A destreza das dúvidas

Letras económicas
Luís Aguiar-ConrariaFebruary 9, 2010 9:02 pm

O Tiago Mendes está de volta.

Luís Aguiar-ConrariaFebruary 8, 2010 8:51 pm

Vítor Bento já foi o presidente do IGCP, Instituto de Gestão do Crédito Público, instituto encarregado de gerir a dívida pública portuguesa. Antes disso, no Banco de Portugal, esteve na linha da frente, com sucesso, na defesa do Escudo contra alguns dos maiores ataques especulativos de que a nossa moeda foi alvo. Por estas razões, e outras, é importante ouvir o que tem a dizer sobre os ataques especulativos (?) que têm afectado os títulos de dívida pública portuguesa. Transcrevo a entrevista, conduzida por Sérgio Aníbal, que Vítor Bento deu ao público.

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Luís Aguiar-Conraria 3:53 pm

Paul Romer’s radical idea: Charter cities


Luís Aguiar-ConrariaFebruary 7, 2010 9:54 pm

Luís Aguiar-Conraria 8:15 pm

De há uns anos para cá, um dos dramas que a nossa economia tem enfrentado é o das deslocalizações de empresas. Eufemismo para falar de empresas que desinvestem em Portugal e que vão à procura de países mais competitivos. Com a adesão dos à EU dos países ex-socialistas, este movimento acentuou-se e tem tido consequências graves no desemprego. Considero assim inadmissível que se constranja a actividade de uma das poucas excepções a esta regra. Esta gente transfere as suas fábricas de França para Portugal e é esta a paga que recebe? Não bastava a ASAE agora ainda têm de aturar a GNR?

Fernando AlexandreFebruary 2, 2010 12:51 pm

Apesar de gostar muito de futebol sempre achei intelectualmente indigente recorrer a imagens futebolísticas quando se discutem assuntos sérios – em parte porque considero que grande parte das vezes essas comparações são injustas para os protagonistas daquela modalidade. Vou aqui falar de um assunto muito sério: o Orçamento. Mas não resisti à comparação.

A situação económica e financeira do país assemelha-se à que já vivemos em muitas qualificações para fases finais do europeu e do mundial. À medida que os jogos vão passando parece cada vez mais difícil conseguirmo-nos apurar. Depois de erros passados que nos custaram vários pontos, este orçamento foi mais um empate e dependemos cada vez menos de nós mesmos: a vitória da Grécia parece cada mais essencial à nossa qualificação (ou classificação?). E há ainda resultados de outros jogos que podem vir a afectar as nossas contas. Para além disso, têm também sido referidas em diversas instâncias as interferências externas que visam prejudicar a nossa qualificação (ou classificação?), revelando mesmo preconceitos em relação ao nosso país. No futebol safamo-nos e vamos à África do Sul. Se não tivéssemos conseguido havia um Europeu daqui a dois anos. O empate que foi este Orçamento não dita o afastamento desta fase de qualificação. Mas se não nos qualificarmos vamos ficar afastados das competições internacionais muitos, muitos anos.

Luís Aguiar-ConrariaJanuary 23, 2010 12:36 am

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Luís Aguiar-ConrariaJanuary 14, 2010 11:43 pm


Fernando AlexandreJanuary 10, 2010 6:44 pm

Na história do cinema há excelentes filmes baseados em obras literárias – Luchino  Visconti realizou O Leopardo, A Morte em Veneza ou O Inocente; John Ford realizou As Vinhas da Ira; Peter Jackson a trilogia do Senhor dos Anéis. Fico, por isso, sempre curioso por ver os filmes baseados em livros de que gostei. Dois dos melhores livros que li em 2009 (e este século) – A Estrada de Cormac McCarthy e Desgraça de J. M. Coetzee – foram adaptados ao cinema.

A escolha dos actores era promissora. Em A Estrada, Viggo Mortensen, Robert Duvall (cuja personagem está mais presente no livro do que filme, e é uma pena) e Charlize Theron (cuja personagem está mais presente no filme do que no livro, e ainda bem) não desiludiram. Mortensen, que representou a personagem de Aragorn no Senhor dos Anéis, estaria sempre nas primeiras escolhas para o papel do pai que luta até ao fim por manter e transmitir ao filho uma moral e esperança num mundo que regrediu ao estado natureza. Da mesma forma, dificilmente se encontraria um actor melhor para representar o Professor Lurie de Desgraça do que John Malkovich (o perverso sedutor de Uma Thurman em Ligações Perigosas de Stephan Frears – outra adaptação excelente ao cinema de uma obra literária). No entanto, apesar de Malkovich não estar mal, não chegou para salvar o filme (o que às vezes alguns actores conseguem), isto é, do livro o realizador pouco mais conseguiu retirar que a acção, que em Coetzee e em qualquer bom escritor (e, já agora, em qualquer bom filme) é apenas um meio e não um fim.  

