A destreza das dúvidas

Letras económicas
Cristóvão de AguiarJuly 1, 2009 9:38 am

Não tenho a mínima dúvida de que esse professor feriu gera­ções de almas jovens, incutindo-lhes valores cediços e boloren­tos, racistas e retró­grados, fornecendo-lhes visões da sociedade e da vida e da relação entre os homens tão aviltantes, que só podiam ser possíveis num regime fascizante e injusto, embora a pomposa voz de Hermano Saraiva, televisivo divulgador de histó­rias, que não da História, viesse há tempos proclamar que Salazar era profundamente antifascista… Por quem Deus nos manda os avisos!

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Luís Aguiar-ConrariaJune 25, 2009 12:52 pm

Na segunda-feira, foram publicadas as classificações das unidades de Investigação em Economia e Gestão que existem neste país. Como em anos anteriores, o painel de avaliação que a FCT patrocinou integrou professores e investigadores internacionais de reputação imaculada, que analisaram a produção científica de cada núcleo desde 2003. Aliás, tal como aconteceu com outras áreas científicas, só assim se consegue compreender os resultados obtidos.

Na área de Economia e Gestão, submeteram-se a avaliação 28 unidades de investigação. 5 obtiveram a classificação de Excelente, 6 de Muito Bom e 7 de Bom. Todas as outras obtiveram Suficiente ou Fraco, o que as impede de obter financiamento directo por parte da FCT.

Fica aqui a lista das unidades que obtiveram melhores classificações (perdoar-me-ão a imodéstia do destaque que dou ao NIPE, unidade de investigação que me acolhe).

Cristóvão de AguiarJune 22, 2009 10:25 am

Foi na chamada Ilha do Arcanjo que me fui conscientizando das inqualificáveis desigualdades que, na altura, como no tempo de Arruda Fur­tado, lá imperavam. E ainda se fazem sentir, ape­sar dos esforços em sentido contrário. Nesse tempo de tomada de consciência de tais injustiças que vi de perto e senti na pele, tornei-me revoltado. Um revoltado ainda sem consciência revolu­cionária: era ainda uma nebulosa que dentro em mim pairava, ainda sem contornos definidos…

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Fernando AlexandreJune 16, 2009 3:59 pm

No ano de quase todas as eleições é ainda mais comum discutir-se a qualidade dos nossos actuais e futuros governantes. Fala-se do actual e dos últimos primeiros-ministros de Portugal e ouve-se dizer: será que não se consegue arranjar melhor do que isto? A minha opinião sobre este tema continua a ser a mesma de sempre: cada povo tem os governantes que merece, por injusto que isso possa parecer.

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Cristóvão de AguiarJune 15, 2009 4:36 pm

Os ilhéus já não podem mais consentir o que em 1884 escre­veu sobre o nosso Povo Arruda Furtado, um naturalista e cien­tista micaelense radi­cado em Lisboa: “Estamos em face de um povo sem instru­ção, com os sentimentos mais grosseiros, ser­vindo nos seus quatro séculos de existência a uma completa exploração. Encontrando facilmente na cultura rotineira do solo os recursos de que carecem e uma emigração fácil no caso con­trário, nada os obriga a desenvolver a sua inteligência curta, e são, para o encobrir, excessivamente manhosos, condição que acusam no falar ronceiro, masti­gado, e respondendo sempre vagamente ao que se lhes pergunta. Sem dúvida, como por toda a parte, encontra-se inteligências notáveis nos nossos cavadores, mas é extremamente raro o camponês micaelense, e o camponês micaelense é es­sencialmente cabeçudo”.

Não sou político naquele sentido militante de que são exem­plos, dignos, ou indignos, muitos dos que nos governam ou se governam, que ainda acredito não ser o mesmo. É uma actividade que considero das mais nobres, quando exercida com o signifi­cado de intervenção na polis. Mas o facto de dizer que não sou político, estou já a sê-lo, na profundidade do eu.

