A destreza das dúvidas

Letras económicas
Fernando AlexandreNovember 4, 2009 2:51 pm

Por Fernando Alexandre, Pedro Bação, João Cerejeira e Miguel Portela

A economia portuguesa não escapou ao processo de desindustrialização que desde o início dos anos 80 afectou a maioria dos países desenvolvidos: de acordo com a OCDE, entre 1988 e 2006 a percentagem da população activa a trabalhar na indústria em Portugal diminuiu de cerca de 25% para 18%. Na figura 1, que apresenta a evolução naquele período do peso das manufacturas, por nível de tecnologia, no emprego total por conta de outrem, podemos ver que a desindustrialização em Portugal incidiu exclusivamente nas indústrias de baixa e média-baixa tecnologia. As manufacturas perderam cerca de 150 mil empregos entre 1988 e 2006, o que no essencial corresponde aos empregos perdidos no sector do têxtil e calçado. No entanto, apesar destas perdas de emprego, deve salientar-se que, em 2006, os sectores de baixa e média-baixa tecnologia ainda representavam mais de 80% do emprego total por conta de outrem nas manufacturas.

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Fernando AlexandreNovember 2, 2009 3:57 pm

Por estes dias chegará às livrarias o livro A Crise Financeira Internacional, que pode também ser adquirido no sítio da Imprensa da Universidade de Coimbra. Para ficarem com uma ideia do que nele vai escrito deixo aqui a Introdução:

Na origem da crise financeira está o excesso de endividamento. Nos últimos anos do século XX e nos primeiros do século XXI, países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Irlanda, a Islândia, a Espanha ou Portugal aumentaram de forma extraordinária os seus níveis de endividamento, acumulado essencialmente pelas famílias para a aquisição de habitação e consumo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, o endividamento ultrapassou em mais de duas vezes o rendimento gerado anualmente. Assim, para percebermos as causas da crise financeira temos de identificar os factores que estiveram por detrás do extraordinário aumento do endividamento, em particular, o papel desempenhado pelo desenvolvimento dos mercados financeiros nas últimas décadas e a forma como o Estado se posicionou em relação a estes desenvolvimentos.

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Cristóvão de AguiarNovember 1, 2009 8:55 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Saramago analisa o texto bíblico ao pé da letra. Atente-se nesta invectiva do Nobel a um teólogo, numa entrevista televisiva:
“Que autoridade têm os senhores para pôr na Bíblia o que lá não está escrito?” Que me desculpe o escritor, mas parece que a sua interpretação bíblica pede meças à das Testemunhas de Jeová e à dos Adventistas do Sétimo Dia, que esperam Cristo desde 22 de Outubro de 1844, pelas contas feitas, e bem feitas, pelo seu fundador, William Miller, antes pertencente à igreja Baptista e depois fundador do Adventismo por ter interpretado a Bíblia de modo diferente do dos baptistas. Nas suas contas baseou-se nas profecias de Daniel. Está escrito! E o que está escrito é a palavra de Deus… e a ela não se pode mudar um til! Deu no que deu: em 22 de Outubro de 1844,  toda a gente, de olho no céu, à espera e Jesus não desceu… Grande foi a desilusão: ficou para a história como o Dia do Grande Desapontamento. Houve debandada quase geral dos fiéis. Sentiram-se defraudados: foram enfileirar-se noutros credos, fundando outros… Mas, e há sempre uma interpretação à letra que nos pode sair ao caminho: Os poucos que restaram fiéis à igreja, agora dirigida por Helen White, a profetisa dos adventistas, escreveu: Cristo realmente principiou a viagem, mas ficou a meio, em quarentena, num lugar entre o céu e a terra, esperando por melhor ocasião para aterrar no nosso planeta…

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Cristóvão de AguiarOctober 30, 2009 5:23 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Em continuação do santo Evangelho segundo José Saramago, é bom não esquecer que o tema do pecado de Caim, o primeiro assassino da humanidade, a tomar como verídicas as palavras do Génesis, não foi uma novidade trazida pelo nosso Nobel à Literatura. Já antes dele, Byron, Baudelaire, Victor Hugo e Tournier trataram do assunto com outra elevação, adiante-se já a bem da verdade. O que irrita em Saramago, neste seu último romance, é a leviandade e a pobreza de ideias e falta de argúcia interpretativa com que trata os textos bíblicos, não raro lançando mão de uma linguagem escabrosa, que pouco dignifica quem a utiliza.

