O culto da ignorância (actualizado)
No seu artigo de hoje, 30 de Outubro, Eduardo Prado Coelho fala do Plano Nacional de Leitura. No texto, não se vislumbra um argumento que seja, apenas insultos e provocações. Não podendo combater o que não existe, gostaria, no entanto, de responder aos insultos.
Prado Coelho exterioriza o desdém que sente por quem o sustenta e a pura demagogia das suas opiniões quando diz que “puxa da pistola” sempre que ouve falar em "dinheiro dos contribuintes". Este desprezo de Prado Coelho pelos dinheiros públicos é uma manifestação do que de pior há na mentalidade subsídio-dependente de Portugal.
De pistola sacada, Prado Coelho dispara. Dispara contra Luís Pedro Coelho, “uma personagem anónima, em algo que se intitula ‘Rabbit’s Blog’”. No seu blogue, Luís Pedro tem o seu nome e um link para a sua página pessoal. Nessa página pessoal pode-se encontrar o seu currículo, a sua morada, a sua fotografia e até o seu telemóvel. Mas, para Prado Coelho, mais anónimo é impossível.
De seguida, Prado Coelho lança-se contra as ideias de Vasco Pulido Valente. Ideias que são “absurdas, insensatas e totalmente desconhecedoras da realidade que se podem dizer sobre estas matérias”. Para ilustrar tais despautérios cita um texto meu. Agradeço, obviamente, a honra de me fazer porta-voz de Pulido Valente, mas nem eu mereço tamanha deferência, nem Pulido Valente merece tal insulto.
Prado Coelho, que não lê blogues, explica ainda que a “desenvoltura da escrita” dos blogues, “uma espécie de tu cá, tu lá”, “favorece o disparate”. Neste mesmo texto, diz que o anónimo Luís Pedro Coelho “deve tratar-se de um funcionário do Continente que se pretendeu pôr em bicos dos pés”. Quando a mim se refere, fala num “tal senhor Luís Aguiar Conraria” que tem um “estilo mais ou menos aparvalhado”. Não comento o elitismo asinino implícito nestas frases, mas fico contente com o estilo “tu cá tu lá” dos blogues, que me distingue do estilo erudito de Prado Coelho.
No meio de tantas provocações, Prado Coelho revela, ao desconhecer o autor do ‘Rabbit’s Blog’, o que de pior têm alguns ‘opinion-makers’. Fala do que não sabe e opina sobre o que nem sequer quer saber. Bastava ter ido ao ‘Rabbit’s Blog’ para saber que era um blogue com assinatura e com rosto.
Prado Coelho, que não lê blogues, não se dá ao trabalho de perder 5 minutos para fundamentar os seus insultos. Tão grave como esta ignorância que Prado Coelho diz que cultiva é o visível orgulho com que o faz.
P.S. Enviei este texto à direcção do ‘Público’, pedindo a sua publicação.
P.P.S. Este texto, foi publicado hoje, dia 1 de Novembro, no Público. Dou o caso por encerrado.

Luís,
Aparvalhado fiquei eu com tamanha falta de urbanismo de EPC - algo que nunca demoveu o nosso intelectual da página 3, apesar de ter contribuído para o ter despromovido do lugar hoje ocupado pelo VPV, contra quem (surpresa!) também “perdigota”.
Não se pode responder como outro “anónimo“?
Comment by AntónioCostaAmaral (AA) — October 30, 2006 @ 4:37 pm
O texto de EPC demonstra apenas como as pseudo-elites reagem quando vêem o seu monopólio dos “púlpitos opinativos”. Lamentável.
Comment by João Melo Alvim — October 30, 2006 @ 4:44 pm
EPC perdeu por completo as estribeiras, numa palavra: lamentável!
Ultimamente é com frequência que a sua crónica do Público resvala para o insulto, sempre que lhe faltam argumentos para defender posições que resolve assumir. Depois retrata-se e diz que tudo não passou dum arrebatamento de retórica como quando chamou metecapto, mais qualquer coisa bem feia e que agora não lembro, ao António Fiuza, presidente do Gil Vicente, depois deste o ter ameaçado pô-lo em tribunal.
Espero que desta vez também o faça, é do mínimo de justiça. Mas o pior está feito.
Um abraÇo solidário.
