Toda a razão para António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa
Na edição de hoje, Sábado, 26 de Junho, do Diário de Notícias, pode ler-se, na página 14, em título: “Deslize na homenagem a Saramago”… O jornalista responsável por “A Vespa” com certeza não tem o seu Português bem oleado, o que não surpreende, tantos e variados são os pontapés na gramática que todos os jornais costumam dar, diariamente, na já mui maltratada Língua Portuguesa. Escreve o jornalista da pena longa:
A cerimónia que homenageou José Saramago tornou-se polémica pela ausência do Presidente da República, que foi tomada como um erro (não gramatical, mas de falta de bom senso). Mas, se neste caso, dificilmente o Prémio Nobel se incomodaria com a ausência, houve outro caso que dificilmente escaparia à afiada língua do escritor. Um deles foi de António Costa. O autarca até tratou bem dos assuntos protocolares: cedeu os Paços do Concelho, recebeu os familiares e deixou algumas palavras sentidas, mostrando apreço pela herança viva que deixou ao País. Mas foi na herança que saiu o pontapé no dicionário, quando disse que Saramago “desinquietava” o País. Ora, se “desinquietava”, seguramente não “inquietava”. Certo? Ai, o português!
É caso para gritar: “Ai, senhor jornalista, que falta de vocabulário tem no seu thesaurus!” Não foi primeiro ao dicionário, como devia, e como tal saiu-lhe crassa asneira da ponta de tecla. Desinquietar, em qualquer tira-teimas da Língua Portuguesa, significa inquietar, desassossegar. E foi na acepção de desassossegar que António Costa empregou o verbo. Não conhece o douto jornalista o adjectivo de origem popular desinfeliz? Não deve conhecer. É citadino, plastificado, e não deve gostar dessas patacoadas da Província, como se costuma dizer, com ar escarninho, na cidade de Lisboa, a mais provinciana do País. Aquele des, colocado antes do verbo e do adjectivo serve tão-só para reforçar a negativa. Se o senhor jornalista tiver uns gramas de honestidade intelectual, deve, no próximo número do jornal, corrigir a calinada de português que cometeu. Para cúmulo, numa vã tentativa de corrigir o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o que significa que praticou duas asneiras seguidas num pequeno texto! Presumo que seja licenciado em Comunicação Social, caso contrário…