Declaração de voto ─ Francis Obikwelo
Pelos vistos anda em marcha uma votação, promovida pela RTP, para a escolha de maior português de sempre.
Depois de pormos de parte todos os nomes de pessoas que foram portuguesas por acidente, chegámos à conclusão que apenas havia dois nomes a considerar: Dom Afonso Henriques e Francis Obikwelo. Dom Afonso Henriques foi Rei. Um rei não se sujeita a votos; resta-nos dar o apoio, cheio de convicção, a Francis Obikwelo.
Luís e Sandra

Assino por baixo da petição!
Comment by mfba — October 12, 2006 @ 3:49 pm
Eu votaria em Luiz Vaz de Camões.
Comment by Anonymous — October 12, 2006 @ 6:20 pm
obviamente, o maior Português de sempre sou eu, e assim deviam pensar de si próprios todos os portugueses.
Comment by AJM — October 13, 2006 @ 1:30 am
Não posso concordar com nenhum de vocês. Eu continuo a achar que o melhor português de sempre foi aquele…hmmm…como é que se chamava mesmo…aquele do coiso, pá…que até disse e escreveu e tal…pá, não me lembro…Afinal concordo com o AJM. O melhor português de sempre é ele! Isso dá dinheiro?
Comment by Calvin — October 13, 2006 @ 2:15 am
Francis Obikwelo é português por contingência num mundo onde o expediente é arma que se usa para defraudar os resultados. Sim, uma medalha de ouro portuguesa nos 100mt é tão caricata como dizer que o português médio tem carapinha. A caricatura não se prende com o racismo, que não o sou, mas exalta a minha repulsa pelos “Decos” da vida que, num País de bimbos, têm benesses que nem aos nossos damos. Andam emigrantes a penar na clandestinidade anos a fio sem direitos nem protecção para que uns eleitos de uma penada tenham de mão beijada todas as regalias?
Vale-nos saber que Francis Obikwelo está em Espanha pelas mesmas razões por que veio para Portugal. Chamá-lo português é desconhecer o sentido da nacionalidade, é admitir que ele domina a língua, que ama verdadeiramente o País, que conhece a nossa história e que tem os nossos valores. Nada mais falso!
Comment by João Mãos de Tesoura — October 14, 2006 @ 5:33 pm
Eu também fiz a mesma pergunta! O Figo, o Mourinho, o Joaquim Agostinho, o Carlos Lopes, a Rosa Mota, estão lá todos. O Obikwelu não tá porquê? porque é preto?
Afinal, por esta altura já tem mais medalhas em grandes competições que o Carlos Lopes, por exemplo!
E o Mourinho tá na lista porquê? Porque ganhou 1 Taça Uefa e 1 Liga dos Campeões? Então, que seja incluído o Artur Jorge! E o Pedroto!
Mas enfim, de programas idiotas, só se esperam listas idiotas.
Penso que escuso de dizer que discordo no João Mãos de Tesoura; por nascimento ou por opção, Obikwelu é tão português como qualquer outro. Veio para Portugal por necessidade, Portugal acolheu-o e ele retribuiu. À mesma proposta de naturalização feita por Espanha, onde ele já morava e treinava, Obikwelu disse que não. Já o Deco é um caso diferente, só optou pela nacionalidade portuguesa depois de perceber que nunca seria chamado à selecção do Brasil. O Obikwelu não precisava de nós para nada. Muito pelo contrário.
Comment by Nelson — October 14, 2006 @ 8:11 pm
When Nigeria held trials to pick athletes to represent the west Africa nation in one of the world’s most prestigious athletic events, two key competitors were conspicuously absent.
Gloria Alozie, Nigeria’s foremost hurdler and silver medallist at the 2000 Sydney Olympics, and Francis Obikwelu, the nation’s 100 and 200 metres sprint champion, dumped Nigeria for their newly adopted countries mere weeks before the International Amateur Athletic Federation (IAAF) world championship in Edmonton, Canada.
Their departure is not unique among African athletes: Canadian immigration officials are sorting through the refugee claims of 106 athletes and artistes — mostly from Africa — who chose not to return home after the 10-day Francophone Games ended in Ottawa on July 24.
Gloria Alozie, Nigeria’s foremost hurdler and silver medallist at the 2000 Sydney Olympics, and Francis Obikwelu, the nation’s 100 and 200 metres sprint champion, dumped Nigeria for their newly adopted countries mere weeks before the International Amateur Athletic Federation (IAAF) world championship in Edmonton, Canada.