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Cristóvão de AguiarOctober 29, 2009 11:09 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Sabendo-se pouco, isto é, sem a profundidade necessária, sobre o que se quer destruir, distorcer ou criticar, pode entrar-se num jaco­binismo sem consequência, apenas para chocar o burguês, ou num anticleri­calismo primário, como aconteceu durante o século XIX. Nesse tempo, o Deus do Velho Testamento era já considerado cruel, sangrento, bruto, tudo quanto dele diz agora, em segunda mão, o nosso Nobel da Literatura. Nada de novo, portanto! Dou como exemplo o poeta Guerra Junqueiro e o seu livro A Velhice do Padre Eterno. Quem o lê hoje? Quem se incomoda com as suas dia­tribes? Ouçamos Guerra Junqueiro:

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Cristóvão de AguiarOctober 28, 2009 10:33 pm

Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago

Tomei de empréstimo a Shakespeare o título de uma das suas mais hilariantes comédias. Penso que retrata bem a situação criada à volta da última obra de José Saramago, Caim. O muito barulho continua a furar-nos os tímpanos, e há-de continuar até à náusea, tanto na imprensa escrita como na difundida: artigos, entrevistas, opiniões públicas na rádio e televisão, em que ouvintes e telespec­tadores opinam sobre o que sabem e não sabem, maneira muito portuguesa de ser mestre em toda a arte, ou burro em qualquer parte, enfim, tudo o que ima­ginar se possa: até teólogos, politólogos e outros pedagogos de alto coturno… A origem de tal alvoroço na capoeira da paróquia reside nas declarações, estratégicas ou não, do autor do livro, no dia do seu lançamento, em Penafiel. O nada de toda esta lagariça será o romance que, na minha modestís­sima opi­nião, está longe de merecer tamanho alarido.

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Fernando AlexandreOctober 27, 2009 8:21 pm

Escrito com Pedro Bação, Professor da Universidade de Coimbra
Publicado no Semanário Económico, em 25 de Outubro

Oitenta anos depois da “Quinta-feira negra”, o primeiro de uma sequência de dias em que o pânico tomou conta de Wall Street e que marca para muitos economistas o início da Grande Depressão dos anos trinta, discute-se o fim da crise financeira internacional iniciada em 2007. Embora a história não se repita, a incerteza relativamente à robustez dos sinais de recuperação alimenta o interesse por episódios semelhantes na esperança de neles se encontrarem as respostas que nos faltam. A Grande Depressão é para todas as crises financeiras a grande referência histórica. Vale a pena, por isso, recuperar essa história neste dia.

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Fernando AlexandreOctober 21, 2009 11:57 pm

Não leio José Saramago desde o Ensaio sobre a Cegueira: por causa dos elogios de colegas estrangeiros que andavam com o livro debaixo do braço fiz várias tentativas. Não consegui nunca passar além da página cinquenta. Soava-me a um padre rezingão a pregar do seu púlpito. Já antes disso as entrevistas de Saramago me provocavam irritação pelas mesmas razões. O último livro que li e gostei foi A História do Cerco de Lisboa. A propósito do seu último livro, José Saramago disse que o Deus do Antigo Testamento é um deus cruel. O meu filho José, quando lhe lia a Biblia numa versão para crianças, disse-me algo parecido a propósito do sacrifício de Isaac: “Pai, este Deus é mesmo mau”. Não lhe voltei a ler a Biblia. Na altura lia muito a Biblia para perceber os quadros da National Gallery. E ainda hoje leio. E se calhar vou voltar a ler Saramago.

Fernando AlexandreOctober 19, 2009 10:31 am

When people want to understand apparently inexplicable events, they look to a historical parallel.
Harol James, The Creation and Destruction of Value (2009, pp. 36)

Desde o seu início que o paralelo histórico para a crise financeira internacional de 2007/08/09/… é a Grande Depressão dos anos trinta. No seu novo livro, The Creation and Destruction of Value – The Globalization Cycle, Harold James, professor da Universidade de Princeton, analisa a crise financeira internacional e as suas possíveis consequências para a globalização à luz dos acontecimentos dos anos trinta – como o autor refere em vários pontos do livro, o paralelo histórico deve ser estabelecido com a crise bancária iniciada em 1931 na Europa e não com o crash da bolsa americana de 1929.

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Luís Aguiar-ConrariaOctober 12, 2009 12:59 pm

Mais um muro que cai: Elinor Ostrom, a primeira mulher a ganhar o prémio Nobel da Economia.