Comment by ricardo — October 30, 2006 @ 4:57 pm
Miserável a argumentação (?) de EPC. Apenas comparável àquela onde tentou provar que a política do preço fixo nos livros iria beneficiar os leitores. Essa, ao menos tinha a vantagem de não recorrer ao insulto pessoal.
Comment by Miguel — October 30, 2006 @ 5:25 pm
O texto de EPC é absolutamente lamentável e indigno.
Comment by LA — October 30, 2006 @ 5:29 pm
Como sabes, Luís, aprecio a mordacidade que infiltras, com requinte, na tua argumentação. Perfilas-te, por isso, entre outros nomes cujos textos campeiam na blogosfera e na imprensa. EPC é um deles. Todavia, exaspero-me com a propensão vituperiosa deste catatónico da parcimónia. Notório é o recurso à vileza quando pressente a subalternização dos seus argumentos.
Nada tenho contra o elitismo de cariz intelectual. Não por acaso, um dia, escrevi que os “livros escolhem os seus leitores”, pelo que um livro da Margarda Rebelo Pinto não me escolhe. Existem, conquistaram um espaço legítimo, mas não o visito. A minha aversão é tão legítima quando a devoção dos que transformaram o nome da senhora numa marca registada sensível.
A blogosfera acarretou, não obstante perigos óbvios e encobertos, a purificação - sempre incompleta - das agoras. Este matiz não agrada a EPC e a outros que gostariam de deter o monopólio da opinião, abalizada, fundada e/ou frágil, mas não mera “doxa” leviana a dispensável. Entrou em colapso, com o contributo da blogosfera, a sacra imagem dos educadores da plebe. E há quem não goste.
Um abraço.
P.S.: O “estilo mais ou menos aparvalhado” é um sintoma daquele atordoamento que levou EPC a escrever, por exemplo, isto: “Mas o que mais me impressionou desta vez é que a minha massagista, Natália, uma moldava que é também uma excelente pessoa (…)” (in Público de quarta-feira passada)
Comment by Vítor Sousa — October 30, 2006 @ 6:06 pm
Fiquei boquiaberto com o artigo de EPC. Ele ainda não percebeu que não somos parvos?
Comment by André Abrantes Amaral — October 30, 2006 @ 6:14 pm
Infelizmente, há e sempre houve gente como o Eduardo Prado Coelho. Mas realmente este artigo está mesmo infeliz…
Comment by Pedro Fonseca — October 30, 2006 @ 6:31 pm
Insulto com insulto se paga?
Como podem verificar, pelo exemplo dado, o conceito de anonimato, não depende da publicidade a um nome. Depende da notoriedade do mesmo…
É por isso que um Luís Pedro Coelho equivale no caso a um josé ou a um Luiz Aguiar.
E por isso não adianta recriminar quem recuse a indicação do nome, se de facto também permitir uma identificação sempre que necessária.
Que vos sirva de lição!
Quanto ao estilo do EPC, por mim, teria levado o assunto para a brincadeira.
Mais ou menos assim:
“Um dos talentos do Público, é sem dúvida Eduardo Prado Coelho! As crónicas eduardinas lêem-se de um trago, tal como a epónima ginginha ou os penalties de tinto da rua de Santo Antão.
A prosa de Eduardo, já vem de longe - nos anos setenta, percorria a esquerda baixa, acompanhando-se ao PC dos amanhãs a cantar. Antes, já polemizara com o desaparecido Virgílio Ferreira, a propósito de questões estruturais, atirando-lhe uma antologia em 400 páginas e afogando-o num mar de citações de Sartre e Lévi Strauss, Barthes e muito Foulcault.
Mesmo em idade de juizo perfeito, sempre alinhou escritos na corrente certa que leva a bom porto e por isso consulou em Paris, no tempo da Maria cavaquista.
Quem o lê, sabe que é versado em tudo o que são tretas.
As letras de Derrida e um Dante aligeirado, acompanham frequentemente as citações para os “pathos” e uma pesquisa no Google, associando EPC a nomes emoldurados, dá um quadro assegurado do seu saber de gingeira.
Da arquitectura de Gropius à música ligeira, não há assunto que o estruturalmente modesto EPC não tenha explorado. De vez em quando, um alçapão traiçoeiro mostra-nos o “vácuo das ideias ligado à crise de paradigmas”.