Both Obikwelu’s defection to Portugal and Alozie’s decision to acquire Spanish nationality have stunned Nigerians. They have also spurred some timely introspection.
The news was broken in July by Nigerian sprinter Mercy Nku, who like Obikwelu is based in Lisbon. She said Obikwelu took the decision because of neglect by Nigerian sports officials when he was injured while representing Nigeria in Sydney.
“Do you know that Francis Obikwelu was left alone to take care of the injury he sustained in the Sydney Olympics?” Nku said. “he had to go to Canada to undergo an operation on his knee spending his own money.”
Nku said she had also been invited to change nationality by a number of European countries and, she added, the incentives are tempting. “But I have made up my mind not to take off,” she promised. “I love Nigeria and will remain here.”
Com este texto percebemos porque Obikwelu saíu da Nigéria; não por não amar o seu País, mas sim por não ter condições de trabalho.
With his citizenship in Portugal and his affection for Nigeria, where he is still a frequent visitor, Obikwelu exemplifies new paths of shared identity and global circulation. More importantly, however, his story mirrors the larger picture of Portugal’s increasingly diverse immigration flows, regional spread of settlement patterns, and rising immigrant skill levels.
Compreende-se que Obikwelu nunca deixará de ser nigeriano, onde tem a família e amigos de infância. Note-se que ele veio para Portugal aos 16 anos e se naturalizou português com 22.
De facto, a nacionalização prende-se tão somente com melhores condições profissionais, não com uma identidade do País.
Grave, Nelson, não é Portugal naturalizar os Obikwelus da vida; grave, Nelson, é os Obikwelus quererem naturalizar-se por ambição e não por identidade.
Nota: Obikwelu já era português antes de ir treinar para Espanha…
Comment by João Mãos de Tesoura — October 15, 2006 @ 4:16 am
João Mãos de Tesoura, quem é que pensa que é para julgar as intenções, as convicções e o íntimo das pessoas?
Lamento, sinceramente, só hoje ter tido oportunidade de ler os seus comentários. Agora é tarde para os retirar, pelo que ficam aí.
Comment by LA-C — October 15, 2006 @ 8:59 am
A sua resposta foi um julgamento!
Curioso, pensava que defendia a frontalidade independentemente da discórdia. E sim, podemos julgar os outros, faz parte do nosso livre-arbítrio. A esse direito chama-se liberdade e foi com ele que se atribuiíu ao Obikwelu a nacionalidade portuguesa. Para mim, bastou-me ler o que outros atletas nigerianos disseram sobre as reacções do atleta para inferir. Posso errar, é certo, mas respeito a opinião de todos.
Deve, se entender, apagar os meus comentários, este e os anteriores. A elegância, essa, não se ensina.
Passe bem
Comment by João Mãos de Tesoura — October 15, 2006 @ 5:47 pm
“Deve, se entender, apagar os meus comentários”
Não apago porque já houve um outro leitor que lhe respondeu. Quanto a este seu último comentário, obviamente, não posso apagar, porque foi uma resposta a um comentário meu (especialmente por ser um comentário que, claramente, convida a este tipo de resposta).
Comment by LA-C — October 15, 2006 @ 11:16 pm
Eu voto também no Obi a par com o Deco!
Comment by ricardo — October 17, 2006 @ 11:16 am
Sim, sim, nao esquecer o grande Deco, mas ha’ que reconhecer que o curriculo do Francis e’ mais impressionante e original.
Comment by LA-C — October 17, 2006 @ 11:25 am
Eia, este post tornou-se um fórum de discussão Obikwelu! Boa!!!
Atão, vamos lá rever um bocado da história para sabermos do que falamos.
O Obikwelu, já campeão mundial júnior e membro da equipa nigeriana desertou após um campeonato realizado em Lisboa e foi para o Algarve trabalhar para as obras. Não fugiu para se naturalizar, simplesmente desertou. E fê-lo porque quando se lesionou num joelho e necessitou de uma operação (que foi realizada no Canadá) a Nigéria recusou-lhe o pagamento das despesas.