Luís Aguiar-ConrariaOctober 10, 2009 5:48 pm

What is the principle of wisdom, if not to abstain from all that is odious to God? — Papa Bento XVI, num discurso proferido 4 dias antes de um referendo em Itália sobre fertilização in vitro.

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Fernando AlexandreOctober 7, 2009 1:18 pm

A República Popular da China completa este mês 60 anos. Nos primeiros 30 anos, sob a direcção de Mao Tsé-Tung, a China ambicionou tornar-se uma potência tendo como principal referência o modelo Soviético. Neste período, a União Soviética era também o principal e quase único parceiro comercial. No final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, começaram a surgir as divergências com a União Soviética e Mao, o grande timoneiro, procurou uma via própria para o socialismo com o Grande Salto em Frente e a Revolução Cultural. Os resultados trágicos daquelas duas experiências representaram uma grande desilusão em relação às possibilidades do modelo socialista poder tornar a China num país rico e poderoso. No final dos anos 1970, aquele fracasso contrastava claramente com o sucesso das estratégias de abertura ao exterior, e baseadas na iniciativa privada, de Hong-Kong e Taiwan.

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Fernando AlexandreSeptember 30, 2009 8:30 am

No final mês de Outubro, será publicado em Portugal pela "Imprensa da Universidade de Coimbra" e no Brasil pela pela "Lex editora" o livro A crise financeira internacional de Fernando Alexandre (UMinho), Ives Gandra Martins (UMackenzie), João Sousa Andrade (UCoimbra), Paulo Rabello de Castro (SR Rating) e Pedro Bação (UCoimbra) – ver biografia breve dos autores abaixo. Deixo aqui ficar a Nota Préviaque abre o livro.

Nota prévia

Os livros sobre a crise financeira de 2007 inundam os escaparates das livrarias e doutros espaços comerciais. A propósito da abundância de livros sobre a crise financeira, a revista The Economist, em Junho de 2009, definia assim as condições a cumprir pelo livro ideal:

O livro ideal sobre a crise não diria aos leitores apenas o que aconteceu e porquê. Olharia também para como o sistema irá mudar. E seria acessível, mesmo a leitores que não passaram anos a estudar detalhadamente os mercados financeiros.

Na altura em que escrevíamos este livro, a crise iniciada em 2007 já era a mais grave crise económica e financeira desde a Grande Depressão. Os avanços da ciência económica desde a crise dos anos trinta contribuíram para um longo período de estabilidade, intercalado por crises económicas todas elas breves e suaves quando comparadas com a de 2007. Mas, entretanto, o mundo foi-se tornando mais interligado e complexo com o aprofundamento da globalização comercial e financeira. É possível que em termos relativos o conhecimento que temos hoje do funcionamento das economias seja menor do que nos anos trinta. Tudo isto torna mais difícil a tarefa de escrever um livro ideal, nos termos acima definidos, sobre a crise financeira internacional. Vale a pena lembrar que o livro clássico de John Kenneth Galbraith (1908-2006) sobre a Grande Depressão dos anos trinta foi escrito já nos anos cinquenta, e ainda hoje a Grande Depressão continua a ser um importante tema de discussão e de controvérsia.

O facto de este livro ter sido escrito a cinco mãos, duas brasileiras e três portuguesas, combinando os contributos de quatro académicos e de um profissional na avaliação do risco dos mercados financeiros, também com um passado académico, separados pelo Atlântico mas aproximados pelas novas tecnologias de comunicação, tornou-nos ainda mais conscientes das dificuldades deste projecto. Procurámos descrever de forma acessível as origens da crise financeira internacional de 2007, bem como os seus efeitos mais imediatos sobre as economias, seguindo as indicações da Imprensa da Universidade de Coimbra. Esperamos ter cumprido o nosso contrato.

Breves notas sobre os autores

Fernando Alexandre – Professor da Universidade do Minho, doutorado em Economia pela Universidade de Londres, publicou vários artigos em revistas científicas internacionais, é co-autor do blogue “A Destreza das Dúvidas” e colabora regularmente com os media.

Ives Gandra Martins – Professor Emérito de Direito Constitucional e Económico na Universidade Mackenzie, autor de mais de trezentos livros e artigos académicos, coordenador do programa “Caminhos do Direito e da Economia” da Academia Internacional de Direito e Economia, veiculado pela Rede Vida de Televisão.