Militante, sou-o, não como desejava, da escrita… E um escri­tor não pode nem sequer tem o direito de se alhear do mundo, sob pena de a sua escrita ser mentirosa. E nada pior para um escritor do que ser acusado de mentir ou de bajular na escrita. Não me refiro, obviamente, à mentira da ficção, que, pela sua plausibilidade, é ainda mais verdadeira do que a realidade, à qual vai o artista de qualquer quadrante retirar a maté­ria-prima de trabalho, transfigurando-a.

Fernando AlexandreJune 12, 2009 3:38 pm

Confesso que me emocionei com o discurso de António Barreto no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Não deixa de parecer paradoxal que alguém que apela a menos palavras e mais exemplo nos emocione com um discurso. As palavras dos nossos políticos, e das classes dirigentes em geral, têm de facto vindo a perder significado e são por isso cada vez menos ouvidas e lidas.

O significado das palavras advém da sua ligação ao real. Também os exemplos a que António Barreto apela só podem emergir do real. Mas se os exemplos existem, isto é, são reais, então as palavras, quando adequadamente escolhidas, têm um significado e podem ser importantes. 

António Barreto pede-nos que encontremos um caminho (como diria Vítor Bento) por contágio dos bons exemplos. O que a epidemiologia nos ensina é que a taxa de propagação acelera depois de atingido um certo nível do elemento de contágio*. É possível que estejamos próximos daquele nível crítico, mas não acredito que já o tenhamos atingido. Até lá talvez seja importante mantermos também alguma esperança na eficácia das palavras (ou, por outras palavras, na politica).

* Tecnicamente este processo pode ser representado por uma função logística.

Luís Aguiar-ConrariaJune 5, 2009 5:21 pm

Não consigo imaginar o que quererá o Público dizer quando diz que um dos resultados mais previsíveis na noite eleitoral será um empate técnico. Penso que quer Vital quer Rangel disseram que a vitória era ter mais um voto do que o oponente. Pelo que, provavelmente, o Público quererá mesmo dizer que os dois terminarão com o mesmo número de votos. Nem sei bem como calcular a probabilidade de que ambos acabem com o mesmo número de votos, mas vou fazer um esforço por quantificar tais quantidades. (em stereo com as margens de erro

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Luís Aguiar-Conraria 4:32 pm

E, seguindo a metodologia explicada no post anterior, aqui ficam as minhas previsões:

Em stereo nas "Margens de Erro".

Luís Aguiar-Conraria 12:48 pm

Publicado em stereo nas "Margens de Erro".

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Luís Aguiar-Conraria 3:57 am


Fernando AlexandreJune 3, 2009 10:04 am

Os benefícios do desporto para a saúde são os mais comummente referidos, mas não são menores os que resultam para o espírito. Os meus filhos desde muito novos praticaram desporto (natação, ténis, judo e voleibol) – apesar da minha crónica falta de tempo, ir levá-los e buscá-los aos treinos e jogos teve sempre prioridade na minha agenda.

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Cristóvão de AguiarJune 1, 2009 8:36 pm

São Miguel já não é a mesma Ilha onde fui nado e criado e vivi até à arrogância dos vinte anos. Pude verificá-lo, há pouco, durante o 4.º Encontro Açoriano da Lusofonia, em que, para regozijo meu, não encontrei os costumeiros intelectuais de paco­tilha, que sabem tudo quanto no Universo se passa, com retrato de pose na galeria dos imortais há muito mumificados…

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Luís Aguiar-ConrariaMay 30, 2009 10:27 pm

Clive Granger morreu.

Luís Aguiar-Conraria 2:24 pm

Luís Aguiar-ConrariaMay 28, 2009 2:59 pm

Novamente em stereo com as Margens de Erro.

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Luís Aguiar-ConrariaMay 27, 2009 10:03 pm

Comecei hoje a minha participação no "Margens de Erro". Publico aqui o post em stereo. Se tiverem comentários, deixem-nos lá e não aqui. É só para evitar a dispersão de comentários.