Ao fim de algum tempo (penso que um pouco mais de um ano) foi descoberto no Algarve a fazer trabalho de trolha (devia ser super-rápido a carregar baldes de cimento escadas acima!). Veio para Lisboa e começou a treinar no Belenenses. O Sporting ofereceu-lhe um contrato e pagou-lhe as despesas da tal viagem ao Canadá.
O Obikwelu não quis mais competir pela Nigéria. Mudou-se para Madrid onde treina num centro de alto rendimento. E um belo dia aparece na federação portuguesa de atletismo a perguntar se estavam interessados em que se naturalizasse. Note-se que Espanha tinha-lhe feito uma proposta semelhante. Portugal não a propôs, foi o próprio Obikwelu.
Decerto que a sua naturalização não se deve ao interesse em ter passaporte da UE (para isso podia tornar-se espanhol) nem em conseguir chegar aos JO com a sua nova nacionalidade (em qualquer país, com a eventual exclusão dos EUA conseguiria sempre a qualificação). Ele optou por Portugal porque achou que o tratámos bem e estava grato.
E a partir desse momento, tornou-se português. Foi uma naturalização em tempo record, é verdade, e podemos contestar o tratamento preferencial que lhe démos. Mas acho que as suas motivações são insuspeitas.
Quando ganhou a medalha de prata nos JO de Atenas perguntaram-lhe se parte daquela medalha era nigeriana e ele respondeu que não, é uma medalha 100% portuguesa.
A Nigéria tem mais casos destes, de atletas que desertaram por falta de apoios ou condições. O Obikwelu não é caso único, é apenas o único que nos é familiar. E por parte da federação nigeriana há fortes pressões para desacreditar os desertores, tentando virar a opinião pública (quer na Nigéria quer no resto do mundo) contra estes atletas, dando a entender que são primas-donnas caprichosas que amuaram e fugiram. Duvido que seja esse o caso.
Francis Obikwelu é 100% português e é um grande português. Tem de se esforçar mais que os outros porque é português naturalizado e esforça-se para agradar ao país que o acolheu. E nós devemos estar gratos por ele ter optado por uma das federações com piores condições na Europa para apoiar atletas de alto nível.
Comment by Nelson — October 19, 2006 @ 10:47 am
Peço desculpa, João, só agora li o seu comentário
Tenho a ideia que Obikwelu se naturalizou já habitando em Espanha. Tenha sido antes ou depois, é um bocado irrelevante.
Com outras propostas em mãos optou pela nacionalidade portuguesa. Porque o fez? Por ambição não foi decerto, teria muito melhores condições com a nacionalidade espanhola! Por identificação nacional? Ele morava em Portugal, como o próprio João diz, há seis anos. Desconheço o nível de identificação do Obikwelu com o país de acolhimento. Mas não foi como dá a entender no seu primeiro post um tipo ambicioso que resolve procurar outra nacionalidade, aterra em Lisboa e pede a naturalização, ou um qualquer estatuto de refugiado. Parece-me que o texto que cita não só não lhe dá razão como contraria a opinião que formulou. Se é por melhoria de questões profissionais porque raio ficou a trabalhar nas obras? Era um sonho de criança? Quando desertou, porque não foi direitinho a Lisboa, apresentavar-se À federação, pedir a naturalização e fazer contrato com um clube qualquer?
Já agora, nos últimos europeus de atletismo, entre os 4 melhores portugueses nas respectivas modalidades, 3 são naturalizados (Naíde Gomes, Nelson Évora e Francis Obikwelu). Se calhar os primeiros passam despercebidos por serem respectivamente cabo-verdiana e guineense (ou ao contrário, não me lembro).
Obikwelu é tão nigeriano quanto são portugueses os nossos emigrantes em França. Eu conheço bastantes, morei 1 ano em Estrasburgo, tenho família em França e a identificação deles com Portugal é quase nula. Os emigrantes adoptam a nacionalidade (mesmo que não a título formal) do país de acolhimento e perdem os laços com o país de origem. Vêm a Portugal passar férias e é só.
Comment by Nelson — October 19, 2006 @ 11:00 am
Toda a gente tem direito à sua opinião, até mesmo os João Mãos de Tesoura deste nosso Portugal! - ó SENHOR JOÃO MÃOS DE TESOURA, VÁ VER SE ESTÁ A CHOVER LÁ PARA OS LADOS … DO OUTRO LADO DO MUNDO.
Comment by Sara, de Lisboa — January 9, 2007 @ 2:43 pm