João Sousa Andrade – Professor Catedrático e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, doctorat d’Etat pela Universidade de Poitiers, autor de vários livros e artigos académicos e Membro da Academia das Ciências de Lisboa.

Paulo Rabello de Castro – Presidente da SR Rating, doutorado em economia pela Universidade de Chicago, leccionou na Fundação Getúlio Vargas, é colunista da Folha de São Paulo e colabora regularmente em programas de televisão e rádio.

Pedro Bação – Professor da Universidade de Coimbra, doutorado em Economia pela Universidade de Londres, publicou vários artigos em revistas científicas internacionais e na imprensa nacional (Diário Económico, Jornal de Negócios e Público).

Luís Aguiar-ConrariaSeptember 29, 2009 3:53 pm

Estamos muito preocupados com a (in)governabilidade de Portugal nos próximos anos. Há um segredo que os políticos procuram guardar, mas que a história recente já se encarregou de destapar. Nós não precisamos de um governo para nos governar. Ainda há 2 anos a Bélgica esteve meio ano sem governo, e tudo continuou a funcionar. Nos anos 80, tinha acontecido um caso semelhante também na Bélgica e nos anos 70 na Holanda.

Fernando AlexandreSeptember 28, 2009 2:17 pm

O Secretário-Geral do Partido Socialista considerou extraordinária a vitória de ontem nas eleições legislativas. As razões substantivas para esta avaliação foram duas: o ímpeto reformista do seu Governo, e a oposição que gerou, e a crise financeira e económica global que teve de enfrentar no último ano.

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Luís Aguiar-Conraria 10:52 am

Os cientistas sociais estão habituados a explicar por que motivo erraram nas suas previsões. Quando, antes do Verão de 2008, eu e o Pedro Magalhães nos propusemos a prever os resultados das eleições legislativas de 2009, estávamos, naturalmente, preparados para que tal viesse novamente a acontecer. Esse trabalho, publicado na Ipris Verbis, teve destaque de primeira página no semanário Sol.

Uns tempos depois de escrito e publicado, as condições que nos permitiram fazer as previsões alteraram-se com a crise financeira internacional. As nossas previsões baseavam-se em dados do pós 25 de Abril e nos nossos dados nada havia de comparável a esta crise. Estávamos preparados para justificar eventuais erros nas nossas previsões com base nisso. A crise financeira internacional, que atirou o mundo para uma recessão apenas comparável à dos anos 30 do século passado, tornou estas eleições num perfeito outlier. Qualquer tiro na água seria facilmente explicado.

Mas a realidade trocou-nos as voltas. A nossa previsão resumia-se a dois números: 38% para o PS e 27% para o PSD. Valores notavelmente próximos do resultado final. Assim, em vez de explicarmos por que motivo falharam as nossas previsões, vemo-nos na peculiar contingência de ter de explicar por que motivo acertámos, apesar da radical mudança de cenário.

É um assunto que iremos explorar em trabalhos futuros, mas, à primeira vista, há duas hipóteses óbvias. A primeira hipótese, e como não podia deixar de ser, é a de que o nosso modelo de muito pouco vale e se acertámos quase em cheio tal aconteceu por mero acaso. Ou seja, a sorte explica o sucesso da previsão. Uma segunda hipótese é mais simpática. Com a crise internacional, os eleitores ficaram com dificuldades em responsabilizar os governos pelas más performances da Economia que ocorreram no último ano. Assim, quando chamados a votar, fizeram a avaliação do governo com base nos dados que havia disponíveis antes da crise. Se esta segunda hipótese estiver correcta, então não é de admirar que o nosso modelo se tenha portado tão bem, dado que usámos os dados económicos que estavam disponíveis até pouco antes da crise internacional se alastrar para Portugal.

Neste momento, e com honestidade intelectual, teremos de reconhecer que não sabemos qual das duas hipóteses estará correcta. Quando estudarmos a questão, e como acontece tantas vezes, é até provável que surja uma terceira explicação que de momento não descortinamos.

Publicado em paralelo nas Margens de Erro.

Luís Aguiar-ConrariaSeptember 24, 2009 2:57 pm

Muito se tem falado sobre como a crise internacional tem atingido Portugal. Muitos argumentam que Portugal tem resistido bem à crise. Dizem que que a taxa de crescimento do PIB real, cerca de 3,7% negativos, não foi tão grave como noutros países, como por exemplo a Irlanda, que terá uma queda de 9%.

