O trabalhador, a feia, o vilão e a sua bonita advogada
Artigo publicado originalmente na revista Dia D, em 22 de Setembro de 2006
No ano passado, uma revista feminina inglesa fez um inquérito às suas leitoras. Mais de 50% das mulheres acreditavam que se fossem mais sexys e bonitas teriam mais facilidades na sua carreira profissional. Terão razão? Provavelmente sim. Tal como terão razão os homens que pensem o mesmo.
Vários estudos demonstram que as pessoas mais belas são, social e profissionalmente, mais bem sucedidas do que as desengraçadas. Por exemplo, em 2005, Daniel Hamermesh e Amy Parker da Universidade do Texas consideraram a hipótese de os professores mais lindos serem preferidos pelos alunos. Os resultados do estudo não deixam margem para dúvidas. Os professores com melhor aspecto são os que têm melhores avaliações.
Mas terão tais percepções impactos relevantes nas nossas carreiras? Mais uma vez, a resposta é sim. Hamermesh e Biddle analisaram o mercado de trabalho americano. As conclusões foram perturbadoras. Quanto mais feios mais mal pagos. Os mais feios perdem cerca de 15% nos seus salários.
Uma idiossincrasia americana? Não. Barry Harper estudou o assunto para a Inglaterra. Novamente, os resultados foram convincentes. Os mais feios, mais gordos e mais baixos têm salários mais rasteiros. É doloroso para os feios, mas as más notícias não acabam. Harper concluiu ainda que mulheres mais feias têm mais dificuldades em arranjar maridos educados.
Se é verdade que a remuneração dos feios é mais baixa, então terão menos incentivos para trabalhar e mais para se dedicarem a actividades ilegais. Absurdo? Não, Naci Mocan e Erdal Tekin estudaram o assunto. Analisaram mais de quinze mil jovens. Concluíram que os bonitos têm uma menor propensão para actividades criminais e que os feios têm mais queda para se dedicar ao roubo e ao comércio de drogas.
E se o leitor for feio e enveredar pela vilania prepare-se. Biddle e Hamermesh concluíram que os advogados mais bonitos são mais caros. Outros estudos sugerem que são esses que os juízes preferem.
Resta uma questão: serão os mais bonitos mais produtivos, ou serão os feios prejudicados pela sociedade? Os estudos citados não respondem, mas Markus Mobius e Tanya Rosenblat desenharam uma experiência em laboratório que permite, pelo menos parcialmente, explicar o prémio da beleza. A experiência envolvia trabalhadores que tinham de resolver umas charadas. Os lucros dos empregadores dependiam da quantidade de charadas decifradas. Assim, é fácil medir a produtividade do trabalhador e não há o perigo de se confundir incapacidade com fealdade.
Conclusões da experiência? Os formosos são mais bem pagos, mesmo quando a produtividade é a mesma. Tal acontece essencialmente por dois motivos. Primeiro porque os mais belos têm níveis de autoconfiança mais elevados, o que lhes dá vantagens negociais, e em segundo porque os empregadores iludem-se e pensam que os mais bonitos são melhores.
Neste momento está o leitor a pensar que vale a pena investir em roupas bonitas, cosméticos e cabeleireiros. Nem assim. Hamermesh, Meng e Zhang estudaram o impacto destes investimentos na população feminina de Shangai. Os resultados são desoladores. Os benefícios de tais investimentos são marginais. Lamento.

Artigo patrocinado pela Corporácion Dermoestética?
Comment by Ângela — September 25, 2006 @ 3:08 pm
Basta ver o último parágrafo para se perceber que não!
Já agora, falando sério, li estudos sobre o impacto de despesas em beleza. Mas referm-se a despesas com maquilhagens, cabeleireiros e roupas. O último parágrafo refere-se a estas despesas.
Não encontrei nenhum que estimasse os efeitos de transformações cosméticas mais radicais, como cirurgias plásticas, pelo que sobre esses não posso falar.
Comment by LA-C — September 25, 2006 @ 3:18 pm
As mulheres menos bonitas têm uma vantagem, que as bonitas invejam. As primeiras não têm os homens a babar para cima constantemente, quando namoram não têm que se preocupar se os homens estão apenas apaixonados pela sua beleza e quando casam sabem que a velhice não os vai separar porque o amor não assenta na estética. E como poder viver um amor verdadeiro é mais importante do que ter um ordenado mais chorudo, eu sei o que escolheria, se pudesse. E julgo que a explicação está mais na autoconfiança e menos na “ilusão”. Conheço pessoas a quem a natureza não abona, mas possuidoras de uma autoconfiança incrível, e que por isso têm sucesso. A ilusão dos empregadores é algo passageiro, e que temporalmente permite empregar uma pessoa, mas não dura para sempre, e como tal não explica os ordenados.
