, em que as diferentes gerações participavam num jogo não-cooperativo. Não querendo entrar em detalhes técnicos, este modelo é muito usado para justificar políticas que levam à criação de sistemas de pensões de velhice.

Nos anos 70, com o domínio intelectual da Escola de Chicago e dos novos-clássicos e também como consequência dos próprios trabalhos de Phelps, as políticas económicas de estabilização estavam desacreditadas. Em 1977, Phelps e um seu aluno (John Taylor) desenvolveram um modelo que explicava, como a falta de flexibilidade do mercado laboral podia explicar os efeitos reais das políticas de estabilização conjuntural.

Ainda no fim dos anos 70, Phelps assumiu-se como discípulo de John Rawls, que defendia que uma sociedade justa deveria preocupar-se com a qualidade de vida do seu cidadão mais pobre. Aplicou este princípio a um modelo intergeracional. Mais tarde viria a declarar que o capitalismo era o sistema económico que mais respeitava os princípios de Rawls.