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Luís Aguiar-ConrariaMay 24, 2009 10:34 am

E se vivêssemos num país a sério? Um excelente artigo, publicado no Público de segunda-feira, de Pedro Magalhães que transcrevo na íntegra.

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Cristóvão de AguiarMay 20, 2009 10:35 am

A Internet tem sido ao longo destes últimos anos um local infeto no tocante a certa publicidade enganosa, a alarmismos infundados, a ameaças de quebrar correntes de solidariedade lamecha, e muito outro lixo do mesmo jaez. Apenas um exemplo: a Coca-Cola seria de uma malignidade tamanha, que se pusesse um pedaço de carne, num copo cheio dessa água suja do imperialismo, o bife desfazer-se-ia enquanto o dialho esfregava um olho e coçava o cu pelado de muito inferno sofrido… (more…)

Fernando Alexandre 10:00 am

No dia das provas de aferição de matemática dos 4º e 6º anos um cartoon eloquente sobre a mudança de atitude dos pais em relação à educação (eu próprio como director da licenciatura em Economia da UM já recebi emails e telefonemas de pais perguntando se não estaríamos a ser demasiado exigentes com os alunos). A adaptação ao caso português obrigaria a colocar a Sra. Ministra da Educação do lado dos pais.

Luís Aguiar-ConrariaMay 19, 2009 10:04 am

As probabilidades de se encontrar um dador de medula compatível fora da família mais próxima são tão pequenas que muitas vezes olhei com desconfiança para os bancos de dadores, apesar de eu próprio constar da base de dados. Ontem, fiquei a saber que o bebé de 10 meses de uma amiga, que precisa de fazer um transplante, encontrou um dador compatível na Alemanha.

Luís Aguiar-ConrariaMay 15, 2009 10:27 am

Blogue muito recomendado, e desta vez sem declarações de interesses, que não o interesse do próprio blogue e das obras e exposições lá referenciadas.

Luís Aguiar-ConrariaMay 13, 2009 12:58 pm

O Impacte do risco político no investimento directo estrangeiro – O caso do Brasil como país de destino

Autores
Sandra Conraria Aguiar
Mohamed Azzim Gulamhussen

Declaração de interesses: Sou marido da autora.

 

  

 

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Cristóvão de AguiarMay 11, 2009 7:20 am

O meu “conflito” inicial com o novo acordo ortográfico devia-se tão-só a uma mera estranheza afetiva. Estava longe de trajar-me de mosqueteiro e terçar armas pelo sim ou pelo não. Ao princípio, ver grafado ótimo sem p; ação sem c, veem sem circunflexo no primeiro e; para (sem acento agudo, terceira pessoa de parar e também preposição); pelo sem circunflexo para designar cabelo, pode confundir-se, mas também temos molho, que significa duas coisas: (môlho e mólho), tendo o plural duas pronúncias môlhos, da culinária, e mólhos, feixes de lenha; espetáculo, e algumas outras palavras do mesmo jaez, como seleção das quinas, arquiteto, teto da casa, atual situação do protecionismo estatal, etc., deixam-nos, ao princípio, um pouco perplexos, e a nossa reação traduz-se numa quase orfandade consonântica, que passa com um luto bem feito. No entanto, quando a consoante muda se articula, como em faccioso, ficcional, perfeccionista, bactéria, ela mantém-se no seu posto. (more…)

Cristóvão de AguiarMay 6, 2009 10:01 am

Quando me ponho a pensar no mérito ou demérito destas charlas sobre a Língua Portuguesa, chego pelo menos a duas conclusões dis­tintas, con­soante os dias, isto é, conforme o humor (catadura, ourela, como se diz na Ilha: acordou de má ourela!) com que o sol me nasce: umas vezes julgo que estou a prestar um serviço útil à Humani­dade (não o faço por menos…), outras, arrenego das patacoadas que me não canso de escrevi­nhar. (more…)

Luís Aguiar-ConrariaMay 5, 2009 4:01 pm

Os 10 anos do Euro em debate. É por aqui que eu e o Fernando estaremos nos próximos dias.