Tinha lido há uns tempos que Ridley Scott, o realizador de Blade Runner, tinha comprado os direitos de A Estrada e fiquei desiludido quando soube que não tinha sido ele a realizar o filme – na altura pensei que dificilmente poderia haver alguém melhor para adaptar ao cinema a longa caminhada que pai e filho fazem num mundo frio e devastado e envolvido numa permanente obscuridade. De facto, o que falha no filme é o excesso de luz (o que poderá parecer estranho a quem não leu o livro) e um excesso de velocidade – é na caminhada ao longo da Estrada, em que na obscuridade pai e filho conversam, sem nunca deixarem de procurar as sombras das ameaças que os acompanham na viagem em direcção ao sul, que a angústia que sentimos ao ler o livro é mais forte. É na caminhada ao longo da Estrada que está quase sempre presente a sombra do velho representado por Robert Duvall – a sua participação fugaz no filme sugere que houve cortes no filme. Embora seja um bom filme faltou-lhe o tempo certo para ser um grande filme – o sentido do tempo que o meu amigo José Maia tanto aprecia nos filmes do Manoel de Oliveira. Mas se o filme A Estrada fosse mais lento haveria certamente menos pessoas a vê-lo. Assim, pode ser que haja também mais pessoas a ler o livro. Mais um motivo para ver o filme: a música de A Estrada tem a participação de Nick Cave.

Luís Aguiar-ConrariaJanuary 5, 2010 1:00 pm

Joana Amaral Dias e José Medeiros Ferreira juntos e em força no Córtex Frontal. Quer ele quer ela estão em muito boa companhia. Bons debates, é o que vos desejo para 2010.

Luís Aguiar-ConrariaDecember 28, 2009 7:38 pm

Pedro Magalhães junta-se à discussão sobre classes médias e suas empregadas domésticas. Vale a pena ler por dois motivos. Primeiro, porque discute com mais profundidade o que se pode entender por classe média. Segundo, pelos dados quantitativos que nos dá e que permitem responder a questões de facto. Por sua vez, Fernanda Câncio voltou à carga insistindo na ideia de que a maioria da classe média tem mulher-a-dias e Paulo Pedroso desafiou-me a fazer um inquérito para ver quem tem razão. Como nos diz Pedro Magalhães, esse inquérito já está feito: apenas 8,4% dos agregados familiares recorrem a terceiros para ajudar nas limpezas domésticas. Nestes 8,4%, inclui-se ajuda paga e ajuda não paga. Mesmo entre as famílias com maiores rendimentos, "apenas" 37% recorre a terceiros para limpar as casas. São uns pulhas estes dados. A não ser que seja imune aos factos, Paulo Pedroso terá de concordar que os dados deste inquérito são claros: é absurdo dizer que em Portugal a generalidade da classe média tem uma mulher-a-dias para puxar as orelhas à casa. Mais absurdo ainda, vai-me desculpar, é que seja um ex-Ministro do Trabalho e da Solidariedade de um governo socialista a dizer tal disparate, dando total razão ao que escrevi no último parágrafo da minha primeira entrada sobre o assunto.

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Luís Aguiar-ConrariaDecember 26, 2009 3:35 pm

Lendo os comentários às minhas entradas sobre classes médias e suas empregadas, parece-me singular como (quase) todos nós gostamos de nos considerar classe média. Ninguém gosta de se considerar privilegiado. É bom pedir mais impostos sobre os ricos, mais redistribuição de rendimento esquecendo que isso implica, precisamente, mais impostos sobre nós próprios. Assim, é fácil ser de esquerda - a esquerda do “venha-a-nós”.

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Luís Aguiar-ConrariaDecember 24, 2009 12:13 am

Paulo Pedroso respondeu à minha entrada sobre “O Planeta de Fernanda Câncio”. Prometi-lhe uma resposta que, com algum atraso, lhe deixo agora.