Contudo, não é por aí que ele cai. “La fascination de la bêtise” não o afecta, porque o primeiro a citá-la foi ele – e Pedro Arroja que o diga!
EPC é um inventor de semioses portáteis, de bolso, prontas a usar em ocasiões banais, como é o caso dos seus artigos nos jornais.
A última conhecida, tem a ver com felinos caça-ratos. Para nomear o chefe do bando, o semiótico crismador, no seu fio do horizonte, topou-lhe uma constipação e foi assim que o já baptizado, ganhou o cognome de “gato-constipado”.
Na crónica de hoje do Público, a Lista é debicada para lhe dar alguma da humorística pedalada que segundo o “Ginginhas” tem faltado ao “gato constipado”.
E assim estende a prosa, gozando com a lista. Apesar de por lá aparecer, não se dá por achado, porque não se perdeu por aí.
O gozo todo vai para a análise estrutural da lógica da lista. O que está por detrás dela? Pergunta, de algibeira. O surrealismo - responde o estruturalista!
A lista pertence à categoria de coisas que não tem relação entre si e por aí fica arrumada, nas citações do Narana e nas graçolas do Moura, seus companheiros de rol.
E cita o O´Neill para dizer que é o equivalente do “conde que cora ao ser condecorado” e “à noiva que diz ai que eu grito”.
E num esforço anafado, de insolência solerte, não hesita num “flash” em dirigir o despeito aos “gatarrões” que abomina. E vai de apresentar a conta do demonstrado descrédito aos “juizes do Ministério Público” - “Há certas instituições que se descredibilizam a si próprias”.
Mesmo sem lhes conhecer a estirpe ou distinguir os papéis, está dado o anátema a uma lista surrealista, de uma instituição de juizes, onde só se podem “ler duas coisas” - “ou são todos da ampla família dos pedófilos reais ou potenciais, ou esta lista exprime o caos da sociedade portuguesa.”
Assim, neste mar de sabedoria e neste Portugal de cronistas de opereta, até eu me apetece citar de sopete o O´Neill …
País dos gigantones que passeiam
a importância e o papelão,
inaugurando esguichos no engonço
do gesto e do chavão.
E ainda há quem os ouça, quem os leia,
lhes agradeça a fontanária ideia!
Comment by josé — October 30, 2006 @ 6:35 pm
Absolutamente vergonhoso o “texto” de EPC. O mínimo que o Público poderia fazer era publicar na íntegra a resposta do LA-C.
Comment by AAA — October 30, 2006 @ 6:44 pm
Ser apoiante de Manuel Alegre é uma manifestação do que de pior há na mentalidade subsídio-dependente de Portugal.
Comment by Waldek — October 30, 2006 @ 6:54 pm
EPC nunca teve vergonha na cara e não é agora que vai começar a ter. O texto é brutinho como o seu autor. Para lá de toda a panache, o que sobra é um bully.
É natural que EPC saque da pistola sempre que ouve falar do dinheiro dos contribuintes. É o dinheiro que o tem alimentado e é o dinheiro que falta no bolso de quem não o atura ou de quem realmente necessitaria de solidariedade social e não a tem. EPC não é de esquerda; EPC é, sim, de quem lhe pagar e contra os que recusam fazê-lo, como, aliás, demonstrou ao longo da sua vasta carreira pública.
Comment by José Barros — October 30, 2006 @ 7:30 pm
O teu texto está excelente como resposta a uma prosa lamentável, agressiva e inculta de alguém que, definitivamente, já passou o prazo de validade há muito. Amanhã vou comprar o Público para ver se o teu comentário foi publicado.
Comment by PJ — October 30, 2006 @ 8:10 pm
josé, o magistrado anónimo da Grande Loja do Queijo Limiano não perde uma ocasião para se defender se e explicar. mesmo quando a coisa não tem nada a ver com ele …..
Lava, lava, mas a mancha não sai, não é?
Comment by rm — October 30, 2006 @ 8:20 pm
Eduardo Prado Coelho assinou definitivamente a sua certidão de óbito intelectual. Para quem ainda tinha dúvidas.
Comment by Zé Pedro — October 30, 2006 @ 8:28 pm
rm:
Vosselência é da pública ou da privada?