Comment by Gisela — September 25, 2006 @ 6:12 pm
Caro Luís,
Também li estudos sobre despesas em beleza. Mostram que a despesa (em US dólares) do género masculino é bastante maior do que a do género feminino.
O que não é bom augúrio. Pois pelos seus resultados, a auto-confiança relativa do género masculino só pode descer. E se até aqui a humanidade tem progredido pela qualidade relativa superior do elemento feminino. Receio agora que a mediocridade masculina (pensava eu, ajudada pela auto-confiança despertada pelas despesas em beleza) vai ter que se ver a braços com a mediocridade feminina. Que para toda a Humanidade é uma incógnita, e por tanto mau presságio.
Obrigado, sempre.
Comment by F — September 25, 2006 @ 7:43 pm
Por isso é que eu coloco a fotografia no currículo.
Comment by Karloos — September 25, 2006 @ 7:56 pm
Após a leitura do seu artigo posso testemunhar, em abono da sua teoria, que as reclusas do EPR de Coimbra são maioritariamente feias.
À excepção de uma ou outra que é efectivamente bonita.
Mas a percentagem de mulheres bonitas no epr é bem inferior às que vejo cá fora.
Talvez tenha razão…, embora não aprecie homens, também me parece que a maioria dos reclusos são feios.
Será que eles, os feios, têm mais propensão para o crime do que os bonitos ou os juízes é que não gostaram deles?
Será que os feios têm maior propensão para serem condenados?
Esta questão, embora pareça fútil, é muito importante porque uma coisa é os bonitos terem uma descriminação positiva no acesso ao mercado de trabalho, outra é os feios poderem ser condenados mais facilmente em penas de prisão…
Comment by jmda — September 25, 2006 @ 8:38 pm
Fica a questão; se os mais feios se dedicam às drogas e ao roubo, o que fazem as mais feias… casam-se?
Comment by João Mãos de Tesoura — September 26, 2006 @ 7:31 am
Os resultados são semelhantes para mulheres e homens. Há algumas diferenças, claro, mas nada de muito substancial.
Comment by LA-C — September 26, 2006 @ 8:50 am
Isto faz-me lembrar uma história que li no jornal. Não sei se foi na Coreia do Sul ou na China, mas um homem processou a mulher porque ela o enganou. Ela fez uma série de operações plásticas para ser bonita - mas depois teve (com o marido) um filho Muito Feio - ele sentiu-se enganado e pô-la em tribunal, lolololololol.
Comment by Dunya — September 26, 2006 @ 9:19 am
Essa história foi relatada por mim na Dia D.
Comment by LA-C — September 26, 2006 @ 9:27 am
A partir desses estudos, conclui-se então que uma empresa que contrate trabalhadores bonitos fica em desvantagem relativamente a outra que contrate trabalhadores feios: para o mesmo trabalho, gasta mais dinheiro em salários.
Comment by Ângela — September 26, 2006 @ 4:50 pm
Penso que essa conclusão é válida, sim.
Comment by LA-C — September 26, 2006 @ 4:51 pm
AH! Mas também fica em vantagem na angariação de clientes, porque a maioria de clientes, pelo menos onde estou, é sensível à beleza de quem faz as propostas. Verdadinha.
Comment by mfba — September 26, 2006 @ 5:40 pm
Aqui a pergunta radical tem que ser: “o que seduz afinal?”. Naturalmente, o mais fácil é pensar que é a Beleza, pois o seu efeito é imediato e visível. Escapam, portanto, ao observador comum as forças invisíveis que actuam no subconsciente dos outros e que junto deles nos tornam sedutores ou repulsores. Estas forças invisíveis tendem a ser muito mais eficazes que as outras, pois actuam directamente no psiquismo humano, ao passo que a Beleza parece detonar apenas (ou principalmente) uma reacção física, de alguma fruição estético-sexual. Nenhum dos homens mais carismáticos do Mundo e da História eram bem apessoados, e.g., Churchill era gordo, Lenine, baixo e careca, Napoleão media 1,55 m… Ler Espinosa ajudaria muito mais do que, por atacado, todos os artigos referidos!
Comment by Cavaleiro Andante — October 5, 2006 @ 1:04 am
oi
idade:15anos
linda
tem namorada:x (: :s
Comment by Tathiane — August 17, 2007 @ 1:58 pm