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Luís Aguiar-Conraria, Fernando AlexandreDecember 22, 2009 4:22 pm

Porque o consideramos um artigo particularmente importante, pelo alerta que nos deixa, e bastante cristalino, pelo cuidado pedagógico com que foi escrito, transcrevemos na íntegra o artigo de Ricardo Reis publicado no ‘i’ em 21 de Dezembro.

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Luís Aguiar-ConrariaDecember 20, 2009 6:31 pm

Scarlett Johansson. Scarlet e não Blue Johanson nem sequer Ocean Blue Johansson. Esta mulher tem o vermelho no coração. Se fosse portuguesa seria do Benfica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Luís Aguiar-Conraria 4:28 pm


Fernando AlexandreDecember 18, 2009 11:14 am

Porque na origem da crise financeira internacional está o sobreendividamento, e porque este se agravou ainda mais com os planos governamentais de combate à crise, é cada vez mais mais certo que a recuperação será muito lenta. Os défices orçamentais foram necessários para evitar o colapso das economias – como Keynes explicou nos anos 1930. Mas os défices orçamentais, se podem evitar o colapso no curto prazo, não garantem (antes pelo contrário) que a economia retome as anteriores trajectórias de crescimento – como se viu nos anos 1970. É precisamente isto que as notícias das últimas semanas têm mostrado. Os países mais penalizados pelos mercados e pelas agências de rating são precisamente aqueles em que há mais dúvidas relativamente à recuperação de uma trajectória de crescimento positiva. Talvez isso ajude a explicar por que é que a Irlanda é menos penalizada pelos mercados que outros países com défices semelhantes. E talvez Portugal devesse ficar (ainda mais) preocupado.

Luís Aguiar-ConrariaDecember 16, 2009 5:09 pm

A Destreza das Dúvidas tem o prazer de convidar todos os seus leitores a assistir e participar na apresentação do livro A Crise Financeira Internacional que decorrerá amanhã, dia 17, às 21h30 na FNAC, em Braga.

A apresentação estará a cargo de André Azevedo Alves, professor na Universidade de Aveiro e co-autor do Insurgente.

 


 


 


 


 

Fernando AlexandreDecember 15, 2009 2:17 pm

Há umas semanas estive na Antena Aberta a comentar os aumentos salariais para 2010. Nessa altura comecei por dizer o que já tinha dito o ano passado: que os aumentos de 2,9% da função pública foram um dos mais graves erros de política económica dos últimos anos e que mostravam bem a fragilidade da nossa democracia e a fraqueza dos partidos políticos. Foi um dos maiores erros de política económica porque pôs em causa uma mensagem muito importante que vinha a ser transmitida desde 2002 e que os portugueses já tinham compreendido e aceitado: que é necessário haver uma correcção no peso da função pública em Portugal e dos seus salários mais elevados, sob pena de estes sofrerem reduções drásticas no futuro. Mostrou a fragilidade da nossa democracia porque era uma medida tão escandalosamente eleitoralista que eu não acreditava sequer que pudesse produzir o efeito esperado. Mostrou a fraqueza dos partidos políticos porque nenhum foi capaz de  se pronunciar contra esta decisão absurda com medo de perder votos.

Quando me pediram para comentar os aumentos de 4,5% sugeridos em directo nesse programa da Antena 1 por Ana Avoila só pude dizer que o absurdo desse número só poderia ser explicado pela completa desconexão que existe entre os sindicatos e a realidade da economia e sociedade portuguesas, que tinha sido acentuada pelo aumento salarial absurdo do ano passado. Os cortes salariais propostos na Irlanda e na Grécia poderão ajudar os sindicatos e políticos portugueses a aproximarem-se da realidade. Apesar da redução de salários em Portugal ser uma hipótese meramente académica, devo dizer que no actual contexto de crise tenho muitas dúvidas em relação à bondade das medidas anunciadas na Irlanda.

Assim, tal como no ano passado, defendo que sejam congelados os salários da função pública superiores a 2000 euros, a que deve corresponder mais ou menos a classe média tal como definida por Fernanda Câncio.

Luís Aguiar-ConrariaDecember 13, 2009 7:53 pm

Paul Samuelson morreu. Soube-o há pouco graças ao telefonema de uma jornalista pedindo-me para comentar o trabalho de Samuelson. É difícil dizer qual o seu principal contributo. E é difícil fazê-lo, mais do que com qualquer outro economista, pela simples razão de que não consigo imaginar o que seria esta disciplina se Samuelson não tivesse existido.