Apesar de tudo, ainda aprecio o seu tom: “josé, o magistrado anónimo”!
Impecável. Vou pensar em fazer um blog com esse título…
Agora mais a sério:
E se te deixasses de palermices como essa e me explicasses aqui e agora de que é que me defendo?!
Comment by josé — October 30, 2006 @ 8:40 pm
Notável resposta! Muitos furos acima dos pintainhos que trataram o tema por aí. Eu diria, alguns furos cima do texto de EPC.
Comment by Paulo — October 30, 2006 @ 8:45 pm
E será que a coisa terá algo a ver com estes todos que aqui comentam anonimamente, incluindo-te a ti?
Talvez. É por isso que vou já escrever no meu eido.
Comment by josé — October 30, 2006 @ 8:46 pm
Amigos
Peço desculpa por só agora voltar e responder aos vossos comentários. Espero ter, já a partir de amanhã, um pouco de mais tempo para me dedicar ao blogue.
Agradeço genericamente os vossos comentários.
Vítor Sousa
Essa citação de Prado Coelho é notável. Ainda não parei de rir. Vou ver se o texto ainda está disponível online para eu o ler.
José
Confesso que não percebi muito bem o seu comentário. Nunca aqui critiquei blogues anónimos, nem comentadores anónimos. Tenho a minha opinião sobre o assunto mas penso que nunca a exprimi.
Comment by LA-C — October 30, 2006 @ 8:56 pm
Confesso que o recado não era bem para si, caro LAC…mas como pode ler, nesta caixa já há um a quem pode servir.
Comment by josé — October 30, 2006 @ 9:01 pm
A classe dos comentadores profissionais , portanto subsídio dependentes, está debaixo do fogo da classe dos contribuintes revoltados pelo esbulho para fins inglórios!
Comment by invejoso anónimo — October 30, 2006 @ 10:30 pm
Bom texto. Excelente resposta….
Comment by Mariana Matos — October 31, 2006 @ 12:43 am
Eu concordo com tudo o que escreveu.
Comment by luispedro — October 31, 2006 @ 12:44 am
Só posso discordar de uma coisa: não é tanto culto da ignorância, é sobretudo culto do umbigo, culto da soberba, culto do narcisismo. Porque essas caracterísiticas implicam (necessariamente) uma possibilidade (ontológica) de “conhecimento” do outro. A “ignorância” dele é, deste modo, não tanto uma ausência de factos “per se” mas uma consequência da sua postura, algo anterior e primordial.
Preciosismo à parte, o que importa é sublinhar o que já todos disseram: o artigo é nojento, humilhante para EPC, que, se bem percebo, poderá ter aqui mais um momento de ouro no seu apagamento enquanto opinion maker da nossa pólis.
Espero que o Público aceda a publicar a tua resposta e uma eventual resposta do Luís- Pedro. E isto não obstante o facto de qualquer pessoa que vos conheça (e mesmo que não conheça, o nível é tal que parece que o homem estava bêbado ou num acesso de ira por falta de reconhecimento ao seu “espelho meu, espelho meu”) se sentir à vontade (senão mesmo na obrigação) de defender não qualquer tipo de corporativismo, mas um mínimo de decência e respeito - e, sim, secundariamente, um mínimo de informação sobre aquilo que se fala.
Abraço,
Tiago Mendes
Comment by Tiago Mendes — October 31, 2006 @ 12:47 am
“Porque essas caracterísiticas implicam (necessariamente) uma possibilidade”
Impossibilidade, não possibilidade, claro.
Uma nota final: dada a forma como também insulta VPV, que escreve no mesmo jornal e não desdenhará dar-lhe troco, a hipótese de “homem à beira de um ataque de nervos” ganha maior relevo. Isso não desculpa nada, apenas)eventualmente) “enquadra” o desvario publicado.
PS: acho que (LA-C) poderias escrever directamente ao provedor do Público, não tanto pelo conteúdo do artigo (Opinião é Opinião) mas pelos limites ultrapassados, pela indecência óbvia que por ali há. Enfim, tudo totalmente gratuito.
Comment by Tiago Mendes — October 31, 2006 @ 1:03 am
Um texto patético, de facto. Não sei se mais pela arrogância e narcisismo, ou se será mesmo a senilidade que fala mais alto. Seja como for, merece uma resposta à altura. E a sua parece-me extremamente sensata.