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Fernando AlexandreSeptember 21, 2009 10:01 am

A ‘asfixia democrática’ é um dos temas fortes do PSD nesta campanha eleitoral. Os defensores da tese das dificuldades de respiração na sociedade portuguesa têm apontado a comunicação social (de facto, só a falta de oxigénio poderá ajudar a explicar o delírio que invadiu as páginas dos dois principais jornais diários nos últimos tempos) e o sector público (por exemplo, na educação e na saúde) como as zonas do país com o ar mais rarefeito. O diagnóstico parece-me acertado. No entanto, como referiu Henrique Raposo na sua crónica do Expresso, as causas da asfixia e das necessárias medidas de ventilação não têm sido devidamente discutidas.

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Fernando AlexandreSeptember 18, 2009 1:31 pm

O Professor Joaquim Romero de Magalhães da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra dissertou na sua oração de sapiência, que abriu o ano lectivo de 2009/2010, sobre tardio estabelecimento da história económica em Portugal. A censura do poder político e, sobretudo, da academia, os riscos de citar autores malditos como António Sérgio (fiquei a saber que na universidade só conseguiu ensinar em Santiago de Compostela) ou de pôr em causa o papel e relevância das virtudes atribuídas (como a castidade) ao Infante D. Henrique nos Descobrimentos portugueses, ilustram bem as dificuldades do estabelecimento da história económica portuguesa. Uma via mais segura para alcançar a promoção na vida académica parece ter sido a opção pelo estudo dos períodos mais antigos. Apenas recentemente, isto é, após o 25 de Abril, o estudo dos períodos históricos mais relevantes para perceber a economia portuguesa do presente foi iniciado e parece estar a tornar-se mais importante.

Como seu ex-aluno, foi para mim um prazer voltar a ler o Professor Romero de Magalhães.

Luís Aguiar-ConrariaSeptember 6, 2009 12:39 am

Greg Mankiw publicou no seu blogue este gráfico que temos à esquerda. De seguida, escreve:
This graph is a good example of omitted variable bias, a statistical issue discussed in Chapter 2 of my favorite textbook. The key omitted variable here is parents’ IQ. Smart parents make more money and pass those good genes on to their offspring. 
A explicação parecia-me tão óbvia que não mereceria qualquer comentário.

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Fernando AlexandreAugust 25, 2009 7:25 pm

O Espaço Campanhã já foi referido como contraponto da sofisticação de Serralves. Mas é só mais um exemplo da dinâmica da arte contemporânea, e do seu difícil caminho desde os anos 1990, na cidade do Porto e em Portugal. José (Manuel Santos Maia) organizador de exposições e artista plástico tem estado ligado a este movimento desde o início com o Inter(disciplinaridades). Leia a entrevista feita por Paulo Mendes na Rua de Baixo.

Luís Aguiar-ConrariaAugust 14, 2009 5:05 pm

Saíram os números para o 2º trimestre de 2009. O primeiro-ministro agarra-se aos 0.3% de crescimento do PIB e a oposição agarra-se ao aumento da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais. Cada um encontrou a sua bóia de salvação. Aconselha-se cautela: ambas as bóias estão furadas.

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Luís Aguiar-ConrariaAugust 2, 2009 8:03 am

Pacheco Pereira, no seu blogue Abrupto, escreve um post sobre a ERC. Mais tarde, acrescenta uma adenda ao próprio post mandando-nos ler um texto de Helena Matos no Blasfémias. Uma pessoa vai ler o texto de Helena Matos, no Blasfémias, e descobre que o texto tem dois parágrafos. No primeiro, diz umas coisas. O segundo é uma citação do próprio post de Pacheco Pereira; o tal post ao qual Pacheco Pereira acrescentou a tal adenda para nos mandar ler o tal texto de Helena Matos. Aliás, fazendo uma contagem de palavras, descobrimos que metade do texto de Helena Matos que Pacheco Pereira tanto admira são palavras de Pacheco Pereira. Não espanta que Pacheco Pereira goste do texto. Estou mesmo convencido que Pacheco Pereira, quando leu Helena Matos, terá pensado: “Bolas, esta senhora é mesmo muito inteligente, metade do que ela diz neste post é brilhante!”

Adenda: Sobre o mesmo assunto, leiam este fantástico post.

Luís Aguiar-ConrariaJuly 26, 2009 12:03 pm

Luís Aguiar-ConrariaJuly 24, 2009 11:21 am



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