Mais do que listar contributos de Samuelson, seja na área do Comércio Internacional, seja na análise de políticas, seja na divulgação do modelo de gerações sobrepostas –– que Karl Shell considera ser o seu principal contributo ––, seja na matematização da Economia, seja o modelo do acelerador-multiplicador, seja na Welfare Economics, seja em qualquer outra área da disciplina, o que fica é a forma como se analisa e modeliza um qualquer problema económico. A isso junta-se o seu livro de Introdução à Economia, estudado por todo o mundo por gerações de estudantes desde os anos 50. Se não vai na vigésima edição, anda lá perto. Se tantos há que culpam o ensino da economia pela crise que vivemos, então será justo dizer que Samuelson é um dos principais culpados pela crise actual. Todos aprendemos com ele.

Fernando AlexandreDecember 11, 2009 9:57 am

O silêncio também tem a ver com a noite. Há um tipo de silêncio que só a noite tem. Um silêncio onde sentimos o próprio mundo, onde sentimos o tempo de outra forma. (…) Penso que a noite é um lugar onde se vê melhor o próprio silêncio. (…) Penso que a função da poesia é reabilitar o silêncio, é perfurar o ruído - o ruído que somos, o ruído que nos cerca - até encontrarmos camadas subterrâneas de silêncio. (…) O silêncio é um caminho. Não basta, por exemplo, estarmos calados para estar em silêncio. Podemos estar calados e o rumor ser ensurdecedor. Há uma qualidade de silêncio que é uma conquista, que é um processo em que nós entramos.  

Fernando AlexandreDecember 9, 2009 10:43 pm

O livro The Age of the Unthinkable de Joshua Cooper Ramo, ex-editor da revista Time e director da Kissinger Associates, descreve a crescente complexidade das sociedades e das economias e a necessidade que daí decorre de uma nova forma de pensar a actuação das instituições. O livro parte de acontecimentos totalmente inesperados, quer para académicos quer para os líderes das instituições, como a queda do Muro de Berlim, o 11 de Setembro, o sucesso e o insucesso das empresas dotcom de Sillicon Valley, a crise financeira internacional ou as actividades terroristas do Hizb’allah. Estas estórias, enriquecidas com entrevistas aos protagonistas, são descritas com o objectivo de ilustrar os limites dos quadros de análise das actuais elites dirigentes.

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Luís Aguiar-ConrariaDecember 8, 2009 11:58 pm

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Luís Aguiar-ConrariaDecember 7, 2009 12:01 am

Respondendo a um comentário de Filipe Moura, Fernanda Câncio explica onde está a pulhice! É sempre bom uma pessoa ficar a perceber por que é insultado por quem não o conhece de parte alguma. Pelos vistos a Fernanda Câncio lê o último parágrafo da minha primeira entrada como relacionando as suas opiniões com as opiniões dos governantes portugueses. Apesar de não entender onde está a pulhice, não é muito difícil de explicar esse último parágrafo.

Entre os apoiantes do governo, Fernanda Câncio é uma das mais destacadas opinion makers. Escreve num blogue que é dos mais fanáticos da nossa blogosfera a apoiar o governo. Partilha o blogue com dois dos deputados que sustentam o governo. Não vejo qual a pulhice de relacionar as opiniões dos mais destacados opinion makers apoiantes o PS e as práticas do governo PS.

Enfim, lendo este último post, só consigo desabafar: trate-se! Como lhe explicou o Filipe, o problema é seu, não é meu. Não faltava mais nada que depois de me ter chamado pulha, eu não tivesse o direito de lhe responder que é uma socialista caviar. Trate-se e liberte-se das suas paranóias. Tenho mais que fazer do que sofrê-las.

Luís Aguiar-ConrariaDecember 6, 2009 9:20 pm

Ao ler este insulto, a minha primeira reacção foi a de escrever uma entrada a responder à letra, ou seja, insultando Fernanda Câncio. Numa reacção mais pensada, e lembrando-me de um conselho que um amigo meu deu, apaguei o que escrevi. Digamos que há mínimos a que convém não descer. Debater com alguém que chama pulha a quem discorda da sua definição de classe média seria descer a um nível que não é razoável.

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