Estarei atenta ao desenvolvimento da situação.
Comment by Brisa — October 31, 2006 @ 2:02 am
[Preciosismos (bem intencionados) - Parte 2:]
Não me querendo meter com o teu pai, julgo que este post poderia entrar, retumbante, com muitas valquírias à mistura, na categoria “Cenas de Guerra”.
E não me querendo meter (demasiado) contigo, parece-me que dificilmente toda esta polémica não apreciaria estar (também) na categoria “Pessoal”.
Comment by Tiago Mendes — October 31, 2006 @ 2:06 am
Caro LA-C,
A pistola do EPC é de fulminantes.
O pior é que talvez ainda haja quem o leve (a ele, EPC) a sério.
Pessoalmente, continuarei a ler a crónica do EPC. Também gosto do “Inimigo Público”, mas rio-me menos.
Comment by el ranys — October 31, 2006 @ 4:16 am
Este tipo (EPC) é um dos figurões da parvónia portuguesa. Não anónimo, só ele e os que aparecem na televisão. Porque esses, são controlados. E só lá estão porque são politicamente correctos - cinzentões e seguidistas.
Não suportam os blogs porque lhes estão a fazer a folha, a destapar as carecas e a retirar espaço de opinião que estava devidamente controlado.
Comment by antipublico — October 31, 2006 @ 9:24 am
Há muito que deixei de ler a Bolinha Semiótica, como era conhecido nos idos do PREC, e fico admirado cada vez que o vejo no Público. Quando é que esse digno e bom jornal se resolverá a tirar de lá essa aventesma (e já agora, outro também, um inominável “cartoonista” que dá pelo nome de Vasco, e que está ao nível do PC)?
Comment by Luis Serpa — October 31, 2006 @ 11:16 am
Não é uma surpresa. Esses senhores acham que eles é que têm que decidir o que ouvimos, lemos e vemos, porque por alguma razão eles consideram-se na posição de decidir o que é bom ou mau para nós.
Comment by Pedro Sá — October 31, 2006 @ 11:20 am
Eu sou da opinião que é altamente pretenciosa e preconceituosa a classificação dos livros em comercialóides/populares ou cultos/eruditos assim como rotular quem os lê como incultos e medianos ou cultos e letrados consoante as suas opções literárias.
Como deverão então ser rotulados aqueles que lêm com prazer António Lobo Antunes, Paulo Coelho, Eça de Queirós, Dan Brown, Miguel Sousa Tavares e Vergilio Ferreira, p.ex? Deverá o Miguel Sousa Tavares ser classificado como comercial, depois das vendas que fez, ou porque é do meio intelectual é-lhe preservada a erudição?
Se pusermos de lado rótulos e preconceitos um livro só poderá ser classificado por nós (e gostos não se discutem), depois de o lermos (o que nem sempre acontece) e essa classificação deve ser: o livro é bom ( no sentido em que nos prendeu a atenção de tal forma às três da manhã ainda viramos mais uma página, fez-nos reflectir, sonhar, viajar ou adquirir conhecimentos novos) ou o livro é mau (quando é intragável, quando ouvimos todos os ruidos à nossa volta e tudo nos distrai, quando temos que ler e reler e reler para tentar perceber o que o autor deseja transmitir em toda a sua sabedoria de pedestal e o sua tentativa de experimentalismo literário e lá se perde o fio da história, por muito bela que ela seja). E muitas vezes acontece que o livro é bom agora e se o lermos mais tarde o livro já não nos parece tão apelativo. A disposição, a vivência, o momento das nossas vidas, dita a qualidade do livro, independentemente do grau de instrução ou do nível intelectual (seja lá o que isso for e ainda estou para saber como se mede).
Para mim, o prazer de ler um livro, um autor, é algo tão pessoal que não tem discussão possivel
Comment by Gisela — October 31, 2006 @ 12:14 pm
Prado Coelho tem este triste fado de encarnar o pedantismo balofo da intelectualidade bafienta que Eça bem retratou.
É como dizes Luís. Não se pode combater o que não existe.
Abraço
Comment by LNT — October 31, 2006 @ 1:36 pm
Será que Eduardo Prado Coelho é Eduardo Prado Coelho?
ou então
Quem tem medo da Blogoesfera?
um abraço do blogoarquipélago
Comment by pedro — October 31, 2006 @ 2:10 pm
Não acho que valha a pena perder tempo com estas coisas. Renhónhónhónhó. Quero emigrar.
Comment by asdrubal santos — November 1, 2006 @ 12:26 am
GOSTEI DE LER
O Culto da Ignorncia, por Lus Aguiar Conraria e Cristovo de Aguiar, em A Destreza das Dvidas. Blogues, Fontes e Jornalismo, no Comunicar a Direito. Ironias, por Rui Costa Pinto, no Mais Actual (ler com culos para azul). O Faduncho,…
Trackback by tomarpartido — November 1, 2006 @ 2:58 am
http://guestoftime.blogspot.com/2006/10/os-maias.html
“Então o poeta, sentando-se ao lado do seu amigo, fallou com nojo do Eduardinho.
- Ahi está uma torpeza que elle nunca commettera, trazer merdices ao Público! Nem ao Público, nem a parte nenhuma… Mas muito menos ao Público! …
- Esse Prado, accrescentou elle, é um traste! Eu conheço-o; elle escreve num jornal, e já lhe dei muita bofetada na rua do Alecrim. Foi uma historia curiosa… Ora eu t’a conto… Aquelle canalha! quando me lembro!… Aquella vil bolinha de materia putrida!… Aquelle chouricinho de pus!
* Excerto em adaptação livre de uma obra imprescindível a um qualquer plano nacional de leitura.”
Comment by Helder — November 1, 2006 @ 3:01 am
Este último comentário é uma delícia…. Parabéns, Hélder!
Comment by Vítor Sousa — November 1, 2006 @ 2:15 pm
:-) Não é meu, é do FCG no Guest of Time.
Comment by Helder — November 1, 2006 @ 8:06 pm
Continue Luís e Cristovão…gosto muito mais de vos ler que ao EPC…
E não preciso de dizer mais nada!
Um abraço
Comment by Calvin — November 2, 2006 @ 1:13 pm
Caro Luís,
Para os mais velhotes, o jornalista EPC era uma leitura obrigatória no “Diário de Lisboa”. Fazia as críticas dos filmes. O tamanho dos escritos começou depois a crescer, e passaram a ensaios. Mas foi com (e por causa d’) ele que muitos da minha idade foram levados a ler Saussurre, Barthes, Foucault, Althusser, Jong. A ter conversas doutas ao fim da tarde, por entre cachorros, galões e cervejas, sobre códigos, significados e epistemologias. Perdi há seis anos e para sempre o meu melhor colega e amigo destas conversas. Interpretava o que o jornalista EPC escrevia como ninguém. Às vezes sentia que ele batia o EPC no rigor do pensamento.
Por tudo isto, a tristeza invadiu-me quando vi ontem publicada a sua carta no “Público”. Aqui estou para agradecer a si e ao Cristóvão, a alegria que me têm proporcionado com a vossas entradas ao longo destes muitos meses. E para vos pedir que continuem. Pela oportunidade que a tantos dão de discursar. Pelo bem estar da língua portuguesa.
Dei ontem conta no jardim das minhas traseiras que um malmequer parece querer rebentar em Novembro. Deve ser do tempo que tem estado. Que até às plantas as deixa confusas. Como andarão então os animais? Como andará o jornalista EPC? Só assim consigo explicar.
Muito obrigado.
Comment by F — November 2, 2006 @ 4:34 pm
F, caro F
Deixa-me sem palavras. Hoje, há pouco, a pretexto deste seu comentário, recebi um e-mail de um amigo que dizia (e vai-me desculpar o tom coloquial): “O valor do vosso blogue seria menor se não recolhesse os comentários deste gajo. É trigo-limpo-farinha-amparo, sempre. O mérito é vosso que o motivam, e o valor acrescentado que ele traz é o vosso prémio.”
Sem palavras, apenas posso agradecer a sua presença. Se um dia quiser mandar um e-mail para nos conhecermos, estarei cá.
Comment by LA-C — November 2, 2006 @ 11:38 pm
É um hábito já antigo de EPC. Quando não tem nada para dizer, insulta.
Comment by r. — November 5, 2006 @ 9:01 pm